Romance gráfico

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Romance gráfico
GRAPHIC NOVEL DISPLAY (back of back display) (5571698323).jpg
Romances gráficos em exposição.

Um romance gráfico (também se utiliza o termo inglês graphic novel) é uma espécie de livro, normalmente contando uma longa história através de arte sequencial (banda desenhada ou quadrinhos), e é frequentemente usado para definir as distinções subjetivas entre um livro e outros tipos de histórias em quadrinhos.

O termo é geralmente usado para referir-se a qualquer forma de quadrinho ou mangá de longa duração, ou seja, é o análogo na arte sequencial a uma prosa ou romance. Pode ser aplicado a trabalhos que foram publicados anteriormente em quadrinhos periódicos, ou a trabalhos produzidos especificamente para publicação em formato livro. Uma graphic novel não precisa ser voltada para o público adulto; às vezes, é necessário apenas que tenha uma boa estrutura e um visível grau filosófico (ex: A Saga do Tio Patinhas).

A definição de "graphic novel" foi popularizada por Will Eisner depois de aparecer na capa de sua obra A Contract with God (Um Contrato com Deus) publicada em 1978, um trabalho maduro e complexo, focado na vida de pessoas ordinárias no mundo real. O selo de "graphic novel" foi colocado na intenção de distingui-lo do formato de quadrinhos tradicional.[1] Eisner citou como inspiração os livros de Lynd Ward, que produzia romances completos em xilogravura.[2] O sucesso comercial de Um Contrato com Deus ajudou a estabilizar o termo "graphic novel", e muitas fontes creditam erroneamente Eisner a ser o primeiro a usá-lo (de fato, foi Richard Kile quem originalmente usou o termo em algumas publicações dos anos 1960).

O significado original do termo era aplicado para histórias fechadas[3] [4] [5] [6] , nos últimos anos o termo tem sido usado como sinônimo de trade paperback, as edições encadernadas em formato de livros de história seriadas em revistas[7] [8] .[9] .

História[editar | editar código-fonte]

Como a definição exata do romance gráfico é discutível, as origens da própria forma de arte estão abertas à interpretação. Les Amours de monsieur Vieux Bois é o mais conhecido exemplo de banda desenhada utilizada para esse fim. Publicada em 1828 pelo caricaturista suíço Rodolphe Töpffer. [10]

A década de 1940 viu o lançamento de Classics Illustrated, uma série de histórias em quadrinhos que adaptou romances de domínio público em edições independentes para jovens leitores.[11] Em 1947, a Fawcett Comics publicou Comics Novel #1: "Anarcho, Dictator of Death", uma história em quadrinhos de 52 páginas dedicada a uma única história.[12] Em a 1950, St. John Publications publicou em formatinho a história adulta " It Rhymes with Lust", com notável influência de filme noir estrelado por uma mulher ruiva manipuladora chamado Rust. Anunciada como "um romance de longa-metragem original" em sua capa, uma revista de 128 páginas em formattinho pelo escritor "Drake Waller" (na verdade escrito pela dupla Arnold Drake e Leslie Waller), e ilustrada por Matt Baker e arte-finalizada por Ray Osrin fez sucesso suficiente para levar a uma segunda publicação, The Case of the Winking Buddha pelo romancista pulp Manning Lee Stokes e ilustrador por Charles Raab.[11]

Outros trabalhos similares que antecederam o surgimento do termo foram os álbuns franco-belgas Tintin, Asterix e Spirou, bastante populares desde a década de 1960[13] [14] [15] , o termo álbum é usado como sinônimo pela mídia especializada, tanto para graphic novel, quanto para trade paperback.[16]

Movimento artístico[editar | editar código-fonte]

Eddie Campbell lançou um manifesto em 2004 para efetivar o fato de que uma "graphic novel" é mais o produto de um artista, e que o termo seria melhor empregado para descrever um movimento artístico.[17] Eis o texto completo, traduzido para português:

Exemplos notáveis[editar | editar código-fonte]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Flávio Braga, Carlos Patati. In: Ediouro. Almanaque dos quadrinhos - 100 anos de uma mídia popular. [S.l.: s.n.]. ISBN 8500016906, 9788500016905
  2. Arie Kaplan. In: Chicago Review Press. Masters of the comic book universe revealed!. [S.l.: s.n.]. 13 p. ISBN 1556526334, 9781556526336
  3. Diego Calazans. O Edifício (Editora Abril Universo HQ.
  4. Sérgio Codespoti (10/09/2009). Warner Bros. cria a DC Entertainment Universo HQ.
  5. Érico Assis, Érico Borgo e Marcelo Forlani (04 de Setembro de 2001). Omelete entrevista: Mike Deodato Jr. Omelete.
  6. Jotapê Martins (30 de Junho de 2000). Novo projeto Vertigo de Garth Ennis Omelete.
  7. Luciano Guerson. 100 Balas #32 Universo HQ.
  8. Érico Assis (04 de Março de 2008). Lá Fora - Monte sua gibiteca de quadrinhos importados aproveitando o dólar baixo Omelete.
  9. Parênteses: TPBs brasileiros - uma proposta Omelete (16 de Janeiro de 2002). Visitado em 17/05/2010.
  10. Tim Batchelor, Martin Myrone, Cedar Lewisohn, Paul Gravett e Sally O'Reilly. Rude Britannia: British comic art. [S.l.]: Tate Pub., 2010. 43 p. 9781854378866
  11. a b Shirrel Rhoades. Comic books: how the industry works. [S.l.]: Peter Lang Publishing Inc, 2008. 9780820488929
  12. Nathan Vernon Madison. Anti-Foreign Imagery in American Pulps and Comic Books, 1920-1960. [S.l.]: McFarland, 2013. 168 p. 9781476601366
  13. Sérgio Codespoti (sobre o press release da Devir Portugal) (20/03/2002). Devir lançará álbum da Vampirella e ainda tem outras novidades Universo HQ.
  14. Delfin. CEREBUS - BOOK 1 Universo HQ.
  15. Sérgio Codespoti (12/01/09). Tintim completa 80 anos de aventuras Universo HQ.
  16. Sérgio Codespoti (10/07/2009). Capa de graphic novel com Megan Fox é censurada Universo HQ.
  17. Michael Patrick Dooley, Steven Heller. In: Allworth Communications, Inc.. The education of a comics artist; visual narrative in cartoons, graphic novels, and beyond. [S.l.: s.n.]. xx p. ISBN 1581154089, 9781581154085
  18. Put. Carla Andrea López Mata, Diego López Mata e Predrag Đurić. Ed. Rosencrantz, 2013, ISBN 9788689191059. (em sérvio) Adicionado em 04/02/2015.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]