Império Romano

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Roma Imperial)
Ir para: navegação, pesquisa
Senatus Populusque Romanus
"O Senado e o Povo Romano" ou
Imperium Romanum[nt 1]

Império Romano

Império

Spqrstone.jpg
27 a.C. – 476 d.C.
1453
Labarum.svg
 
Labarum.svg

Vexilo, com a águia e o acrônimo do Estado romano de Império Romano

Vexilo, com a águia e o acrônimo do Estado romano

Lema nacional
Senatus Populusque Romanus
(Senado e Povo de Roma)
Localização de Império Romano
Extensão máxima do Império Romano durante o reinado de Trajano, em 117
Continente Europa, Bacia Mediterrânea da África e da Ásia
Capital Roma
(27 a.C. - 286 d.C.)
Constantinopla
(A partir de 330)
Língua oficial Latim, grego
Religião Politeísmo romano (27 a.C. - 380 d.C.) / cristianismo (380 - 476)
Governo De jure: República
De facto: Oligarquia
Principado: 27 a.C.-295 d.C.
Dominato: 235 - 395
Imperador
 • 27 a.C. - 14 d.C. Augusto
 • 379 - 395 Teodósio I
 • 475 - 476
1449 - 1453
Rômulo Augusto / Constantino XI Paleólogo 
Legislatura Senado romano
Período histórico Antiguidade clássica
 • 31 a.C. Batalha de Áccio
 • 27 a.C. Otaviano é proclamado Augusto.
 • 285 Diocleciano divide o império entre Ocidente e Oriente
 • 330 Constantino declara Constantinopla como a nova capital do império.
 • 395 Morte de Teodósio I, selando a divisão permanente entre Leste e Oeste.
 • 476 d.C.
1453
Rômulo Augusto é deposto/ Queda de Constantinopla
Área
 • 25 a.C.[2][3] 2 750 000 km2
 • 50[2] 4 200 000 km2
 • 117[2] 6 500 000 km2
 • 390[2] 4 400 000 km2
População
 • 25 a.C.[2][3] est. 56 800 000 
     Dens. pop. 20,7 hab./km²
 • 117[2] est. 88 000 000 
     Dens. pop. 13,5/km²
Moeda Denário, sestércio, soldo
Atualmente parte de

O Império Romano (em latim: Imperium Romanum[nt 2]) foi o período pós-republicano da antiga civilização romana, caracterizado por uma forma de governo autocrática liderada por um imperador e por extensas possessões territoriais em volta do mar Mediterrâneo na Europa, África e Ásia. A república que o antecedeu ao longo de cinco séculos encontrava-se numa situação de elevada instabilidade, na sequência de diversas guerras civis e conflitos políticos, durante os quais Júlio César foi nomeado ditador perpétuo e assassinado em 44 a.C. As guerras civis culminaram na vitória de Otávio, filho adotivo de César, sobre Marco António e Cleópatra na batalha de Áccio em 31 a.C. Detentor de uma autoridade inquestionável, em 27 a.C. o senado romano atribuiu a Otávio poderes absolutos e o novo título Augusto, assinalando desta forma o fim da república.

O período imperial prolongou-se por cerca de 500 anos. Os primeiros dois séculos foram marcados por um período de prosperidade e estabilidade política sem precedentes denominado Pax Romana. Na sequência da vitória de Augusto e da posterior anexação do Egito, a dimensão do império aumentou consideravelmente. Após o assassinato de Calígula em 41 d.C., o senado considerou restaurar a república, o que levou a guarda pretoriana a proclamar Cláudio imperador. Durante este período, assistiu-se ao maior alargamento do império desde a época de Augusto. Após o suicídio de Nero em 68, teve início um breve período de guerra civil, durante o qual foram proclamados imperadores quatro generais. Em 69, Vespasiano triunfou sobre os restantes, estabelecendo a dinastia flaviana. O seu filho, Tito, inaugurou o Coliseu de Roma, pouco após a erupção do Vesúvio. Após o assassinato de Domiciano, o senado nomeou o primeiro dos cinco bons imperadores, período durante o qual o império atingiu o seu apogeu territorial no reinado de Trajano.

O assassinato de Cómodo em 192 desencadeou um período de conflito e declínio denominado ano dos cinco imperadores, do qual Septímio Severo saiu triunfante. O assassinato de Alexandre Severo, em 235, levou à crise do terceiro século, durante a qual o senado proclamou 26 imperadores ao longo de cinquenta anos. A imposição de uma Tetrarquia proporcionou um breve período de estabilidade, embora no final tenha desencadeado uma guerra civil que só terminou com o triunfo de Constantino em relação aos rivais. Agora único governante do império, Constantino mudou a capital para Bizâncio, rebatizada Constantinopla em sua honra, a qual permaneceu capital do oriente até 1453. Constantino também adotou o cristianismo, que mais tarde se tornaria a religião oficial do império. A seguir à morte de Teodósio, o domínio imperial entrou em declínio como consequência de abusos de poder, guerras civis, migrações e invasões bárbaras, reformas militares e depressão económica. A deposição de Rómulo Augusto por Odoacro é o evento geralmente aceite para assinalar o fim do império ocidental. No entanto, o Império Romano do Oriente prolongou-se por mais um milénio, tendo sido conquistado pelo Império Otomano em 1453.

O Império Romano foi uma das mais fortes potências económicas, políticas e militares do seu tempo. Foi o maior império da antiguidade Clássica e um dos maiores da História. No apogeu da sua extensão territorial exercia autoridade sobre mais de cinco milhões de quilómetros quadrados e uma população de mais de 70 milhões de pessoas, à época 21% da população mundial. A longevidade e extensão do império proporcionaram uma vasta influência na língua, cultura, religião, técnicas, arquitetura, filosofia, lei e formas de governo dos estados que lhe sucederam. Ao longo da Idade Média foram feitas diversas tentativas de estabelecer sucessores do Império Romano, entre as quais o Império Latino e o Sacro Império Romano-Germânico. A expansão colonial europeia, entre os séculos XV e XX, difundiu a cultura romana a uma escala mundial, desempenhando um papel significativo na construção do mundo contemporâneo.

História

Ver artigo principal: História do Império Romano

A expansão romana teve início no século VI a.C., pouco após a fundação da república. No entanto, só no século III a.C. é que Roma iniciou a anexação de províncias fora da península itálica, quatro séculos antes de alcançar a sua maior extensão territorial e, nesse sentido, constituía já um "império", apesar de ainda ser governado enquanto república.[9][10][11] A República Romana não era um estado-nação no sentido contemporâneo do termo, mas antes uma rede de cidades, cada uma com diferente grau de autonomia em relação ao senado romano. As províncias republicanas eram administradas por antigos cônsules e pretores, eleitos para um mandato de um ano.[12] O poder militar dos cônsules tinha como base a noção jurídica de imperium, ou comando militar.[13] Ocasionalmente, os cônsules bem-sucedidos eram agraciados com o título imperator (comandante), o qual está na origem do termo "imperador".[14]

Augusto e transição da república para o império

Ver artigos principais: Augusto e República Romana
Augusto, o primeiro imperador, na estátua da Prima Porta. O imperador era a máxima autoridade política e religiosa do império.

A partir do final do século II a.C., ao mesmo tempo que Roma vivia uma série de conflitos internos, conspirações e guerras civis, a sua influência alargou-se para além de Itália. O século I a.C. foi um período de instabilidade, marcado por diversas revoltas políticas e militares que abriram caminho para a implementação de um regime imperial.[15][16][17] Em 44 a.C., Júlio César foi aclamado ditador perpétuo antes de ser assassinado.[18] No ano seguinte, Otávio (futuro Augusto), sobrinho-neto e filho adotivo de César e um dos mais destacados generais republicanos, tornou-se um dos três membros do Segundo Triunvirato — uma aliança política com Lépido e Marco António.[19] A divisão do império entre António e Otávio foi efémera. As tensões entre ambos no período que se seguiu à Batalha de Filipos (42 a.C.) levaram à dissolução do triunvirato em 32 a.C. e ao confronto na Batalha de Áccio (31 a.C.), da qual Marco António e a rainha Cleópatra saíram derrotados. O subsequente confronto em Alexandria (30 a.C.) proporcionou a anexação do Reino Ptolemaico por Otávio.[18]

Principado

Em 27 a.C., o Senado e Povo de Roma proclamaram Otaviano príncipe (em latim: princeps; transl.: lit. "primeiro [cidadão]") com imperium proconsular e o título Augusto (em latim: augustus , lit. "o venerado"). Este evento assinala o início do Principado, a primeira época do período imperial entre 27 a.C. e 284 d.C. O governo de Augusto pôs fim a um século de guerra civil, dando início a uma época sem precedentes de estabilidade social, prosperidade económica e Pax Romana ("paz romana"), que se prolongou durante os dois séculos seguintes. As revoltas nas províncias eram pouco frequentes e rapidamente controladas.[20] Sendo agora o único governador de Roma, Augusto iniciou uma série de reformas militares, políticas e económicas em larga escala. O senado atribuiu-lhe o poder de nomear os próprios senadores e autoridade sobre os governadores de província, criando de facto o cargo que mais tarde seria denominado imperador.[21]

Augusto implementou princípios de sucessão dinástica, sendo sucedido na dinastia júlio-claudiana por Tibério (r. 14–37), Calígula (r. 37–41), Cláudio (r. 41–54) e Nero (r. 54–68). Por 54, Roma foi assolada por um Grande incêndio e por 68, Nero suicidou-se sem deixar sucessores. Em 69 d.C., durante o ano dos quatro imperadores, Vespasiano (r. 69–79) ascendeu ao poder e fundou a efémera dinastia flaviana, muito lembrada pela construção do Coliseu, sucedida pela dinastia nerva-antonina e da qual fizeram parte os imperadores Nerva (r. 96–98), Trajano (r. 98–117), Adriano (r. 117–138), Antonino Pio (r. 138–161) e Marco Aurélio (r. 161–180). Em 212, durante o reinado de Caracala (r. 211–217), foi concedida cidadania romana a todos os cidadãos livres do império. Mas apesar deste gesto de universalidade, a dinastia severa foi marcada por vários tumultos ao longo da crise do terceiro século, uma época de invasões, agitação social, dificuldades económicas e peste. No contexto da periodização da História, esta crise é geralmente considerada o momento de transição entre a Antiguidade Clássica e a Antiguidade Tardia.[22]

Dominato

Maquete de Roma durante o reinado de Constantino (306-337)
Divisão do império após a morte de Teodósio I, em 395, sobreposta às fronteiras modernas.

Diocleciano (r. 284–305) renunciou ao papel de príncipe e adotou o título domine (mestre ou lorde), marcando a transição do principado para o dominato — um estado de monarquia absoluta que se prolongaria desde 284 até à queda do Império Romano do Ocidente em 476.[23] Diocleciano impediu o colapso do império, embora o seu reinado tenha sido marcado pela perseguição ao cristianismo. Durante o seu reinado, o império foi dividido numa Tetrarquia de quatro regiões, cada uma governada por um imperador distinto.[24] Em 313, a tetrarquia entrou em colapso. Após uma série de guerras de sucessão, Constantino (r. 306–337) emergiu como único imperador e o primeiro a converter-se ao cristianismo, estabelecendo Constantinopla como capital do Império do Oriente. Ao longo das dinastias constantina e valentiniana, o império encontrava-se dividido numa metade ocidental e outra oriental, sendo o poder partilhado por Roma e por Constantinopla. A sucessão de imperadores cristãos foi brevemente interrompida por Juliano (r. 361–363), que tentou restaurar as religiões romana e helenística. Teodósio I (r. 378–395), o último imperador a governar o império oriental e ocidental, morreu em 395, após ter decretado o cristianismo a religião oficial do império.[25]

Fragmentação e declínio

A partir do início do século V o Império Romano começou a fragmentar-se, uma vez que o elevado número de migrações dos povos germânicos era superior à capacidade do império em assimilar os migrantes. Embora o exército romano fosse eficaz a repelir os invasores, o mais notável dos quais Átila, o Huno (r. 434–453), o império tinha assimilado de tal forma povos germânicos com lealdade duvidosa a Roma que o império se começou a desmembrar a partir de si próprio. A maior parte dos historiadores data a Queda do Império Romano do Ocidente em 476, ano em que Rómulo Augusto (r. 475–476) foi deposto pelo líder hérulo Odoacro (r. 476–493).[26] No entanto, em vez de assumir para si o título de imperador, Odoacro submeteu-se ao domínio do Império Romano do Oriente, terminando assim a linha de imperadores ocidentais. Ao longo do século seguinte, o império oriental, conhecido atualmente como Império Bizantino,[nt 3] foi perdendo progressivamente o domínio da parte ocidental. O Império Bizantino terminou em 1453, com a morte de Constantino XI (r. 1449–1453) e a conquista de Constantinopla pelo Império Otomano.[27]

Geografia e demografia

A muralha de Adriano no norte de Inglaterra, que dividia o império romano da constante ameaça dos bárbaros, é o principal testemunho sobrevivente da política de consolidação do território e controlo de fronteiras.[28]

O Império Romano foi um dos maiores da História e dominava uma extensão territorial contínua ao longo da Europa, Norte de África e Médio Oriente,[29] desde a muralha de Adriano na chuvosa Inglaterra até às margens soalheiras do rio Eufrates na Síria, desde as planícies férteis da Europa Central até às luxuriantes margens do vale do Nilo no Egito.[30] A noção de imperium sine fine ("império sem fim") manifestava a ideologia romana de que o seu império não era limitado no espaço e no tempo.[31] A maior parte da expansão romana ocorreu durante a república, embora algumas partes do norte e centro da Europa tenham sido conquistadas no século I d.C., período que corresponde à consolidação do poder romano nas províncias.[32] A Res Gestae, narrativa das conquistas de Augusto, destacava o número de povos e regiões do império.[33] A administração imperial realizava frequentemente censos e mantinha registos geográficos meticulosos.[34]

O império atingiu a sua maior extensão territorial durante o reinado de Trajano (r. 98–117),[35] correspondente a uma área de cerca de cinco milhões de quilómetros quadrados e atualmente repartida por quarenta países.[36] A população deste período é tradicionalmente estimada entre 55 e 60 milhões de habitantes,[30] o que correspondia a entre 1/6 e 1/4 da população mundial[37] e à maior população de qualquer unidade política do Ocidente até meados do século XIX.[38] No entanto, estudos mais recentes têm estimado um pico demográfico entre 70 e 100 milhões de habitantes.[39] Cada uma das três maiores cidades do império — Roma, Alexandria e Antioquia — tinham o dobro do tamanho de qualquer cidade europeia durante o início do século XVII.[40] Adriano, o sucessor de Trajano, abandonou a política expansionista e optou por uma política de consolidação do território, definindo, fortificando e patrulhando as regiões de fronteira.[41]

Língua

Ver artigo principal: Línguas do Império Romano
Inscrição bilingue em latim e púnico no teatro de Léptis Magna na província de África. Apesar de o latim ser a língua franca dos negócios e aquela em que eram redigidos os documentos oficiais do império, coexistia com uma grande diversidade de línguas locais como a língua púnica, gaulesa, aramaica ou língua copta

A língua dos romanos era o latim, que Virgílio destacou como fonte da unidade e tradição romanas.[42] Embora o latim fosse a língua corrente nos tribunais e administração pública no Império do Ocidente e no exército de todo o império, não era imposto de forma oficial aos povos sob domínio romano.[43] Ao conquistar novos territórios, os romanos preservavam as tradições e línguas locais, introduzindo gradualmente o latim através da administração pública e documentos oficiais.[44] Esta política contrasta com a de Alexandre, o Grande, que impôs o grego helenístico como língua oficial do seu império.[45] Isto fez com que o grego antigo viesse a ser a língua franca da metade oriental do Império Romano, ao longo de todo o mediterrâneo oriental e da Ásia Menor.[46][47] No ocidente, o latim vulgar substituiu progressivamente as línguas celtas e itálicas, relativamente às quais partilha a mesma raiz indo-europeia, o que facilitou a sua adoção.[48]

Embora os imperadores júlio-claudianos incentivassem o uso de latim na realização de negócios oficiais em todo o império, o grego continuou a ser a língua literária entre a elite cultural romana, e a maior parte dos governantes era fluente em grego. Cláudio tentou limitar o uso de grego, chegando a revogar a cidadania para aqueles que não soubessem latim, embora no próprio senado houvesse embaixadores nativos em grego.[49] No Império do Oriente, as leis e os documentos oficiais eram regularmente traduzidos de latim para grego.[50] A utilização simultânea de ambas as línguas pode ser observada em inscrições bilingues em grego e latim.[51][52] Em 212, quando foi concedida cidadania a todos os homens livres do império, era esperado que os cidadãos que não soubessem latim adquirissem algumas noções básicas da língua.[53] No início do século V, Justiniano esforçou-se por promover o latim enquanto língua do Direito no oriente, embora o latim tenha perdido progressivamente influência e existência enquanto língua viva.[54]

A constante referência a intérpretes na literatura e nos documentos oficiais indica a vulgaridade e prevalência no Império Romano de uma grande quantidade de línguas locais. Os próprios juristas romanos preocupavam-se em assegurar que as leis e os juramentos eram corretamente traduzidos e compreendidos nas línguas locais, como a língua púnica, gaulesa, aramaica, ou ainda a língua copta, predominante no Egito, ou as línguas germânicas, predominantes nas regiões do Reno e do Danúbio.[55] Em algumas regiões, como na província de África, o púnico era usado em moedas e inscrições nos edifícios públicos, algumas bilingues com o latim. No entanto, a predominância do latim entre as elites e como língua oficial de documentos escritos comprometeu a continuidade de diversas línguas locais, uma vez que todas as culturas no interior do império eram de tradição predominantemente oral.[56]

Governo

Os três principais elementos do estado imperial romano foram o governo central, as forças armadas e os governos provinciais.[57] As forças militares impunham o domínio sobre um território através de campanhas militares. No entanto, depois de uma cidade ou povo assinarem tratados de cooperação, as missões militares convertiam-se em missões de policiamento, protegendo cidadãos romanos e, a partir de 212, todos os homens livres do império, os campos de cultivo e locais religiosos.[58] Sem recursos modernos de comunicação ou destruição em massa, os romanos não dispunham de capital humano suficiente para impor o seu domínio apenas através da força. Era necessária a cooperação com as elites locais para manter a ordem, recolher informações e cobrar impostos. Os romanos muitas vezes exploravam divisões políticas internas entre os povos assimilados, apoiando uma facção contra outra.[59][60] As comunidades que demonstrassem a sua lealdade perante Roma podiam manter as suas próprias leis, cobrar os seus próprios impostos e, em casos excecionais, estavam isentas dos impostos centrais. Os privilégios jurídicos e a relativa independência constituíam um incentivo a que fosse do interesse da população manter a sua reputação perante Roma.[61] Assim, o poder do governo central romano era limitado, embora eficiente no uso dos recursos disponíveis.[62]

Governo central

Coroação de Nero como imperador pela sua mãe, a imperatriz Agripina, em 54 O imperador era a autoridade política e religiosa máxima do Império Romano, tendo autoridade sobre o próprio senado. Ao longo do tempo, o poder do imperador foi-se afastando do modelo constitucional do principado e aproximando do modelo despótico do dominato.

O imperador era a suprema autoridade religiosa e política do império, reservando para si competências que durante a república eram atribuição do senado, como o direito de declarar guerra, ratificar tratados e negociar com líderes estrangeiros.[63] A autoridade do imperador baseou-se na concentração dos poderes de vários cargos republicanos, entre os quais a inviolabilidade e autoridade sobre o poder civil dos tribunos da plebe, a autoridade sobre o exército dos procônsules e a autoridade dos censores para manipular a hierarquia da sociedade romana e controlar o senado.[64] Embora as funções do imperador tenham sido definidas durante o principado, ao longo do tempo o poder do imperador foi se afastando do modelo constitucional e aproximando-se progressivamente do modelo do despotismo característico do dominato.[65] A morte de um imperador provocava um período de incerteza e crise. A maior parte dos imperadores indicava o seu sucessor, geralmente um membro familiar chegado ou herdeiro adotivo. O novo imperador deveria garantir a lealdade do aparelho de estado para estabilizar o cenário político.[66]

Os imperadores da dinastia júlio-claudiana eram assistidos por um corpo informal de conselheiros, que incluía não só senadores e equestres, como também escravos e libertos de confiança.[67] Após o reinado de Nero, a influência deste conselho era vista com desconfiança e o consílio (consilium) passou a ser escolhido por indicação oficial.[68] Embora até ao fim da dinastia antonina os senadores assumissem o papel de destaque nas decisões políticas, a influência dos equestres no conselho foi aumentando progressivamente.[69] As mulheres da família do imperador intervinham frequentemente nas suas decisões.[70] Fora do seu círculo reservado, o acesso ao imperador tinha lugar durante uma recepção diária (salutatio), inspirada na tradição romana da homenagem diária dos clientes aos seus patronos, e durante a qual se realizavam no palácio cerimónias religiosas e banquetes públicos. Os cidadãos comuns sem acesso a estas recepções podiam manifestar-se em grupo durante os jogos realizados nos grandes recintos.[71] Por volta do século IV, à medida que os centros urbanos entravam em declínio, os imperadores cristãos tornaram-se figuras resguardadas do público, promulgando decretos generalistas e deixando de responder a petições individuais.[72]

O senado sobreviveu à restauração de Augusto e ao turbulento ano dos quatro imperadores, conservando durante o principado o prestígio político que detinha na república, embora não tivesse suficiente poder político para se opor à vontade do imperador.[73] Era o senado que legitimava o domínio do imperador, e o imperador necessitava da experiência dos senadores enquanto legados para as funções de generais, diplomatas e administradores.[73][66] O exército era a fonte pragmática do poder e autoridade do imperador. Os legionários eram pagos pelo tesouro imperial e todos os anos juravam lealdade ao imperador durante o sacramentum.[74] Nenhum imperador conseguia reinar sem o apoio da guarda pretoriana e das legiões, pelo que era comum o pagamento de um donativum para garantir o seu apoio. Em teoria, o senado era livre para escolher o novo imperador, embora na prática o fizesse de acordo com o desejo dos pretorianos.[66]

Governo provincial

Ver artigo principal: Província romana
Províncias do Império Romano em 117 d.C. A rosa, as províncias senatoriais governadas por magistrados eleitos em Roma pelo senado. A verde, as províncias imperiais em que o governador era nomeado pelo imperador.

Para que um território anexado se tornasse uma província era necessária a realização de um inventário das cidades, de um censo da população e de um levantamento topográfico.[75] A administração passava então a manter diversos registos, entre os quais dos nascimentos e mortes, das transações de propriedade e dos procedimentos jurídicos. As províncias eram administradas por governadores romanos. As províncias senatoriais eram governadas por magistrados eleitos em Roma em nome do povo romano. As províncias imperiais, excluídas do controlo do senado, eram governadas por membros da ordem equestre que administravam o imperium em nome do imperador. Um governador devia ser acessível à população governada, embora pudesse delegar várias tarefas, para as quais dispunha de um quadro de funcionários públicos: aparitores (apparitores; assessores), entre os quais se incluíam lictores, mensageiros, escribas e guarda-costas; legados civis e militares, geralmente da ordem equestre; e um conselho não oficial de pessoas de confiança.[76]

As finanças públicas eram supervisionadas por funcionários nomeados para o cargo. Durante o império, procedeu-se a uma reforma do sistema fiscal, separando-o dos tribunais e da administração pública, já que durante a república era comum a exploração da população local.[77] Os procuradores, cuja autoridade era extra-judicial e extra-constitucional, geriam não só a propriedade do Estado, como a vasta propriedade do imperador (res privata). Dado que existiam poucos funcionários nos governos locais, caso um administrador de província necessitasse de apoio para uma disputa jurídica ou caso criminal podia convocar qualquer cidadão romano com alguma competência administrativa, como um procurador ou um oficial militar, desde um centurião até às patentes inferiores.[78][79]

Exército e marinha

Recriação histórica do equipamento padrão de um legionário do exército romano por volta de 75 d.C., túnica de mangas curtas, capacete imperial e armadura segmentada (lorica segmentata). Os legionários estavam armados com um gládio, um púgio à cinta e dispunham de um escudo (scutum).

