Roberta Close

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Roberta Close
Nome completo Roberta Gambine Moreira
Conhecido(a) por Roberta Close
Nascimento 7 de dezembro de 1964 (56 anos)
Rio de Janeiro, RJ
Nacionalidade brasileira
Cidadania suíça
Estatura 1,80m
Ocupação

Roberta Close, nome artístico de Roberta Gambine Moreira (Rio de Janeiro, 7 de dezembro de 1964), é uma supermodelo, atriz, cantora, apresentadora e socialite brasileira, naturalizada suíça. Foi a primeira modelo trans a posar nua para a edição brasileira da revista Playboy.[1] Também já desfilou para inúmeras marcas de moda, incluindo Thierry Mugler, Guy Laroche e Jean Paul Gaultier. Além da Playboy, também teve destaque em editoriais para Vogue.[2] O sobrenome artístico "Close" veio em função da extinta revista Close, para a qual Roberta posou somente de calcinha branca e escondendo os seios e o rosto, aos dezessete anos de idade, edição que vendeu mais de dez milhões de cópias e a projetou nacionalmente.[3]

Biografia e Carreira[editar | editar código-fonte]

Caçula de três irmãos, vinda de uma família de classe média carioca do Bairro de Fátima, Roberta descobriu-se transgênero ainda no começo da adolescência, tendo que enfrentar o preconceito de toda a sua família quando decidiu assumir publicamente a sua identidade de gênero feminina, e desde então passou a possuir uma expressão de gênero feminina. Por vergonha, o pai falava aos amigos que aquela mulher dentro de casa era sua empregada, e não sua filha. Tudo isto fez a jovem se tornar independente ainda cedo. Decidiu sair de casa aos catorze anos de idade, e foi viver com a avó, pois estava cansada de sofrer agressões e preconceitos dos pais. Como sempre quis ser famosa, sua beleza chamativa, de uma morena de olhos negros com 1,80 m, que chamava muita atenção por onde passava e de forma natural, a ajudaram a conseguir emprego como modelo em uma de suas primeiras tentativas de enviar o currículo para agências. Nem o de ter sido atribuída como do sexo masculino ao nascer a impediram de desfilar, visto que sua beleza era muito forte e não haviam traços masculinos no seu corpo. Ela desbancou todas as outras candidatas e conseguiu participar do desfile. Após um tempo, logo recebeu convites para atuar como apresentadora. Voltou a estudar e, fazendo cursos de teatro e música, conseguiu muito sucesso nas carreiras de atriz e cantora. O sucesso chegou cedo, e aos dezoito anos colocou silicone para poder ter seu tão sonhado seio. Nessa época foi morar sozinha, e passou a estampar capas de revista no Brasil e no mundo, viajando por diversos países para desfiles de passarela das mais conceituadas marcas mundiais, tornando-se assim uma supermodelo.[4] Em 1981, ganhou o título de Miss Brasil Gay.[5]

Em 1984, Roberta Close foi a vedete do carnaval carioca. Foi a partir dessa época que se sucederam as inúmeras aparições na imprensa, pode-se dizer que o auge do sucesso aconteceu quando a revista Playboy estampou-a na capa de sua edição de maio de 1984. Pela primeira vez na história do periódico, a principal atração não era uma mulher cisgênero, mas uma mulher transgênero. A chamada da capa da revista era: "Incrível. As fotos revelam porque Roberta Close confunde tanta gente". No entanto, a revista somente revelou os seios da artista, mas não revelou a genitália da modelo, que ainda não havia sido modificada para a sua expressão de gênero. Foi também capa das revistas Ele & Ela (setembro de 1984), Manchete, Sexy, Amiga e Contigo e da revista Close, de onde saiu seu nome artístico. O sucesso que Roberta fez foi tal que chegou a inspirar uma revista em quadrinhos eróticos na qual a personagem principal era uma travesti muito bonita. Nas décadas de 1980 e 1990, Roberta apareceu nos maiores programas de entrevista da mídia brasileira: Fantástico, Domingão do Faustão, Hebe, Gugu, nos programas do apresentador Goulart de Andrade, entre outros.[6] Em Março de 1990, na edição Nº 176 da Playboy, que trazia Luma de Oliveira como modelo de capa, Roberta Close apareceu pela primeira vez completamente nua, mostrando o seu corpo após a cirurgia. Esta edição bateu recordes de venda, pois além de trazer Luma de Oliveira e Roberta Close, trouxe também fotos da então iniciante Pamela Anderson.[6]

