Roberta Close

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Roberta Close
Nome completo Roberta Gambine Moreira
Conhecido(a) por Roberta Close
Nascimento 7 de dezembro de 1964 (52 anos)
 Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Nacionalidade Brasil brasileira
Ocupação Modelo, atriz

Roberta Close, nome artístico de Roberta Gambine Moreira, (Cidade do Rio de Janeiro, 7 de dezembro de 1964) é uma modelo, atriz, cantora e apresentadora brasileira. Ela foi a primeira modelo transexual a posar para a edição brasileira da revista Playboy.[1] Também já desfilou para inúmeras marcas de moda, incluindo Thierry Mugler, Guy Laroche, Jean Paul Gaultier. Além da Playboy, também teve destaque em editoriais para Vogue.[2] O sobrenome artístico "Close" veio em função da revista "Close", onde Roberta posou somente de calcinha branca e escondendo o rosto aos dezessete anos de idade, edição que vendeu milhões de cópias e a projetou nacionalmente.[3]

Biografia e Carreira[editar | editar código-fonte]

Caçula de três irmãos, todos homens, vinda de uma família de classe média carioca do Bairro de Fátima, Roberta, nascida como Luiz Roberto Gambine Moreira, descobriu-se homossexual ainda no começo da adolescência, tendo que enfrentar o preconceito de toda sua família, quando decidiu assumir publicamente sua orientação sexual e passou a se vestir como mulher. Por vergonha, o pai falava aos amigos que aquela mulher dentro de casa era sua empregada, e não falava que era seu filho travestido. Tudo isto fez a jovem ser independente ainda cedo. Como sempre quis ser famosa, sua beleza chamativa, de uma morena de olhos negros com 1,80 m, que chamava muita atenção por onde passava e de forma natural, a ajudaram a conseguir emprego como modelo em uma de suas primeiras tentativas de enviar currículo em agências. Nem o fato de ser oficialmente homem a impediram de desfilar, visto que sua beleza era muito forte, e não havia traços masculinos no seu corpo. Ela desbancou todas as outras candidatas e conseguiu participar do desfile. Após um tempo, logo recebeu convites para atuar como apresentadora. Voltou a estudar, e fazendo faculdade de teatro e música, conseguiu muito sucesso nas carreiras de atriz e cantora. O sucesso chegou cedo, e no fim da adolescência já morava sozinha e viajava o mundo.[4]

Em 1984, Roberta Close foi a vedete do carnaval carioca. Foi a partir dessa época que se sucederam as inúmeras aparições na imprensa, pode-se dizer que o auge do sucesso aconteceu quando a revista Playboy estampou-a na capa da edição de maio de 1984. Pela primeira vez na história do periódico, a principal atração não era uma mulher cisgénero, mas uma mulher 'transexual'. A chamada da capa da revista era: "Incrível. As fotos revelam porque Roberta Close confunde tanta gente". Entretanto, conforme cita o jornal virtual Último Segundo, "esse homem era na verdade uma belíssima mulher transexual, e a revista obviamente não mostrou fotografias da sua genitália"[carece de fontes?]. Foi também capa das revistas Ele & Ela, na edição 184 (setembro de 1984), Manchete, Sexy, Amiga e Contigo e da própria revista "CLOSE" de onde saiu seu nome artístico. O sucesso que Roberta fez foi tal que chegou a inspirar uma revista de quadrinhos eróticos, na qual a personagem principal era uma travesti muito bonita. Nas décadas de 1980 e 1990, Roberta apareceu nos maiores programas de entrevista da mídia brasileira: Fantástico, Faustão, Hebe Camargo, Gugu, Goulart de Andrade, entre outros.[5] Em Março de 1990, na edição Nº 176 da Playboy com Luma de Oliveira na capa, foi a primeira vez em que Roberta Close posou completamente nua, mostrando o seu corpo após a cirurgia. Esta edição bateu recordes de venda, pois além de trazer a modelo e atriz Luma de Oliveira, trouxe também fotos da então iniciante Playcat - Pamela Anderson - e um pôster com a Roberta Close completamente nua.[6]

Em 1989, após passar por psiquiatras e psicólogos, decidiu realizar seu grande sonho: Ser fisicamente mulher. A cirurgia foi muito bem sucedida, e lhe trouxe realização pessoal e novas projeções profissionais. Em entrevistas, Roberta negou ser uma transexual, afirmando ser na verdade uma intersexual, ou seja, que não trocou do sexo masculino para o feminino, e que a cirurgia feita não foi somente para uma mudança de sexo, mas sim também uma cirurgia de redesignação sexual, pois segundo a artista, nasceu hermafrodita, tanto quer fez exames genéticos e de DNA, que comprovaram que, mesmo possuindo membro masculino, nasceu biologicamente com características sanguíneas e físicas de homem e mulher, um caso raro na medicina. Após a cirurgia de mudança de gênero, tornou-se uma mulher fisicamente igual a todas as outras.[7] Poucos anos depois, em 1981, ganhou o Miss Brasil Gay [14]</ref>