Os legionários do exército imperial romano eram profissionais de carreira que se voluntariavam para vinte anos de serviço ativo e cinco na reserva, cujos salários eram pagos através do erário militar. A profissionalização do exército teve início no final do período republicano e substituiu o serviço militar obrigatório, pelo qual se convocavam os habitantes para combater uma ameaça específica.[80] Serviam no exército imperial cerca de 300 000 soldados no século I e menos de 400 000 no século II, um número significativamente menor do que o conjunto das forças armadas dos territórios conquistados e que corresponde a cerca de 2% dos homens adultos residentes no império.[81]

As três principais divisões militares eram a guarnição de Roma, incluindo a guarda pretoriana e os vigiles (polícia e bombeiros); o exército provincial, incluindo as legiões e as tropas auxiliares romanas; e a marinha romana. A omnipresença de guarnições militares em todo o império foi uma das principais influências no processo de romanização.[82] Cada legião organizava-se em dez coortes, cada uma com seis centúrias, que por sua vez eram divididas em dez contubérnios. Estima-se que cada legião tivesse, em média, 5 000 soldados.[83] Durante e após a Segunda Guerra Civil da República de Roma, Augusto reduziu o número de legiões, superior a 60, para apenas 28.[84] Durante os três séculos seguintes, o número total de legiões manteve-se em trinta.[85]

Augusto criou também a guarda pretoriana, nove coortes ostensivas guarnecidas em Itália e com a função de manter a ordem pública. Os pretorianos eram melhor remunerados e serviam menos tempo do que os legionários, retirando-se ao fim de dezasseis anos de serviço militar.[86] As tropas auxiliares (auxilia) eram recrutadas entre os não cidadãos e organizavam-se em pequenas unidades com aproximadamente o tamanho de uma coorte. Os soldados recebiam menos do que os legionários, embora ao fim de 25 anos de serviço lhes fosse oferecida e aos filhos a cidadania romana. As tropas auxiliares tinham cerca de 125 000 homens, distribuídos por aproximadamente 250 regimentos auxiliares.[87] Durante o início do império, a cavalaria romana era proveniente principalmente de Hispânia e das regiões celtas e germânicas, influenciando alguns aspetos do treino e do equipamento romanos.[88]

A marinha romana (classis) abastecia e transportava as legiões, auxiliava a proteção das fronteiras ao longo dos rios, protegia as rotas de comércio marítimo contra os ataques de piratas e patrulhava o Mediterrâneo, partes da costa atlântica e o mar Negro. No entanto, o exército era considerado o ramo mais prestigiado.[89] Durante o início do principado, a marinha organizava-se de forma semelhante a uma centúria. Os voluntários podiam se inscrever na infantaria naval ou como remadores, marinheiros ou artesãos, embora todos fossem considerados milites (soldados). A maior parte da tripulação era formada pelos remadores (remiges), que durante o império eram na sua maioria peregrinos (peregrini) das províncias de tradição marítima [90] A centúria era liderada por um centurião, assistido por um optio e um beneficiário (beneficiarius), que supervisionava os funcionários administrativos, aspirantes e especialistas. Cada navio era comandado por um trierarca e cada esquadrão de dez navios liderado por um navarco.[90][91] O termo genérico para um navio de guerra a remos era navis longa, distinguindo-o dos veleiros mercantes (navis oneraria) ou das pequenas embarcações (navigia minora).[92] A marinha possuía diversos tipos de embarcações, desde pequenas barcaças de reconhecimento, como as liburnas, até grandes navios de guerra, como o hexarreme.[93][94] A principal arma do navio era o rostro (rostrum), usado para afundar ou imobilizar os navios inimigos perfurando o seu casco. No convés eram também montadas balistas e catapultas.[95]

Direito

Cidadão de Emona, estátua em bronze do século II. O direito romano aplicava-se apenas aos cidadãos. Para aqueles que não possuíam cidadania, a administração romana respeitava as leis e as tradições locais (mos regionis).

Os tribunais romanos possuíam jurisdição para deliberar sobre processos que envolvessem cidadãos romanos em todo o império, embora houvesse poucos funcionários para fazer cumprir a lei de forma uniforme entre as províncias. Para os que não tinham cidadania romana, a política do império consistia em respeitar a mos regionis, a "tradição local" ou "leis da terra" dos povos romanizados, vendo-as como fonte de precedentes jurídicos e de estabilidade social.[96][97] A compatibilidade entre o direito romano e o direito local era vista como reflexo da Ius gentium, a lei das gentes ou direito internacional comum entre todas as comunidades humanas.[98] Quando determinados aspetos das leis provinciais entravam em conflito com as leis ou costumes romanos, podiam ser feitos apelos aos tribunais romanos, tendo o imperador autoridade para promulgar uma decisão final.[nt 4][96][99]

A maior parte dos territórios da parte oriental do império tinha implementados códigos de direito e procedimentos jurídicos. A ocidente, o direito tinha sido administrado numa base tribal e o direito à propriedade privada pode ter constituído uma novidade da era romana, sobretudo entre os povos celtas. O direito romano facilitava a aquisição de riqueza por parte da elite pró-romana, a qual via vantagens nos seus novos privilégios enquanto cidadãos do império.[100] O alargamento da cidadania de forma universal a todos os habitantes do império em 212 exigiu a aplicação uniforme do direito romano, substituindo os códigos de direito locais que eram aplicados a não cidadãos. A tentativa de Diocleciano em estabilizar o império após a crise do terceiro século incluiu duas compilações jurídicas notáveis em apenas quatro anos, o Código Gregoriano e o Código Hermogeniano, destinadas a auxiliar os administradores de província a implementar padrões jurídicos consistentes.[101]

Finanças

Personificação do rio Nilo e da sua prole. século I d.C.

O direito fiscal era confuso e contraditório e determinava um sistema complexo de impostos diretos e indiretos, alguns pagos em dinheiro e outros em géneros. Os impostos podiam ser específicos de determinada província, podiam incidir apenas sobre determinado tipo de propriedades, como a pesca ou salinas ou podiam ainda ser aplicados apenas durante determinado intervalo de tempo.[102] Em regiões pouco monetarizadas eram aceites pagamentos em género, sobretudo nas que produziam cereais ou bens para abastecer os campos militares.[103] Os impostos também financiavam o exército, pelo que os contribuintes tinham direito a reembolso quando o exército capturava despojos ou excedentes.[37][104]

O valor de impostos cobrados no império correspondia a 5% do produto interno bruto romano.[36] A taxa de imposto sobre rendimentos individuais variava entre 2 e 5%.[105] Os cidadãos pagavam impostos per capita e pelos seus terrenos, com base na sua produção ou na capacidade produtiva.[105] O código previa exceções; por exemplo, os agricultores egípcios estavam isentos quando o ciclo de cheias do rio Nilo não era favorável. As obrigações fiscais eram determinadas pelos censos, os quais exigiam que cada chefe de família se apresentasse perante o administrador encarregado e indicasse a constituição da sua família e as propriedades que possuía adequadas a agricultura ou habitação.[106]

Uma das principais fontes de impostos indiretos era a portoria, obtida em alfândegas e portagens sobre importações e exportações, inclusive entre províncias. Existiam também impostos especiais sobre o comércio de escravos. Um proprietário que libertasse um escravo pagava uma taxa de liberdade, calculada em 5% do seu valor (vicesima libertatis). Era ainda cobrado um imposto de 5% a todos os cidadãos romanos acima de determinadas posses que deixassem uma herança a outras pessoas que não a sua família próxima. Os impostos sobre bens do estado e 1% dos valores de leilão revertiam a favor do fundo de pensões militar.[105] As reduzidas taxas de imposto permitiram à aristocracia romana acumular riqueza, a qual igualava ou excedia a receita do próprio governo central. Por vezes, um imperador repunha o tesouro do estado através da apreensão das propriedades dos imensamente ricos. A recusa no pagamento de impostos por parte dos mais abastados foi um dos factores que contribuiu para o colapso do império.[37]

Sociedade

Ver artigo principal: Sociedade romana
Banquete entre gerações, representado numa pintura mural de Pompeia, século I d.C., hoje no Museu Arqueológico Nacional de Nápoles

O Império Romano era uma sociedade multicultural, com uma surpreendente capacidade de coesão, capaz de criar uma noção de identidade comum ao mesmo tempo que assimilou os mais diversos povos no seu sistema político.[107] A preocupação romana em criar monumentos e espaços comunitários abertos ao público, como os fóruns, anfiteatros, circos ou as termas, ajudou a estabelecer o sentimento de romanidade.[108] A sociedade romana possuía um sistema complexo de múltiplas hierarquias, que o conceito contemporâneo de classe social não define de forma precisa.[109]

As duas décadas de guerra civil anteriores ao governo de Augusto deixaram a sociedade tradicional romana num estado de confusão e sobressalto.[110] No entanto, a diluição da hierarquia rígida da república levou a uma cada vez maior mobilidade social entre os romanos,[111][112] tanto ascendente como descendente, e mais expressiva do que em qualquer outra sociedade da Antiguidade documentada.[113] As mulheres, os libertos e os escravos tinham agora oportunidades económicas e de exercício de influência através de meios que anteriormente lhes estavam vedados.[114] A vida em sociedade do império, particularmente para os que tinham recursos limitados, foi ainda impulsionada pela proliferação de associações voluntárias e confrarias (collegia e sodalitates) formadas com diversas finalidades: guildas profissionais e comerciais, grupos de veteranos, associações religiosas, clubes gastronómicos[115] e trupes artísticas.[116] No governo de Nero não era invulgar encontrar um escravo que fosse mais rico do que um cidadão nascido livre, ou um equestre (eques) mais influente do que um senador.[117]

Cidadania

Ver artigo principal: Cidadania romana

De acordo com o jurista Gaio, a principal distinção entre pessoas no direito romano dava-se entre cidadãos livres (liberi) e escravos (servi).[118] O estatuto jurídico dos cidadãos livres podia ainda ser precisado de acordo com a sua cidadania. Durante o início do império, só um número limitado de homens é que tinha pleno direito à cidadania romana, a qual lhes permitia votar, candidatar-se a eleições e serem ordenados sacerdotes. A maior parte dos cidadãos tinha apenas direitos limitados, tendo, no entanto, direito a proteção jurídica e outros privilégios que eram vedados àqueles que não tinham cidadania. Os homens livres que viviam no interior do império, mas que não eram considerados cidadãos, tinham o estatuto de peregrinos (peregrini, ou não romanos).[119] Em 212, através do Édito de Caracala, o imperador Caracala alargou o direito de cidadania a todos os habitantes do império, revogando todas as leis que distinguiam cidadãos de não cidadãos.[120]

Escravos

Ver artigo principal: Escravidão na Roma Antiga
Mosaico de Duga, Tunísia (século II). Os dois escravos que carregam jarros de vinho ostentam o vestuário comum entre escravos e trazem ao pescoço um amuleto contra o mau-olhado. O rapaz da esquerda segura em água e toalhas e o da direita um ramo e um cesto de flores.

Na época de Augusto, cerca de 35% dos habitantes da província de Itália eram escravos.[121] A escravatura era uma instituição complexa e de utilidade económica que sustentava a estrutura social romana.[122] A indústria e a agricultura dependiam da mão de obra escrava. Nas cidades, os escravos podiam exercer diversas profissões, entre as quais professores, médicos, cozinheiros e contabilistas, embora a maioria realizasse apenas tarefas pouco qualificadas. Fora de Itália, os escravos constituíam em média entre 10 a 20% da população.[123] Embora a escravatura tenha diminuído nos séculos III e IV, permaneceu parte integrante da sociedade romana até ao século V, até desaparecer gradualmente ao longo dos séculos VI e VII, a par do declínio dos centros urbanos a da desintegração do complexo sistema económico que criava a procura.[124]

A escravatura romana não tinha por base a discriminação racial.[125][126] Durante a expansão republicana, período em que se deu a generalização da escravatura, a principal fonte de escravos eram prisioneiros de guerra das mais diversas etnias. A conquista da Grécia levou para Roma um grande número de escravos extremamente qualificados e instruídos. Os escravos podiam também ser vendidos em mercados e, ocasionalmente, por piratas. Entre outras fontes de escravos estavam o abandono infantil e a auto-escravização entre os mais pobres.[127] Os vernas (vernae) eram escravos filhos de uma mãe escrava que tivessem nascido e crescido na casa dos seus proprietários. Embora não tivessem qualquer proteção jurídica particular, o dono que maltratasse ou não cuidasse dos seus vernas era malvisto pela sociedade, já que estes eram considerados parte da sua família, podendo até ser filhos dos homens livres da família.[128][129][130]

A legislação sobre escravatura era bastante complexa.[131] Perante a lei romana, os escravos eram considerados propriedade e não tinham personalidade jurídica. Um escravo podia ser sujeito a formas de castigo corporal vedadas a cidadãos, ser explorado sexualmente, torturado e executado sumariamente. Em termos jurídicos, um escravo não podia ser considerado violado, uma vez que a violação só podia ser exercida sobre pessoas livres; um violador de um escravo teria de ser acusado pelo dono por danos materiais.[132][133] Os escravos não tinham direito a contrair matrimónio, embora por vezes fossem reconhecidas uniões e pudessem casar, no caso de ambos serem libertados.[134] Tecnicamente, um escravo não podia possuir propriedade,[135] embora um escravo que realizasse negócios pudesse ter acesso a um fundo ou conta individual (pecúlio; peculium), da qual podia dispor livremente. Os termos desta conta variavam em função da relação de confiança entre o proprietário e o escravo. Um escravo com aptidão para os negócios podia ter autonomia considerável para gerir empresas e outros escravos.[136] Dentro de uma residência ou de uma oficina, era comum a existência de uma hierarquia entre escravos, em que um deles administrava os restantes.[137] Os escravos bem-sucedidos tinham a possibilidade de acumular dinheiro suficiente para comprar a sua liberdade ou serem libertados pelos serviços prestados. A manumissão tornou-se tão frequente que, no século II a.C., uma lei limitou o número de escravos que um proprietário podia libertar.[138]

No seguimento das Guerras Servis, a legislação tentou diminuir a ameaça de rebeliões de escravos limitando a dimensão dos grupos de trabalho e perseguindo os fugitivos.[139] Com o decorrer dos séculos, os escravos foram ganhando cada vez maior proteção jurídica, incluindo o direito de apresentar queixa em relação aos amos. Um contrato de compra podia ter uma cláusula que determinasse que o escravo não podia ser destinado a prostituição, já que grande parte dos prostitutos e prostitutas eram escravos.[140] O crescimento do comércio de escravos eunucos durante o fim do século I promoveu legislação que proibia a castração de um escravo contra a sua vontade.[141]

Libertos

Ver artigo principal: Liberto (Roma Antiga)

Ao contrário das cidades-estado gregas, Roma permitia que os escravos libertos se tornassem cidadãos, tendo inclusive direito ao voto.[142] Um escravo que conseguisse a libertas era denominado um liberto (libertus; "pessoa liberta," fem. liberta) em relação ao seu antigo amo, o qual se tornava então o seu patrono (em latim: patronus). No entanto, as duas partes continuavam a ter obrigações habituais e jurídicas entre si. A classe social dos libertos era denominada libertinos (libertini), embora mais tarde os termos liberto e libertino (libertinus) fossem usados indistintamente.[143] Um libertino não podia ocupar cargos na administração pública ou no sacerdócio de estado, embora pudesse exercer sacerdócio no culto imperial. Um liberto não podia também casar com uma mulher de uma família da ordem senatorial ou ele próprio fazer parte dessa ordem de forma legítima, embora durante o início do império os libertos ocupassem lugares cimeiros na administração.[144]

Ordens

Ver artigos principais: Ordem senatorial e Ordem equestre
A elite da sociedade romana era constituída por duas ordens aristocráticas: a ordem senatorial (imagem) e a ordem equestre. Para exercer cargos políticos e administrativos era necessário pertencer a uma ordem.

No contexto do Império Romano, uma ordem (ordo; pl. ordine) significa uma classe aristocrática. Uma das finalidades dos censos era determinar a ordem (ordo; pl. ordine) a que determinada pessoa pertencia. Em Roma, as duas ordens de maior estatuto eram a ordem senatorial (ordo senatorius) e a ordem equestre (ordo equester). Fora de Roma, os decuriões (ordo decurionum) representavam a aristocracia local. A posição de "senador" não era um cargo eletivo. Um cidadão era admitido no senado depois de ser eleito e servir durante pelo menos um mandato enquanto magistrado. Um senador deveria também ter uma riqueza de, no mínimo, um milhão de sestércios.[145][146] Nem todos os homens que cumpriam os critérios para a ordem senatorial aceitavam um lugar no senado, o qual exigia domicílio em Roma. Dado que o senado compreendia 600 lugares, os imperadores muitas vezes preenchiam os assentos vagos por nomeação direta.[147] O filho de um senador pertencia por direito à ordem senatorial, embora tivesse que se qualificar por mérito próprio para ser admitido no senado. Os senadores podiam ser expulsos por violar as normas de conduta moral; por exemplo, não podiam casar com uma mulher liberta ou lutar na arena.[148] Na época de Nero, os senadores eram oriundos principalmente de Roma e de outras partes de Itália, sendo alguns da península Ibérica e do sul de França. Durante o governo de Vespasiano começaram a ser acrescentados senadores das províncias orientais.[149] Durante a dinastia severa, os itálicos eram já menos de metade do senado.[150]

O cargo de senador correspondia à máxima posição de prestígio e ao culminar do percurso político (cursus honorum). No entanto, os membros da ordem equestre em muitos casos possuíam maior riqueza e poder. A admissão à ordem tinha como critério a riqueza e posses de uma pessoa, a qual se qualificava mediante uma avaliação censitária de 400 000 sestércios e pelo menos três gerações de nascimentos livres.[151] Os eques progrediam ao longo de uma carreira militar (tres militiae) com o intuito de virem a ser prefeitos e procuradores no quadro da administração imperial.[152][153]

A integração nas ordens de homens das províncias revela a mobilidade social existente nos primeiros três séculos do império. A aristocracia romana baseava-se na competição e, ao contrário da posterior nobreza europeia, uma família romana não podia manter o seu estatuto apenas através da herança de títulos ou terras.[154][155] A admissão às ordens de topo trazia consigo não só privilégios e prestígio, mas também uma série de responsabilidades. A manutenção do estatuto exigia despesas pessoais avultadas, uma vez que o financiamento de obras públicas, eventos e serviços das cidades romanas dependia dos seus cidadãos mais proeminentes e não dos impostos coletados, os quais se destinavam principalmente a financiar o exército.[156]

Mulheres

Ver artigo principal: Mulheres da Antiga Roma
A mulher romana tinha bastante independência em comparação com outras culturas da antiguidade, tendo direito a possuir e gerir propriedade sem subordinação jurídica ao marido.

Ao longo da república e durante o império, as mulheres romanas livres eram consideradas cidadãs, embora não pudessem votar, ocupar cargos políticos ou servir no exército.[157][158] A mulher romana conservava o apelido de solteira ao longo da vida. Na maior parte das vezes, os filhos escolhiam receber o apelido do pai, embora no período imperial pudessem também manter o apelido da mãe.[159] A mulher romana podia possuir propriedade, realizar contratos e concretizar negócios, incluindo manufatura, transportes e empréstimos bancários.[160][161] Era comum haver mulheres que financiavam obras públicas, o que indica que muitas delas possuíam ou administravam fortunas consideráveis.[162] As mulheres tinham os mesmos direitos que os homens em relação a heranças, caso o pai morresse sem deixar um testamento.[163][164][165] O direito a possuir e gerir propriedade, incluindo os termos do seu próprio testamento, proporcionavam à mulher romana uma enorme influência sobre os filhos, mesmo em adultos.[166]

Casamento

Ver artigo principal: Casamento na Roma Antiga

A forma arcaica de casamento cum manum, pelo qual a mulher era sujeita à autoridade do marido, caiu em desuso durante o período imperial. Uma mulher romana que casasse continuava a ser proprietária dos bens que levava para o casamento. Tecnicamente, mesmo após a mudança para a residência do marido, continuava ainda sob a autoridade do pai, e só quando o pai morria é que se emancipava em termos legais.[167] Este princípio demonstra o relativo grau de independência das mulheres romanas em comparação com outras culturas da antiguidade e até à idade moderna.[168] Embora tivesse que responder perante o pai em assuntos jurídicos, a mulher romana era livre para gerir a vida quotidiana e o marido não tinha qualquer poder jurídico sobre ela.[169][170] Embora fosse motivo de orgulho social ter casado apenas uma vez, o estigma social em relação ao divórcio ou ao segundo casamento era praticamente inexistente.[171]

Economia

Ver artigo principal: Economia do Império Romano

A economia do Império Romano tinha por base uma rede de economias regionais, na qual o Estado intervinha e regulava o comércio de forma a assegurar as suas próprias receitas.[172] A conquista de território permitiu a reorganização em larga escala do uso da terra, o que proporcionou a produção de excedentes agrícolas e uma progressiva divisão do trabalho, em particular no norte de África. Algumas cidades afirmavam-se como grandes centros regionais de determinada indústria ou atividade comercial e a escala das edificações em áreas urbanas indica uma indústria de construção plenamente desenvolvida. Os papiros revelam métodos de contabilidade complexos que sugerem elementos de racionalismo económico numa economia bastante monetizada.[173] Durante os séculos I e II as redes de estradas e transportes expandiram-se significativamente, ligando com rapidez as economias regionais. O crescimento económico, embora não seja comparável às economias modernas, foi superior à maioria das sociedades anteriores à industrialização.[174]

Moeda e banca

Ver artigo principal: Moeda da Roma Antiga
Valor das denominações
no período imperial[175]
CarinusAureus.jpg 1 áureo de ouro = 25 denários
1 denário de prata = 4 sestércios
Caligula RIC 0033 heads.png 1 sestércio de cobre-zinco = 4 asses
Dupondius-Didius Julianus-RIC 0012 (obverse).jpg 1 dupôndio de bronze = 2 asses
1 asse de bronze = 4 quadrantes

A economia do Império Romano era universalmente monetizada. A normalização do dinheiro e das formas de pagamento em todo o império impulsionou o comércio e a integração económica das províncias.[176] Até ao século IV, a unidade monetária básica era o sestércio,[177] embora no início da dinastia severa também fosse usado o denário de prata, que valia quatro sestércios.[178] A moeda de circulação corrente de menor valor era o asse de bronze, que valia um quarto de sestércio.[179] Os lingotes não eram considerados moeda e eram usados apenas em negócios nas regiões fronteiriças. Os romanos dos séculos I e II contavam as moedas, em vez de as pesar, o que indica que o valor da moeda era atribuído em função do seu valor fiduciário, e não do valor do metal.[180]

Roma não tinha banco central, pelo que a regulação do sistema bancário era mínima. As reservas dos bancos da Antiguidade Clássica geralmente eram inferiores ao total dos depósitos dos clientes. A maior parte dos bancos só tinha uma agência, embora alguns dos maiores tivessem até quinze balcões.[180] Um banqueiro comercial chamado argentário (argentarius) recebia e mantinha os depósitos durante um prazo indefinido ou a termo, realizando empréstimos a terceiros.[181] O detentor de um débito podia usá-lo como forma de pagamento, transferindo-o para outra parte e sem haver troca de dinheiro. O sistema bancário romano estava presente em todas as regiões do império e possibilitava a troca de verbas avultadas em qualquer parte sem a necessidade de transferência física de moedas, o que diminuía o risco associado ao transporte. Ao longo de toda a história do império, só se tem conhecimento da existência de uma crise de crédito, ocorrida em 33 d.C., durante a qual o governo central interveio no mercado com um resgate bancário (mensas; mensae) de 100 milhões de sestércios.[180]

O governo central não pedia dinheiro emprestado: perante a inexistência de dívida pública, o défice tinha que ser financiado a partir de reservas monetárias.[182] Durante a crise do terceiro século, a diminuição do comércio de longa distância, a interrupção da mineração e a transferência de valores para o exterior por parte dos invasores reduziram significativamente o dinheiro em circulação.[183][180] Os imperadores das dinastias antonina e severa desvalorizaram drasticamente a moeda, particularmente o denário, devido à pressão com o pagamento de salários aos militares.[184] A súbita inflação durante o reinado de Cómodo (r. 180–192) colocou em risco o mercado de crédito. Embora a moeda romana tivesse sempre tido valor fiduciário, durante o reinado de Aureliano (r. 270–275) a crise económica atingiu o seu auge, fazendo com que os banqueiros perdessem a confiança no dinheiro emitido pelo governo central. Apesar de Diocleciano (r. 286–305) ter aplicado diversas reformas monetárias e ter introduzido o soldo de ouro, o mercado de crédito nunca recuperou o vigor anterior.[180]

Transportes e comunicações

Ver também: Estrada romana
Estrada romana na entrada da cidade de Gérasa. A rede de estradas do império prolongava-se por 400 000 km. Muitas das estradas eram servidas por áreas de serviço a cada doze milhas.

