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Rooftop Concert

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Rooftop Concert
Quadro do vídeo da performance de "Don't Let Me Down", retirado do documentário Let It Be.
Concerto de The Beatles
Local Apple Corps, 3 Savile Row
Londres, Inglaterra, Reino Unido
Data(s) 30 de janeiro de 1969
Duração 42 minutos[1]

Rooftop Concert foi a última apresentação pública da banda de rock inglesa The Beatles. Na tarde nublada de 30 de janeiro de 1969, acompanhada pelo tecladista Billy Preston, a banda surpreendeu a rua Savile Row com um concerto improvisado no telhado da sede da corporação multimídia Apple Corps.

A filmagem da performance foi utilizada no fim do documentário Let It Be, de 1970, deixando um grande legado na cultura mundial e influenciando vários outros artistas. O grupo U2 fez referência ao show em um videoclipe, e a série de televisão Os Simpsons também, em um episódio que conta com a participação do guitarrista George Harrison.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Os Beatles compraram o prédio da Apple Corps no ano de 1968, instalando um estúdio no porão, onde foram gravadas as sessões "Get Back", que mais tarde tornariam-se o álbum Let It Be.[2] A banda havia realizado sua última performance pública, até então, no Candlestick Park, São Francisco, em 1966.[3][4]

Eles conceberam a ideia de retornar às apresentações públicas no início de janeiro de 1969 e conversavam em estúdio sobre lugares inusitados para realizar este concerto, como um barco em movimento, um anfiteatro grego ou ainda no centro de artes cênicas Roundhouse, em Londres, dentre outros.[2] De acordo com o autor e historiador Mark Lewisohn, não se sabe ao certo quem teve a ideia da performance no telhado. Sabe-se apenas que a sugestão foi feita apenas quatro dias antes do evento, em 26 de janeiro[2][5] e que nada foi anunciado à imprensa.[6]

O músico Billy Preston (fotografado em 1974, por David Hume Kennerly) acompanhou os Beatles por sugestão de George Harrison.

George Harrison chamou o tecladista Billy Preston como músico adicional, na esperança de que um talentoso observador externo encorajasse a banda a focar-se no que estava fazendo.[5] Na lembrança de Preston, a ideia de tocar no telhado da Apple Corps foi de John Lennon.[7] Segundo Ringo Starr:

Havia um plano para tocar ao vivo em algum lugar. Nós estávamos imaginando onde poderíamos ir – talvez o Palladium ou o Saara. Mas nós teríamos que levar todas as coisas, então decidimos: "Vamos subir no telhado".[8]

Em sua autobiografia Sound Man, o engenheiro de gravação Glyn Johns afirma que a ideia do show foi dele.[9] O ex-gerente da Apple Records Ken Mansfield acredita que a ideia era do diretor do filme Let It Be, Michael Lindsay-Hogg.[10]

Bastidores[editar | editar código-fonte]

O concerto teve início ao meio-dia do dia 30 de janeiro de 1969, numa quinta-feira fria, nublada e tempestuosa.[2][4] Devido à baixa temperatura no telhado do edifício, Lennon pediu emprestado o casaco de pele da esposa, Yoko Ono e Starr usou a capa vermelha de sua esposa, Maureen Cox.[11]

O áudio foi gravado em dois gravadores de oito canais no estúdio do porão da Apple[12] pelo engenheiro Alan Parsons.[13] Para impedir a captação de som do vento forte, Parsons, improvisadamente, embrulhou os microfones da bateria e das guitarras em meias-calças femininas.[11]

O diretor Lindsay-Hogg trouxe uma equipe de filmagem para capturar vários ângulos da performance, incluindo as reações das pessoas na rua.[13][14]

Lennon, com dificuldades de lembrar as letras de suas músicas, pediu a um assistente de escritório da Apple que se ajoelhasse e segurasse um cartão com as letras.[11]

Problemas legais[editar | editar código-fonte]

Quando os Beatles começaram a tocar, houve uma certa confusão entre os espectadores, muitos dos quais estavam no intervalo de almoço. Quando as notícias do evento se espalharam, formaram-se multidões nas ruas e nos telhados dos edifícios locais. Enquanto a maioria respondeu positivamente ao concerto, a Polícia Metropolitana ficou preocupada com problemas de tráfego e ruído. Os funcionários da Apple inicialmente recusaram-se a deixar a polícia entrar, mas reconsideraram quando ameaçados de prisão.[15]

