Rosa de Viterbo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Santa Rosa de Viterbo
Santa Rosa da Viterbo, em quadro de D. Teresa de Saldanha.
Nascimento {{ca. 1233}} em Viterbo, Itália
Morte 6 de março de 1251 em Viterbo, Itália
Veneração por Igreja Católica
Canonização Não definida.
Principal templo Santuário de Santa Rosa, em Viterbo.
Festa litúrgica 6 de Março e 4 de Setembro
Padroeira Juventude Franciscana; Juventude Feminina da Ação Católica, dos Exilados e da cidade de Viterbo
Gloriole.svg Portal dos Santos
Disambig grey.svg Nota: Se procura a cidade no estado de São Paulo, veja Santa Rosa de Viterbo.

Santa Rosa da Viterbo OFS (Viterbo, ca. 12336 de Março de 1251) é uma santa venerada na Igreja Católica. Virgem da Terceira Ordem Franciscana. É a santa padroeira da Juventude Franciscana e da Juventude Feminina da Ação Católica. Apesar de ter morrido em tenra idade, entre 17 e 18 anos, exerceu grande influência, e a ela é atribuída a intercessão em numerosíssimos milagres [1] .

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu em uma família humilde de Viterbo (Itália). Seus pais, Giovanni e Caterina, desde cedo a educaram na Fé Católica.

Afirmam seus biógrafos que desde tenra idade já manifestava experiências místicas. Viveu asceticamente e se impunha severas penitências.

Durante a disputa entre o Papa Inocêncio IV e o Imperador Frederico II da Germânia mostrou-se aguerrida defensora da Igreja.

Santa Rosa viveu na primeira metade do século XIII, em uma época de grandes confrontos, de um lado surgia São Francisco de Assis, o irmão menor de todos, de outro o Imperador Frederico II, o grande estadista, que governava com mão-de-ferro. Há uma guerra de poderes, em um extremo o poder Espiritual, a Igreja, e de outro o mundo, o Imperador.

Desde cedo Rosa recebeu influência da espiritualidade Francisclariana em sua vida.

A medida que ela crescia, aumentava as suas orações. Muitas vezes passava longas horas da noite em contemplação. Durante o dia procurava os lugares onde poderia ficar em silêncio e entregar-se a oração. No dia 23 de julho de 1247, foi atacada por uma forte febre. Na sua cama de repente ajoelho-se e balbuciou o nome de Virgem Maria, ficou ali por um longo tempo, então levantou e sorriu, estava sem febre. Contou então que a Virgem lhe apareceu e lhe confiara uma missão: visitar as igrejas de São João Batista, Santa Maria do Oiteiro e São Francisco. E depois da Missa fosse pedir sua admissão na Ordem da Penitência de São Francisco - hoje chamada de Ordem Franciscana Secular.

Urna Mortuária com o corpo incorrupto de Santa Rosa de Viterbo.

Nesse ano a cidade de Viterbo, fiel ao Papa, caiu nas mãos do imperador Frederico II. A cidade estava nas mãos do hereges. Então, em oração Rosa teve uma visão do Crucificado e seu coração ardeu em chamas. Rosa saiu pelas ruas para pregar com um crucifixo nas mãos. A notícia correu toda cidade, muitos sentiram-se estimulados na fé, e voltaram à Fé Católica.

Devido a sua pregação diária, Rosa representava uma ameaça para as autoridades da cidade, então em 1250 o prefeito assinou uma ordem, condenando Rosa ao exílio, afirmando que ela ocasionava revolta entre o povo.

Rosa e seus pais foram morar em Soriano nel Cimino, e depois em Vitorchiano, onde sua fama já havia chegado. Nessa cidade Rosa se tornou uma verdadeira apóstola. Na noite de 4 para 5 de dezembro Rosa teve uma visão em que se lhe revelara que o imperador morreria dentro de poucos dias. De fato, no dia 13 de dezembro o Imperador Frederico II, faleceu.

Com a morte de Frederico II, Rosa pode retornar a Viterbo.

No dia 06 de março de 1251, "sem agonia", Deus a chamou, e a "santinha" morreu...

Canonização e Devoção[editar | editar código-fonte]

La macchina de Santa Rosa, em Viterbo.

No dia 25 de novembro de 1252 o Papa Inocêncio IV, por sua Bula Sic In Sanctis[2] , mandou instaurar oficialmente o processo de canonização de Rosa.

O Papa Inocêncio IV mandou exumar o corpo de Rosa, e para a surpresa de todos, o corpo foi encontrado intacto, quase como se ela estivesse viva. Nessa altura foi transladada para o Mosteiro das Clarissas, chamado, posteriormente, Mosteiro de Santa Rosa.