Os romanos privilegiavam o transporte de mercadorias por via marítima ou fluvial, uma vez que o transporte por terra era mais difícil.[185] O Império Romano circundava o Mediterrâneo, o qual denominavam Mare Nostrum ("nosso mar").[186] As embarcações à vela romanas navegavam não só o Mediterrâneo, como todos os principais rios do império, entre os quais o Guadalquivir, o Ebro, o Ródano, o Reno, o Tibre e o Nilo.[187]

O transporte por via terrestre fazia uso de uma rede complexa e avançada de estradas romanas. Os impostos em género pagos pelas comunidades locais exigiam a deslocação frequente de funcionários administrativos, animais e veículos do cursus publicus – o sistema estatal de correios e transportes implementado por Augusto.[103] A primeira via foi criada em 312 a.C. por Ápio Cláudio Cego, para ligar Roma à cidade de Cápua: a Via Ápia.[188] À medida que o império se expandiu, a administração adaptou o mesmo esquema nas províncias. No seu apogeu, a rede viária romana chegou a ter 400 000 km de estradas, 80 500 km das quais pavimentadas.[189][190]

A cada sete ou doze milhas romanas situava-se uma mansão (mansio), uma estação de serviço destinada ao cursus publicus e funcionários do governo e mantida pelo estado. Entre os funcionários destes postos estavam condutores, secretários, ferreiros, um veterinário e alguns carteiros e polícias militares. A distância entre as mansões era determinada pela distância que uma carroça podia percorrer ao longo de um dia e algumas podiam crescer até se tornarem pequenas vilas ou entrepostos comerciais.[191] Para além das mansões, algumas tabernas ofereciam alojamento, restauração, rações animais e, eventualmente, serviços de prostituição.[192] Os animais de tração mais comuns eram as mulas, as quais viajavam a uma velocidade de quatro milhas por hora.[193] Para ter uma ideia do tempo de comunicação, um mensageiro precisava de nove dias para viajar entre Roma e Mogontiacum, na província da Germânia Superior.[194] As estradas estavam balizadas por marcos miliários (miliaria) colocados em intervalos de cerca de mil passos (1480 metros). [195]

Trabalho e profissões

Trabalhadores de uma tinturaria têxtil, uma das principais fontes de emprego do império. Muitos trabalhadores estavam inscritos em associções profissionais denominadas collegia.

As inscrições registam 268 profissões diferentes na cidade de Roma e 85 em Pompeia.[81] Existiam associações profissionais (collegia) para as mais diversas profissões, como as de pescadores (piscatores), mercadores de sal (salinadores; salinatores), comerciantes de azeite (olivários; olivarii), artistas (escênicos; scaenici), comerciantes de gado (pecuários; pecuarii), ourives (aurífices; aurifices), condutores (asinários [asinarii] ou muliões [muliones]) e pedreiros (lapidários; lapidarii).[196]

A produção têxtil era uma das principais fontes de emprego. Os tecidos e o vestuário pronto-a-vestir eram duas das principais mercadorias de troca entre as províncias.[197] O vestuário de melhor qualidade era exportado por homens de negócios (negociadores [negotiatores] ou mercadores [mercatores]), os quais eram muitas vezes residentes abastados dos centros de produção. O pronto-a-vestir podia ser vendido por intermédio de vendedores (vestiários; vestiarii) ou mercadores itinerantes.[198] Os produtores têxteis geriam muitas vezes pequenos negócios, empregando aprendizes, trabalhadores livres assalariados e escravos.[199] Tanto os fiadores (fulões; fullones) como os tintureiros (coloradores; coloratores) tinham as suas próprias guildas.[200] Os centonários (centonarii) eram trabalhadores especializados na produção têxtil e na reciclagem de tecidos em retalhos.[201]

O trabalho realizado pelos escravos dividia-se em cinco categorias: doméstico, para o qual os epitáfios registam pelo menos 55 profissões; serviço público ou imperial; ofícios urbanos; agricultura e mineração.[202] Os condenados realizavam grande parte do trabalho das minas e pedreiras, nas quais as condições eram notoriamente violentas.[202] Na prática, existia pouca divisão de trabalho entre os escravos e os homens livres[203] e grande parte dos trabalhadores do império eram analfabetos e não qualificados.[204] A maior parte dos trabalhadores não qualificados estava empregada na agricultura. No sistema de produção agrícola em Itália, os trabalhadores eram sobretudo escravos, embora nas restantes províncias a sua percentagem fosse muito inferior em relação a outros trabalhadores dependentes.[203]

Comércio

Ver artigo principal: Comércio da Roma Antiga
Taberna onde se serviam refeições, na cidade de Óstia Antiga. No painel por cima do balcão estão representados ovos, azeitonas, frutas e rabanetes.[205]

Embora grande parte das trocas comerciais se realizassem entre as diversas províncias do império, as rotas comerciais estendiam-se muito para além das fronteiras do império, chegando a regiões tão remotas como a China e a Índia[187] O comércio com a China era realizado principalmente através de intermediários ao longo da Rota da Seda, enquanto que as trocas comerciais com a Índia eram também realizadas por via marítima, a partir dos portos egípcios no mar Vermelho. A principal mercadoria transacionada eram os cereais,[206] sendo também comercializados outros alimentos, como o azeite e o garum (molho de peixe), escravos, minério, utensílios de metal, tecidos, fibras naturais, madeira, olaria, artefactos de vidro, mármore, papiro, especiarias, plantas medicinais, marfim, pérolas e pedras preciosas.[207]

Embora a maior parte das províncias fosse capaz de produzir vinho, os romanos tinham preferência por determinadas regiões e castas, o que levou a que o vinho se tornasse num dos principais produtos comercializados. A escassez de vinho era rara.[208][209] Os principais fornecedores de vinho da cidade de Roma eram a costa ocidental da península Itálica, o sul da Gália, a região Tarraconense e Creta. Alexandria, a segunda maior cidade, importava vinho de Lataquia na Síria e do mar Egeu.[210] A nível de retalho, o vinho era vendido a copo ou a granel em tabernas ou lojas próprias (vinaria), consumido no local ou transportado, variando o preço em função da qualidade e proveniência.[211]

Agricultura

Ver artigo principal: Agricultura romana
Banca de venda de pão, representada numa pintura mural de Pompeia

O governo central tinha um papel interventivo no fomento da produção agrícola.[212] A produção de alimentos tinha a máxima prioridade na organização do território.[213] As quintas de maior dimensão (latifúndios) alcançaram uma economia de escala tal que eram capazes de suster a vida urbana e a divisão do trabalho própria de economias avançadas.[212] Os pequenos produtores eram beneficiados com a criação de mercados locais em cidades e centros de comércio. Em praticamente todo o território imperial se praticavam diversas técnicas agrícolas avançadas, como a rotação de culturas ou a selecção artificial, e era comum a introdução de novas espécies entre províncias, como a ervilha e o repolho na Britânia.[214]

A manutenção do fornecimento sustentado de alimentos para a cidade de Roma tornou-se um dos principais tópicos de discussão política no fim da República, época em que o Estado implementou um subsídio pago em cereais (anona; annona) a todos os cidadãos que se registassem para tal. Este subsídio era atribuído a 200 000–250 000 homens adultos em Roma e correspondia a 33 kg por mês, o que totalizava 100 000 toneladas de trigo, proveniente principalmente da Sicília, norte de África e Egito.[nt 5] O subsídio tinha um custo de pelo menos 15% da receita fiscal do estado, mas melhorou significativamente as condições económicas e familiares entre as classes mais desfavorecidas, o que favoreceu também as classes mais abastadas ao impulsionar o consumo de vinho e azeite produzido nas grandes propriedades agrícolas.[215] O subsídio de cereais tinha também um valor simbólico: não só afirmava o papel do imperador enquanto benfeitor universal, como o direito de todos os cidadãos a ter uma parte do lucro do processo de conquista.[212] O anonna, os equipamentos públicos e os espetáculos de entretenimento mitigavam as de outra forma precárias condições de vida das classes desfavorecidas e minimizavam a agitação social. No entanto, o humorista Juvenal via a política de panem et circenses como símbolo da ausência de liberdade política na república.[216][217]

Mineração e metalurgia

Relevo resultante da técnica de mineração ruina montium, em Las Médulas, Hispânia, uma das mais importantes minas de ouro do império

Estima-se que em todo o império fossem extraídas anualmente 82 500 toneladas de ferro,[218] 15 000 toneladas de cobre, 80 000 toneladas de chumbo, 9 toneladas de ouro[219] e 200 toneladas de prata, valores que só seriam igualados durante a revolução industrial.[220] As principais regiões mineiras do império eram a Hispânia (ouro, prata, cobre, estanho e chumbo), a Gália (ouro, prata, ferro); a Britânia (ferro, chumbo, estanho), as províncias do Danúbio (ouro, ferro), a Macedónia e a Trácia (ouro, prata), e a Ásia menor (ouro, prata, ferro, estanho). A mineração em grande escala ocorreu entre o reinado de Augusto e o início do século III, período em que a instabilidade do império afetou a produção.[221]

Parte do processo de extração era mecanizada, utilizando a energia de azenhas para serrar pedra, fragmentar minério ou drenar as minas. Os romanos introduziram um sistema sofisticado de copelação para separar o ouro e a prata de outros metais, embora tenha sido a invenção e aplicação da mineração hidráulica que permitiu a extração a uma escala sem precedentes.[222][223] O combustível mais utilizado nas fundições era o carvão vegetal, embora em algumas regiões fosse extraído carvão mineral em grande quantidade.[224] No entanto, a contribuição mais significativa dos romanos para a metalurgia foi a introdução da produção em massa.[225] O principal método para a produção em série de objetos metálicos era a moldagem, na qual a forma pretendida era esculpida em madeira, cera ou metal e depois pressionada contra um molde de cerâmica, no qual era introduzido o metal em fusão.[222]

Religião

Ver artigo principal: Religião na Roma Antiga
Panteão, templo de todos os deuses, em Roma

Após a crise republicana e a transição para o império, a religião do estado adaptou-se de forma a apoiar o novo regime. Augusto implementou um vasto programa de revivalismo e reformas religiosas. Os votos públicos, que anteriormente pediam às divindades a segurança da república, passaram a ser vocacionados para o bem-estar do imperador. O culto da personalidade vulgarizou novamente as práticas de veneração dos ancestrais e do génio – a divindade tutelar de cada indivíduo. Era possível ao próprio imperador tornar-se ainda em vida uma divindade de estado mediante uma votação no senado. O culto imperial, influenciado pela religião helenística, tornou-se uma das principais formas de Roma anunciar a sua presença nas províncias, cultivando em toda a extensão do império a lealdade e partilha da mesma identidade cultural.[226]

A religião romana

Ver artigos principais: Culto imperial e Mitologia romana
Fresco de Vénus e Marte em Pompeia. Os romanos prestavam culto a um grande número de divindades, assimilando também os cultos autóctones das territórios conquistados.

A religião na Roma Antiga engloba não só as práticas e crenças que os romanos viam como suas, mas também os diversos cultos importados para Roma e os cultos praticados nas províncias. Os romanos viam-se a si próprios como profundamente religiosos, atribuindo a sua prosperidade económica e militar à boa relação com os deuses (pax deorum). A religião arcaica que se acredita ter sido instituída pelos primeiros reis de Roma ofereceu os fundamentos do mos maiorum, ou "tradição", o código social basilar na identidade romana.[227] Não existia qualquer princípio análogo à separação Igreja-Estado e os lugares de sacerdote na religião do estado eram preenchidos pelas mesmas pessoas que ocupavam lugares na administração pública. Durante o período imperial, o pontífice máximo era o próprio imperador.[228]

A religião romana era prática e contratual, baseada no princípio do do ut es ("dou-te aquilo que possas oferecer"). A religião tinha como princípios o conhecimento e a prática correta da oração, dos rituais e do sacrifício, e não a ou dogmas. Para o cidadão comum, a religião era parte do quotidiano.[229] A maioria das residências possuía um altar doméstico, no qual se realizavam as orações diárias e se ofereciam libações. As cidades eram pontuadas por altares de bairro e locais considerados sagrados, como nascentes de água e cavernas, e era comum que as pessoas fizessem um voto ou oferecessem alguns frutos quando passavam por um local de culto.[230][231] O calendário romano era organizado em função das comemorações religiosas. Durante o período imperial, havia 135 dias do ano dedicados a festividades religiosas e jogos (ludi).[232]

Uma das características da religião romana é o grande número de divindades a que prestavam culto[233][234] e a reverência em paralelo de divindades romanas com divindades locais.[229] A política de conquista romana consistia na assimilação de divindades e cultos dos povos conquistados, e não na sua erradicação.[235] Roma promovia a estabilidade entre os diversos povos através do apoio às diferentes heranças religiosas, construindo templos destinados a divindades locais que enquadravam as práticas autóctones na hierarquia da religião romana.[229][236][237][238] No apogeu do império, eram adoradas em Roma divindades internacionais, cujo culto tinha sido difundido para as mais remotas províncias, entre elas Cibele, Ísis, Epona e os deuses do monismo solar, como Mitra e Sol Invicto.[239]

As religiões de mistério, que ofereciam aos iniciados salvação após a morte, eram praticadas de forma complementar aos rituais familiares e à participação na religião pública. No entanto, os mistérios envolviam secretismo e juramentos exclusivos, que os conservadores romanos viam com desconfiança e como elementos característicos de magia, conspiração e atividade subversiva. Foram feitas diversas tentativas para suprimir seitas que aparentavam ameaçar a unidade e moral tradicionais, algumas delas de forma violenta. Na Gália foram feitas várias tentativas para controlar o poder dos druidas, inicialmente através da proibição dos cidadãos romanos em pertencer à ordem e depois através da proibição completa do druidismo. No entanto, as próprias tradições celtas foram reinterpretadas no contexto da teologia imperial, dando origem a uma nova religião galo-romana.[240]

Cristianização

Esta estela funerária do século III está entre as mais antigas inscrições cristãs, escrita simultâneamente em grego e latim. A abreviatura "D.M." no topo refere-se a Di Manes, os espíritos tradicionais romanos da morte, mas é acompanhada pelo símbolo cristão.

O rigor monoteísta do judaísmo colocava dificuldades à política de tolerância religiosa romana. A religião judaica, ao contrário da cristã, era considerada legítima (religio licita). No entanto, quando os conflitos políticos e religiosos se tornaram irreconciliáveis surgiram várias revoltas entre judeus e romanos. O cerco de Jerusalém, em 70, esteve na origem do saque ao templo da cidade e da dispersão do poder político judaico.[241] O cristianismo surgiu na província da Judeia no século I d.C. enquanto seita religiosa judaica. A religião expandiu-se gradualmente até Jerusalém, estabelecendo inicialmente centros importantes em Antioquia e Alexandria, e a partir daí por todo o império. As perseguições oficiais foram muito poucas e esporádicas e a maior parte dos martírios ocorreu por iniciativa de autoridades locais.[242][243][244][245][246][247]

Durante o início do século IV, Constantino tornou-se o primeiro imperador a converter-se ao cristianismo, dando início a uma era de hegemonia cristã. O imperador Juliano realizou uma breve tentativa de reavivar as religiões tradicionais e de reafirmar o estatuto especial do judaísmo. No entanto, em 391 e durante o governo de Teodósio, o cristianismo tornou-se a religião oficial do império, excluindo todas as outras. A partir do século II, os Padres da Igreja começaram a condenar as restantes práticas religiosas, denominando-as coletivamente por "pagãs".[248] Ao mesmo tempo, foram rejeitados apelos à tolerância religiosa por parte de tradicionalistas e o monoteísmo cristão tornou-se uma das características do domínio imperial. Todos os hereges e não cristãos estavam sujeitos a ser perseguidos ou excluídos da vida pública. No entanto, as práticas cristãs foram influenciadas por grande parte da hierarquia religiosa romana e por muitos aspetos dos rituais romanos, e muitas destas práticas sobrevivem ainda através de festivais e tradições locais cristãs.[249][250]

Cultura

Ver artigos principais: Cultura da Roma Antiga e Romanização

A rede de cidades ao longo do território imperial (colónias, municípios, cidades (civitates) ou, no termo grego, pólis) era um elemento de coesão que fomentava a Pax Romana.[251] Os romanos dos séculos I e II eram encorajados pela propaganda imperial a respeitar e usufruir dos valores do tempo de paz.[252] Até mesmo o polemista Tertuliano declarou que o mundo do século II era mais ordeiro e culto do que em épocas anteriores: "Por todo o lado existem casas, por todo o lado existem pessoas, por todo o lado a res publica, a causa do povo, por todo o lado existe vida."[104] Muitas das características associadas à cultura imperial, como o culto público, jogos e festividades, competições para artistas, oradores e atletas, assim como a grande maioria da arte e dos edifícios públicos, eram financiados por privados, cujas despesas em benefício da comunidade ajudavam a justificar o seu poder económico e privilégios jurídicos e provinciais.[253] O declínio das cidades e da vida cívica no século IV, quando as classes abastadas já não eram capazes de financiar a obra pública, foi um dos sinais da dissolução iminente do império.[254]

A vida nas cidades

Nas cidades, a maioria da população vivia em ínsulas (insulae), edifícios de apartamentos com vários pisos. Nas ruas movimentadas, o rés-do-chão podia ter lojas voltadas para a rua (na imagem: ínsulas em Óstia).
As cidades eram dotadas de várias infraestruturas, como aquedutos para abastecimento de água, sanitários públicos (latrinas, na imagem) e rede de esgotos.

Na Antiguidade clássica, as cidades eram vistas como territórios que fomentavam a civilização se fossem adequadamente desenhadas, ordenadas e adornadas.[252] O planeamento das cidades romanas e o estilo de vida urbano foram influenciados pela civilização grega de períodos anteriores.[255] Na parte oriental do império, o domínio romano veio acelerar o desenvolvimento de cidades que já de si tinham um acentuado carácter helenístico. Algumas cidades, como Atenas, Afrodísias, Éfeso e Gérasa, modificaram alguns aspetos da arquitetura e planeamento urbano em conformidade com os cânones imperiais, embora exprimindo também a sua identidade individual e proeminência regional.[256][257] Nas áreas mais ocidentais do império, habitadas por povos de línguas celtas, Roma encorajou o desenvolvimento de centros urbanos planificados, dotados de templos, fóruns, fontes monumentais e anfiteatros. Estas novas cidades eram muitas vezes projetadas nas proximidades ou no próprio local de assentamentos muralhados preexistentes (ópidos).[258][259][nt 6] A urbanização no norte de África expandiu as cidades gregas e púnicas ao longo da costa.[258]

Augusto levou a cabo uma vasto programa de construção em Roma que serviu de modelo para as restantes cidades do império, financiando obras de arte pública que expressavam a nova ideologia imperial e reorganizando a cidade em bairros (vicos; vici) administrados a nível local, com serviço de polícia e bombeiros.[263] Um dos focos de arquitetura monumental foi o Campo de Marte, uma área descoberta nos arredores do centro que anteriormente estava destinada a desportos equestres e exercício físico dos jovens. Foram aí construídos o Altar da Paz (Ara Pacis) e o obelisco de Montecitório, importado do Egito, o qual formava o ponteiro (gnómon) de um monumental relógio solar. Dotado de jardins públicos, o Campo de Marte tornou-se uma das principais atrações de Roma.[264]

Os romanos foram pioneiros na engenharia e construção de sofisticadas infraestruturas como canalizações, aquedutos, estradas e pontes.[265] As obras estenderam-se por todo o império, o que foi possibilitado em grande parte pela extensa rede viária. Além do saneamento básico, as infraestruturas incluíam equipamentos como termas, fóruns, teatros, anfiteatros e monumentos.[266][267] Os aquedutos construídos em todo o império abasteciam as explorações agrícolas e as cidades com água potável.[265] O escoamento era geralmente com superfície livre, apresentando uma inclinação mínima para que a água pudesse correr, e eram edificados em alvenaria. O atravessamento de vales era feito sobre estruturas em arcaria. Contavam ainda com a ajuda de bombas hidráulicas. As águas residuais eram recolhidas numa sofisticada rede de esgotos, de que é exemplo a cloaca Máxima, em Roma, uma das mais antigas redes de esgotos do mundo,[268] construída em Roma nos finais do século VI a.C., iniciada por Tarquínio Prisco,[269] que usufruía da experiência desenvolvida pela engenharia etrusca para drenar os esgotos para o rio Tibre. O funcionamento da cloaca Máxima e outras redes de esgotos romanas, como a de Eboraco (actual cidade inglesa Iorque) prosseguiu durante bastante tempo após a queda do Império Romano.[270]

Habitações

Ver artigos principais: Ínsula, Domus e Villa
Reconstituição do interior de uma domus em Pompeia. As domus eram moradias de famílias abastadas, geralmente com os interiores profusamente decorados.

Na cidade de Roma, a maior parte da população residia em edifícios de apartamentos de vários pisos (ínsulas), os quais ofereciam muito pouca segurança em relação a incêndios. Os equipamentos públicos, como as termas (em latim: termae), sanitários (latrinae) e fontanários de água potável,[271] assim como o entretenimento de massas, destinavam-se principalmente ao cidadão comum que residia nas ínsulas.[266]

As famílias abastadas de Roma geralmente possuíam duas ou mais habitações: uma moradia urbana (domus, plural domūs) e pelo menos uma casa de campo (vila) na província. A domus era uma moradia unifamiliar privada que podia incluir termas privadas.[272] Embora em alguns dos bairros de Roma houvesse uma grande concentração de moradias abastadas, as classes superiores não viviam em enclaves segregados e pretendiam que as suas casas fossem visíveis e acessíveis à população. O átrio (atrium) era o espaço de recepção, no qual o chefe de família (pater familias) recebia clientes e visitas todas as manhãs, desde amigos igualmente abastados até dependentes carenciados que recebiam esmola.[273] Era também palco dos rituais religiosos das famílias, no qual estavam presentes altares e imagens dos respetivos ancestrais.[274] As habitações urbanas situavam-se geralmente em caminhos públicos movimentados, pelo que os rés-do-chão voltados para a rua eram muitas vezes arrendados para lojas (tabernas; tabernae).[275] Para além de uma pequena horta, que nas insulas podia ser substituída por floreiras, as domus tinham geralmente um jardim formal enquadrado por um peristilo.[276][277]

Por outro lado, a vila correspondia a uma evasão do alvoroço urbano, retratada na literatura enquanto símbolo de um estilo de vida que equilibra o apreço pela arte e cultura (otium) com o apreço pela natureza e o ciclo agrícola.[278] As vilas situavam-se geralmente em centros de produção agrícola ou em regiões balneares ao longo da costa. Idealmente, teriam uma vista sobre a região envolvente, cuidadosamente enquadrada pelo desenho arquitetónico.[279] O interior das habitações era muitas vezes decorado com pinturas de jardins, fontes, paisagens, motivos vegetalistas,[279] e animais, em particular aves e espécies marinhas, as quais eram retratadas com tal precisão que os arqueólogos contemporâneos conseguem por vezes identificar as espécies.[280]

Termas

Ver artigo principal: Termas romanas
As termas romanas eram aquecidas por hipocausto (imagem), um sistema em que o ar quente circulava entre pilares, aquecendo a piscina por cima.

