Rocha sedimentar

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Rochas sedimentares, com xisto coberto por calcário. Cumberland Plateau, Tennessee, Estados Unidos.

As rochas sedimentares são rochas formadas através da deposição, e consequente cimentação ou consolidação de fragmentos provenientes de material mineral ou material orgânico.

No caso do material mineral, os respetivos fragmentos, denominados de detrito geológico, são provenientes do intemperismo e da erosão. Estes fragmentos minerais são transportados pelo gelo, vento, água, movimento de massas geológicas ou glaciares, sendo estes agentes denominados de agentes de denudação. No caso do material orgânico, os respetivos fragmentos, denominados de detrito biológico, são geralmente provenientes de corpos e partes de organismos subaquáticos, essencialmente conchas, assim como das suas massas fecais. As rochas sedimentares acumulam-se em planaltos na crosta terrestre, tendo sido geralmente outrora fundos marinhos, cobrindo cerca de 75% da superfície terrestre e 90% dos leitos marinhos, correspondendo ainda a 5% do volume da Terra.[1][2]

Por serem formados por detrito biológico, as rochas sedimentares são importantes fontes de material fóssil, como petróleo ou carvão. As rochas sedimentares são um dos três grupos de rochas. Os outros dois grupos são as rochas ígneas, também denominadas de rochas magmáticas; e as rochas metamórficas.

Formação[editar | editar código-fonte]

As rochas sedimentares formam-se por três processos principais:

  • pela deposição das partículas originadas pelo intemperismo de outras rochas - rochas sedimentares clásticas ou detríticas;
  • pela precipitação de substâncias em solução - rochas sedimentares quimiogénicas; e
  • pela deposição dos materiais de origem biológica - rochas sedimentares biogénicas.

As rochas sedimentares podem ainda ser consideradas:

  • Consolidadas - se os detritos apresentam-se ligados por um cimento, como é o caso das brechas ou do arenito; ou
  • Não consolidadas - se os detritos não estão ligados entre si, como no caso dos grãos de areia das dunas.

As rochas sedimentares são formadas a partir de restos de outras rochas, seres vivos ou outros materiais transportados pelo vento e pela água e sofrem dois passos na sua formação, a sedimentação, sendo esta o conjunto de processos que levam à formação de sedimentos (meteorização, erosão, transporte e deposição); e a diagénese.

Consolidação dos sedimentos
  • compactação de partículas (de rochas e seres vivos);
  • desidratação, em que a água é expelida;
  • cimentação, que através de um cimento natural as partículas ficam "coladas" e compactadas, formando uma rocha.
Estas rochas podem ser formadas por
  • Minerais primários - minerais que provêm diretamente de rochas pré-existentes;
  • Minerais de neoformação - minerais novos formados devido a fenômenos de transformações químicas ou de precipitações de soluções;
  • Partes de seres vivos - Por exemplo: conchas e fragmentos de corais.

Rochas sedimentares contêm informações importantes sobre a história da Terra, como por exemplo, os fósseis, os restos preservados de antigas plantas e animais. [3]A composição dos sedimentos nos fornecem pistas sobre a rocha original. As diferenças entre as sucessivas camadas indicam mudanças de ambiente que ocorreram ao longo do tempo. Rochas sedimentares podem conter fósseis porque, ao contrário da maioria das rochas ígneas e metamórficas, elas se formam a temperaturas e pressões que não destroem os restos fósseis.

As rochas sedimentares cobrem os continentes da crosta terrestre extensivamente, mas a contribuição total das rochas sedimentares estima-se que seja de apenas cinco por cento do total. Dessa forma, vemos que as sequências sedimentares representam apenas uma fina camada de uma crosta composta essencialmente de rochas ígneas e metamórficas.

Classificação[editar | editar código-fonte]

Rochas sedimentares clásticas (mecânicas)[editar | editar código-fonte]

Rochas sedimentares clásticas são compostas por fragmentos de materiais derivados de outras rochas. São compostas basicamente por sílica (ex: quartzo), com outros minerais comuns, como feldspato, anfibólios, argilominerais e raramente alguns minerais ígneos mais exóticos.

A classificação das rochas sedimentares clásticas é complexa, porque há muitas variáveis envolvidas. A granulometria (tanto o tamanho médio, como a gama de tamanhos de partículas), a composição das partículas, do cimento e da matriz (o nome dado às pequenas partículas presentes nos espaços entre os grãos maiores) são tomadas em consideração. Em relação à granulometria, pode dizer-se que, por exemplo, a argila pertence ao grupo com partículas mais finas, os arenitos com partículas de tamanho intermédio, e os conglomerados formados por partículas maiores.

Rochas sedimentares biogênicas[editar | editar código-fonte]

Rochas sedimentares biogênicas são formadas por materiais gerados por organismos vivos, como corais, moluscos e foraminíferos, que cobrem o fundo do oceano com camadas de calcita que podem mais tarde formar calcários. Outros exemplos incluem os estromatólitos, e o sílex encontrado em nódulos em giz (que é em si uma rocha sedimentar biogênica, uma forma de calcário).

Rochas sedimentares quimiogênicas[editar | editar código-fonte]

Rochas sedimentares quimiogênicas podem se formar quando em soluções minerais, tais como a água do mar que se evapora. Os exemplos incluem o calcário, o halite e o gesso.

Outras informações[editar | editar código-fonte]

As rochas sedimentares são economicamente importantes na medida em que podem ser utilizados como material de construção. Além disso, muitas vezes formam reservatórios em bacias sedimentares, em que petróleo e outros hidrocarbonetos podem ser encontrados.

Acredita-se que os níveis relativamente baixos de emissões de dióxido de carbono na atmosfera da Terra, em comparação com a de Vênus, é devido a grandes quantidades de carbono sendo preso em calcário e dolomita. O fluxo de carbono a partir de sedimentos marinhos erodidos faz parte do ciclo do carbono.

A forma das partículas em rochas sedimentares tem um efeito importante sobre a capacidade de microrganismos para colonizá-los. Esta interação é estudada pela microbiologia. Uma medida da forma dessas partículas é o fator cilindricidade, também conhecido como o número Krumbein, do nome do geólogo que o propôs.

Referências

  1. Wilkinson, B. H.; McElroy, B. J.; Kesler, S. E.; Peters, S. E.; Rothman, E. D. (27 de abril de 2009). «Global geologic maps are tectonic speedometers--Rates of rock cycling from area-age frequencies». Geological Society of America Bulletin (em inglês). 121 (5-6): 760–779. ISSN 0016-7606. doi:10.1130/B26457.1 
  2. Bucher, Kurt; Grapes, Rodney (14 de julho de 2011). Petrogenesis of Metamorphic Rocks (em inglês). [S.l.]: Springer Science & Business Media. ISBN 9783540741688 
  3. Lula jurássica desenhada com a própria tinta - texto de Ricardo Costa sobre o património jurássico de Peniche

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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