Em 1989, após estar há dez anos em consultas com psiquiatras e psicólogos, conseguiu realizar seu grande sonho: Fazer sua cirurgia de redesignação sexual, devido a sua forte disforia de gênero, que a incomodava muito. A cirurgia foi realizada em Londres, com ajuda de amigos, pois era muito cara e a artista não possuía o dinheiro todo. A operação foi muito bem sucedida e lhe trouxe realização pessoal e novas projeções profissionais. Roberta informou em entrevistas ter tido uma recuperação tranquila e sem dor. Em entrevistas, Roberta negou ser somente uma mulher trans, afirmando ser também intersexo, e que a cirurgia feita não foi somente para uma mudança das características sexuais, mas sim também uma readequação da sua identidade de género ao sexo biológico, pois segundo a artista, sempre teve um pensamento e uma personalidade feminina, e que nasceu intersexo, tanto que ao fazer exames de DNA, comprovaram que, mesmo quando possuía um órgão genital masculino, também nasceu biologicamente com características hormonais entre o típico masculino e feminino, tanto que sempre possuiu voz leve e poucos pelos, pois havia pouca testosterona em seu organismo, o que facilitou a sua transição, o que é um caso raro na medicina. Após a cirurgia de redesignação sexual, Roberta afirmou que seu corpo está condizendo com a sua identidade de gênero.[7]

Roberta sofreu por todos seus documentos pessoais ainda constarem seu nome masculino. Logo após a cirurgia, começou sua luta pelo direito de trocar de nome em 1990, mas seu pedido foi imediatamente negado, a deixando muito abalada e triste. Voltou a tentar mudar o nome em 1992, quando conseguiu na 8ª Vara de Família do Rio autorização para trocar de documentos, pedido que lhe foi negado em 2ª instância pelo TJ-RJ. Em 1997, a defesa da modelo então entrou com outra ação, pedindo o reconhecimento de suas características físicas femininas. Roberta então passou por uma perícia com nove médicos especialistas, e os laudos comprovaram que ela possuía aspectos hormonais femininos.[7]

A defesa também argumentou que Roberta não poderia viver psicologicamente bem com um nome que não desejasse e que a levasse a ser vítima de gozações e preconceito, além de que era direito íntimo dela mudar de nome. Sua defesa também mostrou cópias de casos de pessoas trans que conseguiram mudar de nome na justiça. Ao todo eram 37 casos até então no país, sendo que 36 eram do estado de São Paulo. Após décadas de batalha judicial, somente em 10 de março de 2005, quinze anos depois de sua primeira tentativa legal, Roberta Close conseguiu, finalmente, ter garantido o direito da mudar o nome de Luíz Roberto Gambine Moreira para Roberta Gambine Moreira. Uma nova certidão de nascimento foi então emitida pelo cartório da 4ª Circunscrição do Rio de Janeiro. Nela, lavrou-se: "em 7 de dezembro de 1964, que uma criança do sexo feminino, nascida na Beneficência Portuguesa, recebeu o nome de Roberta Gambine Moreira." Essa certidão garante a modelo a retirada no Brasil de documentos, como carteira de identidade, título de eleitor, CNH, CPF e passaporte, como sendo do sexo feminino.[7]

Na sentença da 9ª Vara de Família, baseada nos pareceres de especialistas médicos, a juíza escreveu que "o progresso da ciência deve ser acompanhado pelo direito, pois o homem cria, aplica e se sujeita à norma jurídica, da mais antiquada e obsoleta à mais avançada e visionária". Apesar de tal decisão representar uma mudança significativa para a vida da modelo, o jornal Último Segundo revelou logo após o julgamento que Roberta Close, embora feliz, ainda temia uma nova mudança na decisão judicial futuramente.[7]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

A mídia sempre especulou sobre diversos ficantes que a artista poderia ter tido, mas nenhum foi confirmado por ela. Revelou em entrevistas nunca ter saído com homens do meio artístico, apenas políticos e anônimos. Revelou em entrevistas ter tentado se relacionar com meninas, quando ainda estava se descobrindo, em sua adolescência, e relutava contra sua atração por homens, pois não sabia ser uma mulher e achava que era um menino gay, mas que nunca conseguiu ficar com nenhuma menina, pois sempre sentiu atração exclusiva por homens, e que mesmo tendo se aceitado como gay e passado a sair com homens, ainda faltava algo. Com o tempo, assumiu ser gay para a família, e desistiu de ter uma namorada, mas ainda não se sentia plena em sua orientação sexual, quando então descobriu que não era um homem gay, mas uma mulher trans, visto que as suas características sexuais primárias e secundárias a incomodavam profundamente. Esta descoberta se deu aos catorze anos de idade, quando passou a sentir um grande incômodo com seu corpo e suas roupas, se olhava no espelho e não se reconhecia como um rapaz, não estava gostando de se relacionar com homens com o corpo que tinha, e então passou a seguir seus desejos e possuir uma expressão de gênero feminina, decidida a por silicone e mudar sua genitália futuramente.[3] Roberta sempre se mostrou muito simpática, porém bastante discreta, nunca tendo sido vista publicamente com alguém, fora seu marido. Afirma que sofria preconceito nas novelas, na hora de gravar, pois nenhum homem queria beijar sua personagem, devido ao seu tipo de identidade de gênero. Sempre chamou muita atenção dos homens, devido ao corpo escultural e sua sensualidade. Sua sexualidade era alvo de curiosidade e seu nome era comentado por homens de todo o país.[8]