As termas públicas tinham função higiénica, social e cultural.[281] Os banhos públicos eram o foco de socialização quotidiana após o dia de trabalho, ao fim da tarde antes do jantar, e estavam abertas tanto a homens como a mulheres.[282] A tradição termal está relacionada com o culto à deusa grega Hígia (equivalente romana: Salus) e Panaceia, filhas de Esculápio, deusas da saúde e limpeza, e com as recomendações da medicina hipocrática. As mais antigas termas romanas conhecidas datam do século V a.C. em Delos e Olímpia, embora as mais conhecidas sejam as termas de Caracala. O desenvolvimento dos aquedutos permitiu a construção generalizada em todo o território imperial de termas (thermae: grandes complexos termais públicos) e balneários (balneae: termas de pequena dimensão, públicas ou privadas).[281]

As termas romanas dispunham de serviços que asseguravam a higiene corporal e a hidroterapia.[283] As diferentes salas ofereciam banhos comunitários em três temperaturas diferentes, os quais podiam ser complementados por diversos serviços, como salas de exercício e treino, sauna, spa de exfoliação (no qual a pele era massajada com óleos, removidos com um estrígil), campo de jogos ou ainda uma piscina exterior. As termas eram aquecidas por hipocausto: o pavimento estava assente sobre condutas nas quais circulava ar quente.[284] Embora algumas termas oferecessem instalações segregadas para homens e mulheres, o banho nu misto entre sexos era relativamente comum. As termas públicas faziam parte da cultura urbana por todas as províncias, embora a partir do fim do século IV as termas comunitárias tenham começado a dar lugar aos banhos privados.[285] Os cristãos eram aconselhados a frequentar as termas por razões higiénicas e de saúde, e não por prazer,[286] embora fossem também aconselhados a não frequentar os jogos públicos, os quais estavam integrados nos festivais religiosos que consideravam "pagãos".[287]

Educação

Ver artigo principal: Educação na Roma Antiga

A educação tradicional romana era moral e prática. As histórias sobre as grandes personalidades, ou lições sobre fracassos individuais, destinavam-se a incutir nos jovens os valores romanos (mores maiorum). Era esperado dos pais e da família que agissem como modelo comportamental e que os pais com uma profissão passassem aos filhos esse conhecimento, os quais se podiam depois tornar aprendizes.[288] As elites urbanas de todo o império partilhavam uma cultura literária imbuída de ideais de educação gregos (paideia).[289] Muitas cidades gregas financiavam escolas superiores e, para além da literacia e numeracia, o currículo incluía também música e desporto.[290] Atenas era o destino de muitos jovens romanos que aí procuravam as mais reputadas escolas de retórica e filosofia no império.[291] Por norma, todas as filhas de membros das ordens equestre e senatorial recebiam instrução.[292] O nível de qualificação variava, desde aristocratas cultas até mulheres formadas para serem caligrafistas ou escribas.[293][294] A poesia augustiniana enaltece o ideal da mulher instruída, culta, independente e versada em arte,[295] e uma mulher com qualificações elevadas representava uma mais-valia para qualquer família que tivesse ambições sociais.[296]

Ensino

Professor com dois alunos e um terceiro, em pé, que segura um lóculo, uma mala na qual se guardava canetas, um frasco de tinta e uma esponja para corrigir erros.[297]

O ensino formal era acessível apenas às famílias que o podiam pagar.[298][299] As crianças mais privilegiadas podiam ter aulas em casa com um pedagogo particular.[300] As crianças mais novas eram ensinadas por um pedagogo (pedagogus), geralmente um escravo ou antigo escravo grego.[301] O pedagogo era responsável pela segurança das crianças, ensinava-lhes autodisciplina e noções de comportamento em público e ministrava aulas de leitura, escrita e aritmética.[302][303] As restantes crianças frequentavam uma escola particular dirigida por um mestre (ludi magister), financiada através de mensalidades dos vários pais.[304] O número de escolas foi aumentando gradualmente durante o império, criando mais e melhores oportunidades de educação.[299] As aulas podiam ser realizadas regularmente num espaço próprio arrendado ou em qualquer espaço público disponível, mesmo que no exterior. O ensino primário era ministrado a crianças entre os 7 e 12 anos de idade e as turmas não eram separadas nem por anos nem por sexos.[305]

Aos 14 anos, os homens das classes mais abastadas realizavam o ritual de passagem para a idade adulta. A partir desta idade começavam a receber formação no sentido de vir a desempenhar um eventual cargo de liderança política, religiosa ou militar, formação essa que geralmente era dada por um membro mais velho ou amigo da família.[291][306] O ensino secundário era ministrado por gramáticos (grammatici) ou reitores (rhetores).[307] Os gramáticos ensinavam principalmente literatura grega e latina, complementada por explicações do texto que serviam de pretexto para ensinar história, geografia, filosofia e matemática.[308] Após o reinado de Augusto, os autores latinos passaram também a fazer parte do currículo.[309] O reitor era um professor de oratória e retórica. A arte de bem falar (ars dicendi) era extremamente valorizada enquanto indicador de superioridade social e intelectual, e a eloquência (eloquentia) era considerada o elemento agregador de qualquer sociedade civilizada.[310] A educação superior proporcionava oportunidades de progressão na carreira, sobretudo para os membros da ordem equestre. A eloquência e a cultura eram consideradas características fundamentais dos homens cultivados e dignas de recompensa.[311]

Literacia

Mosaico de Pompeia no qual se representa a Academia de Platão. Era em Atenas que se encontravam as mais reputadas escolas de retórica e filosofia do império.

Em latim, iliterado (illiteratus) podia significar tanto uma pessoa que era incapaz de ler ou escrever como uma sem consciência cultural ou sofisticação.[312] As estimativas apontam para uma taxa de alfabetização média do império entre 5 e 30% ou mais, dependendo da definição de alfabetização.[312][313][314][315] A obsessão romana com documentos e inscrições públicas é um indicador do valor que a escrita tinha na sociedade.[316][317][318][319] A burocracia romana dependia da capacidade de ler e escrever e tanto as leis como os editais eram afixados em locais públicos. O governo colocava à disposição dos romanos iliterados escribas (scriba) capazes de ler ou redigir documentos oficiais.[320][321] A administração militar produzia uma quantidade assinalável de registos e relatórios escritos,[322] e a literacia entre o exército era bastante elevada.[323] Qualquer forma de comércio exigia também um mínimo de conhecimento de cálculo matemático.[317][318] Havia também uma quantidade assinalável de escravos instruídos, alguns bastante letrados.[324]

Entre os séculos I e III houve um aumento significativo de público literário e, embora continuasse a ser uma minoria entre a população, já não estava restrito a uma elite sofisticada. Isto levou ao aparecimento de literatura de consumo, destinada ao entretenimento das massas e reflexo da mobilidade social existente no período imperial.[325] Os livros ilustrados, inclusive os eróticos, eram bastante populares.[326] As obras literárias eram lidas com frequência em jantares ou entre grupos de leitura.[327] No entanto, a literacia entrou abruptamente em declínio durante a crise do terceiro século.[328] Durante os séculos V e VI, a capacidade de ler tornou-se cada vez mais escassa, mesmo entre os que faziam parte da hierarquia da Igreja.[329]

Recreação e espetáculos

Durante o governo de Augusto, os espetáculos públicos ocupavam 77 dias do ano, número que por volta do reinado de Marco Aurélio ascendia a 135.[330] Um dos principais eventos dos festivais religiosos romanos era a realização de jogos (ludi), sobretudo corridas de cavalos e bigas.[331] No plural, ludi refere-se quase sempre a jogos com espectadores em grande escala. O singular latino ludus ("jogo, desporto, treino") tinha uma grande amplitude de significados, desde jogos de palavras, atuação teatral, jogos de tabuleiro, escola primária e até mesmo as escolas de treino de gladiadores, como o Ludus Magnus, o maior destes campos em Roma.[332][333]

Jogos de arena

As corridas de bigas eram um dos desportos de arena mais populares no circo romano. As equipas diferenciavam-se pelas cores, sendo os equipamentos azuis (imagem) e verdes os mais populares. Para além das corridas de bigas, realizavam-se corridas de cavalos, encenação de caçadas, competições atléticas, recriações históricas e combates de gladiadores.

Os jogos circenses (ludi circensis) realizavam-se em recintos de espetáculos denominados circos, inspirados nos hipódromos gregos. Os circos eram a maior estrutura de construção regular no mundo romano[334] e palco de corridas de cavalos, corridas de bigas, encenação de caçadas (venatio), competições atléticas, recriações históricas e combates de gladiadores.[331] Os jogos eram antecedidos por um desfile bastante elaborado (pompa circense; pompa circensis) que terminava no recinto.[335] Os eventos de competição também eram realizados em recintos mais pequenos, como anfiteatros e estádios. Entre as modalidades desportivas, inspiradas nos modelos gregos, estavam as corridas a pé, boxe, luta livre e o pancrácio.[336] Havia várias modalidades que tinham lugar em piscinas próprias, como a naumaquia e uma modalidade de balé aquático.[337] Os eventos teatrais (ludi scaenici) tinham lugar nas escadarias dos templos, nos grandes teatros de pedra ou em teatros de pequena dimensão denominados odeão.[338] Embora os jogos tivessem origem nas celebrações religiosas da Antiguidade, ao longo do tempo o seu significado recreativo foi se sobrepondo ao significado religioso.[339][340][341][331] O mecenato dos eventos e espetáculos das arenas estava a cargo das elites locais. Apesar dos encargos financeiros avultados, a sua organização era uma fonte de prestígio e estatuto social.[342]

O Circo Máximo era o maior dos recintos de espetáculo de Roma, com uma plateia de cerca de 150 000 espectadores.[343] Inaugurado em 80, o Coliseu de Roma tornou-se arena regular de desportos violentos na cidade,[344] tendo mais de 50 000 lugares sentados e mais 10 000 de pé.[343] A disposição física do anfiteatro representava a hierarquia da sociedade romana: o imperador presidia no seu púlpito opulento; os senadores e altas patentes militares tinham os melhores lugares reservados; as mulheres sentavam-se resguardadas da ação; os escravos sentavam-se nos piores lugares e os restantes sentavam-se onde houvesse lugar entre os dois grupos.[345][346][347] A multidão podia exigir um resultado assobiando ou aplaudindo, embora fosse o imperador quem tinha a palavra final. Os espetáculos podiam rapidamente tornar-se locais de protestos políticos e sociais, pelo que muitas vezes os imperadores recorriam à força para dominar a população. Um dos casos mais notáveis foi a Revolta de Nika em 532, quando o exército sob o comando de Justiniano massacrou milhares de cidadãos.[348][349][350][351]

As equipas de bigas diferenciavam-se pelas cores envergadas, sendo os azuis e verdes as mais populares. A lealdade dos fãs era acérrima, convergindo muitas vezes para cenas de violência.[348][352][353] A competição era perigosa, mas os condutores estavam entre os mais celebrados e recompensados atletas da antiguidade.[354] Uma das estrelas desportivas foi Diocles da Lusitânia (atualmente Portugal), que conduziu bigas ao longo de 24 anos e acumulou ganhos de 35 milhões de sestércios.[355][351] Os cavalos também eram populares, celebrados na arte e recordados em inscrições, muitas vezes pelo próprio nome.[356][357] O desenho dos circos romanos evoluiu no sentido de assegurar que nenhuma das equipas possuísse qualquer vantagem e de minimizar o número de colisões,[358][359] as quais, no entanto, continuaram a ser frequentes e a satisfazer o desejo de espetacularidade da multidão.[360][361] As corridas estavam envoltas numa aura de mistério em função da sua associação com os rituais ctónicos: as imagens circenses eram consideradas protetivas ou de boa sorte, e os condutores muitas vezes suspeitos de feitiçaria.[354][362][363][364][365] As corridas de bigas continuaram a decorrer ao longo do período bizantino, ainda com o mecenato imperial, embora o declínio das cidades nos séculos VI e VII tenha precipitado o seu desaparecimento.[334]

Luta de gladiadores

Ver artigo principal: Gladiador
Epilogo do combate entre o reciário Astácio, que empunha o seu punhal, e o seu adversário, o gladiador Ástivo, que jaz por terra, moribundo. Mosaico do Gladiador, Galleria Borghese, Roma)

Os romanos acreditavam que as competições entre gladiadores tinham origem nos jogos fúnebres e sacrificais da antiguidade, nos quais eram selecionados prisioneiros de guerra que eram forçados a lutar entre si para expiar as mortes de romanos nobres. Alguns dos primeiros estilos de luta entre gladiadores tinham denominações étnicas, como trácio ou gaulês. Os combates encenados eram considerados munera (serviços, ofertas, benfeitorias) e inicialmente eram distintos dos jogos de festivais.[366][367] Ao longo do seu reinado de quarenta anos, Augusto financiou oito espetáculos de gladiadores, nos quais lutaram um total de dez mil homens, e 26 espetáculos de caçadas que resultaram na morte de 3500 animais.[368][369][370][371] Para assinalar a abertura do Coliseu, o imperador Tito ofereceu 100 dias de eventos na arena, durante os quais chegaram a competir 3 000 gladiadores num único dia.[372][344][373] O fascínio romano pelos gladiadores pode ser constatado na forma como são frequentemente representados em mosaicos, pinturas murais e utensílios como lamparinas.[368]

Os gladiadores romanos eram combatentes treinados, podendo ser escravos, condenados ou simplesmente voluntários.[374] Neste tipo de combates, não era necessário, e nem mesmo desejável, que o adversário fosse morto. Os gladiadores eram lutadores com extrema perícia, cujo treino representava um investimento dispendioso de tempo e dinheiro.[372][375][376] Por outro lado, os nóxios (noxii) eram condenados sentenciados a lutar na arena, com pouco ou nenhum treino, muitas vezes desarmados e sem qualquer expectativa de sobrevivência. O sofrimento físico e a humilhação eram considerados justiça compensatória pelos crimes cometidos.[377] Estas execuções eram por vezes organizadas enquanto reencenações mitológicas, e os anfiteatros equipados com artifícios de palco de modo a criar efeitos especiais.[378][379][380] Tertuliano considerava as mortes na arena nada mais do que uma forma encapotada de sacrifício humano.[381][382][338]

Os historiadores contemporâneos concluem que o prazer que os romanos tinham com o "teatro da vida e da morte"[383] é uma das perspetivas mais difíceis de explicar e compreender desta civilização.[384][385] Plínio, o Jovem argumentava que os espetáculos de gladiadores eram benéficos para o povo e uma forma de o inspirar a desprezar a morte, ao manifestar o amor pela glória e desejo de vitória, mesmo no corpo de escravos e criminosos.[386][387] Alguns romanos como Séneca eram críticos destes espetáculos brutais, embora vissem virtude na coragem e dignidade no lutador derrotado, e não no vitorioso,[388] atitude que encontra a sua máxima expressão nos cristãos martirizados na arena. No entanto, a própria literatura sobre os mártires oferece descrições detalhadas e luxuriosas de sofrimento corporal,[389] tornando-se um género popular por vezes indistinto da ficção.[390][391][392][393][394][395]

Desporto e jogos

Crianças a brincar com uma bola. Relevo do século II, no Museu do Louvre
Mosaico denominado "raparigas em biquíni" na Vila de Casale, na Sicília

As atividades mais praticadas entre crianças e jovens incluíam o aro e o jogo da bugalha. Os sarcófagos de crianças muitas vezes representavam-nas a jogar jogos. As raparigas brincavam com bonecas, geralmente com 15–16 cm de comprimento e feitas de madeira, terracota, osso ou marfim.[396] Entre os jogos com bola o trigon era um dos favoritos, o qual requeria destreza, a par do harpastum, um desporto mais violento.[397] Nos memoriais infantis e na literatura é muito frequente a alusão a animais de estimação, entre os quais aves, gatos, cabras, ovelhas, coelhos e gansos.[398] Após a adolescência, grande parte do exercício físico destinado aos homens era de natureza militar. O Campo de Marte foi originalmente um campo de treino onde os jovens podiam aperfeiçoar as técnicas bélicas e de cavalaria. A caça também era considerada um passatempo apropriado. De acordo com Plutarco, os romanos conservadores reprovavam o atletismo ao estilo grego que promovia a perfeição do corpo de forma gratuita, condenando a promoção que Nero fazia da ginástica ao estilo grego.[399]

Algumas mulheres treinavam ginástica e dança. O famoso mosaico das "raparigas em biquíni" mostra jovens em posições que podem ser comparadas à ginástica rítmica.[nt 7] As mulheres eram, regra geral, encorajadas a promover a saúde através de atividades físicas, como jogos de bola, natação, caminhadas, leitura em voz alta (enquanto exercício de respiração) e viagens.[403]

Os jogos de tabuleiro entre dois adversários eram jogados por pessoas de todas as idade. Entre os mais populares estavam o latrúnculo, um jogo de estratégia no qual os oponentes coordenavam jogadas e capturavam várias peças, e o ludus duodecim scriptorum (doze marcas), jogado com dados de forma a organizar peças numa grelha de letras ou palavras.[404] Era também comum um jogo de dados conhecido por álea ou tábula, no qual o imperador Cláudio se viciou, e que pode ter sido semelhante ao gamão, usando um copo de dados (pyrgus).[405]

Alimentação

Peixe e legumes suspensos num mosaico de uma villa perto de Roma, atualmente nos Museus Vaticanos.

A generalidade dos apartamentos em Roma não tinha cozinha, embora fosse frequente o uso de fogareiros.[406][407] As tabernas, bares, estalagens e termopólios vendiam refeições prontas, embora comer nesses locais ou levar comida para casa fosse comum apenas entre as classes mais baixas.[408] As classes mais abastadas preferiam refeições reservadas na sua própria residência, a qual geralmente tinha à disposição um chef (arquimágiro; archimagirus) e ajudantes de cozinha,[409] ou então em banquetes organizados em clubes privados.[410]

A maior parte da população obtinha 70% da dose diária de calorias através da ingestão de cereais e legumes.[411] Um dos principais preparados romanos era o puls, uma papa feita a partir de legumes cortados, pedaços de carne, queijo ou ervas aromáticas, com a qual se podia confeccionar pratos semelhantes à polenta ou ao risotto.[412] A população urbana e o exército preferiam consumir cereais transformados em pão.[411] A moagem e cozedura eram geralmente feitas na mesma loja. Durante o reinado de Aureliano, o estado começou a distribuir entre os cidadãos de Roma a annona, uma ração diária de pão, azeite, vinho e carne de porco.[212][413][414]

Vestuário

Ver artigo principal: Vestuário na Roma Antiga

Numa sociedade consciente do estatuto como a romana, o vestuário e os acessórios pessoais ofereciam uma indicação imediata sobre a etiqueta a observar na interação com o portador.[415] Vestir de forma correta deveria refletir uma sociedade ordenada.[416] A toga era o vestuário nacional característico do homem romano, embora fosse pesada e pouco prática, sendo vestida sobretudo para tratar de assuntos políticos, rituais religiosos e presença nos tribunais.[417][418] Contrariamente à noção popular, o vestuário informal dos romanos era escuro ou colorido, e o conjunto mais comum entre os homens durante o quotidiano seria uma túnica, uma capa e calças nalgumas regiões.[419] É difícil estudar a forma como os romanos se vestiam no quotidiano devido à falta de evidências diretas, uma vez que a retratística geralmente apresenta a pessoa com vestuário de natureza simbólica e são raros os tecidos sobreviventes deste período.[420][421][422]

Uma toga imperial, vestida pelo imperador Cláudio (à esq.), e um pálio, vestido por um sacerdote de Serápis, muitas vezes identificado como o imperador Juliano (à dir.)

A peça de vestuário básica para todos os romanos, independentemente do género ou estatuto social, era uma túnica simples com mangas. O comprimento era diferenciado em função do utilizador: as masculinas atingiam metade da altura entre o joelho e o tornozelo, embora as dos soldados fossem mais curtas; as femininas caíam até ao tornozelo e as das crianças até ao joelho. As túnicas para os pobres e escravos eram feitas de cardada e o comprimento determinado em função do tipo de trabalho exercido. As melhores túnicas eram fabricadas em lã ou linho processado. Um homem que pertencesse a uma ordem senatorial ou equestre vestia uma túnica com duas fitas (clavos; clavi) púrpura, e quanto maior a dimensão, maior o estatuto do portador.[423]

A toga imperial era fabricada em lã branca e, devido ao seu peso, não era possível vesti-la corretamente sem assistência.[417] Na sua obra sobre oratória, Quintiliano descreve em detalhe a forma como um orador público deveria orquestrar os seus gestos em relação à sua toga.[424][418][425] Na arte, a toga é mostrada com a ponta mais longa pendente entre os pés, uma dobra curva na frente e uma aba saliente a meio.[426] Com o decorrer dos séculos, o panejamento torna-se mais intrincado e estruturado e, no final do império, o tecido formava uma dobra firme em volta do peito.[427] A toga pretexta (toga praetexta), com uma tira púrpura que representava a inviolabilidade, era usada por crianças até aos dez anos, pelos magistrados executivos e pelos sacerdotes do Estado. Só o imperador é que estava autorizado a vestir uma toga totalmente púrpura (toga picta).[428]

No século II, imperadores e homens de estatuto eram muitas vezes retratados a vestir o pálio, um manto de origem grega dobrado em volta do corpo, ocasionalmente retratado também em mulheres. Tertuliano considerava o pálio uma peça de vestuário adequada para os cristãos, ao contrário da toga, e também para pessoas literadas, devido à sua associação com os filósofos.[429][430][431] Em meados do século IV, a toga foi praticamente substituída pelo pálio enquanto peça de vestuário simbólica da união social.[432]

A moda e o estilo do vestuário romano sofreram alterações ao longo do tempo.[433] Durante o Dominato, o vestuário de soldados e burocratas da administração tornou-se cada vez mais decorado, com listas de tecido bordadas (clavos) e emblemas circulares (orbículos; orbiculi) aplicados em túnicas e mantos. Estes elementos decorativos consistiam geralmente em padrões geométricos, motivos vegetalistas estilizados e, em alguns casos, figuras animais ou humanas.[434] O uso de seda foi se tornando cada vez mais comum, e os mantos de seda eram comuns entre os cortesãos do final do império. A militarização da sociedade romana e o declínio da vida cultural urbana refletiram-se nos hábitos de vestuário; para além do abandono da toga, tornou-se comum o uso de cintas ao estilo militar entre os funcionários públicos.[435]

Sexualidade

Ver artigo principal: Sexualidade na Roma Antiga
Os temas eróticos eram bastante comuns na arte e na decoração dos cubículos das domus, como neste fresco da Casa do Centenário, em Pompeia.

