Roberto II da Flandres

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Roberto II da Flandres
Nascimento 1065
Morte 5 de outubro de 1111 (46 anos)
Meaux
Sepultamento Arras
Cidadania Condado da Flandres
Progenitores Mãe:Gertrudes da Saxónia
Pai:Roberto I da Flandres
Cônjuge Clementina da Borgonha
Filho(s) Balduíno VII da Flandres
Irmão(s) Dirk V, Conde da Holanda, Gertrudes da Flandres, Berta da Holanda, Adela da Flandres
Ocupação político
Título conde
Causa da morte afogamento

Roberto II da Flandres (c. 1065Meaux, 5 de outubro de 1111) foi conde da Flandres de 1093 até à sua morte. Também foi conhecido como Roberto de Jerusalém (Robertus Hierosolimitanus) e Roberto o Cruzado após a sua participação na Primeira Cruzada.

Era o primogénito de Roberto I da Flandres com Gertrude da Saxônia. O seu pai, pretendendo colocar o ramo menor dos balduinitas a governar a Flandres, associou-o ao governo a c.1077. De 1085 a 1091 foi regente do condado enquanto o Roberto I se encontrava em peregrinação na Terra Santa.

Primeira Cruzada[editar | editar código-fonte]

Depois de se tornar conde em 1093, aderiu à Primeira Cruzada pregada pelo papa Urbano II em 1095. Roberto estabeleceu um conselho de regência na Flandres e seguiu as forças comandadas por Godofredo de Bulhão.

Rotas dos líderes da Primeira Cruzada. Roberto II da Flandres seguiu Godofredo de Bulhão no trajecto marcado a verde e, a partir de Constantinopla, a vermelho

Após chegarem a Constantinopla, os cruzados foram obrigados a fazer um juramento de vassalagem ao imperador bizantino Aleixo I Comneno, prometendo devolver ao seu império as terras que conquistasse. Uma vez que o seu pai já tinha servido Aleixo durante a sua peregrinação na década anterior, Roberto não pôs entraves a prestar este juramento, ao contrário de outros líderes que provocaram um atraso na saída da capital bizantina.

A primeira grande vitória cristã ocorreu ainda ao lado dos soldados bizantinos, na cidade de Niceia, próxima a Constantinopla, tomada pelos turcos seljúcidas poucos anos antes. Depois as forças cruzadas dividiram-se em dois grupos. Roberto acompanhou Estevão II de Blois, Boemundo de Taranto, Roberto II da Normandia e os guias bizantinos, com um dia de avanço sobre o resto dos cruzados.

Este exército foi cercado pelos seljúcidas na Batalha de Dorileia a 30 de Junho de 1097. No dia seguinte, o segundo contingente liderado por Raimundo IV de Tolosa, Godofredo de Bulhão e Hugo I de Vermandois chegou e rompeu o cerco; os dois exércitos juntaram-se e, com Roberto e Raimundo no centro, os turcos foram derrotados.

No final do ano de 1097 chegaram a Antioquia. O cerco desta cidade durou vários meses, e em Dezembro Roberto e Boemundo partiram em uma expedição para pilhar alimentos nos territórios vizinhos. No dia 30 desse mês interceptaram e derrotaram o auxílio muçulmano de Damasco à cidade sitiada.

Quando Boemundo instigou a traição de um guarda de Antioquia para lhe permitir a entrada, Roberto esteve no primeiro grupo de invasão. Mas poucos dias depois foram os cristãos que passaram a estar cercados pelo inimigo, agora Cerboga de Mossul.

Armas de assalto dos cruzados, ilustração de Gustave Doré

No dia 28 de Junho de 1098 deu-se a batalha, com Roberto e Hugo de Vermandois a liderarem a primeira de seis divisões. Cerboga foi derrotado e a cidadela de Antioquia, ainda no poder dos muçulmanos, rendeu-se finalmente, tendo sido ocupada por Roberto, Boemundo, Raimundo e Godofredo. Boemundo acabaria por reivindicar a posse da cidade, tal como Raimundo, mas Roberto apoiou o príncipe de Taranto.

Esta disputa atrasou ainda mais a cruzada. Entretanto Roberto juntou-se às forças de Raimundo para o cerco, a conquista, o massacre e possivelmente o canibalismo de Maarate Anumane, uma cidade entre Alepo e Hama.

