Ronnie Von

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Ronnie Von
Ronnie Von em julho de 2007
Informação geral
Nome completo Ronaldo Nogueira
Também conhecido(a) como Príncipe, Pequeno Príncipe
Nascimento 17 de julho de 1944 (73 anos)
Origem Niterói, RJ
País Brasil
Gênero(s) Rock
Pop
Rock psicodélico
MPB
Ocupação(ões) Apresentador de televisão
Cantor
Compositor
Ator
Instrumento(s) Vocal
Período em atividade 1966atualmente
Gravadora(s) Polydor
RCA Victor
Página oficial www.ronnievon.com.br

Ronnie Von (Niterói, 17 de julho de 1944) é um apresentador de televisão, cantor, compositor e ator brasileiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Ronnie Von nasceu Ronaldo Nogueira.[1] Só mais tarde, já adulto, decidiu incorporar outros sobrenomes - "emprestados", segundo diz, da segunda mulher de seu avô. Assim foi inventado Ronaldo Lindenberg Von Schilgen Cintra Nogueira, [2] frequentemente referido como sendo o verdadeiro nome do apresentador.

É filho do dentista, contador, radialista e palestrante do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento José Maria Cintra Nogueira (1916 - 2015) [3][4] e de Noly Nogueira.[2]

Dos 15 aos 18 anos, foi aluno do curso da Escola Preparatória de Cadetes do Ar, que precede o ingresso na Academia da Força Aérea, como cadete, mas interrompeu sua formação em 1963.[5]

Aos 19 anos, casou-se com Aretuza. O casal teve dois filhos: Alessandra (n. 2 de janeiro de 1970) e Ronaldo (n. 2 de dezembro de 1970).[6] O casamento durou 12 anos. [7] Separaram-se em 1975, quando o cantor tinha 32 anos.[8] Oito meses antes da separação, ele já começara a sair com Anna Luíza, com quem ficaria até 1983, [9] quando se separaram, o que, segundo seus biógrafos, "devastou o coração de Ronnie". Ele acabaria por ficar com a guarda dos filhos - arranjo aprovado pela ex-esposa, Aretuza, "para amenizar aquele sofrimento dele".[10]

Em 1979, contou que tivera uma doença rara, que inicialmente disse ser uma "polineurite plurirradicular [sic], que o teria deixado imóvel durante 60 dias.[11][12] Anos depois, passou a dizer que a doença fora a síndrome de Guillain-Barré (também conhecida por polirradiculoneuropatia idiopática aguda ou polirradiculopatia aguda imunomediada ou polineurite aguda ascendente),[13] e que havia ficado paralítico por um ano. Segundo seu relato, a doença o acometera após o forte estresse emocional: "Tinha acabado de me separar da minha primeira esposa".[14] No entanto, seu primeiro casamento terminara de facto em 1975, ou seja, quatro anos antes.[15] A síndrome de Guillain-Barré desenvolve-se no organismo duas ou três semanas após uma doença aguda provocada por vírus (citomegalovírus, Epstein Barr, vírus da gripe ou vírus da hepatite, por exemplo) ou bactéria (especialmente Campylobacter jejuni). A doença se manifesta sob a forma de inflamação aguda da bainha de mielina que reveste os nervos periféricos e, às vezes, as raízes nervosas. A doença é curável, embora a cura completa possa levar alguns meses. Em alguns casos, a doença pode tornar-se crônica ou recidivar.[16]

Em 1984, casou-se com a atriz Bia Seidl, separando-se dois anos depois. Desde 1986, Ronnie Von está casado com Maria Cristina Mestres Rangel, a Kika, onze anos mais nova. A paixão de Kika pelo artista vem de longa data, pois já havia declarado seu amor por Ronnie quando tinha apenas 11 anos de idade. Com Cristina, Ronnie teve seu terceiro filho, Leonardo, nascido no dia 6 de junho de 1987.

Carreira artística[editar | editar código-fonte]

Iniciou sua carreira de cantor na época da Jovem Guarda,[nota 1] obtendo grande sucesso com as canções A praça (de Carlos Imperial) e Meu bem (uma versão em português, do próprio Ronnie Von, para a canção Girl dos Beatles). Em 1966, apresentou, na TV Record, o programa O Pequeno Mundo de Ronnie Von, no qual interpretava um personagem baseado no livro O Pequeno Príncipe. A partir daí ficou conhecido como "Príncipe", apelido criada como um contraponto ao apelido de "Rei", dado a Roberto Carlos, sendo que, na época, havia um certo clima de rivalidade entre os dois cantores e os respectivos programas de televisão.

O Pequeno Mundo de Ronnie Von ganhou algum destaque na mídia, atraindo artistas diferentes daqueles que o programa Jovem Guarda costumava receber, dentre eles os futuros tropicalistas: Caetano Veloso, Gilberto Gil e Os Mutantes, que viriam a se tornar atração permanente no programa. Na véspera da estreia do programa, o trio tinha o nome de "Os Bruxos", mas nem Rita Lee, nem os irmãos Baptista (Arnaldo e Sérgio estavam satisfeitos com o nome do grupo e queriam mudá-lo. De acordo com Carlos Calado, a ideia do nome "Os Mutantes" veio de uma brincadeira irônica de Alberto Helena Júnior, produtor do programa, com Ronnie Von. Este, na época, andava lendo O Império dos Mutantes, de Stefan Wul, e não falava em outro assunto. "Vocês ainda estão procurando um nome para o conjunto dos meninos? Por que não Os Mutantes?" Ronnie Von gostou da ideia de Alberto Helena e levou-a ao grupo, que a aprovou imediatamente.[17]

No fim dos anos 60, o cantor grava discos de música psicodélica, muito influenciados por The Beatles. [18] Incluem-se nessa fase, os discos Ronnie Von (1969), A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre contra o império de Nuncamais (1969) e Máquina Voadora (1970). Para seu desapontamento, os discos fizeram pouco sucesso à época, embora ele afirme que, segundo "uma publicação austríaca", um desses seus discos seja "o melhor disco de rock psicodélico do mundo", sendo disputado, a peso de ouro, pelos colecionadores. "Um amigo meu chegou a comprar em Tóquio esse vinil por US$ 4.800, isso é um absurdo”, diz.[19] Em outra entrevista, dada à revista TPM quatro anos antes, Ronnie Von apresentara uma cifra bem mais modesta, dizendo que os discos Ronnie Von , de 1969, e A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre contra o Império do Nuncamais, também de 1969, custavam US$ 500 cada um, e que, na Áustria, "tem um site dedicado apenas a vender meus trabalhos antigos". Mas, de acordo com a revista TPM, na mesma época, esses mesmos discos eram vendidos, na Galeria do Rock, em São Paulo, por R$ 150 (cerca de US $50) cada um.[12]

Ronnie Von assegura que, em toda a sua carreira, vendeu mais de 10 milhões de discos, inclusive na Europa e na América Latina.[20][21]

Nos anos 1970, apresentou um programa de auditório na TV Tupi. Participou também de uma novela, Cinderela 77. No cinema, atuou nos filmes Janaína - A Virgem Proibida (1972), O Descarte (1973) e A Filha dos Trapalhões (1984).

Em 1995, publicou o livro Mãe de gravata, em que relata sua experiência de ficar com a guarda dos filhos após a separação. O livro originou o programa homônimo, que Ronnie Von apresentou na CNT/Gazeta e na Rede Mulher, de 1999 a 2000.

Autodefinido como um metrossexual,[22] nos últimos anos começou a apresentar programas dirigidos ao público feminino. Desde 2004, apresenta o programa Todo Seu exibido diariamente nas noites da TV Gazeta a partir das 22h15. Seu programa registra audiência média de 2 a 3 pontos. [23]

Em março de 2007, foi lançado na Internet um tributo independente dedicado à fase psicodélica do cantor, Tudo de Novo - Tributo a Ronnie Von. A homenagem virtual, coordenada pela jornalista Flávia Durante, a partir de uma comunidade no Orkut, contou com 30 bandas de todo o Brasil. [24][25]

Em julho de 2014, a Editora Planeta lançou a sua biografia, Ronnie Von: O príncipe que podia ser rei, escrita por Antonio Guerreiro e Luiz Cesar Pimentel[26]. Trata-se de uma biografia excessivamente simpática ao biografado e cuja principal fonte de informações é ele próprio. Segundo Seerig, "a falta de preocupação em aprofundar características negativas do cantor sugere uma intenção de agradar o biografado; talvez a iniciativa não tenha partido deles [os autores, Guerreiro e Pimentel], e a biografia se encaixe na classificação de encomendada". Ronnie Von esteve "realmente envolvido com a produção biográfica, participando, inclusive, da sessão de lançamento do livro". [27]

Atualmente, Ronnie Von apresenta o programa Todo Seu, na TV Gazeta.

Discografia[editar | editar código-fonte]

LPs e CDs[editar | editar código-fonte]

  • 1966 - Ronnie Von - Meu Bem
  • 1967 - O Novo Ídolo
  • 1967 - Ronnie Von 2
  • 1967 - Ronnie Von 3
  • 1969 - Ronnie Von
  • 1969 - A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império de Nunca Mais
  • 1970 - Máquina Voadora
  • 1972 - Ronnie Von
  • 1973 - Ronnie Von
  • 1973 - Ronnie Von
  • 1977 - Ronnie Von
  • 1977 - Deje mi Vida (em espanhol)
  • 1978 - Ronnie Von
  • 1981 - Sinal dos Tempos
  • 1984 - Ronnie Von
  • 1987 - Vida e Volta
  • 1988 - Ronnie Von
  • 1996 - Estrada da Vida

EPs[editar | editar código-fonte]

  • 1966 - Meu Bem
  • 1967 - O Novo Ídolo
  • 1968 - Pra Chatear
  • 1969 - Ronnie Von
  • 1977 - Ronnie Von
  • 1977 - Ronnie Von

Compactos[editar | editar código-fonte]

  • 1966 - You Got To Hide Your Love Away / Meu Bem
  • 1967 - A Catedral / Menina Azul
  • 1967 - A Praça / Canção de Ninar Meu Bem
  • 1967 - Música Para Ver A Garota Passar / Jardim de Infância
  • 1967 - Uma Dúzia de Rosas / Belinha
  • 1968 - Ele Tem Você / O Susto
  • 1968 - Moto Perpétuo / Riso Flor
  • 1969 - Sílvia 20 Horas Domingo / Espelhos Quebrados
  • 1969 - Regina e o Mar / Comecei uma Brincadeira
  • 1969 - 120 Kilômetros por Hora / Lady Lady
  • 1969 - Regina e o Mar / Flash Gordon - em espanhol
  • 1970 - De Como Meu Herói Flash Gordon Irá Levar-me de Volta à Alpha de Centauro Meu Verdadeiro Lar / Onde Foi
  • 1970 - Baby de Tal / Viva o Chope Escuro
  • 1970 - Máquina Voadora / Enseada
  • 1970 - Seu Olhar no Meu / Cidade
  • 1971 - Minha Gente Amiga / Segundo Motivo
  • 1971 - Hei Amigo / É Preciso Aprender
  • 1972 - Tempo de Acordar / Aquela Mesma Canção
  • 1972 - Cavaleiro de Aruanda / Tereza Cristina
  • 1973 - Colher de Chá / Coisas que Acontecem
  • 1973 - Banda da Ilusão / Você se Foi - em espanhol
  • 1974 - Banda da Ilusão / Velho Sermão
  • 1974 - Certo e Errado / Deus Sul Americano
  • 1975 - Aria / Nem Tudo Está Perdido Agora
  • 1977 - Deje mi Vida / ??? - em espanhol
  • 1977 - Num Canto da Sala / Velhos Amigos
  • 1978 - Rosto Suado / Pra Ser Só Minha Mulher
  • 1978 - É Mais Fácil Sorrir do que Chorar / Soledad
  • 1983 - Cachoeira / Mi Amoroso Amor

Participações[editar | editar código-fonte]

  • 1966 - Os Novos Reis do Iê-Iê-Iê - coletânea
  • 1967 - Os Novos Reis do Iê-Iê-Iê Vol. III - coletânea
  • 1967 - 3° Festival da Música Popular Brasileira, Vol. 1 - coletânea
  • 1967 - 3° Festival da Música Popular Brasileira, Vol. 2 - coletânea
  • 1967 - Garôta de Ipanema - trilha sonora
  • 1967 - Os Novos Reis do Iê-Iê-Iê Vol. IV - coletânea
  • 1968 - Música Jovem - coletânea
  • 1984 - A Filha dos Trapalhoes - trilha sonora
  • 1970 - A Próxima Atração - trilha sonora
  • 1971 - Sucessos de Ouro - coletânea
  • 1973 - Sucessos de Ouro - Vol. 3 - coletânea
  • 1973 - Phono 73 - Vol. 1 - coletânea
  • 1973 - 4 Sucessos de Ouro - Vol. 1 - coletânea
  • 1974 - 4 Sucessos de Ouro - Vol. 3 - coletânea
  • 1977 - Cinderela 77 - trilha sonora
  • 1995 - 30 Anos de Jovem Guarda - boxset
  • 1996 - Jovem Guarda ao Vivo - O Novo de Novo - coletânea
  • 2000 - Deus Abençõe as Crianças - coletânea
  • 2001 - Novo Millennium - Ronnie Von - coletânea
  • 2012 - Natal em Família - dueto com Bibi Ferreira