A ideia de libertinagem sexual sem restrições no Império Romano é essencialmente uma interpretação cristã posterior.[436][437][438] Na realidade, o sexo no mundo greco-romano era governado pela sobriedade e pela arte de gerir o prazer sexual.[439] A sexualidade era um dos tópicos do mos maiorum, o conjunto de normas sociais que orientavam a vida pública, privada e militar, e o comportamento sexual era moderado pelas noções de pudor, vergonha e modéstia.[440] Os censores romanos, magistrados que determinavam a classe social de cada pessoa, tinham o poder de remover a cidadania dos homens da ordem equestre ou senatorial que se envolvessem em conduta sexual imprópria.[441][442] A legislação moral introduzida durante o reinado de Augusto tentou regular a conduta da mulher como forma de promover os valores da família.O adultério, que durante a república tinha sido uma questão do foro privado, foi criminalizado[443] e definido enquanto ato sexual ilícito (stuprum) que ocorre entre um homem e uma mulher casada.[nt 8][444][445][446][447]

A sociedade romana era patriarcal. A masculinidade estava associada ao ideal de virtude (virtus) e autodisciplina, enquanto que o correspondente feminino era a modéstia (pudicitia).[448] A religião romana promovia a sexualidade enquanto sinal de prosperidade, sendo comuns as práticas religiosas ou mágicas privadas com o intuito de fortalecer a vida erótica ou saúde reprodutiva. A prostituição era legal, pública e bastante comum nas cidades. As pinturas ou mosaicos pornográficos eram peças de destaque entre as coleções de arte, até mesmo nas casas mais abastadas e respeitáveis.[449] A homossexualidade não era condenável e era considerado natural que os homens se sentissem atraídos por adolescentes de ambos os sexos, desde que pertencessem a um estatuto social inferior.[450][451] No entanto, a hipersexualidade era condenável, tanto em homens como em mulheres.[452]

Arte

Ver artigo principal: Arte da Roma Antiga

Roma formou uma sociedade que deu grande espaço para as artes nas suas mais variadas manifestações. Além de desempenhar uma função decorativa, as artes desempenhavam também um importante papel educativo e socializante num contexto em que grande parte da população era analfabeta ou com pouco acesso à literatura mais sofisticada. A arte consagrava ideologias, narrava eventos históricos, integrava festividades cívicas e rituais religiosos e glorificava personagens eminentes, agindo de fato como uma língua franca à qual toda a população tinha acesso.[453] A arte romana desenvolveu-se inicialmente a partir da tradição etrusca[454] e ao longo do processo de expansão territorial de Roma foi absorvendo as referências da cultura grega,[455] tornando a sua arte em larga medida uma extensão e variação daquela, e fazendo dos romanos os principais preservadores do legado artístico grego para a posteridade.[456][457]

No entanto, embora tenham copiado muitas técnicas e modelos formais gregos na literatura, nas artes visuais, no teatro, na música e em outras especialidades, os romanos foram capazes de desenvolver uma tradição que no fim do período republicano e ao longo período imperial assumiu características inovadoras e originais, ganhando significativa independência da herança recebida e formando uma identidade própria. Mesmo assim, no Império houve várias fases de oscilação entre tendências mais helenizantes e imitativas e outras mais progressistas e criativas. Isso, somando-se às múltiplas variações regionais, à incorporação de influências orientalizantes, às importantes mudanças introduzidas na fase de cristianização do Império e ao forte e permanente amor romano pelo ecletismo, fazem da arte da Roma Imperial um complexo mosaico de tendências às vezes bastante divergentes, sendo impossível a sua caracterização como um bloco estético monolítico.[458][459] Apesar do enorme valor dado às obras de arte, os artistas detinham um estatuto social inferior, mesmo até os mais renomados. Os romanos e gregos viam artistas e artesãos enquanto trabalhadores braçais, embora ao mesmo tempo fosse reconhecida a perícia necessária para produzir arte de qualidade, sendo até considerada uma oferenda divina.[460]

Arquitetura

Ver artigo principal: Arquitetura da Roma Antiga
A invenção do betão (opus caementicium) permitiu aos romanos a introdução de arcos, abóbadas e cúpulas de dimensões sem precedentes na história e de elevada durabilidade, como a cúpula do Panteão de Roma (imagem), ainda hoje a maior cúpula sem reforço estrutural do mundo.

Os arcos de volta perfeita, as abóbadas e as cúpulas são características da arquitetura romana que a tornam distinta da arquitetura grega. A introdução destes elementos, de uma dimensão sem precedentes na História, foi possível graças à invenção do betão pelos romanos. O betão (opus caementicium) era fabricado a partir de cinzas vulcânicas descobertas nas imediações do Vesúvio, denominadas pozolanas, que eram trituradas e misturadas com cal.[461] O núcleo de betão das construções era geralmente revestido com estuque, tijolo, pedra ou mármore. Em alguns casos eram acrescentadas esculturas douradas para criar um efeito de deslumbramento e ostentação de poder e prosperidade. A qualidade construtiva introduzida na arquitetura romana aumentou significativamente a sua durabilidade. Muitos dos edifícios romanos ainda se encontram intactos e em uso, dos quais a maior parte são edifícios convertidos em igrejas durante a época cristã. No entanto, em muitas das ruínas o revestimento de mármore foi removido, pelo que não representam a grandiosidade da aparência original, como é o caso da Basílica de Constantino.[462]

As cúpulas eram uma presença comum em termas, villas, palácios e túmulos. As salas de audiência de muitos dos palácios imperiais eram encimadas por cúpulas, sendo também muito comuns em pavilhões de jardins.[463] Geralmente assumiam formato hemisférico e eram total ou parcialmente ocultas pelo exterior, sendo em muitos casos rematadas por um óculo e por vezes cobertas por um telhado cónico ou poligonal.[464] Com o colapso da metade ocidental do império, a construção de cúpulas entrou em declínio. No entanto, a oriente tornou-se uma das principais características da arquitetura bizantina.[465]

Foi durante o reinado de Trajano (r. 98–117) e Adriano (r. 117–138) que o império atingiu a sua maior extensão e que Roma atingiu o seu apogeu artístico, tendo iniciado um programa imenso de construção de monumentos, assembleias, jardins, aquedutos, termas, palácios, pavilhões, sarcófagos e templos.[466] A introdução do arco, da cúpula e o uso do betão permitiram a construção de tetos abobadados de grande vão em espaços e complexos públicos como as termas ou as basílicas. Entre os exemplos mais notáveis de cúpulas estão o Panteão de Roma, as Termas de Diocleciano e as Termas de Caracala. O Panteão, dedicado a todos os deuses planetários, é o o templo da Antiguidade em melhor estado de conservação e preserva ainda a cúpula intacta.[467] Os últimos grandes programas construtivos em Roma tiveram lugar durante o reinado de Constantino (r. 306-337), incluindo o Arco de Constantino perto do Coliseu de Roma.[468]

Pintura

Ver artigo principal: Pintura da Roma Antiga
Fresco de Pompeia, c. 20-30 A pintura demonstra muitas vezes o orgulho existente na literacia, onde o encomendador se faz retratar com objetos associados à leitura e escrita.

A pintura foi uma das artes mais populares do Império Romano, mas pouco se sabe sobre ela, uma vez que a grande maioria dos registos se perdeu ao longo do tempo. Muito do que se conhece sobre pintura romana baseia-se na decoração do interior de residências privadas, em particular os frescos que foram preservados em Pompeia. Esta cidade, descoberta no século XVIII, foi soterrada pela erupção do Vesúvio de 79, o que possibilitou a sua conservação relativamente intacta. A partir deste grupo de obras — que embora rico e variado, é uma diminuta fração do que foi produzido e abrange um período muito limitado — foi estabelecida uma cronologia de estilos que vem sendo controversamente aplicada para o conjunto do legado pictórico imperial. Segundo esta proposta, a pintura romana evoluiu a partir de exemplos gregos de decoração parietal puramente geométrica, incorporando progressivamente elementos figurativos em cenários arquitetónicos ou paisagísticos, frequentemente utilizando modelos gregos ou citando obras gregas célebres em releituras criativas, vindo a apresentar em alguns exemplos grande sofisticação e suntuosidade, em conjuntos organizados segundo um grande programa integrado e distribuído em vários ambientes, enquanto em outros a simplicidade e o gosto popular predominam. Para além dos frisos decorativos e de painéis com motivos geométricos e vegetalistas, a pintura mural representa cenas da mitologia e do teatro, paisagem e jardins, recreação e espetáculos, trabalho e vida quotidiana e cenas eróticas. Os pássaros, animais e vida marinha são frequentemente representados com especial cuidado em relação ao detalhe artístico.[469][470][471]

Porém, através de registos literários e de escassos remanescentes distribuídos pela extensão do Império, sabe-se que a pintura mural foi apenas uma das modalidades praticadas de pintura, havendo notícia de obras produzidas sobre tecido, metal, pedra, marfim e outros suportes, utilizando pigmentos variados de origem vegetal e mineral.[472][471] Os retratos pintados sobre pranchas de madeira e placas metálicas eram muito apreciados, especialmente em contextos fúnebres, mas também como glorificação de personagens ilustres, apresentados em procissões que reafirmavam o prestígio das famílias patrícias e em outras festividades públicas. Também os cidadãos comuns podiam ter as suas faces eternizadas, já que a técnica tinha um custo relativamente baixo. Sobreviveu um bom conjunto de retratos fúnebres em encáustica no Egito, que mostram refinada técnica e grande realismo.[473] Os retratos de Faium são um indicador da razão pela qual as antigas fontes literárias se maravilhavam com o realismo das representações artísticas.[474] Outro género popular foi o das pinturas triunfais, executadas sobre painéis de grandes dimensões representando batalhas e mapas de campanhas militares, apresentadas nos cortejos dos generais vitoriosos.[475] Merece nota ainda a produção de iluminuras destinadas à ilustração de manuscritos, das quais sobrevive reduzidíssimo número de exemplares.[476]

Grande parte da escultura retratística teria sido pintada, embora a tinta raramente tenha sobrevivido ao longo dos séculos. A partir do século II, com a difusão do Cristianismo, surgiu toda uma nova temática alusiva a esta religião – a arte paleocristã – observando-se ao mesmo tempo uma crescente simplificação e geometrização nas formas. No entanto, ainda se encontram alguns exemplos refinados de pintura tardo-imperial que remetem à tradição clássica, principalmente em Dura Europos, com temas hebraicos, e em Luxor, com temas cristãos.[477][478]

Escultura

Ver artigo principal: Escultura da Roma Antiga
Detalhe de um busto do imperador Filipe, o Árabe, c. 244-249 d.C. no Museu Chiaramonti.

A escultura foi uma das mais importantes expressões artísticas dos antigos romanos e estava presente em todos os aspetos das suas vidas, do âmbito doméstico ao público, do religioso ao civil e militar, em grandes e pequenas dimensões, em pedra, metal ou cerâmica, desempenhando funções decorativas, mágicas, propiciatórias, consacratórias, memorialistas, celebratórias ou educativas. A parte mais importante da escultura imperial é figurativa, mas encontra-se também aplicada a objetos utilitários.[479][480] Era comum aplicar na superfície das esculturas uma pintura decorativa.[481]

A tradição grega permaneceu uma referência central ao longo de toda a trajetória da arte escultórica em Roma, mas assim como ocorreu em outras expressões artísticas, foram introduzidas diversas inovações, visíveis em especial na retratística, que desde a República gozou de especial estima, com exemplares de intensa expressividade e grande realismo, e na decoração dos grandes monumentos públicos, como os arcos de triunfo, o Ara Pacis e a Coluna de Trajano, onde se desenvolveu um estilo narrativo que se configurou como tipicamente romano.[482][483][484]

Ao longo do Império, as influências orientais ocasionaram um lento mas crescente afastamento do cânone grego em direção a uma simplificação formal que estabeleceu as bases da escultura bizantina, paleocristã e medieval. Mesmo assim, verificaram-se diversas fases em que foram recuperados arcaísmos clássicos, a exemplo do que sucedeu na era de Augusto, elementos que reforçavam a continuidade com um passado prestigiado e serviam ao mesmo tempo como elos de coesão política e cultural num território que se expandia e absorvia influências estéticas diversificadas, agindo como uma linguagem de entendimento comum. Com a ascensão do Cristianismo apareceram novas temáticas, mas a herança clássica continuou a oferecer modelos importantes para a constituição de uma iconografia renovada.[485][486][482][487]

Durante o período de Augusto, os retratos usavam proporções clássicas e feições jovens, evoluindo posteriormente para uma conjugação de realismo e idealismo.[488] Os retratos do período republicano demonstram um realismo intenso, embora após o século II a.C. tenha sido progressivamente adotado o conceito de nudez heroica, muitas vezes para o retrato de generais conquistadores.[489] A escultura imperial pode apresentar uma face adulta, por vezes envelhecida, no topo de um corpo jovem nu ou seminu com musculatura perfeita. Aliás, era comum a colocação de bustos num corpo criado para outro efeito.[490] Vestido com a toga ou o uniforme militar, o corpo comunica a patente ou a esfera de atividade, e não as características do retratado.[491] As mulheres da família imperial eram frequentemente retratadas vestidas de forma semelhante à das deusas ou personificações divinas, como a Pax.[474]

Os sarcófagos de mármore e calcário são característicos do período entre os séculos II e IV,[492] do qual existem pelo menos 10 000 exemplares sobreviventes.[493] Embora as cenas mitológicas sejam aquelas cujo estudo é mais aprofundado,[494] os relevos em sarcófagos são a mais rica fonte de iconografia romana,[495] podendo representar a ocupação em vida do morto e cenas militares, entre outros temas.[496] O hábito da cópia e da releitura de modelos gregos foi essencial para a preservação do legado da escultura grega, cujos originais foram na sua vasta maioria perdidos,[487] e a produção romana foi uma importante influência nos períodos renascentista, barroco e neoclássico.[497]

Artes decorativas

Detalhe de mosaico de pavimento em opus tessellatum, representando Medusa. Pireu, atual Grécia, séc II d.C.

Entre os mais comuns objetos de artes decorativas, destinados a consumidores abastados, estão peças de cerâmica, recipientes e utensílios de prata e de bronze e artefactos de vidro. A produção de cerâmica de várias qualidades e as indústrias de metalurgia e vidro desempenhavam um papel económico significativo no comércio e no emprego. As importações estimulavam os novos centros de produção regionais, como o sul da Gália, que se tornou o principal produtor de terra sigillata, cerâmica de elevada qualidade e um dos principais artigos comercializados na Europa durante o século I.[498] Os romanos dominavam também a técnica de sopro de vidro, a qual teve origem na Síria durante o século I a.C.[499][500]

Os mosaicos são uma das mais duradouras formas de arte decorativa romanas, podendo ser encontrados nas superfícies de pavimentos, paredes, tetos e colunas de espaços públicos ou privados.[501] Os mosaicos figurativos partilham muitos dos temas com a pintura e, nalguns casos, representam os mesmos temas em composições praticamente idênticas. Embora os padrões geométricos e cenas mitológicas sejam motivos recorrentes ao longo de todo o império, existem também diversas expressões locais. No norte de África, uma fonte particularmente rica de mosaicos, os temas preferidos em propriedades privadas eram cenas da vida quotidiana: caça, agricultura e vida selvagem local.[502] Uma oficina de mosaico era dirigida pelo mestre (pictor). A técnica mais comum é o opus tessellatum, criado a partir de peças uniformes (tessela) de materiais como pedra e vidro. Os mosaicos eram geralmente produzidos no local, embora por vezes fossem produzidos e comercializados em painéis pré-fabricados. [503] O opus sectile é uma técnica relacionada na qual pedra lisa, geralmente mármore colorido, é cortada em formas precisas que compõem os padrões geométricos ou figurativos. Esta técnica, mais complexa, era particularmente valiosa e tornou-se extremamente popular durante o século IV.[504]

Artes performativas

Para além da tradição grega do teatro de máscaras exclusivamente masculino (imagem), o género mais popular no império foi o mime, que misturava um guião escrito com improviso, humor, sátira política, cenas de ação e sexo, acrobacias e malabarismo.

A música e dança foram manifestações artísticas populares desde a fundação, tendo-se provavelmente desenvolvido a partir da imitação de precursores gregos. O pouco que se conhece a seu respeito deriva de fontes bibliográficas e iconográficas.[505][506] A presença de música era comum em praticamente todos os eventos sociais e nas cerimónias fúnebres. Nos sacrifícios era habitual tocar uma tíbia, um instrumento de sopro cujo som se acreditava espantar as más influências.[507][508] Acreditava-se que a música refletia a ordem do cosmos, sendo associada à matemática e ao conhecimento.[509] Entre os instrumentos musicais mais comuns estavam as madeiras, os metais, os instrumentos de percussão e as cordas, como a cítara grega.[510] O corno (cornu), um instrumento de sopro metálico que se curvava ao longo do corpo do músico, era usado em paradas e sinalização militar.[511] O órgão hidráulico chamado hidraulo (hydraulis) foi um dos mais significativos feitos musicais e técnicos da Antiguidade, acompanhando combates entre gladiadores, eventos nos anfiteatros e atuações em palco.[512]

O teatro de máscaras exclusivamente masculino de tradição grega manteve-se durante o Império Romano, levando ao palco as tragédias e comédias da literatura latina.[513][514] No entanto, a mais popular forma de teatro foi mime, um género caracterizado por peças que misturavam um guião escrito com improvisação e usavam linguagem por vezes brejeira, humor, cenas de sexo, sequências de ação e sátira política. Eram também intercaladas por números de dança, acrobacias, malabarismo, funambulismo, striptease e até ursos dançarinos.[515][516][517] O mime realizava-se sem máscaras e promovia o realismo estilístico em palco. Os papéis femininos eram desempenhados por mulheres, e não por homens com disfarces.[518] Este género estava relacionado com um outro denominado pantomima (pantomimus), uma forma primitiva de balé narrativo, música instrumental e libreto musical, muitas vezes sobre temas mitológicos que podiam ser trágicos ou cómicos.[519][520]

Embora algumas formas de dança não tivessem aceitação no império e fossem vistas como estrangeiras ou pouco humanas, a dança estava incorporada nos rituais religiosos da Roma arcaica.[521] As danças extasiantes eram uma característica da religião de mistérios, em particular do culto de Cibele praticado pelos seus sacerdotes eunucos[522] e do culto de Ísis. Na vertente secular, as dançarinas da Síria e de Cádis eram extremamente populares.[523] Tal como os gladiadores, os artistas de espetáculos eram infames aos olhos da lei e com estatuto pouco superior em relação aos escravos, ainda que tecnicamente fossem livres. As grandes estrelas podiam, no entanto, desfrutar de riqueza e estatuto considerável, sendo-lhes permitido envolver-se com as classes superiores e inclusive com imperadores, muitas vezes sexualmente.[524] Os artistas apoiavam-se entre si através da formação de guildas.[525] O teatro e a dança foram muitas vezes condenados pelos polemistas cristãos durante o final do império,[505] e cristãos que integrassem dança ou música nas suas práticas religiosas eram vistos pelos Padres da Igreja como pagãos.[526]

Literatura

Ver artigo principal: Literatura latina
Cena da tragédia Andrómaca de Eurípedes, num fresco da Casa de Marco Lucrécio em Pompeia.

No cânone literário ocidental, a literatura durante o período de Augusto até ao fim da república é vista como a idade de ouro da literatura latina, incorporando os ideais clássicos da unidade do conjunto, proporção entre as partes e articulação cuidada da composição.[527] Os três poetas clássicos latinos mais influentes – Virgílio, Horácio e Ovídio – pertencem a este período. Virgílio escreveu a Eneida, criando um épico nacional para Roma da mesma forma que os épicos de Homero o foram para a Grécia. Horácio aperfeiçoou o uso da métrica grega na poesia latina. A poesia erótica de Ovídio foi extremamente popular, embora vítima do programa moral de Augusto, que levou ao seu exílio em Tômis, onde permaneceu até ao resto da sua vida. As Metamorfoses de Ovídio são um poema contínuo ao longo de quinze livros, que abrangem temas desde a mitologia greco-romana até ao culto imperial de Júlio César. As versões de Ovídio dos mitos gregos tornaram-se numa das principais fontes de mitologia clássica. A sua foi tão influente na literatura medieval que os séculos XII e XIII foram denominados de "Idade de Ovídio"."[528]

O período entre meados do século I e meados do século II é convencionalmente denominado de idade de prata da literatura latina. Durante o governo de Nero, os escritores reagiram contra o augustianismo.[529] Os três principais escritores – o filósofo e dramaturgo Séneca; Lucano, o seu sobrinho, que transformou a Segunda Guerra Civil no épico Farsália; e o romancista Petrónio, autor de Satíricon – cometeram todos suicídio após caírem em desgraça junto do imperador. Séneca e Lucano eram da Hispânia, tal como o epigramista Marcial.[530] A obra do poeta Estácio viria a exercer uma enorme influência na literatura do Renascimento.[531]

Os livros eram caros, uma vez que cada cópia tinha que ser manuscrita num rolo de papiro (volume; volumen) por escribas especializados.[532] A produção comercial de livros teve início durante o período final da República. Por volta do século I alguns bairros de Roma eram conhecidos pelas suas livrarias (tabernas de livros; tabernae librariae), as quais existiam também em muitas das cidades de província ocidentais.[533] A qualidade das edições variava significativamente e alguns autores queixavam-se de cópias cheias de erros, plágio ou falsificações, uma vez que não existiam direitos de autor.[534] O códice era ainda uma novidade no século I, mas em finais do século III tinha já substituído o volume[535][536] e era o suporte mais comum entre os livros de conteúdo cristão.[537] No entanto, enquanto que o formato do livro dava ênfase à continuidade do texto, o códice encorajava uma leitura parcelar, interpretações fragmentadas e criação de máximas.[538] Embora os Padres da Igreja fossem instruídos, consideravam a literatura clássica perigosa e sem valor, pelo que muitas vezes a reinterpretavam através metáforas e alegorias. Juliano, o único imperador a rejeitar o cristianismo após a conversão de Constantino, proibiu os cristãos de ensinar o currículo clássico sob a alegação de que corrompiam os jovens.[539]

Legado

Ver artigo principal: Legado romano
Pormenor do Arco do Triunfo, encomendado por Napoleão no início do século XIX. A história da Europa e a civilização ocidental foram profundamente influenciadas pelos ideais, cultura e direito romanos. A arte romana influenciou significativamente o Românico, o Renascimento e o Neoclassicismo. As línguas românicas são hoje o maior grupo linguístico do mundo e o alfabeto latino é o sistema de escrita mais utilizado.