O Papa Eugênio IV, e, principalmente, o Papa Calixto III, mandaram continuar os trabalhos do Processo de Canonização. Em 1457 o processo ficou pronto, mas Calixto III morreu sem que chegasse a promulgar o decreto. Curiosamente, a canonização de Rosa nunca chegou a termo, dentro dos trâmites exigidos. Mesmo assim, foi integrada ao Martirológio Romano, e confirmada por sucessivos pontífices em diversos documentos.

Seu corpo, incorrupto e flexível, está no Santuário di Santa Rosa.

Em Viterbo, no dia 4 de Setembro, Festa da Translação, ocorre uma monumental manifestação com o transporte da Macchina di Santa Rosa pelos chamados chamados Facchini di Santa Rosa[3] .

Altar com as relíquias de Santa Rosa - Monastério de Santa Rosa em Viterbo.

Em setembro de 1929, o Papa Pio XI, declarou Santa Rosa de Viterbo a padroeira da Juventude Feminina da Ação Católica Italiana.

Rosa, numa excepcionalidade na Igreja Católica, possui duas festas litúrgicas oficiais: dia 06 de março - o dia de sua morte -, como ocorre com todos os santos, mas, também no dia 04 de setembro, dia em que se rememora a Translação de seu corpo incorrupto, pelo Papa Alexandre IV, acompanhado de cardeais para um mosteiro de Clarissas, que havia em Viterbo, onde hoje é o seu Santuário.

A mensagem de Santa Rosa consistia em conversão de vida, fidelidade ao Evangelho e a Igreja, amor e paz.

Vita Prima[editar | editar código-fonte]

Do pergaminho original do século XIII.


(CENCI, 1981, pg 177-181)

Vita Seconda[editar | editar código-fonte]

Texto inserido nos autos do Processo Callistiano.


(CENCI, 1981, pg 183-197)

Cronologia da Vida e da Glória Póstuma de Santa Rosa[editar | editar código-fonte]

Esta cronologia é baseada na obra “Il Libro dei Miracoli di Santa Rosa da Viterbo”, do Pe. Ernesto Piacentini, O.F.M. Conv., PhD Universidade Lateranense, Postulador da Causa dos Santos; dos processos de canonização iniciados (Vita Prima e Vita Seconda); e do livro “Rosa: Eroica, Giovanetta, Santa”, do biógrafo Paolo Cenci (Imprimatur: Aurelio Signora, Arcebispo de Nicosia)


Vida[editar | editar código-fonte]

1233 - Santa Rosa nasce em Viterbo, filha de Giovanni e Caterina, que lhe conferem uma educação cristã. Sobre o dia e mês do nascimento, nos diversos autores consultados, há apenas suposições. Sequer os processos de canonização os mencionam.

1235 - Em Viterbo, se inicia a construção do Monastério de São Damião, Assis, para onde Rosa será transportada depois de sua morte.

1236 – Em Viterbo, os Franciscanos, presentes desde 1220 próximos à Chiesa di San Giovanni in Zoccoli, iniciam a construção da Chiesa di San Francesco alla Rocca.

1243 – Assédio de Viterbo por parte do Imperador Frederico II. Divisão interna entre os cidadãos de Viterbo em favor do Papa ou do Imperador.

21/6/1250 – (terça-feira) – Santa Rosa é acamada, gravemente enferma. Repentinamente, afirma ver a alma de falecidos e reconhece alguns que nunca havia visto, porque falecidos 20 ou 30 anos antes de seu nascimento, e distinguia os bons dos maus.

22/6/1250 – (quarta-feira ) – Santa Rosa pede a sua mãe qualquer coisa para comer antes de iniciar o jejum, no dia seguinte, para a vigília de São João Batista. Levanta-se e louva o Senhor, a Virgem Maria e aos santos. Entre várias preces, faz uma pelo rei da França, São Luís IX, que havia conduzido uma cruzada - Sétima Cruzada - contra os sarracenos, na qual fora feito prisioneiro, e depois resgatado, e em 8 de maio de 1250, encontrava-se em Acre (Israel).

23/6/1250 – (quinta-feira) – Santa Rosa se joga nua em terra, em forma de cruz, e chorando, diz à mãe que renunciava às riquezas do mundo, e obedecendo as ordens que lhe havia dado a Virgem Maria solicita a Dona Sita que a vestisse de túnica e corda e lhe corte os cabelos como os de um clérigo. Depois, à noite, fez reunir pela mãe um grupo de senhoras e exortava-lhes e contava-lhes sobre a aparição da Virgem e o que esta a havia ordenado.

24/6/1250 – (sexta-feira) – Santa Rosa vai visitar a Igreja de São João Batista, de São Francisco e de Santa Maria in Poggio, como lhe havia ordenado a Virgem Maria.

25/6/1250 – (sábado) – A partir disto muita gente se interessa por Rosa.