Enquanto a polícia subia, os Beatles percebiam que o concerto seria encerrado, porém continuavam a tocar e isso ocorreu por mais alguns minutos.[16] Paul McCartney improvisou a letra de sua canção "Get Back" para refletir a situação: "Você está tocando no telhado novamente e você sabe que sua mãe não gosta disso, ela vai prendê-lo!".[17] O concerto chegou ao fim com a conclusão de "Get Back", com Lennon dizendo: "Eu gostaria de agradecer em nome do grupo e de nós mesmos e espero que tenhamos passado na audição."[18]

Repertório[editar | editar código-fonte]

O concerto consistiu em nove tomadas de cinco músicas dos Beatles: três tomadas de "Get Back"; duas tomadas de "Don't Let Me Down" e "I've Got a Feeling"; e uma tomada de "One After 909" e "Dig a Pony". O conjunto foi realizado na seguinte ordem:[19]

  1. "Get Back" (tomada um)
  2. "Get Back" (tomada dois)
  3. "Don't Let Me Down" (tomada um)
  4. "I've Got a Feeling" (tomada um)
  5. "One After 909"
  6. "Dig a Pony"
  7. "I've Got a Feeling" (tomada dois)
  8. "Don't Let Me Down" (tomada dois)
  9. "Get Back" (tomada três)

Houve também breves jams de quatro músicas: "God Save the Queen",[20] "I Want You (She's So Heavy)", "A Pretty Girl Is Like a Melody",[21] estas enquanto o engenheiro de som Parsons trocava as fitas,[20] e "Danny Boy",[21] citada ao final de "One After 909" e incluída no álbum Let It Be.[22]

A primeira performance de "I've Got a Feeling" e as gravações de "One After 909" e "Dig a Pony" foram usadas mais tarde para o álbum Let It Be.[23] Em 1996, uma versão rooftop de "Get Back", mais precisamente a última tomada, foi incluída no álbum Anthology 3.[24] Uma edição das duas tomadas de "Don't Let Me Down" foi incluída no álbum Let it Be... Naked.[25][26]

Legado[editar | editar código-fonte]

3 Savile Row em 2007

O Rooftop Concert marcou o fim de uma era para muitos fãs. O grupo gravou mais um álbum, Abbey Road — trabalho que começou no mês seguinte — porém em setembro de 1969 os Beatles já estavam separados de forma não oficial.[27] Várias das performances no telhado, particularmente a de "Dig a Pony", foram consideradas como mostrando os Beatles novamente em sua melhor forma.[28] Na época, os fãs acreditavam que o concerto no telhado era um teste para um retorno a apresentações ao vivo e turnês.[29]

A sequência "Get Up and Go" dos Rutles no filme All You Need Is Cash imita o concerto e usa ângulos de câmera similares.[30] Em janeiro de 2009, a banda de tributo Bootleg Beatles tentou realizar um concerto de aniversário de 40 anos no mesmo local, mas a permissão da Câmara Municipal de Westminster foi recusada devido a problemas de licenciamento.[31]

No episódio da quinta temporada de Os Simpsons, "Homer Barbershop Quartet", os Be Sharps (Homer, Apu, Barney e Diretor Skinner) fazem uma versão de um de seus sucessos anteriores em um telhado. George Harrison, que participou do episódio, é mostrado dizendo com desdém: "Está feito!" Quando a música termina e os créditos começam, Homer repete a frase de John Lennon sobre passar na audição e todos riem, incluindo Barney, até ele dizer: "Eu não entendi".[32]

Em 2007, no filme Across The Universe, um musical composto inteiramente por músicas dos Beatles, a banda de Sadie faz um show na cidade de Nova Iorque, que imita o original. É interrompido e fechado pelo Departamento de Polícia de Nova Iorque.[33]

O grupo U2 também fez referência ao Rooftop em seu vídeo "Where the Streets Have No Name", que contou com um show similar no último andar em Los Angeles, no ano de 1987.[34]

McCartney fez um mini-concerto surpresa no centro de Manhattan a partir do topo da marquise do Ed Sullivan Theater em 15 de julho de 2009, onde ele estava gravando uma apresentação para o Late Show with David Letterman. As notícias do evento se espalharam pelo Twitter e as ruas próximas foram fechadas para acomodar os fãs.[35]

Créditos[editar | editar código-fonte]