As noções imperiais de autocracia, lei e cidadania global influenciaram profundamente a História da Europa. O sentimento de partilha de uma cultura e identidade comuns no Ocidente, mais do que à língua ou à literatura, deveu-se à própria natureza do Império Romano.[540] Após a queda do Império Romano do Ocidente, vários estados reivindicaram serem seus sucessores, um conceito denominado translatio imperii. O Sacro Império Romano-Germânico, uma tentativa de ressuscitar o império no Ocidente, foi fundado em 800 após a coroação pelo papa Leão III do rei dos francos Carlos Magno como imperador romano, embora o império só viesse a ser formalizado décadas mais tarde. Na parte oriental, os Bizantinos mantiveram um império que denominavam "romano" até à Queda de Constantinopla em 1453.[541][542] Quando o Império Otomano, cujo estado era baseado no modelo bizantino, conquistou Constantinopla, Maomé II estabeleceu aí a sua capital e alegou ter ascendido ao trono do Império Romano.[543] Chegou também a iniciar uma invasão de Itália com o intuito de reunificar o império e convidou diversos artistas italianos para a sua capital, entre os quais Gentile Bellini.[544] Após a queda de Constantinopla, o Grão-Ducado de Moscovo, herdeiro da tradição ortodoxa bizantina, denominou a sua capital Terceira Roma.[545] O domínio romano da península Itálica influenciou também a unificação de Itália em 1861.[546]

No ocidente medieval, o termo "romano" foi associado à igreja e ao Papa de Roma. A forma grega romaioi continuou a ser associada à população falante de grego do império oriental e é ainda usada pelos gregos.[547] A Pax Romana criou uma imensa região de estabilidade e união política que permitiu a disseminação do cristianismo.[548] A própria Igreja Católica é uma monarquia absoluta baseada no modelo de Roma e os papas assumem o título do mais alto sacerdote romano, Pontifex Maximus e proclamam-se herdeiros de César.[549] Nas primeiras igrejas de Roma e Ravena, a basílica, um edifício tradicional romano, foi adaptada para o culto cristão, influenciando o modelo de igreja até aos nossos dias.[550]

A arte romana influenciou de forma significativa a arquitetura do Renascimento e a arquitetura românica no sul da Europa. A pintura romana tardia influenciou significativamente a pintura bizantina, a pintura medieval e a pintura da Igreja Ortodoxa. Muitos dos elementos clássicos romanos formaram as bases estéticas do Renascimento e do Neoclassicismo.[551][552][553] Por exemplo, a ordem toscana, a sobreposição de diferentes ordens, e a organização de arcos de volta perfeita ao longo de uma linha de colunas.[554]

Nas regiões romanizadas do império ocidental as línguas pré-latinas foram sendo progressivamente extintas e o latim tornou-se a língua nativa da maioria dos habitantes.[555] O latim desenvolveu-se em diversos ramos regionais que evoluiriam para as línguas românicas modernas, como as línguas portuguesa, espanhola, francesa, italiana ou romena, e exerceu uma enorme influência na língua inglesa. Apesar disso, o latim continuou a ser a língua internacional por excelência no ensino, literatura, diplomacia e vida intelectual até ao século XVII, e em obras jurídicas e eclesiásticas até aos nossos dias.[556][557] Na Idade Média os autores clássicos eram autoridades respeitadas.[558] Embora no Império Bizantino o grego tivesse permanecido como língua franca, a distribuição das línguas regionais é muito mais complexa. A maioria dos que falavam grego vivia na península e nas ilhas gregas, na Anatólia ocidental, nas principais cidades do império e em algumas regiões costeiras. Tal como o grego e o latim, a língua trácia e diversas línguas extintas da Anatólia tinham raiz indo-europeia.[559][560] Várias línguas afro-asiáticas, principalmente a língua copta no Egito e a língua aramaica na Síria e Mesopotâmia, nunca foram substituídas pelo grego.[561]

Notas

  1. Outras possibilidades são República (Res publica) e România (Romania). República, como um termo denotando a comunidade romana em geral, pode referir-se tanto à era republicana como à era imperial, enquanto Império Romano é usado para denotar a extensão territorial da autoridade romana. O termo tardio România, que foi mais tarde usado para o Império Bizantino, aparece em fontes gregas e latinas do quarto século em diante.[1]
  2. A forma mais comum de se definir o período entre o governo de Augusto (r. 27 a.C.–14 d.C.) e o último imperador romano (Rómulo Augusto, em 476 d.C.) é denominá-lo "Império" em oposição ao período da República, e é este o sentido usado no artigo. No entanto, os próprios romanos definiam a diferença institucional como o Principado - de príncipe (princeps), título oficial do imperador que significava literalmente "primeiro", "líder",[4] reforçando a ideia de que o imperador seria o principal dentre iguais (primus inter pares) e nominalmente mantendo a República como forma de governo. O termo "império" era utilizado no próprio período republicano, pois significava originalmente o domínio militar sobre uma terra conquistada.[5] Assim, o "Império Romano" seria literalmente o território conquistado pelo Senado e Povo romano além das fronteiras da cidade de Roma, que passou a ter grandes dimensões a partir das vitórias nas Guerras Púnicas e da anexação da Macedónia e da Grécia, no século II a.C. Da mesma forma, já havia o título imperator na República,[6][7] outorgado aos generais que conquistavam territórios para Roma. Como oficial e nominalmente nunca houve uma ruptura institucional entre República e Principado, o título imperator passou a ser um dos títulos outorgados ao general principal e superior aos outros, chefe máximo dos exércitos, o príncipe.[8]
  3. O termo "Império Bizantino" é moderno. À época, os habitantes denominavam-no Império Romano viam-se a si próprios como romanos.
  4. Esta prática foi estabelecida durante a República.
  5. Só o excedente da província do Egito era suficiente para as necessidades da cidade de Roma e dos exércitos de província.[212]
  6. Júlio César aplicou pela primeira vez o termo ópido (oppidum) a este tipo de assentamento, tendo mesmo denominado Avárico uma urbs, ou cidade. A arqueologia indica que os ópidos eram centros religiosos, comerciais e de produção industrial, muralhados com o propósito de defesa, embora seja possível que a sua ocupação populacional fosse muito variável ao longo do ano.[260][261][262]
  7. Os historiadores dividem-se na ênfase dada aos elementos atléticos e de dança destes exercícios: H. Lee vê-as como ginastas,[400] enquanto M. Torelli assume que são dançarinas em eventos desportivos.[401] A questão é sumarizada por Katherine M. D. Dunbabin.[402]
  8. Existia uma dupla moral: uma mulher casada apenas podia ter relações sexuais com o marido; no entanto, um homem casado não estaria a cometer adultério se tivesse relações sexuais com uma prostituta, escrava ou outra pessoa de estatuto considerado marginal.

Referências

  1. Wolff 1948, p. 2-3
  2. a b c d Taagepera 1979, p. 125
  3. Durand 1977, p. 253-296
  4. Lewis 1879
  5. Derow 2003, pp. 751-2.
  6. Lewis 1879b
  7. Livius.org 2010
  8. Faversani 2013
  9. Kelly 2006, p. 4ff.
  10. Brennan 2000, p. 605.
  11. Ando 2010, p. 39-40.
  12. Ando 2010, p. 179.
  13. Richardson 2011, p. 10.
  14. Richardson 2011, p. 1-2.
  15. Nicolet 1991, p. 1,15.
  16. Lintott 1999, p. 114.
  17. Eder 1993, p. 98.
  18. a b Davis 1999, p. 63
  19. Eck 2003, p. 12.
  20. Boatwright 2000, p. 4.
  21. Abbott 2001, p. 267-269.
  22. Brown 1971, p. 22.
  23. Goldsworthy 2009, p. 405-415.
  24. Potter 2004, p. 296-98.
  25. Starr 1974, p. 678
  26. Asimov 1989, p. 110
  27. Asimov 1989, p. 198
  28. Woolf 2003, p. 340.
  29. Kelly 2006, p. 3.
  30. a b Kelly 2006, p. 1.
  31. Nicolet 1991, p. 29.
  32. Nicolet 1991, p. 7-8.
  33. Nicolet 1991, p. 9, 16.
  34. Nicolet 1991, p. 10–11.
  35. Southern 2001, p. 14.
  36. a b Hopkins 2009, p. 183
  37. a b c Hopkins 2009, p. 184
  38. Goldsmith 1984, p. 263-268
  39. Scheidel 2006, p. 9.
  40. Harris 2000, p. 721.
  41. Southern 2001, p. 14-16.
  42. Adams 2003, p. 184.
  43. Rochette 2011, p. 554, 556.
  44. Freeman 1999, p. 389-433.
  45. Rochette 2011, p. 549.
  46. Millar 2006, p. 279.
  47. Treadgold 1997, p. 5
  48. Rochette 2011, p. 550.
  49. Rochette 2011, p. 550-552.
  50. Rochette 2011, p. 553-554.
  51. Adams 2003, p. 200.
  52. Rochette 2011, p. 556.
  53. Adams 2003, p. 185–186, 205.
  54. Rochette 2011, p. 562-563.
  55. Rochette 2011, p. 558-559.
  56. Miles 1999, p. 59-60.
  57. Bohec 2000, p. 8.
  58. Bohec 2000, p. 14-15.
  59. Ando 2010, p. 181–182.
  60. Luttwak 1979, p. 30.
  61. Ando 2010, p. 184.
  62. Ando 2010, p. 181.
  63. Abbott 2001, p. 345.
  64. Abbott 2001, p. 354.
  65. Abbott 2001, p. 341.
  66. a b c Winterling 2009, p. 16.
  67. Eck 2000b, p. 195ff.
  68. Eck 2000b, p. 205–209.
  69. Eck 2000b, p. 202–203, 205, 210.
  70. Eck 2000b, p. 211.
  71. Eck 2000b, p. 212.
  72. Millar 1983, p. 76.
  73. a b Eck 2000b, p. 215.
  74. Goldsworthy 2003, p. 80.
  75. Ando 2010, p. 183.
  76. Ando 2010, p. 177–180.
  77. Ando 2010, p. 179, 187.
  78. Ando 2010, p. 180.
  79. Fuhrmann 2012, p. 197, 214, 224.
  80. Edmondson 1996, p. 111-112.
  81. a b Hopkins 2009, p. 196
  82. Bohec 2000, p. 9.
  83. Roth 1994, p. 361-362.
  84. Goldsworthy 2003, p. 50.
  85. Goldsworthy 2003, p. 183.
  86. Penrose 2005, p. 183.
  87. Goldsworthy 2003, p. 51.
  88. Connolly 1991, p. 33-50.
  89. Goldsworthy 2003, p. 114.
  90. a b Casson 1991, p. 188.
  91. Webster 1998, p. 165-166.
  92. Saddington 2007, p. 202–203.
  93. Potter 1999, p. 77.
  94. Gardiner 2004, p. 70.
  95. Warry 2004, p. 98.
  96. a b Garnsey 1987, p. 110.
  97. Ando 2010, p. 184–185.
  98. Bozeman 2010, p. 208-220.
  99. Ando 2010, p. 184-5.
  100. Garnsey 1987, p. 110-111.
  101. Digeser 2000, p. 53.
  102. Ando 2010, p. 185–187.
  103. a b Ando 2010, p. 188.
  104. a b Ando 2010, p. 185.
  105. a b c Ando 2010, p. 187.
  106. Ando 2010, p. 186.
  107. Peachin 2011, p. 12.
  108. Peachin 2011, p. 16.
  109. Peachin 2011, p. 9.
  110. Garnsey 1987, p. 197.
  111. Saller 2002, p. 123, 176, 183.
  112. Duncan 2006, p. 164.
  113. Reinhold 2002, p. 25ff - 42.
  114. Saller 2000, p. 18.
  115. Peachin 2011, p. 17-20.
  116. Millar 1983, p. 81-82.
  117. Winterling 2009, p. 11, 21.
  118. Frier 2004, p. 14.
  119. Frier 2004, p. 31–32.
  120. Ando 2010, p. 177.
  121. Bradley 1994, p. 12.
  122. Bradley 1994, p. 15.
  123. Harris 1999, p. 62-75.
  124. Harper 2011, p. 10-16.
  125. Frier 2004, p. 15.
  126. Goodwin 2009, p. 41.
  127. Harris 1999, p. 62.
  128. Rawson 1986, p. 186–188, 190.
  129. Bradley 1987, p. 72.
  130. Bradley 1994, p. 34, 48-50.
  131. Frier 2004, p. 7.
  132. McGinn 1998, p. 314.
  133. Gardner 1991, p. 119.
  134. Frier 2004, p. 31, 33.
  135. Frier 2004, p. 21.
  136. Gamauf 2009, p. 331-346.
  137. Bradley 1994, p. 2-3.
  138. Bradley 1994, p. 10.
  139. Fuhrmann 2012, p. 21-41.
  140. McGinn 1998, p. 288ff.
  141. Abusch 2003, p. 77-78.
  142. Millar 1998, p. 23, 209.
  143. Mouritsen 2011, p. 36.
  144. Berger 1953, p. 564.
  145. Eck 2000, p. 217-218.
  146. Syme 1999, p. 12-13.
  147. Eck 2000, p. 215, 221–222.
  148. Millar 1983, p. 88.
  149. Eck 2000, p. 218–219.
  150. MacMullen 1966, p. 16.
  151. Wiseman 1970, p. 71-72, 76.
  152. Fear 2007, p. 214-215.
  153. Bennett 1997, p. 5.
  154. Hopkins 2009, p. 188.
  155. Millar 1983, p. 87-88.
  156. Millar 1983, p. 96.
  157. Sherwin-White 1979, p. 211, 268.
  158. Frier 2004, p. 31–32, 457.
  159. Rawson 1986, p. 18.
  160. Harris 2000, p. 733.
  161. Frier 2004, p. 461.
  162. Woodhull 2004, p. 77.
  163. Johnston 1999.
  164. Frier 2004.
  165. Thomas 1991, p. 134.
  166. Severy 2002, p. 12.
  167. Frier 2004, p. 19–20.
  168. Cantarella 1987, p. 140-141.
  169. Rawson 1986, p. 15.
  170. Frier 2004, p. 19–20, 22.
  171. Treggiari 1991, p. 258–259, 500–502.
  172. Mattingly 2006, p. 286, 295.
  173. Mattingly 2006, p. 292.
  174. Mattingly 2006, p. 285-286, 292.
  175. Reden 2010, p. xv.
  176. Kessler 2008.
  177. Hart 1996, p. 135.
  178. Corbier 2005, p. 333.
  179. Wells 1992, p. 8.
  180. a b c d e Harris 2008.
  181. Andreau 1999, p. 2.
  182. Duncan-Jones 1994, p. 3-4.
  183. Hart 1996, p. 128-9.
  184. Hart 1996, p. 125-136.
  185. Harris 2000, p. 714.
  186. Greene 1986, p. 17.
  187. a b Harris 2000, p. 713.
  188. Grout 2014.
  189. Gabriel 2002, p. 9.
  190. Grant 1978, p. 264.
  191. Stambaugh 1988, p. 253.
  192. Holleran 2012, p. 142.
  193. Laurence 1998, p. 129.
  194. Hopkins 2009, p. 187.
  195. Eliot 1955, p. 76ff.
  196. Verboven 2007, p. 18, 23.
  197. Jones 1960, p. 184-185.
  198. Jones 1960, p. 192.
  199. Jones 1960, p. 188-189.
  200. Jones 1960, p. 190-191.
  201. Vout 1996, p. 212.
  202. a b Gagarin 2010, p. 323.
  203. a b Garnsey 1987, p. 111
  204. Temin 2004, p. 517.
  205. Holleran 2012, p. 136-7.
  206. Harris 2000, p. 710.
  207. Harris 2000, p. 717-729.
  208. Corbier 2005, p. 404.
  209. Harris 2000, p. 719.
  210. Harris 2000, p. 720.
  211. Holleran 2012, p. 146-7.
  212. a b c d e Hopkins 2009, p. 191
  213. Garnsey 2000, p. 679.
  214. Hopkins 2009, p. 195-6.
  215. Wiseman 1959, p. 73.
  216. Keane 2006, p. 36.
  217. Köhne 2000, p. 8.
  218. Craddock 2008, p. 108.
  219. Wilson 2002, p. 25-29.
  220. Callataÿ 2005, p. 361-372.
  221. Bowersock 1999, p. 579.
  222. a b Tylecote 2013.
  223. Wilson 2002, p. 17–21, 25, 32.
  224. Smith 1997.
  225. Bayley 2004.
  226. Harland 2003, p. 91–103.
  227. Bevir 2010, pp. 40-41
  228. Galinksy 2007, pp. 77-78
  229. a b c Rüpke 2007, p. 4
  230. Scheid 2007, p. 279.
  231. Apuleio século II, 1.1..
  232. Bunson 1995, p. 246.
  233. Hanson 1980.
  234. Contreras 1980.
  235. Koch 2006, p. 984.
  236. Frend 1967, p. 106.
  237. Isaac 2004, p. 449.
  238. Huskinson 2000, p. 261.
  239. Momigliano 1986, p. 285-297.
  240. Fishwick 1991, p. 97-149.
  241. Ben-Sasson 1976, p. 254-256.
  242. Sherwin-White 1952, p. 199-213.
  243. Clarke 2005, p. 616.
  244. Frend 2006, p. 510.
  245. Barnes 1968, p. 32-50.
  246. Sainte-Croix 1963, p. 6-38.
  247. Musurillo 1972, p. lviii–lxii.
  248. Bowersock 1999, p. 625.
  249. Heid 2007, p. 406-426.
  250. Schilling 1992, p. 110.
  251. Millar 1983, p. 79.
  252. a b Ando 2010, p. 192.
  253. Ando 2010, p. 185-6.
  254. Millar 1983, p. 76ff.
  255. Stambaugh 1988, p. 23ff, 244.
  256. Raja 2012, p. 215-218.
  257. Sperber 1998.
  258. a b Stambaugh 1988, p. 252-3.
  259. Longfellow 2011, p. 2.
  260. Harding 2007, p. 211-212.
  261. Collis 2000, p. 229-238.
  262. Arnold 1998, p. 61.
  263. Rehak 2006, p. 4ff.
  264. Rehak 2006, p. 7-8.
  265. a b Greene 2000, p. 29-59
  266. a b Jones 2000
  267. Lancaster 2005.
  268. Aldrete 2004, p. 34-35.
  269. Hopkins 2007, pp. 1-12
  270. Darvill 2002, p. 162-163.
  271. Longfellow 2011, p. 1.
  272. Fagan 2001, p. 417.
  273. Rehak 2006, p. 8.
  274. Clarke 1993, p. 11-12.
  275. Clarke 1993, p. 2.
  276. Stambaugh 1988, p. 144, 147.
  277. Clarke 1993, p. 12, 17, 22ff.
  278. Gazda 1991, p. 9.
  279. a b Clarke 1993, p. 19
  280. Jashemski 2002.
  281. a b Evans 1994, p. 9-10
  282. Fagan 2011, p. 366.
  283. Fagan 2002, p. 99.
  284. Fagan 2001, p. 404.
  285. Ward 1992, p. 125–147, especialmente 137; 140.
  286. Ward 1992, p. 142-143.
  287. Ward 1992, p. 125.
  288. Horster 2011, p. 84-85.
  289. Fredriksen 2010, p. 598.
  290. Laes 2011, p. 109-110.
  291. a b Horster 2011, p. 88
  292. Horster 2011, p. 90.
  293. Rawson 2003, p. 80.
  294. Habinek 1998, p. 122.
  295. James 2003, p. 21-25.
  296. Habinek 1998, p. 123.
  297. Horster 2011, p. 95.
  298. Laes 2011, p. 108.
  299. a b Horster 2011, p. 89.
  300. Horster 2011, p. 87-89.
  301. Laes 2011, p. 113-116.
  302. Horster 2011, p. 87-92.
  303. Laes 2011, p. 120.
  304. Laes 2011, p. 122.
  305. Laes 2011, p. 107-108; 132.
  306. Connolly 2011, p. 106.
  307. Laes 2011, p. 109.
  308. Laes 2011, p. 132.
  309. Myers 2006, p. 439; 442.
  310. Connolly 2011, p. 102-103; 105.
  311. Saller 1980, p. 56.
  312. a b Harris 1989, p. 5
  313. Johnson 2009, p. 3-4.
  314. Kraus 2000, p. 325.
  315. Horster 2011, p. 89; 97-98.
  316. Woolf 2009.
  317. a b Mattern 1999, p. 197
  318. a b Morgan 1998, p. 1-2; et passim
  319. Horster 2011, p. 97.
  320. Ando 2000, p. 101.
  321. Kraus 2000, p. 325-327.
  322. Phang 2011, p. 286-301.
  323. Harris 1989, p. 253-255.
  324. Morgan 2010, p. 19-20.
  325. Cavallo 1999, p. 78-79.
  326. Cavallo 1999, p. 81-82.
  327. Fagan 2010, p. 372.
  328. Harris 1989, p. 3.
  329. Cavallo 1999, p. 86.
  330. Dyson 2010, p. 240.
  331. a b c Beard 1998, p. 66.
  332. Habinek 2005, p. 5; 143; et passim.
  333. Glare 1982, p. 1048-1049.
  334. a b Potter 1999, p. 303
  335. Versnel 1970, p. 96-97.
  336. Dodge 1999, p. 242.
  337. Dodge 1999, p. 235-236.
  338. a b Dodge 1999, p. 224.
  339. Humphrey 1986, p. 544; 558.
  340. Bouché-Leclercq 1886, p. 549.
  341. Paul 2004, p. 83.
  342. Coleman 1990, p. 50-51.
  343. a b Dyson 2010, p. 237, 239.
  344. a b Humphrey 1986, p. 1
  345. Edmondson 1996, p. 73-74; 106.
  346. Auguet 1972, p. 54.
  347. McClelland 2007, p. 67.
  348. a b Futrell 2010, p. 85
  349. Humphrey 1986, p. 461.
  350. McClelland 2007, p. 61.
  351. a b Dyson 2010, p. 238-239
  352. Humphrey 1986, p. 459, 461, 512, 630–631.
  353. Dyson 2010, p. 237.
  354. a b Dyson 2010, p. 238
  355. Potter 1999, p. 296.
  356. Potter 1999, p. 299.
  357. Humphrey 1986, p. 238.
  358. Futrell 2010, p. 84.
  359. Humphrey 1986, p. 18-21.
  360. Auguet 1972, p. 131-132.
  361. Dodge 1999, p. 237.
  362. Auguet 1972, p. 144.
  363. Dickie 2001, p. 272-287.
  364. D'Ambra 2007, p. 348-349.
  365. Belayche 2007, p. 289.
  366. Potter 1999, p. 305.
  367. Edwards 2007, p. 59.
  368. a b Edwards 2007, p. 49.
  369. Edmondson 1996, p. 70.
  370. Dião Cássio século III, 54.2.2.
  371. Augusto 13, 22.1, 3.
  372. a b Edwards 2007, p. 55
  373. Dião Cássio século III, 66.25.
  374. Edwards 2007, p. 50.
  375. Potter 1999, p. 307.
  376. McClelland 2007, p. 66.
  377. Coleman 1990, p. 45-47.
  378. Edmondson 1996, p. 73.
  379. Coleman 1990, p. 44-73.
  380. Suetônio 121, 12.2.
  381. Edwards 2007, p. 59-60.
  382. Tertuliano século II/III, 12.
  383. McDonald 2007, p. 8.
  384. Edwards 2007, p. 63.
  385. Kyle 1998, p. 81.
  386. Edwards 2007, p. 52.
  387. Plínio, o Jovem 100, 33.1.
  388. Edwards 2007, p. 66-67; 72.
  389. Edwards 2007, p. 212.
  390. Bowersock 1995, p. 25-26.
  391. Cavallo 1999, p. 79.
  392. Huber-Rebenich 1999, p. 158-178.
  393. Llewelyn 2002, p. 109.
  394. Hildebrandt 2006, p. 59-64.
  395. Ando 2000, p. 382.
  396. Rawson 2003, p. 128.
  397. McDaniel 1906, p. 122–123, 125–126.
  398. Rawson 2003, p. 129-130.
  399. Eyben 1977, p. 79-82; 110.
  400. Lee 1984, p. 45-75.
  401. Torelli 1988, p. 152.
  402. Dunbabin 1999, p. 133.
  403. Hanson 1991, p. 260, 264.
  404. Austin 1935, p. 34.
  405. Austin 1935, p. 76-79.
  406. Stambaugh 1988, p. 144-178.
  407. Hinds 2010, p. 90.
  408. Holleran 2012, p. 136ff.
  409. Seo 2010, p. 299.
  410. Faas 1994, p. 29.
  411. a b Garnsey 2000, p. 681
  412. Stambaugh 1988, p. 144.
  413. Holleran 2012, p. 134-5.
  414. Stambaugh 1988, p. 146.
  415. Lee 2010, p. 230.
  416. Coon 1997, p. 57.
  417. a b Vout 1996, p. 216.
  418. a b Bieber 1959, p. 412.
  419. Vout 1996, p. 218.
  420. Vout 1996, p. 204-220, especialmente 206, 211.
  421. Bieber 1959, p. 374-417.
  422. Métraux 2008, p. 286.
  423. Lee 2010, p. 231.
  424. Coon 1997, p. 57-58.
  425. Quintiliano 95, 11.3.137–149.
  426. Bieber 1959, p. 415.
  427. Métraux 2008, p. 282-283.
  428. Cleland 2007, p. 194.
  429. Coon 1997, p. 58.
  430. Bieber 1959, p. 399-411.
  431. Tertuliano século II/IIIb, 5.2.
  432. Vout 1996, p. 217.
  433. Lee 2010, p. 232.
  434. D'Amato 2005, p. 7-9.
  435. Wickham 2009, p. 106.
  436. Edwards 2002, p. 65
  437. Verstraete 2005, p. 5
  438. Alastair 2010, pp. 1-88
  439. Foucault 1988, p. 239
  440. Langlands 2006, p. 17
  441. Fantham 2011, p. 121
  442. Richlin 2011, p. 556
  443. Severy 2002, p. 4.
  444. McGinn 1991, p. 342.
  445. Nussbaum 2002, p. 305.
  446. Fantham 2011, p. 124.
  447. Edwards 2002, p. 34-35.
  448. Langlands 2006, p. 37-38
  449. McGinn 2004, p. 164
  450. Skinner 1997, p. 11
  451. Williams 1999, p. 304
  452. Nussbaum 2002, p. 299
  453. Elsner 1998, pp. 11-13
  454. Hall 1996, pp. 3-16
  455. Hemingway 2000
  456. Jenkyns 1992, pp. 1-5
  457. Kousse 2008, p. 4-5; 8.
  458. Griffin 2001, p. 2-4
  459. Fullerton 1990, p. 190
  460. Petersen 2010, p. 312-313.
  461. Fleming, Honour & Pevsner 1991, pp. 366–367.
  462. Janson 2010, p. 186-191
  463. Hourihane 2012, p. 303-304.
  464. Smith 1950, p. 9.
  465. Melaragno 1991, p. 32.
  466. Piper 1986, p. 256
  467. Janson 2010, pp. 186-191
  468. Piper 1986, p. 260
  469. Ling 1991
  470. Metropolitan Museum of Art 2000
  471. a b De Carolis 2011, pp. 14-30
  472. Adam 1999, pp. 216-228
  473. Gschwantler 2000, pp. 14-ss
  474. a b Dillon 2010, p. 453.
  475. Grant 1995, pp. 91-92
  476. Gardner 2005, pp. 178-18
  477. Maier 2005, pp. 385-6
  478. Klindt-Jensen 2015
  479. Elsner 1998, pp. 11-13
  480. Oleson 2010, pp. 507-509
  481. Abbe 2000
  482. a b Toynbee 2015
  483. Trentinella 2000
  484. Stewart 2003, p. 47
  485. Fullerton 1990, p. 190
  486. Hemingway 2000
  487. a b Kousser 2008, pp. 11-114
  488. Toynbee 1971, p. 439-442.
  489. Zanker 1988, p. 5ff.
  490. Dillon 2010, p. 451.
  491. Fejfer 2008, p. 10.
  492. Newby 2011, p. 301.
  493. Elsner 2011, p. 1.
  494. Elsner 2011, p. 12.
  495. Elsner 2011, p. 14.
  496. Elsner 2011, p. 1; 9.
  497. Waywell 1992, pp. 295, 326
  498. Gagarin 2010, p. 459-202.
  499. Corbier 2005, p. 421.
  500. Butcher 2003, p. 201ff.
  501. Gagarin 2010, p. 459.
  502. Gagarin 2010, p. 463.
  503. Gagarin 2010, p. 459-460.
  504. Dunbabin 1999, p. 254ff.
  505. a b Naerebout 2009, p. 146
  506. Fless 2011, pp. 249-262
  507. Habinek 2005, p. passim.
  508. Ginsberg-Klar 1981, p. 313; 316.
  509. Habinek 2005, p. 90ff.
  510. Ginsberg-Klar 1981, p. 313.
  511. Ginsberg-Klar 1981, p. 314.
  512. Ginsberg-Klar 1981, p. 316.
  513. Klar 2000
  514. Beacham 1996, pp. 117-153
  515. Potter 1999, p. 257.
  516. Fantham 1989, p. 230.
  517. Slater 2002, p. 315.
  518. Conte 1994, p. 128.
  519. Franklin 1987.
  520. Starks 2008, p. 85; 14ff.
  521. Naerebout 2009, p. 146ff.
  522. Naerebout 2009, p. 154, 157.
  523. Naerebout 2009, p. 156-157.
  524. Richlin 1993, p. 539-540.
  525. Csapo 1994, p. 377.
  526. MacMullen 1984, p. 74-75; 84.
  527. Roberts 1989, p. 3.
  528. McNelis 2007, p. 397.
  529. Roberts 1989, p. 8.
  530. Curchin 1995, p. 465.
  531. van Dam 2008, p. 45ff.
  532. Johnson 2010, p. 17-18.
  533. Cavallo 1999, p. 71.
  534. Marshall 1976, p. 253.
  535. Johnson 2010, p. 17.
  536. Cavallo 1999, p. 84-85.
  537. Cavallo 1999, p. 84.
  538. Cavallo 1999, p. 87-89.
  539. Morgan 2010, p. 19.
  540. Jenkyns 1992, p. 7
  541. Jenkyns 1992, p. 7
  542. Burgan 2009, pp. 113-114
  543. Noble 2010, p. 352
  544. Goffman 2002, p. 107
  545. Burgan 2009, pp. 113-114
  546. Heinemann 2003, p. 22
  547. Herlihy 2008
  548. Jenkyns 1992, p. 8
  549. Jenkyns 1992, p. 9
  550. Jenkyns 1992, p. 10
  551. Kitzinger 1991, pp. 637-639
  552. Dale 1997, pp. 73-76
  553. Rosenblum 1970, pp. 3-49
  554. Jenkyns 1992, p. 10
  555. Jenkyns 1992, p. 394
  556. Waquet 2002, p. 1-2.
  557. Jenkyns 1992, p. 11
  558. Jenkyns 1992, p. 25
  559. Treadgold 1997, pp. 5-7.
  560. Miles 1999, p. 58.
  561. Treadgold 1997, p. 5.

