Rosângela Rennó

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Rosângela Rennó
Nascimento 19 de novembro de 1962
Belo Horizonte, MG
Nacionalidade Brasil
Prémios The Paris Photo, Aperture Foundation PhotoBook Awards 2013 - First PhotoBook and PhotoBook of the Year.

Prêmio Mário Pedrosa, Associação Brasileira de Críticos de Arte – ABCA 2008 Prêmio Porto Seguro de Fotografia 2008. Prêmio Jabuti, 2004, categoria Projeto e Produção Gráfica para o livro O Arquivo Universal e outros Arquivos. Prêmio Marc Ferrez de Fotografia (IBAC/FUNARTE), 1992.

Área artes plásticas, fotografia
Formação Arquitetura pela UFMG, artes plásticas pela Escola Guignard, doutorado em artes plásticas pela ECA/USP
Publicações A01 [COD. 19.1.1.43] - A27 [S|COD.23], 2013.
Página oficial
http://www.rosangelarenno.com.br/

Rosângela Rennó Gomes (Belo Horizonte, MG, 1962) é uma artista plástica brasileira que vive e trabalha no Rio de Janeiro. Ela produz fotografias, instalações e objetos por meio da utilização de imagens fotográficas de arquivos públicos e privados, abordando questões acerca da natureza da imagem, seu valor simbólico e seu processo de despersonalização.[1]

Seu trabalho se apropria e traz visibilidade a um repertório anônimo de fotografias e negativos encontrados em feiras de antiguidade, álbuns pessoas, jornais e arquivos, traduzidas por processos de transferência de um contexto a outro, de um suporte a outro.

O interesse pelas imagens descartadas e o hábito de colecionar foram decisivos para a formação de suas estratégias de trabalho.[2]

Vida e carreira[editar | editar código-fonte]

Formação acadêmica[editar | editar código-fonte]

Rennó formou-se em arquitetura pela Universidade Federal de Minas Gerais em 1986 e em artes plásticas pela Escola Guignard, em Minas Gerais, em 1987.

Obteve seu doutorado em ciências da comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo em 1997, com um livro de artista desenvolvido a partir da série Cicatriz (1996), realizada com reproduções de negativos fotográficos do Arquivo do Museu Penitenciário Paulista.[3]

Carreira artística[editar | editar código-fonte]

Rosângela Rennó iniciou sua trajetória artística na década de 1980, tendo realizado sua primeira exposição coletiva em 1985 na Galeria IAB, Belo Horizonte, e primeira exposição individual, Anti-Cinema, quatro anos depois, em 1989, na Galeria Corpo, também em Belo Horizonte,[4] obtendo em pouco tempo rápido reconhecimento nacional e internacional.[5]

Em 1988, quando, quando começa a pós-graduação na USP, desenvolve uma série de fotografias a partir de fotogramas jogados nos lixos próximos às salas de montagem.[6] Paralelamente, no final da década de 1980, Rennó foca nos universos familiar e feminino, voltando-se para imagens recolhidas em álbuns e arquivos fotográficos de sua família, interessada nas possibilidades de ressignificação da memória.[7]

Com sua mudança para o Rio de Janeiro em 1989, seu foco se desloca dos conflitos da esfera privada, como os laços de família, para a esfera pública ou coletiva. Rennó passa a trabalhar com negativos e cópias esquecidas de retratos 3x4 adquiridos em estúdios fotográficos populares. Mais tarde, fixou-se na narrativa fotográfica, recolhendo textos que falavam de fotografia em jornais de circulação nacional.[8]

Em meados da década de 1990, a artista começa a utilizar fotografias recolhidas em arquivos históricos e criminais, como as imagens de presos do extinto Departamento de Medicina e Criminologia, pertencentes ao Museu Penitenciário Paulista; ou retratados de antigos funcionários da companhia de construção do governo Novacap encontrados no Arquivo Público do Distrito Federal.

Realizou numerosas exposições individuais e coletivas, tendo participado de duas edições da Bienal Internacional de São Paulo (a 24ª, em 1994, e a 29ª, em 2010); de duas edições da Bienal de Artes Visuais do Mercosul (a 1ª, em 1997, e a 7ª, em 2009), da 50ª Bienal de Veneza, em 1993, e da 6ª Bienal de Havana, em 1997. Conquistou bolsas do Centro Nacional de Pesquisa Tecnológica, em 1991; da Fundação Nacional de Artes, em 1992; da Civitella Ranieri Foundation, de Umbertide (Itália), em 1997; da Fundação Vitae, em 1998, assim como da Guggenheim (EUA), em 1999.

Curadoria[editar | editar código-fonte]

Em 2014, Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, apontou Rennó para o cargo de curadora-adjunta de fotografia. Após organizar uma exposição em 2016 sobre o Foto Cine Clube Bandeirante, seu contrato de um ano não foi renovado.[9]

Obras selecionadas[editar | editar código-fonte]

Arquivo Universal[editar | editar código-fonte]

Arquivo Universal (1992-) é um trabalho em andamento, constituído de uma coleção de textos de jornal que descrevem ou fazem alusão a imagens fotográficas, ou "imagens sem imagens", como caracteriza a artista.[2]

Esse material permitiu a Rennó produzir diferentes séries de obras, debatendo temas como a violência e a vaidade, o casamento e o amor, o sistema prisional brasileiro, a imigração, os militares, o anonimato e o poder.[7]

2005-510117385-5 e A01 [cod. 19.1.1.43] - A27 [s|cod.23][editar | editar código-fonte]

2005–510117385–5 e A01 [cod.19.1.1.43] — A27 [s|cod.23] são a primeira e segunda instância de uma série de trabalhos apresentados como livros de artista que tratam do furto de coleções históricas de fotografias de arquivos públicos brasileiros.[10]

2005-510117385-5, publicado em 2010, traz como título o número do inquérito criminal do furto de 946 peças, entre elas 751 fotografias, da Sala Aloísio Magalhães da Fundação Biblioteca Nacional no primeiro semestre de 2005. A obra contém reproduções dos versos das 101 fotografias recuperadas, em tamanho real, ordenadas segundo a data de sua reinserção no acervo da Biblioteca Nacional.[11]

Já A01 [cod. 19.1.1.43] - A27 [s|cod.23], de 2013, documenta o interior e do conteúdo de cada caixa de arquivo, tal como foram encontrados, após a constatação do furto de mais da metade da coleção de álbuns de fotografias realizadas por Augusto Malta, no Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. O título da obra corresponde a notação e ordenação originais dos álbuns.[12]

Acervos que possuem suas obras[editar | editar código-fonte]

Coleções nacionais[editar | editar código-fonte]

Coleções internacionais[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

https://colecaolivrodeartista.wordpress.com/tag/rosangela-renno/

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Rennó, Rosângela (1 de janeiro de 1997). Rosângela Rennó. [S.l.]: EdUSP. ISBN 9788531403743 
  2. a b Herkenhoff, Paulo (1996). «Rennó ou a beleza e o dulçor do presente». Rosângela Rennó. São Paulo: Edusp 
  3. «Rosângela Rennó / História dos Artistas Mineiros - Fotógrafos / Acervo de entrevistas / Início - História Oral - FAFICH/UFMG». www.fafich.ufmg.br. Consultado em 19 de abril de 2017 
  4. Rennó, Rosângela (1997). Rosângela Rennó. São Paulo: EdUSP. ISBN 9788531403743 
  5. «Biografia de Rosângela Rennó | Brasil Memória das Artes». Consultado em 20 de abril de 2017  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda)
  6. Alzugaray, Paula (2007). Aqui passa o trópico (Folder de exposição.). São Paulo: Paço das Artes 
  7. a b Tvardovskas, Luana Saturnino; Rago, Luzia Margareth (25 de junho de 2008). «Figurações feministas na arte contemporanea : Marcia X., Fernanda Magalhaes e Rosangela Renno». www.bibliotecadigital.unicamp.br (em brazil). Consultado em 18 de abril de 2017 
  8. Rennó, Rosângela (2003). Rosângela Rennó: depoimento. Belo Horizonte: Com Arte 
  9. «Após única mostra, Rosângela Rennó deixará área de fotografia do Masp». Folha de S.Paulo 
  10. «Livro denuncia impunidade no caso do furto de fotografias doadas por Pedro 2º - Notícias - UOL Notícias». noticias.uol.com.br. Consultado em 19 de abril de 2017 
  11. «Rosângela Rennó cria livro com fotos furtadas e devolvidas à Biblioteca Nacional». O Globo. 16 de fevereiro de 2010 
  12. «Rosângela Rennó lança livro de artista com mesa-redonda no IMS-RJ, dia 23/5 - ZUM». revistazum.com.br. Consultado em 19 de abril de 2017