O nobre de Tolosa tentou então subornar vários nobres para o apoiarem, tendo oferecido 6.000 soldos (moedas de ouro bizantinas) a Roberto, que recusou. Sob pressão, em Janeiro de 1099, Raimundo acabou por seguir para sul, em direcção a Jerusalém, mas Roberto e Godofredo permaneceram em Antioquia até ao mês seguinte, quando se voltaram a juntar para o cerco a Arqa, no Líbano.

Em Junho, Roberto e Gastão IV de Béarn lideraram a vanguarda que atingiu Ramla. Depois liderou, juntamente com Tancredo de Altavila, uma expedição a Samaria para reunir madeira para a construção de armas de assalto para o cerco de Jerusalém de 1099.

Quando a Cidade Santa foi tomada a 15 de Julho, Roberto apoiou o partido de Godofredo contra Raimundo, e a 9 de Agosto acompanhou o nobre bolonhês, comandando a ala central dos cristãos na batalha de Ascalão contra o Califado Fatímida. Mas quando Godofredo e Raimundo discutiram sobre a posse de Ascalão, Roberto não pôde apoiar o primeiro e a cidade permaneceu em poder dos muçulmanos, apesar de a vitória na batalha ter permitido o estabelecimento do Reino Latino de Jerusalém.

No final de Agosto, Roberto II da Flandres voltou à Europa com Roberto II da Normandia e Raimundo IV de Tolosa. A caminho conquistaram Lataquia (na Síria), que foi devolvida ao imperador bizantino conforme o prometido em 1096. Raimundo permaneceu nessa cidade mas ambos os Robertos continuaram a viagem até Constantinopla, recusando o pedido de Aleixo de ficar ao seu serviço.

Do Oriente, como presente de Aleixo I Comneno, o conde flamengo trouxe uma relíquia, o braço de São Jorge, que colocou na igreja de Anchin na Flandres. Depois de regressar também construíu o mosteiro de Santo André em Betferkerke, perto de Bruges. Devido à sua participação na cruzada e ao espólio que trouxe, foi também apelidado de Roberto de Jerusalém.

Condado da Flandes[editar | editar código-fonte]

Durante a ausência de Roberto II, o sacro imperador romano-germânico Henrique IV da Germânia tentou tomar a Flandres imperial. Roberto reagiu apoiando a revolta da comuna de Cambrai contra o imperador e o seu apoiante, o bispo Gaulcher, conquistando-lhes alguns castelos. Em 1102 foi finalmente acordada uma paz, na qual Roberto jurou vassalagem ao imperador pela Flandres imperial.

Depois de 1105 o novo imperador germânico, Henrique V, avançou sobre a Flandres com a ajuda do conde Balduíno III de Hainaut e de um exército da Holanda. Roberto interceptou-os nos arredores de Douai e assinou um novo tratado de paz, pelo qual o imperador reconheceu o direito de Roberto aos territórios de Douai e Cambrai.

Em 1103 Roberto tinha feito uma aliança com o rei Henrique I da Inglaterra, oferecendo 1000 cavaleiros em troca de um tributo anual, mas quando o inglês recusou pagar, aliou-se ao seu suserano nominal, Luís VI de França, e atacou a Normandia. Com o rei empenhado nesta tarefa, Teobaldo II de Champagne liderou uma revolta dos barões franceses. Roberto atacou Meaux, mas ao aproximar-se da cidade foi ferido, caíu do cavalo e afogou-se no rio Marne.

Do seu casamento com Clemência da Borgonha, irmã do papa Calisto II, filhos de Guilherme I, Conde da Borgonha, tinham nascido três filhos, mas só o primogénito viveu até à idade adulta. Sucedeu-lhe como Balduíno VII da Flandres.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • A History of the Crusades, vol. I: The First Crusade, Steven Runciman, Cambridge University Press, 1951.
  • The Crusades Through Arab Eyes, Amin Maalouf, Schocken, 1989 (ISBN 0-8052-0898-4)
Precedido por
Roberto I
Brasão dos condes da Flandres
Conde da Flandres

1093 - 1111
Sucedido por
Balduíno VII