Desde os anos 80 mantém uma união estável com o empresário suíço Roland Granacher. Em 1993 decidiu deixar sua carreira artística, e morar junto com ele fora do país. Os dois haviam acabado de noivar. Roberta, então, foi viver em Zurique, na Suíça e até hoje está casada, levando uma vida feliz de dona de casa, dizendo viver discretamente, em uma cidade tranquila, recebendo sempre amigos íntimos na mansão do casal. A modelo é poliglota, e fala fluentemente os idiomas: português, sua língua materna, francês, italiano, inglês e alemão. Roberta passa a maior parte do tempo cuidando de sua beleza, e viajando com o marido pela Europa, onde é bastante conhecida. É assídua frequentadora das rodas da alta sociedade europeia, chamando atenção pelo seu glamour, ainda realizando trabalhos esporádicos na área artística, desde participação como atriz em peças de teatro, como em eventos sociais, por ser socialite, também ainda participando de campanhas publicitárias como modelo.

Em entrevistas, revelou não ter mais nenhuma vontade de voltar ao Brasil, por conta da mídia que foca muito em sua vida pessoal ao invés da profissional, e dos preconceitos que o Brasil tem contra a população LGBT. A artista diz temer a violência, e que se não fosse pelos irmãos, cunhadas, sobrinhos, tios e primos que ainda possui, já que perdeu os pais há alguns anos, não voltaria ao país, e que só vem mesmo para visitá-los, embora, mesmo que raramente, ainda viaja ao Brasil para alguns compromissos profissionais, como quando é convidada para participar de algum programa de televisão.

Após oficialmente ser reconhecida como mulher, pôde casar-se legalmente com seu marido e se tornar uma cidadã binacional, conquistando a cidadania suíça.[9] Em entrevistas, comentou nunca ter tido vontade de adotar uma criança, pois apesar de gostar, não sente vontade de cuidar de alguém, e que não possui vocação materna. Seu marido concordou, sempre a respeitando e a apoiando em todas as suas decisões.[10]

Roberta possui uma sobrinha também transexual, a modelo fotográfica formada em artes cênicas Gabrielle Medeiros Gambine. Em entrevistas, a jovem revelou que sua tia é uma grande inspiração de força para a sua vida, e que ela a apoiou bastante em seu processo de transição de gênero.[10]

Polêmica com Erasmo Carlos[editar | editar código-fonte]

Existe uma polêmica de que a música "Dá um Close Nela", de Erasmo Carlos teria sido feita para Roberta. O músico nega a relação, afirmando que a música seria para o grupo Roupa Nova. A música conta a história de uma mulher maravilhosa andando pela praia, sem que as pessoas saibam que se trata de uma travesti. Segundo o cantor, o título original da música era para ser "Vira de Lado" e o título escolhido foi só uma coincidência. O título final acabou sendo "Dá um Close Nela" pela ideia de que o narrador da música estava focando seus olhos para está travesti, ou seja, "dando um close" nela. Coincidência ou não, a música foi lançada no auge do sucesso de Roberta Close (que foi a protagonista do clipe), e, inegavelmente, foi a principal responsável pelo seu estouro nas rádios. Foi uma das músicas mais ouvidas, dançadas e comentadas dos anos 80, o que permitiu a Roberta cantar algumas músicas nas rádios e mostrar ao público seu talento como cantora.[3]

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. "10 Gorgeous Women (Who Were Born Male)" Visitado em 20 August 2015
  2. "FRANÇA: Roberta Close participará de editorial da Vogue" Visitado em 24 November 2015
  3. a b c «De onde veio o "Close" de Roberta Close?». Consultado em 6 de dezembro de 2016. Arquivado do original em 20 de dezembro de 2016 
  4. «EGO - NOTÍCIAS - Roberta Close afirma que é mulher, casada e feliz». ego.globo.com. Consultado em 1 de fevereiro de 2020 
  5. «Roberta Close passa a perna em Miss Brasil». F5. 28 de maio de 2014. Consultado em 1 de fevereiro de 2020 
  6. a b «EGO - NOTÍCIAS - Roberta Close afirma que é mulher, casada e feliz». ego.globo.com. Consultado em 1 de fevereiro de 2020 
  7. a b c d «Após dez anos de silêncio, Roberta Close revela que nasceu hermafrodita: 'Fiz um exame de genes'». R7.com. 21 de maio de 2015. Consultado em 1 de fevereiro de 2020 
  8. «Roberta Close diz que ator se negou a beijá-la na TV: "Ia denegrir imagem"». UOL TV e Famosos. Consultado em 1 de fevereiro de 2020 
  9. «Na Suíça, ícone Roberta Close mostra torcida pela seleção brasileira». Consultado em 6 de dezembro de 2016. Arquivado do original em 20 de dezembro de 2016 
  10. a b «Dama na Suíça, Roberta Close completa 50 anos, e amigos entregam que ela não quer voltar ao Brasil com medo do preconceito». Extra Online. 7 de dezembro de 2014. Consultado em 1 de fevereiro de 2020 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]