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Rolândia

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Rolândia
Vista aérea da cidade
Vista aérea da cidade
Vista aérea da cidade
Hino
Gentílicorolandense[1]
Localização de Rolândia no Paraná
Localização de Rolândia no Paraná
Localização de Rolândia no Paraná
Rolândia está localizado em: Brasil
Rolândia
Localização de Rolândia no Brasil
Mapa
Mapa de Rolândia
Coordenadas23° 18′ 36″ S, 51° 22′ 08″ O
PaísBrasil
Unidade federativaParaná
Região metropolitanaLondrina
Municípios limítrofesJaguapitã, Arapongas, Pitangueiras, Sabáudia e Cambé
Distância até a capital399 km
Fundação29 de junho de 1934 (91 anos)
Governo
 • Prefeito(a)Aílton Aparecido Maistro[2] (UNIÃO [3][4], 2021–2024)
 • Vereadores10
Área
 • Total IBGE/2019[5]459,024 km²
Altitude750 m
População
 • Total (estimativa IBGE/2022[6])71 670 hab.
Densidade156,1 hab./km²
Climasubtropical (Cfa)
Fuso horárioHora de Brasília (UTC−3)
IDH (PNUD/2000[7])0,784 alto
PIB (IBGE/2018[8])R$ 2 657 284,00 mil
 • Per capita (IBGE/2018[8])R$ 40 410,66
Sítiowww.rolandia.pr.gov.br (Prefeitura)
www.cmrolandia.pr.gov.br (Câmara)

Rolândia é um município brasileiro do norte do estado do Paraná, localizado na Região Metropolitana de Londrina. Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2022, era de 71,670[9] habitantes.

Geografia

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Estrada São Rafael, zona rural do município de Rolândia.

A sede do município está situada a 750 metros de altitude. Os municípios limítrofes são Jaguapitã (norte), Cambé e Londrina (leste), Arapongas (sul), Pitangueiras e Sabáudia (oeste).

Seu território se estende pelas microbacias hidrográficas do ribeirão Vermelho, do ribeirão Ema e do rio Bandeirantes do Norte.

O clima é classificado como Subtropical Úmido Mesotérmico sem estação seca definida, mas com tendência nos meses de verão. O verão geralmente é quente, com médias mensais acima dos 22°C.

Vista aérea do município de Rolândia.

No inverno, ocorrem geadas com pouca frequência devido à falta de precipitação nos dias de frio intenso, em que as temperaturas podem alcançar valores de 0,3°C (3 de junho de 2009) e, em ocasiões extremas, chegar a -4°C, como no inverno de 1975, quando nevou em todo Centro-Sul do Estado.

Demografia

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Etnias
Branca 77,9%
Parda 16,6%
Negra 3,4%
Amarela 2,1%

Fonte: Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES) 2005

Subdivisões

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O município compõe-se de três distritos: Rolândia (sede), Nossa Senhora da Aparecida e São Martinho.[10]

Fazenda Bimini, zona rural do município de Rolândia.

Nos primórdios de sua colonização, somente os cafezais é que geravam riqueza. Atualmente, além do cultivo da soja, milho, trigo, cana de açúcar e à laranja, a economia a cidade conta ainda com duas grandes empresas frigoríficas, com o setor agropecuário forte, com varias indústrias de médio e pequeno porte e com um setor de comércio e serviços condizente ao porte do município.

Política

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Administração

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  • Prefeito: Ailton Aparecido Maistro (2021/2024) - (2025-2028)

Comunicação

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  • Rádio Cobra FM LTDA. (Rádio Cobra FM 107.1 Mhz);
  • Rádio Comunitária Cultura FM - 87,5 MHZ;
  • TV Educativa (TV Cultura - Canal 27.1 - Retransmissora da Rede Cultura Fundação Padre Anchieta).
  • Massa FM Londrina - 97.3 MHZ ( concessão e sistema de transmissão em Rolândia)

O futebol rolandense está conectado principalmente à história do Nacional Atlético Clube. Este foi fundado em 1947, sendo o primeiro clube a ser fundado no Norte do Paraná. Curiosamente, serviu de inspiração para a fundação do Londrina, em 1956. O clube mudou sua sede para Campo Mourão em 2024, porém, em sua estadia em Rolândia, foi bicampeão da segunda e terceira divisão estadual, além de um título da Taça FPF.[11][12]

Outro clube da cidade foi o Rolândia Esporte Clube, de 1973, que após décadas no amadorismo, se profissionalizou em 2017.[13] Contudo, em 2025, o clube foi comprado e se mudou para São Mateus do Sul, deixando Rolândia sem representantes no futebol.[14]

Rolândia é a terra natal de Elifas Andreato.

Rolândia possui três museus que contam sua história, sendo o Museu Municipal (que sedia o Centro Histórico em funcionamento na antiga estação ferroviária), o Museu da Imigração Japonesa e o Museu de Cera da Igreja Matriz. A cena cultural é ainda enriquecida por iniciativas privadas, como o museu da Fazenda Verseroda, que conserva um acervo familiar sobre a imigração alemã, com peças originais trazidas nas décadas de 30 e 40."[15]

Museu Histórico da Imigração Japonesa de Rolândia, conhecido como Museu Japonês, teve sua origem a partir do Museu Agrícola de Rolândia. Mantido pela Aliança Cultural Brasil-Japão do Paraná, em ocasiões de celebração das comemorações da Imigração Japonesa foi visitado pelos Príncipes do Japão, Presidentes da República do Brasil e outras autoridades. Após passar por um processo de reformas e reestruturação, foi reinaugurado no dia 17 de junho de 2001. A data foi escolhida para coincidir com as comemorações dos 93 anos da Imigração Japonesa no Brasil. Estas reformas foram finalizadas a tempo de receber a ilustre visita da Princesa do Japão, que esteve no local em junho de 2025.[16]

Em seu acervo, os visitantes tem a oportunidade de conhecer uma variedade de equipamentos e peças ligadas à agricultura japonesa, que marcaram a trajetória dos imigrantes na região. Além disso, o espaço abriga pinturas, vestimentas típicas e diversos objetos relacionados à cultura, educação e história da colônia japonesa no Norte do Paraná. Completam a experiência um belo jardim e a presença de um Templo Xintoísta, que enriquecem a ambientação cultural e histórica do local. A museologia praticada no museu segue uma lógica valorizada por estudiosos da área, como ROQUE, Maria Isabel. (2010, p. 133-150), que defende que 'a permanência dos objectos junto às comunidades de origem garante uma continuidade mais lógica do seu historial'.[17] Atualmente, o museu está inativo para visitações e exposições.

Na matéria do site 'Um Jornal Regional',[18] ao entrevistar o coordenador do museu, percebe-se que a visita ao museu oferece a oportunidade de compreender o quanto foi difícil para os primeiros imigrantes japoneses se estabelecerem na região. “Eles enfrentaram desafios imensos, como desmatar a terra com ferramentas rústicas, construir casas com o que encontravam na mata, plantar o próprio alimento e lidar com as barreiras culturais e de idioma”, explicou o coordenador do museu, Fábio Iwakura.

O Museu Municipal de Rolândia, fundado em 1989, narra a história do município de origem alemã. Após passar por reformas recentes para melhorias, o museu já se encontra em pleno funcionamento. Sua atual sede foi reconstruída ao lado do antigo Hotel Rolândia, uma estratégia que ressalta sua missão de preservar a memória afetiva da cidade. Essa escolha vai ao encontro da ideia de que "os museus-casa, como antigos espaços de moradia, estabelecem ligações com a identidade social de seus habitantes, constituindo-se de vivências e se caracterizando como núcleos paradigmáticos de significação simbólica"[19] (SILVEIRA, Maria Teresa, pp.13). Dedicado a um público diverso, o museu tem o hábito de receber estudantes do Ensino Fundamental e Médio, docentes, universitários, povos originários e outras comunidades tradicionais, turistas nacionais, pessoas com deficiência e a Terceira Idade.

O Museu de Arte Izidoro Armacollo, conhecido como Museu de Cera, ficou mais conhecido em 2021 após viralizar na mídia. Além de 38 esculturas de cera, o museu abriga 133 telas pintadas por Arlindo Armacollo, de 80 anos. Ele é empresário, artista autodidata nas horas vagas e dono do Museu de Arte, bem como criador das estátuas. Inclusive, Arlindo construiu o espaço com o próprio dinheiro, como um presente para a cidade. O lugar foi nomeado em homenagem ao pai dele, que também era pintor.[20]

Cemitérios municipais de Rolândia

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Os cemitérios municipais são importantes marcadores de cultura material em Rolândia. Estes espaços possibilitam o aprofundamento dos estudos acerca das relações interétnicas durante a colonização, e são evidências concretas da presença judaica no Norte do Paraná. Apesar de não ter havido comunidades que praticassem o Judaísmo Institucional, através de estudos realizados nas sepulturas presentes nas necrópoles de Rolândia[21] pôde-se encontrar vestígios de religiosidade israelita, em maior ou menor proporção, nas lápides das famílias alemães-judias colonizadoras e seus descendentes.

O primeiro cemitério a ser fundado foi o São Pedro, em 1933, se localiza na região urbana e apresenta características comuns às demais necrópoles brasileiras, sendo um quadrilátero divido em quadras com um cruzeiro ao centro. As sepulturas localizadas próximas ao centro pertencem a famílias mais abastadas, provocando uma divisão desigual entre os jazigos. O segundo cemitério foi o São Rafael, criado em 1939, na lateral da estrada rural de mesmo nome. Apresenta arquitetura simples, com muros baixos e apenas uma passagem central que divide a necrópole em dois lados, sendo as sepulturas similares em tamanho e simplicidade escultural, fundidas a um bosque. Embora seja acoplado a uma capela católica, há um hibridismo entres religiões cristãs e a judaica no local, característica recorrente na pratica religiosa dos judeus de Rolândia.[22]

Entre as sepulturas, há aquelas fortemente marcadas com as tradições judaicas como a presença da estrela de David, a escrita hebraica, a arquitetura simples e o caráter perpétuo (sem violações). Outra estrutura encontrada entre os jazigos são de teor religioso híbrido, pois apresenta certa quantidade de características judaicas e cristãs -utilização de crucifixos e/ou ruptura da perpetuação do túmulo pela exumação de familiares- e aqueles que não apresentam característica judaica nenhuma. Nestes casos, a análise dos nomes nas lápides teve importante papel, pois através deles é possível encontrar as raízes israelitas.[23]

O Cemitério São Rafael, anexado a uma capela de alvenaria e pedra, é símbolo do processo de fortificação identitária dos alemães da colônia, principalmente porque boa parte desses eram refugiados das perseguições étnicos-religiosas, promovidas pelo regime nazista. Desde sua chegada em Rolândia, os refugiados buscaram se manter afastados dos demais imigrantes, estabelecendo entre si relações cooperativas. A fundação do cemitério se deu pelo desejo de ter um espaço reservado para o sepultamente de seus pares, no seio da comunidade alemã.[24]

Entre os colonos sepultados na necrópole estão alguns nomes importantes para a constituição da colônia, como Max Hermann Maier, advogado de Frankfurt, que compôs uma rede de apoio juntamente com Erich Koch-Weser e Johannes Schauff, para que pessoas de origem judaica pudessem sair da Alemanha refugiar-se na colônia, e sua esposa Mathilde Maier, que lecionava sobre religião e língua hebraica para os filhos dos judeus, fortalecendo as identidades israelitas; o próprio Koch-Weser, que foi dirigente da Sociedade para Estudos Econômicos do Ultramar, fundação que apoiou o empreendimento da colonização alemã no Norte do Paraná, e Oswald Nixdorf, o diretor da Gleba Colônia Roland.

Devido suas evidências das expressões de religiosidade alemã, seja ela judaica, luterana ou católica, o lugar se torna um centro de memória e pertencimento desses refugiados no território brasileiro. Dessa forma, o cemitério São Rafael não chama atenção apenas de pesquisadores interessados em compreender sua "simbiose cultural", mas também de turistas que passam pela cidade, sendo local de produção de conhecimento e apreciação cultural.