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Embora nunca tenha participado no programa apresentado por Roberto Carlos, Erasmo e Wanderléa

Referências

  1. Ronaldo Nogueira (nome artístico - Ronnie Von), conforme Página 1980 da Judicial I - TRF do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) de 26 de Novembro de 2014.
  2. a b Histórias do pequeno príncipe Ronnie Von. Por Adriana Del Ré. O Estado de S.Paulo, 29 de julho de 2014.
  3. Rádio Mundial 95.7FM. Entrevista com José Maria Nogueira em 27 de julho de 2005, por César Romão.
  4. José Maria Nogueira - 92 anos. Exemplo de rotariano. Rotary International - Distrito 4480.
  5. "A FAB foi o norte da minha vida, por Ten. Luiz Claudio Ferreira. Aerovisão nº 218, p. 26.
  6. Biografia. Site do Fã Clube Ronnie Von.
  7. Na barra da calça do pai. Por Celina Côrtes. ISTOÉ, 7 de julho de 1999.
  8. Ronnie Von sobre transtorno de ansiedade: ‘Certeza de que ia morrer’. Ego, 22 de junho de 2014
  9. Ex de Ronnie Von diz que também foi traída e chama cantor de mentiroso. UOL, 21 de setembro de 2014
  10. GUERREIRO, Antonio e PIMENTEL, Luiz Cesar ; Ronnie Von: O príncipe que podia ser rei, apud SEERIG, A. P. Biografias da Jovem Guarda: análise temática do gênero mais popular de livro-reportagem., p. 105.
  11. Vídeo: Ronnie Von fala sobre a doença e o boato de morte. Fantástico, 23 de setembro de 1979.
  12. a b Ronnie Von. Entrevista concedida a Milly Lacombe. TPM nº 40, 17 de julho de 2009.
  13. Ronnie Von diz que pediu para morrer ao enfrentar doença rara na década de 1970. Folha de S. Paulo, 9 de novembro de 2016.
  14. Entrevista Ronnnie Von. Por Ana Bardella. Revista Ana Maria, 25 de outrubro de 2016.
  15. “Cheguei a pedir eutanásia”, diz Ronnie Von sobre doença grave que sofreu aos 33 anos. Por Andreza Monteiro. Veja SP, 25 de fevereiro de 2017.
  16. Síndrome de Guillain-Barré, por Drauzio Varela.
  17. CALADO, Carlos. A Divina Comédia dos Mutantes. São Paulo: Editora 34, 1995, p. 85.
  18. Mariana Shirai e André Sollitto (22 de agosto de 2010). «A volta dos psicodélicos faz sentido?». Revista Época 
  19. Fabiano Alcântara (23 de outubro de 2013). «Redescoberto em vinil, Ronnie Von conta que teve LP vendido a US$ 4.800». UOL 
  20. Ares de príncipe - ISTOÉ Gente
  21. Ronnie Von: "Entre o bordado e o futebol" - Edição 306 (21/07/2006)
  22. Ronnie Von admite fama de metrossexual, mas não troca franja por moicano de Neymar. UOL Esporte, 28 de junho de 2011.
  23. Ronnie Von e TV Gazeta acertam continuidade do programa "Todo Seu". Por Flávio Ricco. UOL, 17 de outubro de 2016.
  24. Tributo a Ronnie Von reúne 30 bandas de todo o país. Por Jamari França. O Globo online, 23 de abril de 2007.
  25. Tributo a Ronnie Von
  26. Adriana Del Ré (29 de julho de 2014). «Histórias do pequeno príncipe Ronnie Von». O Estado de S. Paulo 
  27. SEERIG, Ana Paula. Biografias da Jovem Guarda: análise temática do gênero mais popular de livro-reportagem. Caxias do Sul: Universidade de Caxias do Sul, 2016, p. 106.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]