Bibliografia

  • Abbott, Frank Frost (2001). A History and Description of Roman Political Institutions Adamant Media Corporation [S.l.] ISBN 0543927490. 
  • Abusch, Ra'anan (2003). «Circumcision and Castration under Roman Law in the Early Empire». The Covenant of Circumcision: New Perspectives on an Ancient Jewish Rite Brandeis University Press [S.l.] 
  • Adam, Jean-Pierre (1999). Roman building: materials and techniques Routledge [S.l.] 
  • Adams, J. N.. (2003). "Romanitas and the Latin Language". The Classical Quarterly (New Series) 53 (1). Cambridge Journals.
  • Alastair, J; Blanshard, L (2010). «Roman Vice». Sex: Vice and Love from Antiquity to Modernity Wiley-Blackwell [S.l.] 
  • Aldrete, Gregory S. (2004). Daily life in the Roman city: Rome, Pompeii and Ostia Greenwood Publishing Group [S.l.] ISBN 9780313331749. 
  • Alföldy, Géza; David Braund (1985). Social History of Rome [S.l.: s.n.] 
  • Ando, Clifford (2010). «The Administration of the Provinces». A Companion to the Roman Empire Blackwell [S.l.] 
  • Ando, Clifford (2000). Imperial Ideology and Provincial Loyalty in the Roman Empire University of California Press [S.l.] ISBN 0520220676. 
  • Andreau, Jean (1999). Banking and Business in the Roman World Cambridge University Press [S.l.] 
  • Apuleio (século II). Florides [S.l.: s.n.] 
  • Arnold, Bettina (1998). Celtic Chiefdom, Celtic State: The Evolution of Complex Social Systems in Prehistoric Europe Cambridge University Press [S.l.] ISBN 978-0521585798. 
  • Asimov, Isaac (1989). Asimov's Chronology of the World Harper Collins [S.l.] ISBN 978-0062700360. 
  • Auguet, Roland (1972). Cruelty and Civilization: The Roman Games Routledge [S.l.] 
  • Austin, Roland G.. (outubro 1934). "Roman Board Games. I". Greece & Rome 4:10.
  • Austin, R. G.. (1935). "Roman Board Games II". Greece & Rome 3.11.
  • Bayley, Justine; Butcher, Sarnia (2004). The Society of Antiquaries of London, : . Roman Brooches in Britain: A Technological and Typological Study based on the Richborough Collection [S.l.: s.n.] ISBN 085431279X. 
  • Barnes, Timothy D.. (1968). "Legislation Against the Christians". Journal of Roman Studies 58.
  • Beard, Mary; J.A. North; S.R.F. Price (1998). Religions of Rome: A History Cambridge University Press [S.l.] 
  • Beacham, Richard C (1996). The Roman Theatre and Its Audience Harvard University Press [S.l.] 
  • Belayche, Nicole (2007). «Religious Actors in Daily Life: Practices and Related Beliefs». A Companion to Roman Religion Blackwell [S.l.] 
  • Ben-Sasson, H. H. (1976). «The Crisis Under Gaius Caligula». A History of the Jewish People Harvard University Press [S.l.] ISBN 0-674-39731-2. 
  • Bennett, Julian (1997). Trajan: Optimus Princeps Indiana University Press [S.l.] 
  • Berger, Adolf (1953). Encyclopedic Dictionary of Roman Law The American Philosophical Society [S.l.] 
  • Bevir, Mark (2010). Encyclopedia of Political Theory SAGE Publications [S.l.] ISBN 9781412958653. 
  • Bieber, Margarete Bieber. (1959). "Roman Men in Greek Himation (Romani Palliati) a Contribution to the History of Copying". Proceedings of the American Philosophical Society 103.3.
  • Boatwright, Mary T. (2000). Hadrian and the Cities of the Roman Empire Princeton University Press [S.l.] 
  • Bohec, Yann Le (2000). The Imperial Roman Army Routledge [S.l.] 
  • Bouché-Leclercq, Auguste (1886). Manuel des Institutions Romaines Hachette [S.l.] 
  • Bowersock, Glen Warren; Brown, Peter; Grabar, Oleg (1999). Late antiquity: a guide to the postclassical world Harvard University Press [S.l.] ISBN 0674511735. 
  • Bowersock, G. W. (1995). Martyrdom and Rome Cambridge University Press [S.l.] 
  • Bozeman, Adda B. (2010). Politics and Culture in International History from the Ancient Near East to the Opening of the Modern Age 2ª ed. Transaction Publishers [S.l.] 
  • Bradley, K.R. (1987). «On the Roman Slave Supply and Slavebreeding». Classical Slavery Frank Cass [S.l.] 
  • Bradley, Keith (1994). Slavery and Society at Rome Cambridge University Press [S.l.] 
  • Brennan, T. Corey (2000). The Praetorship in the Roman Republic Oxford University Press [S.l.] 
  • Brown, Peter (1971). The World of Late Antiquity (Londres: W. W. Norton & Company). ISBN 978-0393958034. 
  • Bunson, Matthew (1995). A Dictionary of the Roman Empire Oxford University Press [S.l.] 
  • Butcher, Kevin (2003). Roman Syria and the Near East Getty Publications [S.l.] 
  • Cantarella, Eva (1987). Pandora's Daughters: The Role and Status of Women in Greek and Roman Antiquity Johns Hopkins University Press [S.l.] ISBN 9780801833854. 
  • Casson, Lionel (1991). The Ancient Mariners: Seafarers and Sea Fighters of the Mediterranean in Ancient Times Princeton University Press [S.l.] ISBN 9780691014777. 
  • Cavallo, Guglielmo (1999). «Between Volumen and Codex: Reading in the Roman World». A History of Reading in the West Polity Press [S.l.] 
  • Clarke, John R. (1993). The Houses of Roman Italy, 100 B.C.–A.D. 250 9780520084292 [S.l.] ISBN 9780520084292. 
  • Clarke, Graeme (2005). «Third-Century Christianity». Cambridge Ancient History: The Crisis of Empire 12 Cambridge University Press [S.l.] 
  • Cleland, Liza (2007). Greek and Roman Dress from A to Z Routledge [S.l.] 
  • Coleman, K. M.. (1990). "Fatal Charades: Roman Executions Staged as Mythological Enactments". Journal of Roman Studies 80.
  • Collis, John (2000). «'Celtic' Oppida». A Comparative Study of Thirty City-state Cultures Danske Videnskabernes Selskab [S.l.] 
  • Connolly, Peter; Murray, Carol van Driel. (1991). "The Roman Cavalry Saddle". Britannia (22).
  • Connolly, Joy (2011). «Rhetorical Education». The Oxford Handbook of Social Relations in the Roman World Oxford University Press [S.l.] 
  • Contreras, Carlos A. (1980). «Christian Views of Paganism». Aufstieg und Niedergang der römischen Welt. II.23.1 [S.l.: s.n.] pp. 871–1022. 
  • Conte, Gian Biagio (1994). Latin Literature: A History Johns Hopkins University Press [S.l.] 
  • Coon, Lynda L. (1997). Sacred Fictions: Holy Women and Hagiography in Late Antiquity University of Pennsylvania Press [S.l.] 
  • Corbier, Mireille (2005). «Coinage, Society and Economy». Cambridge Ancient History XII2: The Crisis of Empire, AD 193 337 12 Cambridge University Press [S.l.] 
  • Craddock, Paul T. (2008). «Mining and Metallurgy». The Oxford Handbook of Engineering and Technology in the Classical World Oxford University Press [S.l.] ISBN 9780195187311. 
  • Csapo, Eric; William J. Slater (1994). The Context of Ancient Drama University of Michigan Press [S.l.] 
  • Curchin, Leonard A.. (1995). "Literacy in the Roman Provinces: Qualitative and Quantitative Data from Central Spain". American Journal of Philology 116.3.
  • D'Ambra, Eva (2007). «Racing with Death: Circus Sarcophagi and the Commemoration of Children in Roman Italy». Constructions of Childhood in Ancient Greece and Italy American School of Classical Studies at Athens [S.l.] 
  • D'Amato, Raffaele (2005). Roman Military Clothing (3) AD 400 to 640 Osprey [S.l.] 
  • Dale, Thomas E. A. (1997). Relics, prayer, and politics in medieval Venetia: Romanesque painting in the crypt of Aquileia Cathedral Princeton University Press [S.l.] 
  • Darvill, Timothy; Stamper, Paul; Timby, Jane (2002). England: an Oxford archaeological guide to sites from earliest times to AD 1600 Oxford University Press [S.l.] ISBN 9780192841018. 
  • Davis, Paul K. (1999). 100 Decisive Battles from Ancient Times to the Present: The World’s Major Battles and How They Shaped History Oxford University Press [S.l.] 
  • De Carolis, Ernesto (2001). Gods and Heroes in Pompeii L'Herma di Bretschneider [S.l.] 
  • Dickie, Matthew (2001). Magic and Magicians in the Greco-Roman World Routledge [S.l.] 
  • Digeser, Elizabeth DePalma (2000). The Making of a Christian Empire: Lactantius and Rome Cornell University Press [S.l.] 
  • Dillon, Sheila (2010). «Portraits and Portraiture». The Oxford Encyclopedia of Ancient Greece and Rome Oxford University Press [S.l.] ISBN 9780195388398. 
  • Dodge, Hazel (1999). «Amusing the Masses: Buildings for Entertainment and Leisure in the Roman World». Life, Death, and Entertainment in the Roman Empire University of Michigan Press [S.l.] 
  • Dunbabin, Katherine M. D. (1999). Mosaics of the Greek and Roman World Cambridge University Press [S.l.] 
  • Duncan, Anne (2006). Performance and Identity in the Classical World Cambridge University Press [S.l.] ISBN 978-0521852821. 
  • Duncan-Jones, Richard (1994). Money and Government in the Roman Empire Cambridge University Press [S.l.] 
  • Durand, John D.. (1977). "Historical Estimates of World Population: An Evaluation". Population and Development Review 3 (3).
  • Dyson, Stephen L. (2010). Rome: A Living Portrait of an Ancient City Johns Hopkins University Press [S.l.] 
  • Eck, Walter (2000). «Emperor, Senate and Magistrates». Cambridge Ancient History: The High Empire A.D. 70–192 Cambridge University Press [S.l.] 
  • Eck, Walter (2000b). «The Emperor and His Advisors». Cambridge Ancient History: The High Empire A.D. 70–192 Cambridge University Press [S.l.] 
  • Eck, Werner (2003). Deborah Lucas Schneider (tradutora); Sarolta A. Takács (mais conteúdo), : . The Age of Augustus (Oxford: Blackwell Publishing). ISBN 978-0-631-22957-5. 
  • Eder, W. (1993). «The Augustan Principate as Binding Link». In: Raaflaub, Kurt A.; Toher, Mark. Between Republic and Empire: Interpretations of Augustus and His Principate University of California Press [S.l.] 
  • Edmondson, J. C. (1996). «Dynamic Arenas: Gladiatorial Presentations in the City of Rome and the Construction of Roman Society during the Early Empire». Roman Theater and Society University of Michigan Press [S.l.] 
  • Edwards, Catherine (2002). The Politics of Immorality in Ancient Rome Cambridge University Press [S.l.] ISBN 052140083X. 
  • Edwards, Catherine (2007). Death in Ancient Rome Yale University Press [S.l.] 
  • Eliot, C.W.J.. (1955). "New Evidence for the Speed of the Roman Imperial Post". Phoenix 9 (2). Classical Association of Canada.
  • Elsner, Jaś (1998). Imperial Rome and Christian triumph Oxford University Press [S.l.] 
  • Elsner, Jaś (2011). Introduction to Life, Death and Representation: Some New Work on Roman Sarcophagi De Gruyter [S.l.] 
  • Evans, Harry B. (1994). Water Distribution in Ancient Rome University of Michigan Press [S.l.] 
  • Eyben, Emiel (1977). Restless Youth in Ancient Rome Routledge [S.l.] 
  • Fagan, Garrett G. (2002). Bathing in Public in the Roman World University of Michigan Press [S.l.] ISBN 0472088653. 
  • Fagan, Garrett G. (2011). «Socializing at the Baths». The Oxford Handbook of Social Relations in the Roman World Oxford University Press [S.l.] 
  • Fagan, Garrett G.. (2001). "The Genesis of the Roman Public Bath: Recent Approaches and Future Directions". American Journal of Archaeology 105.3.
  • Fagan, Garrett G. (2010). «Leisure». A Companion to the Roman Empire Blackwell [S.l.] 
  • Fantham, Elaine (1989). Mime: The Missing Link in Roman Literary History. Classical World 82 [S.l.: s.n.] 
  • Fantham, Elaine (2011). «Stuprum: Public Attitudes and Penalties for Sexual Offences in Republican Rome». Roman Readings: Roman Response to Greek Literature from Plautus to Statius and Quintilian Walter de Gruyter [S.l.] 
  • Faas, Patrick Faas (1994). Around the Roman Table: Food and Feasting in Ancient Rome University of Chicago Press [S.l.] 
  • Fear, Andrew (2007). «War and Society». The Cambridge History of Greek and Roman Warfare: Rome from the Late Republic to the Late Empire 2 Cambridge University Press [S.l.] 
  • Fejfer, Jane (2008). Roman Portraits in Context Walter de Gruyter [S.l.] 
  • Fishwick, Duncan (1991). The Imperial Cult in the Latin West: Studies in the Ruler Cult of the Western Provinces of the Roman Empire 1 Brill Publishers [S.l.] ISBN 90-04-07179-2. 
  • Fleming, John; Honour, Hugh; Pevsner, Nikolaus, : (1991). Dictionary of Architecture 4ª ed. (Londres: Penguin Books). ISBN 978-0-14-051241-0. 
  • Fless, Friederike; Moede, Katja (2011). «Music and dance: forms of representation in pictorial and written sources». In: Küpke, Jörg. A Companion to Roman Religion John Wiley & Sons [S.l.] 
  • Foucault, Michel (1988). The History of Sexuality: The Care of the Self 3 (Nova Iorque: Vintage Books). 
  • Franklin, James L.. (1987). "Pantomimists at Pompeii: Actius Anicetus and His Troupe". American Journal of Philology 108.1.
  • Fredriksen, Paula (2010). «Christians in the Roman Empire in the First Three Centuries CE». A Companion to the Roman Empire Blackwell [S.l.] 
  • Freeman, Charles (1999). The Greek Achievement: The Foundation of the Western World Penguin Books [S.l.] ISBN 978-0140293234. 
  • Frend, W. H. C. (1967). Martyrdom and Persecution in the Early Church: A Study of Conflict from the Maccabees to Donatus Doubleday [S.l.] 
  • Frend, W. H. C. (2006). «Persecutions: Genesis and Legacy». Cambridge History of Christianity: Origins to Constantine 1 Cambridge University Press [S.l.] 
  • Frier, Bruce W.; Thomas A.J. (2004). A Casebook on Roman Family Law Oxford University Press: American Philological Association [S.l.] ISBN 0195161858. 
  • Fuhrmann, Christopher (2012). Policing the Roman Empire: Soldiers, Administration, and Public Order Oxford University Press [S.l.] 
  • Fullerton, Mark D (1990). The Archaistic Style in Roman Statuary Brill [S.l.] ISBN 9789004091467. 
  • Futrell, Alison (2010). «Chariot racing». The Oxford Encyclopedia of Ancient Greece and Rome Oxford University Press [S.l.] ISBN 9780195388398. 
  • Gamauf, Richard. (2009). "Slaves Doing Business: The Role of Roman Law in the Economy of a Roman Household". European Review of History 16 (3). DOI:10.1080/13507480902916837.
  • Gardner, Jane F. (1991). Women in Roman Law and Society Indiana University Press [S.l.] 
  • Gabriel, Richard A. (2002). The Great Armies of Antiquity Praeger [S.l.] 
  • Gagarin, Michael (2010). The Oxford Encyclopedia of Ancient Greece and Rome Oxford University Press [S.l.] ISBN 9780195388398. 
  • Galinsky, Carl (2007). «Continuity and Change». A Companion to Roman Religion Blackwell [S.l.] 
  • Gardiner, Robert (2004). Age of the Galley: Mediterranean Oared Vessels since pre-Classical Times Conway Maritime Press [S.l.] ISBN 978-0-85177-955-3. 
  • Gardner, Helen; Kleiner, Fred S. & Mamiya, Christin J. (2005). Gardner's art through the ages: the Western perspective 1 Cengage Learning [S.l.] 
  • Garnsey, Peter; Saller, Peter (1987). The Roman Empire: Economy, Society and Culture University of California Press [S.l.] ISBN 9780520285989. 
  • Garnsey, Peter (2000). «The Land». The Cambridge Ancient History: The High Empire A.D. 70–192 11 Cambridge University Press [S.l.] 
  • Gazda, Elaine K. (1991). Roman Art in the Private Sphere: Architecture and Décor of the Domus, Villa, and Insula University of Michigan Press [S.l.] 
  • Ginsberg-Klar, Maria E.. (1981). "The Archaeology of Musical Instruments in Germany during the Roman Period". World Archaeology 12.3.
  • Glare, P.G.W. (1982). Oxford Latin Dictionary (Oxford: Clarendon Press). 
  • Goldsmith, Raymond W.. (setembro 1984). "An Estimate of the Size and Structure of the National Product of the Early Roman Empire". Review of Income and Wealth 30 (3). DOI:10.1111/j.1475-4991.1984.tb00552.x.
  • Goldsworthy, Adrian (2003). The Complete Roman Army (Londres: Thames & Hudson). ISBN 0-500-05124-0. 
  • Goldsworthy, Adrian (2009). How Rome Fell: Death of a Superpower Yale University Press [S.l.] ISBN 978-0300164268. 
  • Goodwin, Stefan (2009). Africa in Europe: Antiquity into the Age of Global Expansion 1 Lexington Books [S.l.] 
  • Grant, Michael (1978). History of Rome Charles Scribner [S.l.] 
  • Grant, Michael (1995). Art in the Roman Empire Routledge [S.l.] 
  • Greene, Kevin (1986). The archaeology of the Roman economy Univ of California Press [S.l.] 
  • Greene, Kevin. (setembro 2000). "Technological Innovation and Economic Progress in the Ancient World: M.I. Finley Re-Considered". The Economic History Review 53 (1).
  • Griffin, Jasper (2001). «Introduction». In: Boardsman, John, Griffin, Jasper & Murray, Oswen. The Oxford Illustrated History of the Roman World Oxford University Press [S.l.] ISBN 978-0192854360. 
  • Gschwantler, Kurt (2000). «Graeco-Roman Portraiture». In: Walker, Susan. Ancient faces: Mummy Portraits from Roman Egypt Taylor & Francis [S.l.] 
  • Habinek, Thomas N. (2005). The World of Roman Song: From Ritualized Speech to Social Order Johns Hopkins University Press [S.l.] 
  • Habinek, Thomas N. (1998). The Politics of Latin Literature: Writing, Identity, and Empire in Ancient Rome Princeton University Press [S.l.] 
  • Hachlili, Rachel (1998). Ancient Jewish Art and Archaeology in the Diaspora Brill [S.l.] 
  • Hall, John Franklin (1996). «Etruscan Italy: A rediscoverable history?"». In: Hall, John Franklin. Etruscan Italy: Etruscan influences on the civilizations of Italy from antiquity to the modern era Indiana University Press [S.l.] 
  • Hanson, R. P. C. (1980). «The Christian Attitue to Pagan Religions up to the Time of Constantine the Great». Aufstieg und Niedergang der römischen Welt. II.23.1 [S.l.: s.n.] pp. 871–1022. 
  • Hanson, Ann Ellis (1991). «he Restructuring of Female Physiology at Rome». Les écoles médicales à Rome Universidade de Nantes [S.l.] 
  • Harding, D. W. (2007). The Archaeology of Celtic Art Routledge [S.l.] 
  • Harper, Kyle (2011). Slavery in the Late Roman World, AD 275-425 Cambridge University Press [S.l.] ISBN 0521198615. 
  • Harris, W.V.. (1999). "Demography, Geography and the Sources of Roman Slaves". Journal of Roman Studies 89.
  • Harris, William V. (2000). «Trade». The Cambridge Ancient History: The High Empire A.D. 70–192 11 Cambridge University Press [S.l.] 
  • Harris, William V. (1989). Ancient Literacy Harvard University Press [S.l.] 
  • Harris, William V. (2008). «The Nature of Roman Money». The Monetary Systems of the Greeks and Romans Oxford University Press [S.l.] ISBN 0199233357. 
  • Hart, Kenneth W (1996). Coinage in the Roman Economy, 300 B.C. to A.D. 700 Johns Hopkins University Press [S.l.] 
  • Hartswick, Kim J. (2010). «Gardens». The Oxford Encyclopedia of Ancient Greece and Rome Oxford University Press [S.l.] ISBN 9780195388398. 
  • Heid, Stefan (2007). «The Romanness of Roman Christianity». A Companion to Roman Religion Blackwell [S.l.] 
  • Hildebrandt, Henrik (2006). «Early Christianity in Roman Pannonia—Fact or Fiction». Studia Patristica: Papers Presented at the Fourteenth International Conference on Patristic Studies Held in Oxford 2003 Peeters [S.l.] 
  • Hinds, Kathryn (2010). Everyday Life in the Roman Empire Marshall Cavendish [S.l.] 
  • Holleran, Claire (2012). Shopping in Ancient Rome: The Retail Trade in the Late Republic and the Principate Oxford University Press [S.l.] 
  • Hopkins, Keith (2009). «The Political Economy of the Roman Empire». The Dynamics of Ancient Empires : State Power from Assyria to Byzantium Oxford University Press [S.l.] 
  • Horster, Marietta (2011). «Primary Education». The Oxford Handbook of Social Relations in the Roman World Oxford University Press [S.l.] 
  • Huber-Rebenich, Gerlinde (1999). «Hagiographic Fiction as Entertainment». Latin Fiction: The Latin Novel in Context Routlege [S.l.] 
  • Humphrey, John H. (1986). Roman Circuses: Arenas for Chariot Racing University of California Press [S.l.] 