Referências

  1. «Gentílico rolandense». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de agosto de 2018. Consultado em 25 de novembro de 2018 
  2. Prefeito e vereadores de Rolândia tomam posse Portal G1 - acessado em 22 de fevereiro de 2021
  3. «Representantes». União Brasil. Consultado em 29 de setembro de 2022 
  4. https://uniaobrasil.org.br/representantes/#prefeitos
  5. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2019). «Área da unidade territorial - 2019». Consultado em 22 de fevereiro de 2021 
  6. «Estimativa populacional 2022 IBGE». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 28 de agosto de 2020. Consultado em 4 de setembro de 2020 
  7. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  8. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2018». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 22 de fevereiro de 2021 
  9. «Rolândia». IBGE. Consultado em 26 de setembro de 2024 
  10. «Rolândia». IBGE Cidades. Consultado em 11 de março de 2022 
  11. Bonassoli, Leonardo (18 de janeiro de 2015). «Guia das Cidades - Paranaense 2015 - Rolândia». Futebol Metrópole. Consultado em 27 de agosto de 2025 
  12. FPF, Imprensa (28 de abril de 2025). «Nacional comemora 75 anos de fundação - Federação Paranaense de Futebol». Consultado em 27 de agosto de 2025 
  13. «Derbi de Rolândia é jogo isolado nesta quarta (4) na Divisão de Acesso 2020». Correio do Cidadão. 3 de novembro de 2020. Consultado em 3 de fevereiro de 2025. Cópia arquivada em 23 de abril de 2024 
  14. «SAMAS, o novo time profissional do Paraná, estreia contra o Prudentópolis na Terceirona – Você Esporte Clube». 22 de agosto de 2025. Consultado em 27 de agosto de 2025 
  15. Filho, Homero (28 de julho de 2016). «Você conhece os Museus de Rolândia?». Blog Spot 
  16. «Entenda o momento do Museu Japonês de Rolândia». Um Jornal Regional. 30 de janeiro de 2025 
  17. ROQUE, Maria Isabel (2010). [file:///D:/Downloads/ojs_admin,+08.-Maria-Isabel-Roque.pdf A Exposição do Sagrado no Museu] Verifique valor |url= (ajuda) (PDF). Lisboa: Comunicação & Cultura. p. n. 9 
  18. «Entenda o momento do Museu Japonês de Rolândia». Um Jornal Regional. 30 de janeiro de 2025 
  19. SILVEIRA, Maria. «Dissertação de Mestrado submetida ao corpo docente do Programa de Pós-graduação em Museologia e Patrimônio, do Centro de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO» (PDF) 
  20. Abrão, Isabella (27 de janeiro de 2024). «Conheça o Museu de cera de Rolândia, no Paraná». Nova Jornada 
  21. SOARES, Marco Antônio Soares (setembro de 2010). «CLASSIFICAÇÃO E CATALOGAÇÃO DE CULTURA MATERIAL: TIPOLOGIAS SEPULCRAIS DE ISRAELISTAS PRESENTES NO CEMITÉRIO SÃO RAFAEL, MUNICÍPIO DE ROLÂNDIA-PR». EDUEM. Revista Brasileira de Histórias das Religiões. v. 3 (n. 8): 65. Consultado em 12 de novembro de 2025 
  22. SOARES, Marco Antônio Neves (2012). da Alemanha aos trópicos: identidades judaicas na terra vermelha (1933-2003). Londrina: EDUEL. p. 186. ISBN 9788572166157 
  23. SOARES, Marco Antônio Neves. Da Alemanha aos trópicos: identidades judaicas na terra vermelha (1933-2003). Londrina: EDUEL, 2012.
  24. CASTILHO, Marcos Ursi Corrêa de. Entre dois mundos: etnicidade, identidade e finitude entre os refugiados da SHOAH em Rolândia - PR a partir da década de 1930. Dissertação (Mestrado em História Social) - Universidade Estadual de Londrina. Londrina. p. 130. 2010.

Ligações externas

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