Rola-rabilonga
A rola-rabilonga[1] (Oena capensis) é uma pequena pomba que vive na maior parte da África subsariana, Madagáscar e Arábia. É a única espécie do género Oena.
Taxonomia
[editar | editar código]A rola-rabilonga é a única espécie do género monotípico Oena. Está mais aparentada com as rolas do género Turtur, e algumas provas filogenéticas indicam que Oena poderia formar parte de Turtur.[2] Em 1760 o zoólogo francês Mathurin Jacques Brisson incluiu uma descrição da rola-rabilonga no sexto volume da sua obra Ornithologie baseando-se num espécime recolhido perto do Cabo da Boa Esperança na África do Sul. Utilizou para ela o nome francês La tourterelle du Cap de Bonne Espérance e o latino Turtur capitis bonae spei.[3] Embora Brisson tenha cunhado um nome latino para esta ave, este não está conforme com o sistema de nomenclatura binomial vigente e não é reconhecido pela Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica.[4] Quando em 1766 o naturalista sueco Carl Linné atualizou a sua obra Systema Naturae para a 12ª edição, acrescentou 240 espécies que Brisson descrevera previamente.[4] Uma delas foi a rola-rabilonga, que situou juntamente com outras pombas no género Columba. Linné incluiu uma breve descrição, cunhou o nome binomial Columba capensis e citou os trabalhos de Brisson.[5] O termo específico capensis faz referência ao Cabo da Boa Esperança.[6] A rola-rabilonga está situada agora no género Oena, que foi criado pelo naturalista inglês William Swainson em 1837.[7][8] O nome do género procede do grego antigo oinas, que significa 'pombo'.[9]
Subespécies
[editar | editar código]São reconhecidas duas subespécies:[8]
- O. c. capensis – Linnaeus, 1766: A subespécie nominal, vive na África subsariana, Península Arábica, sul de Israel, sudoeste da Jordânia e na ilha de Socotorá.
- O. c. aliena – Bangs, 1918: Vive em Madagáscar. Os machos têm píleos e partes superiores mais escuras, pescoços e peitos mais brancos, testas negras mais estreitas e faixas faciais, e coberturas da parte inferior da cauda cinzentas. Ambos os sexos têm retrizes com pontas redondas e tendem a ser mais pequenas que a subespécie nominal.[2]
Descrição
[editar | editar código]É uma rola diminuta do tamanho de um pardal, com cerca de 22 cm de comprimento, uma envergadura alar de 28–33 cm e um peso de 40 g. Tem uma cauda preta muito longa que se vai adelgaçando, e o seu tamanho e forma fizeram que fosse comparada com o periquito-comum. A plumagem é maioritariamente cinzenta, exceto a barriga branca e as plumas primárias castanhas que são visíveis em voo. O macho adulto tem um bico amarelo e vermelho e face, garganta e peito pretos. A fêmea adulta carece de cor preta e tem um bico cinzento com base vermelha. As aves jovens têm manchas escuras nas asas e ombros e de resto lembram as fêmeas. A sua canção é um curto e tranquilo duplo huu, mais agudo na nota segunda mais longa ku-huuu, triste e repetido frequentemente.
Distribuição e habitat
[editar | editar código]É uma ave reprodutora residente muito espalhada na África subsariana e Madagáscar, ampliando a sua distribuição à Península Arábica, sul de Israel e Jordânia. Agrupa-se em zonas quase desérticas com acacias e arbustos. A rola-rabilonga tem tendência a vaguear fora da sua área de distribuição original, e agora é registada em países do sul da Ásia. No Paquistão esta espécie foi registada perto de águas costeiras em Paradise Point, Karachi em 2016. Na Índia, a espécie foi observada muitas vezes perto do Santuário de Aves de Nalsarovar.[10]

Comportamento
[editar | editar código]É bastante terrestre e geralmente procura alimento em terrenos abertos e beiras das estradas. Come quase exclusivamente sementes diminutas, como as das ervas, ciperáceas e outras herbáceas. Não é gregária e encontra-se sozinha ou em pares, embora possa formar bandos maiores nas poças de água. O seu voo é rápido com batidos entrecortados e uma tendência a voar baixo.
Reprodução
[editar | editar código]Constrói um ninho de paus num arbusto. Põe dois ovos brancos, que incuba durante 16 dias da maneira típica das pombas; a fêmea choca pela noite e de manhã cedo e o macho desde a metade da manhã até ao final da tarde.
Referências
- ↑ «Denominación das aves» (em galego). Real Academia Galega. Consultado em 5 de dezembro de 2024
- 1 2 Baptista, Luis F.; Trail, Pepper W.; Horblit, H. M.; Kirwan, Guy M.; Boesman, Peter F. D. (1 de outubro de 2020). Schulenberg, Thomas S.; Keeney, Brooke K., eds. «Namaqua Dove (Oena capensis)». Birds of the World (em inglês). doi:10.2173/bow.namdov1.02
- ↑ Brisson, Mathurin Jacques (1760). Ornithologie, ou, Méthode contenant la division des oiseaux en ordres, sections, genres, especes & leurs variétés (em francês e latim). 1. Paris: Jean-Baptiste Bauche. pp. 120–121, Placa 9 fig 2 Os dois asteriscos (**) ao início da secção indicam que Brisson baseou a sua descrição no exame de um espécime.
- 1 2 Allen, J.A. (1910). «Collation of Brisson's genera of birds with those of Linnaeus». Bulletin of the American Museum of Natural History. 28: 317–335. hdl:2246/678
- ↑ Linnaeus, Carl (1766). Systema naturae : per regna tria natura, secundum classes, ordines, genera, species, cum characteribus, differentiis, synonymis, locis (em latim). 1, Part 1 12th ed. Holmiae (Estocolmo): Laurentii Salvii. p. 286
- ↑ Jobling, James A. (2010). The Helm Dictionary of Scientific Bird Names. Londres: Christopher Helm. p. 89. ISBN 978-1-4081-2501-4
- ↑ Swainson, William (1837). On the Natural History and Classification of Birds. 2. Londres: John Taylor. p. 301
- 1 2 Gill, Frank; Donsker, David; Rasmussen, Pamela, eds. (2020). «Pigeons». IOC World Bird List Version 10.1. International Ornithologists' Union. Consultado em 15 de março de 2020
- ↑ Jobling, James A. (2010). The Helm Dictionary of Scientific Bird Names. Londres: Christopher Helm. p. 280. ISBN 978-1-4081-2501-4
- ↑ «Sign in». secure.birds.cornell.edu. Consultado em 15 de fevereiro de 2022