Apesar de ser de fato uma mulher, sofria por todos seus documentos pessoais ainda constarem seu nome masculino. Logo após a cirurgia, começou sua luta pelo direito de trocar de nome em 1990, mas seu pedido foi imediatamente negado, a deixando muito abalada e triste. Voltou a tentar mudar o nome em 1992, quando conseguiu na 8ª Vara de Família do Rio autorização para trocar de documentos, mas foi negada em 2ª instância pelo (tribunal de justiça). Em 1997, a defesa então entrou com outra ação, pedindo o reconhecimento de suas características físicas femininas. Roberta então passou por nove especialistas médicos e os laudos mostraram que ela possuía aspectos hormonais femininos.[8]

A defesa também argumentou que Roberta não poderia viver psicologicamente bem com um nome que não desejasse e que a levasse a ser vítima de gozações e preconceito, além de que era direito íntimo dela mudar de nome. Sua defesa também mostrou cópias de casos de transexuais que conseguiram mudar de nome na justiça. Ao todo eram 37 casos até então no país, sendo que 36 eram do estado de São Paulo. Após décadas de batalha judicial, somente em 10 de março de 2005, quinze anos depois de sua primeira tentativa legal, Roberta Close conseguiu, finalmente, ter garantido o direito da mudar o nome de Luís Roberto Gambine Moreira para Roberta Gambine Moreira. Uma nova certidão foi então emitida pelo cartório da 4ª Circunscrição do Rio de Janeiro. Nela, lavrou-se: "em 7 de dezembro de 1964, que uma criança do sexo feminino, nascida na Beneficência Portuguesa, recebeu o nome de Roberta Gambine Moreira." Essa certidão garante a modelo a retirada no Brasil de documentos, como carteira de identidade, CPF e passaporte, como sendo do sexo feminino.[9]

Na sentença da 9ª Vara de Família, baseada nos pareceres de especialistas médicos, a juíza escreveu que “o progresso da ciência deve ser acompanhado pelo direito, pois o homem cria, aplica e se sujeita à norma jurídica, da mais antiquada e obsoleta à mais avançada e visionária.” Apesar de tal decisão representar uma mudança significativa para a vida da modelo, o jornal Último Segundo revelou logo após o julgamento que Roberta Close, embora feliz, ainda receava em uma nova mudança na decisão judicial futuramente.[10]

Vida Pessoal[editar | editar código-fonte]

A mídia sempre comentou sobre diversos ficantes que a artista poderia ter tido, mas nenhum foi confirmado por ela. Já revelou em entrevistas ter tentado se relacionar com mulheres quando era homem, mas nunca conseguiu, pois sempre sentiu atração exclusiva por outros homens, e que desistiu de ser heterossexual aos catorze anos de idade, quando passou a usar roupas femininas[11]. Sempre se mostrou muito simpática, porém bastante discreta, nunca tendo sido vista publicamente com alguém, fora seu marido. Afirma que sofria preconceito nas novelas, na hora de gravar, pois nenhum homem queria beijar sua personagem, devido sua condição sexual.[12] Sempre chamou muita atenção dos homens, devido a um corpo escultural e uma beleza sensual. Sua sexualidade era alvo de curiosidade e seu nome era comentado por todos os homens do país. Desde os anos 80 possuía um namorado, um empresário suíço chamado Roland Granacher. Em 1993 decidiu deixar sua carreira, e morar junto com ele fora do país. Os dois haviam acabado de noivar. Roberta, então, foi viver em Zurique, na Suíça e até hoje está casada, levando uma vida feliz de dona de casa, dizendo viver discretamente, em uma cidade tranquila, recebendo sempre amigos íntimos na mansão do casal. Roberta não queria mais voltar ao país, por conta da mídia que foca muito na sua vida pessoal ao invés da profissional, e dos preconceitos que o Brasil tem contra transexuais, homossexuais e travestis. A artista diz temer a violência, e que se não fosse pelos sobrinhos, tios e primos que ainda possui, já que perdeu os pais e os irmão há alguns anos, não voltaria ao país, e que só vem mesmo para visitá-los. Após se transformar em mulher oficialmente, pôde casar-se legalmente com seu marido e se tornar uma cidadã binacional (suíço-brasileira)[13] Em entrevistas, comentou nunca ter tido vontade de adotar uma criança, pois apesar de gostar, não sente vontade de cuidar de alguém, que não possui vocação materna, e que o marido sempre respeitou e a apoiou em todas as suas decisões.[14]

Polêmica com Erasmo Carlos[editar | editar código-fonte]

Existe uma polêmica de que a música Dá um Close Nela de Erasmo Carlos teria sido feita para Roberta. O músico nega a relação alegando que a música seria para o grupo Roupa Nova, contando a história de uma mulher maravilhosa andando pela praia, sem que as pessoas saibam que se trata de uma travesti. O título original da música era para ser Vira de Lado, que seria só mais uma coincidência. O título final acabou sendo Close pela ideia de que o narrador da música estava focando seus olhos para a travesti, ou seja, dando um close. Coincidência ou não, a música foi lançada no auge do sucesso de Roberta Close (que foi a protagonista do clipe), e, inegavelmente, a transexual foi a principal responsável pelo seu estouro nas rádios. Uma das músicas mais ouvidas, dançadas e comentadas dos anos 80, popularizada pela artista Roberta Close.[15]

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]