Notas

Referências

  1. «20 Things You Need To Know About The Beatles' Rooftop Concert». mojo4music.com. 30 de janeiro de 2014. Consultado em 31 de janeiro de 2016 
  2. a b c d Gusman, Giullia (30 de janeiro de 2019). «Nos 50 anos do 'Rooftop Concert', dos Beatles, veja 10 curiosidades sobre o show». Pop Cultura. Consultado em 18 de agosto de 2019 
  3. «Há 50 anos, os Beatles faziam seu último show». Jornal O Globo. 29 de agosto de 2016. Consultado em 25 de agosto de 2019 
  4. a b Kruppa, Jason; Womack, Kenneth (30 de janeiro de 2019). «The Beatles Performed Their Last Live Gig 50 Years Ago. Here's the Story Behind the Rooftop Concert». Time (em inglês). Consultado em 18 de agosto de 2019 
  5. a b Lewisohn 1992, p. 307.
  6. Lewisohn 1992, pp. 306–307.
  7. Babiuk 2002, p. 240.
  8. The Beatles 2000, p. 321.
  9. Johns, Glyn (2015). Sound Man. [S.l.]: Penguin Publishing Group. p. 129. ISBN 978-0-14-751657-2 
  10. Boilen, Bob (30 de janeiro de 2019). «Remembering The Beatles' Rooftop Gig, 50 Years Later, With Someone Who Was There». All Songs Considered. National Public Radio. Consultado em 19 de fevereiro de 2019 
  11. a b c «5 Bizarre Facts About The Beatles Final Rooftop Concert». Smooth Radio (em inglês). Consultado em 21 de agosto de 2019 
  12. Ryan, Kevin; Kehew, Brian (2006). Recording the Beatles: The studio equipment and techniques used to create their classic albums. [S.l.]: Curvebender. p. 518. ISBN 978-0-9785200-0-7 
  13. a b Perone 2005, p. 5.
  14. Everett 1999, p. 216.
  15. «Beatles rooftop birthday: It's 40 years since the fab four's last ever concert». BBC. 30 de janeiro de 2009. Consultado em 12 de dezembro de 2013 
  16. Perone 2005, pp. 5–6.
  17. Lifton, Dave (30 de janeiro de 2016). «50 Years Ago: Beatles Perform Live for Last Time on Rooftop». Ultimate Classic Rock (em inglês). Consultado em 30 de janeiro de 2019 
  18. Everett 1999, p. 222.
  19. Lewisohn, Mark (2000). The Complete Beatles Chronicle. Londres: Hamlyn Books. pp. 312–3. ISBN 0-600-60033-5 
  20. a b Lewisohn 2000, op cit., p. 312.
  21. a b «The Beatles - Rooftop Concert». Mundo da Música. Diário dos Campos. 2 de fevereiro de 2016. Consultado em 19 de agosto de 2019 
  22. «One After 909». The Beatles (em inglês). Consultado em 19 de agosto de 2019 
  23. Everett 1999, p. 219.
  24. MacDonald 2005, p. 334.
  25. «Don't Let Me Down». The Beatles Bible. 14 de março de 2008. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  26. Womack, Kenneth (2014). The Beatles Encyclopedia: Everything Fab Four [2 volumes]: Everything Fab Four (em inglês). [S.l.]: ABC-CLIO. p. 235. ISBN 978-0-313-39172-9. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  27. «Paul McCartney: 'I Want to Live in Peace'». Life Magazine. 7 de novembro de 1969 
  28. MacDonald 2005, p. 331.
  29. Perone 2005, p. 6.
  30. «Ladies and Gentlemen: The Rutles!». CD Review. 12 (1–9): 80 
  31. Banerjee (30 de janeiro de 2009). «The Beatles rooftop concert: It was 40 years ago today». Consultado em 12 de dezembro de 2013 
  32. Suebsaeng (30 de janeiro de 2012). «8 Videos to Commemorate the Beatles' Final Concert, 43 Years Later». Mother Jones. Consultado em 30 de janeiro de 2014 
  33. Ebert, Roger (2009). Roger Ebert's Movie Yearbook 2010. [S.l.]: Andrews McMeel Publishing. p. 1. ISBN 978-0-7407-9218-2 
  34. Parra, Pimm Jal de la (2003). U2 Live: A Concert Documentary (em inglês). [S.l.]: Omnibus Press. p. 64. ISBN 978-0-7119-9198-9 
  35. «Paul McCartney Stuns Manhattan With Set on Letterman's Marquee». Rolling Stone. 16 de julho de 2009. Cópia arquivada em 1 de janeiro de 2019 

Bibliografia (em inglês)[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]