Discussão com seu pai, Giovanni, que por fim aceita a vocação da filha e a abençoa com os familiares, com Dona Sita, e outros; Santa Rosa pede também por um sacerdote que a abençoe.

Rosa sai caminhando por Viterbo, com um crucifixo na mão, louvando a Deus, a Virgem Maria, e os santos, e encoraja a população a frequentar a igreja e rezar.

Aparece-lhe o Crucifixo do Divino Mestre e ela inicia a macerar-se para participar do sofrimento de Cristo. Encaminha-se para a Igreja, mas, como está sangrando e implora falando com o Senhor, um homem, por compaixão, a leva de volta para casa, onde, por três dias, continua a martirizar-se. Depois pede para a mãe para trazê-la um pouco de erva menta para beneficiar as vias respiratórias. Através daquele ramalhete de menta abençoado pelo Senhor sobre seu peito se celebra seu Casamento Místico (como a esposa do Cântico dos Cânticos havia feito com o ramalhete de mirra). O Senhor lhe prediz que a sua casa um dia fará parte do Monastério das Clarissas de São Damião.

4/12/1250 – Porque Santa Rosa continua a exercer apostolado andando continuamente pelas ruas de Viterbo com o Crucifixo nas mãos, louvando ao Senhor e exortando os cidadãos com palavras simples, em simples conversações, por instigação dos heréticos , foi exilada da cidade. Santa Rosa se encaminha para Soriano.

5/12/1250 – (Vigília de São Nicolau) – Junto a Soriano, Santa Rosa profetiza que dentro de alguns dias o Imperador Frederico II irá morrer.

13/12/1250 – Morre Frederico II.

_/12/1250 – De Soriano, depois de poucos dias, Santa Rosa vai para Vitorquiano, onde restitui a visão à cega Indelicata e converte a uma herética.

1/1/1251 – Em primeiro de janeiro, ou talvez já qualquer dia das festas natalinas, Santa Rosa já retornou a Viterbo. Em seguida, pede para entrar no Monastério das Clarissas de São Damião.

6/3/1251 – Santa Rosa morre em Viterbo, e é sepultada, inicialmente, no cemitério de sua paróquia de Santa Maria in Poggio.

Post Mortem[editar | editar código-fonte]

25/1/1252 – Mediante requisição do Bispo, clero e povo de Viterbo, o Papa Inocência IV ordena seja instruído um processo de canonização; o corpo é transportado para Santa Maria in Poggio.

4/9/1258 – O Papa Alexandre IV transporta o corpo de Santa Rosa, pessoalmente, junto aos cardenais, para a Igreja do Monastério das Clarissas de São Damião; em seguida o monastério se chamará Monastério de Santa Rosa. Na Catedral se inicia a celebração da festa litúrgica da translação.


Macchina di Santa Rosa[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Macchina di Santa Rosa

A Macchina di Santa Rosa é o baldaquino, ou armação ornamental portátil, utilizada na procissão religiosa comemorativa da Festa de Translação do corpo de Santa Rosa, em Viterbo, no dia 4 de Setembro. É uma manifestação cultural grandiosa e foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.[4]


Veja: (Macchina di Santa Rosa)

Liturgia e Orações[editar | editar código-fonte]

Ofício Divino de Santa Rosa de Viterbo[editar | editar código-fonte]

(KERVAL, 1896, pg 261-280).

Novena[editar | editar código-fonte]

(KERVAL, 1896, pg 281ss).

Oração[editar | editar código-fonte]

"Oh, Deus, fonte viva de eterna juventude, nós de damos graças pelos dons de luz e de amor que semeastes na vida de Santa Rosa, esplêndida flor da cidade de Viterbo. O encanto puro da idade e o ardor intenso de seu jovem coração são um tesouro precioso, que fascina a todos, pequenos e grandes, e desperta um empenho para aqueles que desejam viver, amar e esperar. Pequena grande Santa Rosa, ao longo da via perfumada de sua vida exemplar queremos caminhar: acompanhe os nossos passos por um itinerário coerente de fé, solidariedade, e paz".[5] († Lorenzo Chiarinelli, Bispo de Viterbo)


Referências

  1. Ernesto Piacentini, Postulador da Causa dos Santos, enumera e descreve mais de 1 milhar em sua obra. (PIACENTINI, 1991).
  2. O texto latino da Bula "Sic In Sanctis" encontra-se em ANDREUCCI (1750), pg 74ss
  3. Cf. Sodalizio dei Facchini di Santa Rosa (em italiano)
  4. Cf. Infoviterbo.it - Trasporto Della Macchina di Santa Rosa: Patrimonio Immateriale Dell'Umanità.
  5. Fonte: Monastero delle Clarisse di Santa Rosa. Preghiera per Santa Rosa

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Ícone de esboço Este artigo sobre a biografia de um santo, um beato ou um religioso é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.


O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Rosa de Viterbo