  • Huskinson, Janet (2000). Experiencing Rome: Culture, Identity and Power in the Roman Empire Routledge [S.l.] 
  • Isaac, Benjamin H. (2004). The Invention of Racism in Classical Antiquity Princeton University Press [S.l.] 
  • Janson, H. W. (2010). A Nova História da Arte de Janson. A Tradição Ocidental 9ª ed. (Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian). ISBN 9789723113150. 
  • Jashemski, Wilhemina Feemster; Frederick G. Meyer (2002). The Natural History of Pompeii Cambridge University Press [S.l.] 
  • James, Sharon L. (2003). Learned Girls and Male Persuasion: Gender and Reading in Roman Love Elegy University of California Press [S.l.] 
  • Jenkyns, Richard (1992). «The Legacy of Rome». In: Jenkyns, Richard. The Legacy of Rome Oxford University Press [S.l.] 
  • Jensen, Robin M. (1999). «The Dura-Europos Synagogue, Early-Christian Art and Religious Life in Dura Europos». Jews, Christians and Polytheists in the Ancient Synagogue: Cultural Interaction during the Greco-Roman Period Routledge [S.l.] 
  • Johnson, William A. (2009). Ancient Literacies: The Culture of Reading in Greece and Rome Oxford University Press [S.l.] 
  • Johnson, William A. (2010). Readers and Reading Culture in the High Roman Empire: A Study of Elite Communities Oxford University Press [S.l.] 
  • Johnston, David (1999). Roman Law in Context Cambridge University Press [S.l.] ISBN 0521639611. 
  • Jones, A. H. M.. (1960). "The Cloth Industry under the Roman Empire". Economic History Review 13.2.
  • Jones, Mark Wilson (2000). Principles of Roman Architecture (New Haven: Yale University Press). 
  • Keane, Catherine (2006). Figuring Genre in Roman Satire Oxford University Press [S.l.] 
  • Kelly, Christopher (2006). The Roman Empire: A Very Short Introduction (Oxford: Oxford University Press). ISBN 978-0192803917. 
  • Kessler, David; Temin, Peter (2008). «Money and Prices in the Early Roman Empire». The Monetary Systems of the Greeks and Romans Oxford University Press [S.l.] 
  • Kitzinger, Ernst (1991). «The Arts as Aspects of a Renaissance: Rome and Italy». In: Benson, Robert L. Renaissance and renewal in the twelfth century 26 University of Toronto Press [S.l.] 
  • Koch, John T. (2006). Celtic Culture: A Historical Encyclopedia ABC-Clio [S.l.] 
  • Köhne, Eckhart (2000). «Bread and Circuses: The Politics of Entertainment». Gladiators and Caesars: The Power of Spectacle in Ancient Rome University of California Press [S.l.] 
  • Kousse, Rachel Meredith (2008). Hellenistic and Roman Ideal Sculpture: The Allure of the Classical Cambridge University Press [S.l.] 
  • Kraus, T.J.. (2000). "(Il)literacy in Non-Literary Papyri from Graeco-Roman Egypt: Further Aspects of the Educational Ideal in Ancient Literary Sources and Modern Times". Mnemosyme 53.3.
  • Kyle, Donald G. (1998). Spectacles of Death in Ancient Rome Routledge [S.l.] 
  • Laes, Christian (2011). Children in the Roman Empire: Outsiders Within Cambridge University Press [S.l.] 
  • Lancaster, Lynne (2005). Concrete Vaulted Construction in Imperial Rome. Innovations in Context Cambridge University Press [S.l.] ISBN 978-0-511-16068-4. 
  • Langlands, Rebecca (2006). Sexual Morality in Ancient Rome Cambridge University Press [S.l.] 
  • Laurence, Ray (1998). «Land Transport in Roman Italy: Costs, Practice and the Economy». Trade, Traders and the Ancient City Routledge [S.l.] 
  • Lee, Mireille M. (2010). «Clothing». The Oxford Encyclopedia of Ancient Greece and Rome Oxford University Press [S.l.] ISBN 9780195388398. 
  • Lee, H.. (1984). "Athletics and the Bikini Girls from Piazza Armerina". Stadion 10.
  • Lewis, Charlton T (1879). «Princeps». Lewis & Short, Perseus Classical Tools. Consultado em 11/02/2015. 
  • Lewis, Charlton T (1879b). «Imperator». Lewis & Short, Perseus Classical Tools. Consultado em 11/02/2015. 
  • Ling, Roger (1991). Roman painting Cambridge University Press [S.l.] 
  • Lintott, Andrew (1999). The Constitution of the Roman Republic Oxford University Press [S.l.] 
  • Livius.org (2010ref=harv). «Imperator» (em inglês). Consultado em 11/02/2015. 
  • Llewelyn, S.R.; A. M. Nobbs (2002). «The Earliest Dated Reference to Sunday in the Papyri». New Documents Illustrating Early Christianity Wm. B. Eerdmans [S.l.] 
  • Lo Cascio, Elio; Malanima, Paolo. (dezembro 2009). "GDP in Pre-Modern Agrarian Economies (1–1820 AD). A Revision of the Estimates". Rivista di storia economica 25 (3).
  • Longfellow, Brenda (2011). Roman Imperialism and Civic Patronage: Form, Meaning and Ideology in Monumental Fountain Complexes Cambridge University Press [S.l.] 
  • Luttwak, Edward N. (1979). The Grand Strategy of the Roman Empire: From the First Century A.D. to the Third Johns Hopkins University Press [S.l.] ISBN 0-8018-2158-4. 
  • MacMullen, Ramsey. (1966). "Provincial Languages in the Roman Empire". American Journal of Philology 87 (1).
  • MacMullen, Ramsay (1984). Christianizing the Roman Empire: (A. D. 100-400) Yale University Press [S.l.] 
  • Maddison, Angus (2007). Contours of the World Economy, 1–2030 AD. Essays in Macro-Economic History Oxford University Press [S.l.] ISBN 978-0-19-922721-1. 
  • Maier, Harry O (2005). «Picturing the New Testament: studies in ancient visual images». In: Weissenrieder, Annette. Barbarians, Scythians and Imperial Iconography in the Epistle to the Colossians Mohr Siebeck [S.l.] 
  • Marshall, Anthony J.. (1976). "Library Resources and Creative Writing at Rome". Phoenix 30.3.
  • Mattern, Susan P. (1999). Rome and the Enemy: Imperial Strategy in the Principate University of California Press [S.l.] 
  • McClelland, John (2007). Body and Mind: Sport in Europe from the Roman Empire to the Renaissance Routledge [S.l.] 
  • McDaniel, Walton Brooks (1906). «Some Passages concerning Ball-Games». Transactions and Proceedings of the American Philological Association 37 [S.l.: s.n.] 
  • McDonald, Marianne; J. Michael Walton (2007). The Cambridge Companion to Greek and Roman Theatre Cambridge University Press [S.l.] 
  • McGinn, Thomas. (1991). "Concubinage and the Lex Iulia on Adultery". Transactions of the American Philological Association 121. American Philological Association.
  • McGinn, Thomas A. (2004). The Economy of Prostitution in the Roman World University of Michigan Press [S.l.] 
  • McGinn, Thomas A.J. (1998). Prostitution, Sexuality and the Law in Ancient Rome Oxford University Press [S.l.] 
  • McNelis, Charles (2007). «Ovidian Strategies in Early Imperial Literature». A Companion to Ovid Blackwell [S.l.] 
  • Métraux, Guy P.R. (2008). «Prudery and Chic in Late Antique Clothing," in Roman Dress and the Fabrics of Roman Culture». Roman Dress and the Fabrics of Roman Culture University of Toronto Press [S.l.] 
  • Metropolitan Museum of Art (2000). «Roman Painting». The Metropolitan Museum of Art. 
  • Miles, Richard (1999). «Communicating Culture, Identity, and Power». Experiencing Power: Culture, Identity and Power in the Roman Empire Routledge [S.l.] ISBN 978-0415212847. 
  • Millar, Fergus. (1983). "Empire and City, Augustus to Julian: Obligations, Excuses and Status". Journal of Roman Studies (73). Society for the Promotion of Roman Studies.
  • Millar, Fergus (1998). The Crowd in Rome in the Late Republic University of Michigan [S.l.] 
  • Millar, Fergus (2006). A Greek Roman Empire: Power and Belief under Theodosius II (408-450) University of California Press [S.l.] ISBN 978-0520253919. 
  • Momigliano, Arnaldo. (1986). "The Disadvantages of Monotheism for a Universal State". Classical Philology 81.4.
  • Morgan, Teresa (2010). «Education». The Oxford Encyclopedia of Ancient Greece and Rome Oxford University Press [S.l.] ISBN 9780195388398. 
  • Morgan, Teresa (1998). Literate Education in the Hellenistic and Roman Worlds Cambridge University Press [S.l.] 
  • Mouritsen, Henrik (2011). The Freedman in the Roman World Cambridge University Press [S.l.] 
  • Musurillo, Herbert (1972). The Acts of the Christian Martyrs (Oxford: Clarendon Press). 
  • Myers, K. Sara (2006). «Imperial Poetry». The Blackwell Companion to the Roman Empire Blackwell [S.l.] 
  • Naerebout, Frederick G. (2009). «Dance in the Roman Empire and Its Discontents». Ritual Dynamics and Religious Change in the Roman Empire. Proceedings of the Eighth Workshop of the International Network Impact of Empire (Heidelberg, July 5–7, 2007) Brill [S.l.] 
  • Neils, Jenifer (2010). «Sculpture». The Oxford Encyclopedia of Ancient Greece and Rome Oxford University Press [S.l.] ISBN 9780195388398. 
  • Newby, Zahra (2011). «Myth and Death: Roman Mythological Sarcophagi». A Companion to Greek Mythology Blackwell [S.l.] 
  • Nicolet, Claude (1991). Space, Geography, and Politics in the Early Roman Empire University of Michigan Press [S.l.] ISBN 978-0472100965. 
  • Nussbaum, Martha (2002). «The Incomplete Feminism of Musonius Rufus, Platonist, Stoic, and Roman». The Sleep of Reason: Erotic Experience and Sexual Ethics in Ancient Greece and Rome University of Chicago Press [S.l.] ISBN 0226609154. 
  • Oleson, John Peter (2010). Oxford Handbook of Engineering and Technology in the Classical Oxford University Press [S.l.] ISBN 978-0199734856. 
  • Paul, John; Museu Getty (2004). «Purificazione». Thesaurus Cultus Et Rituum Antiquorum (ThesCRA) Getty Publications [S.l.] ISBN 089236789X. 
  • Parker, Philip (2010). The Empire Stops Here Pimlico [S.l.] ISBN 1845950038. 
  • Peachin, Michael (2011). The Oxford Handbook of Social Relations in the Roman World Oxford University Press [S.l.] ISBN 978-0-19-518800-4. 
  • Petersen, Lauren Hackworth (2010). «Crafts and Artisans». The Oxford Encyclopedia of Ancient Greece and Rome Oxford University Press [S.l.] ISBN 9780195388398. 
  • Phang, Sara Elise (2011). «Military Documents, Languages, and Literacy». A Companion to the Roman Army Blackwell [S.l.] 
  • Piper, David (1986). The Illustrated Library of Art (Nova Iorque: Portland House). ISBN 0-517-62336-6. 
  • Potter, David S. (1999). Life, Death, and Entertainment in the Roman Empire University of Michigan Press [S.l.] ISBN 0472085689. 
  • Potter, David S. (2004). The Roman Empire at Bay Routledge [S.l.] ISBN 978-0415100588. 
  • Quilici, Lorenzo (2008). «Land Transport, Part 1: Roads and Bridges». In: Oleson, John Peter. The Oxford Handbook of Engineering and Technology in the Classical World (Nova Iorque: Oxford University Press). ISBN 978-0-19-518731-1. 
  • Raja, Rubina (2012). Urban Development and Regional Identity in the Eastern Roman Provinces 50 BC–AD 250 Museum Tusculanum Press [S.l.] 
  • Rawson, Beryl (1986). «The Roman Family». The Family in Ancient Rome: New Perspectives Cornell University Press [S.l.] ISBN 0801494605. 
  • Rawson, Beryl (2003). Children and Childhood in Roman Italy Oxford University Press [S.l.] 
  • Reden, Sitta von (2010). Money in Classical Antiquity Cambridge University Press [S.l.] 
  • Rehak, Paul (2006). Imperium and Cosmos: Augustus and the Northern Campus Martius University of Wisconsin Press [S.l.] 
  • Reid, T. R.. (1997). "The World According to Rome". National Geographic 192 (2).
  • Reinhold, Meyer (2002). Studies in Classical History and Society Oxford University Press [S.l.] 
  • Richardson, John (2011). Frontiers in the Roman World Brill [S.l.] ISBN 9789004201194. 
  • Richlin, Amy. (1993). "Not before Homosexuality: The Materiality of the cinaedus and the Roman Law against Love between Men". Journal of the History of Sexuality 3.4.
  • Roberts, Michael (1989). The Jeweled Style: Poetry and Poetics in Late Antiquity Cornell University Press [S.l.] 
  • Rochette, Bruno (2011). «Language Policies in the Roman Republic and Empire». In: Clackson, James. Blackwell companion to the History of the Latin language (Nova Iorque: Wiley-Blackwell). ISBN 978-1405186056. 
  • Rosenblum, Robert (1970). Transformations in late eighteenth century art Princeton University Press [S.l.] 
  • Roth, Jonathan. (1994). "The Size and Organization of the Roman Imperial Legion". Historia: Zeitschrift für Alte Geschichte 43 (3): 346-362. Franz Steiner Verlag.
  • Rüpke, Jörg (2007). «Roman Religion – Religions of Rome». A Companion to Roman Religion Blackwell [S.l.] 
  • Saddington, D.B. (2007). «Classes. The Evolution of the Roman Imperial Fleets». In: Erdkamp, Paul. A Companion to the Roman Army Blackwell Publishing Ltd. [S.l.] ISBN 978-1-4051-2153-8. 
  • Sainte-Croix, G. E. M.. (1963). "Why Were the Early Christians Persecuted?". Past & Present 26.
  • Saller, R. P. (1980). Promotion and Patronage in Equestrian Careers. Journal of Roman Studies 70 [S.l.: s.n.] 
  • Saller, Richard P. (2000). «Status and patronage». In: Garnsey, Peter. Cambridge Ancient History: The High Empire, A.D. 70–192 Cambridge University Press [S.l.] ISBN 9780521263351. 
  • Saller, Richard P. (2002). Personal Patronage under the Early Empire Cambridge University Press [S.l.] ISBN 978-0521893923. 
  • Scheid, John (2007). «Sacrifices for Gods and Ancestors». A Companion to Roman Religion Blackwell [S.l.] 
  • Scheidel, Walter; Steven J. Friesen. (2006b). "The Size of the Economy and the Distribution of Income in the Roman Empire". Journal of Roman Studies 99.
  • Scheidel, Walter; Morris, Ian; Saller, Richard (2007). The Cambridge Economic History of the Greco-Roman World Cambridge University Press [S.l.] ISBN 978-0-521-78053-7. 
  • Schilling, Robert (1992). «The Decline and Survival of Roman Religion». Roman and European Mythologies University of Chicago Press [S.l.] 
  • Schreckenberg, Heinz; Kurt Schubert (1991). Jewish Historiography and Iconography in Early and Medieval Christianity Fortress Press [S.l.] 
  • Seo (2010). «Cooks and Cookbooks». The Oxford Encyclopedia of Ancient Greece and Rome Oxford University Press [S.l.] ISBN 9780195388398. 
  • Severy, Beth (2002). Augustus and the Family at the Birth of the Empire Routledge [S.l.] ISBN 041558891X. 
  • Sherwin-White, A. N.. (1952). "The Early Persecutions and Roman Law Again". Journal of Theological Studies 3.2.
  • Sherwin-White, A.N. (1979). Roman Citizenship Oxford University Press [S.l.] ISBN 9780198148470. 
  • Skinner, Marilyn B. (1997). Roman Sexualities Princeton University Press [S.l.] 
  • Slater, William J.. (2002). "Mime Problems: Cicero Ad fam. 7.1 and Martial 9.38". Phoenix 56.
  • Smith, A. H. V.. (1997). "Provenance of Coals from Roman Sites in England and Wales". Britannia 28: 297–324.
  • Smith, Earl Baldwin (1950). The Dome: A Study in the History of Ideas Princeton University Pres [S.l.] ISBN 978-0-691-03875-9. 
  • Southern, Patricia (2001). The Roman Empire from Severus to Constantine Routledge [S.l.] ISBN 978-0415239448. 
  • Sperber, Daniel (1998). The City in Roman Palestine Oxford University Press [S.l.] 
  • Stambaugh, John E. (1988). The Ancient Roman City Johns Hopkins University Press [S.l.] 
  • Starr, Chester G. Starr (1974). A History of the Ancient World, Second Edition Oxford University Press [S.l.] ISBN 9780195066296. 
  • Starks, John H. (2008). «Pantomime Actresses in Latin Inscriptions». New Directions in Ancient Pantomime Oxford University Press [S.l.] 
  • Stewart, Peter (2003). Statues in Roman Society: Representation and Response Oxford University Press [S.l.] 
  • Stirling, Lea (2007). «Art, Architecture, and Archaeology in the Roman Empire». A Companion to the Roman Empire [S.l.: s.n.] 
  • Strong, Donald (1988). Roman Art Yale University Press [S.l.] 
  • Syme, Ronald (1999). Provincial At Rome: and Rome and the Balkans 80 BC-AD 14 University of Exeter Press [S.l.] 
  • Taagepera, Rein. (1979). "Size and Duration of Empires: Growth-Decline Curves, 600 B.C. to 600 A.D.". Social Science History 3 (3/4). DOI:10.2307/1170959.
  • Temin, Peter. (2004). "The Labor Market of the Early Roman Empire". Journal of Interdisciplinary History 34.1.
  • Tertuliano (século II/III). Sobre os Espetáculos [S.l.: s.n.] 
  • Tertuliano (século II/IIIb). De Pallio [S.l.: s.n.] 
  • Thomas, Yan (1991). «The Division of the Sexes in Roman Law». History of Women in the West, Volume I: From Ancient Goddesses to Christian Saints Harvard University Press [S.l.] ISBN 0674403703. 
  • Torelli, M. (1988). «Piazza Armerina: Note di iconologia». In: G. Rizza. La Villa romana del Casale di Piazza Armerina (Catânia [s.n.]). 
  • Treadgold, Warren (1997). A History of the Byzantine State and Society Stanford University Press [S.l.] ISBN 978-0804726306. 
  • Treggiari, Susan (1991). Roman Marriage: Iusti Coniuges from the Time of Cicero to the Time of Ulpian Oxford University Press [S.l.] ISBN 0198149395. 
  • Tylecote, R. F. (2013). Metallurgy in Archaeology: A Prehistory of Metallurgy in the British Isles Edward Arnold Publishers Ltd. [S.l.] ISBN 0901462969. 
  • van Dam, Harm-Jan (2008). «Wandering Woods Again: From Poliziano to Grotius». The Poetry of Statius Brill [S.l.] 
  • Verstraete, Beert C.; Provencal, Vernon (2005). Same-Sex Desire and Love in Greco-Roman Antiquity and in the Classical Tradition Haworth Press [S.l.] 
  • Verboven, Koenraad (2007). The associative order: status and ethos among Roman businessmen in the Late Republic and Early Empire [S.l.: s.n.] 
  • Versnel, H. S. (1970). Triumphus: An Inquiry into the Origin, Development and Meaning of the Roman Triumph Brill [S.l.] 
  • Vout, Caroline. (1996). "The Myth of the Toga: Understanding the History of Roman Dress". Greece & Rome 43.2.
  • Waquet, Françoise (2002). Latin: Or, The Empire of the Sign Verso [S.l.] ISBN 978-1859844021. 
  • Ward, Roy Bowen. (1992). "Women in Roman Baths". Harvard Theological Review 85.2.
  • Warry, John (2004). Warfare in the Classical World Salamander Books [S.l.] ISBN 0806127945. 
  • Waywell, Geoffrey (1992). «Art». In: Jenkyns, Richard. The Legacy of Rome Oxford University Press [S.l.] 
  • Webster, Graham; Elton, Hugh (1998). The Roman Imperial Army of the First and Second Centuries A.D. University of Oklahoma Press [S.l.] ISBN 0-8061-3000-8. 
  • Wells, Colin (1992). The Roman Empire Harvard University Press [S.l.] 
  • Wiedemann, Thomas (1992). Emperors and Gladiators Routledge [S.l.] 
  • Winterling, Aloys (2009). Politics and Society in Imperial Rome John Wiley & Sons [S.l.] ISBN 9781405179690. 
  • Wiseman, T. P.. (1959). "The Census in the First Century B.C.". Journal of Roman Studies 59.
  • Wiseman, T.P.. (1970). "The Definition of Eques Romanus". Historia: Zeitschrift für Alte Geschichte 19 (1).
  • Wolff, R. L.. (1948). "Romania: The Latin Empire of Constantinople". Speculum 23: 1-34.
  • Woodhull, Margaret L. (2004). «Matronly Patrons in the Early Roman Empire: The Case of Salvia Postuma». Women's Influence on Classical Civilization Routledge [S.l.] ISBN 0415309581. 
  • Woolf, Greg (2003). Cambridge Illustrated History of the Roman World (Cambridge: Ivy Press). ISBN 978-0521827751. 
  • Woolf, Greg (2009). «Literacy or Literacies in Rome». In: William A Johnson; Holt N Parker. Ancient Literacies : The Culture of Reading in Greece and Rome: The Culture of Reading in Greece and Rome Oxford University Press [S.l.] ISBN 0199712867. 
  • Zanker, Paul (1998). Pompeii: Public and Private Life Harvard University Press [S.l.] 
  • Zanker, Paul (1988). The Power of Images in the Age of Augustus University of Michigan Press [S.l.] 

Ligações externas

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Commons Categoria no Commons