Roberto Cietto

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Roberto Cietto
Nascimento 12 de outubro de 1936
Pederneiras, Brasil
Morte 04 de setembro de 1969 (32 anos)
Rio de Janeiro, Brasil
Nacionalidade Brasil brasileiro
Ocupação militante

Roberto Cietto (Pederneiras, 12 de outubro de 1936 - Rio da Janeiro,04 de setembro de 1969) foi militante do Movimento de Ação Revolucionária (MAR)[1]. Filho de Primo Cietto e Dorvalina da Silva Cietto, foi dado como desaparecido aos 33 anos.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Roberto havia iniciado a militância política na penitenciária Lemos Brito no Rio de Janeiro, onde cumpria pena por roubo e conheceu alguns presos políticos, grupo com o qual empreendeu uma fuga. Entre eles, alguns ex-marinheiros, como Avelino Capitani, José Duarte e Marco Antônio da Silva Lima (morto em Janeiro de 1970), além do ex-sargento da Aeronáutica Antônio de Paula Prestes, que formaram uma nova organização clandestina denominada de MAR - Movimento de Ação Revolucionária. Inicialmente, o grupo de nove prisioneiros evadidos se instalou na região de Angra dos Reis, onde realizou deslocamentos e treinamentos de guerrilha. Abandonou a mata antes da chegada dos fuzileiros navais enviados à região para desbaratar o movimento.[2] Retornou ao Rio, onde, segundo os órgãos de segurança, participou de ações armadas.

Morte[editar | editar código-fonte]

Relatos levados a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos (CEMDP), informam que Cietto foi preso no dia 4 de setembro de 1969, quando passava casualmente em frente à casa do Embaixador Americano Charles Burke Elbrick, sequestrado no mesmo dia. Conhecido e procurado pelos agentes de segurança por ser fugitivo, foi levado diretamente para o Primeiro Batalhão da Polícia do Exército. Lá foi torturado em busca de informações sobre o sequestro do embaixador, em menos de três horas estava morto.[2]

Em relatório da Marinha, com traz informações sobre a morte de Cietto, a informação é a de que ele teria se suicidado após sofrer um acidente de automóvel, para não ser recapturado pela polícia.[3] O corpo deu entrada no Instituto Médico Legal no mesmo dia, sendo necropsiado por requisição do Quartel do I Exército, de onde foi removido. A necropsia confirma a versão oficial de suicídio por enforcamento, apesar de descrever algumas escoriações encontradas no corpo, como hematomas na pálpebra direita, no braço direito e na perna esquerda.[4]

Exumação[editar | editar código-fonte]

Contrariando a confirmação, fotos e o laudo de perícia do local recolhidos no IML do Rio de Janeiro pelo grupo Tortura Nunca Mais, mostram que ele foi encontrado morto em um banheiro de cela da Polícia do Exército no bairro da Tijuca, zona norte da cidade, depois de ter sido torturado. Além disso, análise do material fotográfico mostra que não havia como Roberto se enforcar, já que estava praticamente sentado.[5]

O atestado de óbito contém apenas seu nome, sendo ignoradas todas as outras informações contidas, apesar de se tratar de alguém que já havia cumprido pena e que teria todos os dados de identificação disponíveis para as autoridades. Esta informação foi confirmada por sua ficha no Instituto Félix Pacheco. Roberto Cietto foi enterrado como indigente no Cemitério de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, em 30 de setembro de 1969.[6]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências