Rosario Castellanos
| Rosario Castellanos | |
|---|---|
Escritora Rosario Castellanos em 1965. | |
| Nascimento | Rosario Castellanos 25 de maio de 1925 |
| Morte | |
| Nacionalidade | mexicano(a) |
| Ocupação | poeta, narrador, autora |
Rosario Castellanos Figueroa (25 de maio de 1925 - 7 de agosto de 1974) foi uma poetisa, ensaísta, autora, professora e diplomata mexicana.[1] Junto com os outros membros da Geração de 1950 (os poetas que escreveram após a Segunda Guerra Mundial, influenciados por César Vallejo e outros), ela foi uma das mais importantes vozes literárias do México do século XX. Ao longo de sua vida ela foi pioneira dos estudos feministas no México e também escreveu sobre questões de opressão cultural e de gênero. Até os dias atuais seu trabalho influencia a teoria feminista e os estudos culturais.[2]
Biografia
[editar | editar código]Rosario Castellanos nasceu na Cidade do México mas cresceu na propriedade rural de sua família em Comitán de Dominguez, no Estado de Chiapas, no sul do México. Seus pais eram Adriana Figueroa e César Castellanos, que formavam uma família conservadora típica daquela época. Seu pai trabalhava fora enquanto sua mãe era dona de casa. Segundo relatos da escritora, eles também tinham uma preferência notável por seu irmão Mario Benjamín, simplesmente por ele ser homem. Essa preferência dos pais continuou mesmo quando, com sete anos de idade, seu irmão mais novo morreu de apendicite. Por conta dessa dinâmica familiar, Castellanos sentia-se culpada por seu irmão ter morrido e ela não.[3][4]
Ela foi criada por sua babá, Rufina, que a apresentou à cultura indígena. Castellanos era uma jovem introvertida que se preocupava com a situação dos indígenas maias que trabalhavam para sua família na fazenda.[3]
O destino da família mudou quando o então presidente Lázaro Cárdenas promulgou uma política de reforma agrária que despojou a família de grande parte de suas propriedades. Aos quinze anos, Castellanos e seus pais se mudaram para a Cidade do México. Em 1948, ambos os pais morreram em um acidente, deixando-a órfã aos 23 anos de idade.[5] Órfã e com recursos financeiros limitados, sentiu uma necessidade urgente de auto-expressão e logo se tornou a primeira escritora de Chiapas.[3]
Mais tarde, emigrou para a Cidade do México onde se formou em filosofia pela Universidade Nacional Autônoma do México e passou a ter contato com Ernesto Cardenal, Dolores Castro, Jaime Sabines e Augusto Monterroso. Também estudou estética na Universidade de Madrid, com uma bolsa do Instituto de Cultura hispânica de 1950 a 1951. Foi professora na Faculdade de Filosofia e Letras da UNAM, onde ministrou cursos de literatura comparada, escrita de romances contemporâneos e um seminário sobre escrita de crônicas. Também foi professora da Universidade de Wisconsin, Universidade do Estado do Colorado e da Universidade de Indiana. Além disso, Castellanos escreveu por anos no jornal Excelsior. Em 1954 foi premiada com uma bolsa de estudos da Fundação Rockefeller no Centro Mexicano para Escritores.[1]
De 1958 a 1961, ela escreveu livros didáticos para o Instituto Nacional Indígena do México. Casou-se com o professor de filosofia Ricardo Guerra Tejada em 1958, com quem teve um filho em 1961, Gabriel Guerra Castellanos, cientista político formado pela Universidade Livre de Berlim Ocidental, após dois abortos espontâneos e a morte de uma filha recém-nascida.[6] Divorciou-se após treze anos de casamento, em decorrência de depressão e da infidelidade do marido. Dedicou grande parte de seu trabalho e energia à defesa dos direitos das mulheres, causa pela qual é lembrada como um dos símbolos do feminismo latino-americano.[7]
Antes de falecer, trabalhava no serviço diplomático. Foi nomeada embaixadora do México em Israel em 1971, e além de seu trabalho como diplomata, trabalhou como professora de literatura latino americana na Universidade Hebraica de Jerusalém.[1]
Morte
[editar | editar código]Castellanos morreu em 7 de agosto de 1974 em Tel Aviv aos 49 anos de idade, em razão de um acidente doméstico, em consequência de uma descarga elétrica provocada por uma lâmpada enquanto atendia o telefone ao sair do banho. Em reconhecimento às suas notáveis contribuições, seus restos mortais foram sepultados no monumento funerário conhecido por Rotonda de las Personas Ilustres localizado na Cidade do México em 9 de agosto de 1974.[8] No ano de 2025, o mausoléu da autora passou por restaurações.[9]
Legado
[editar | editar código]No ano de 2017 foi inaugurado o Museu Rosario Castellanos no bairro de Jesuscito no Centro Histórico de Comitán de Domínguez.[10] Em 2019, foi inaugurado o Instituto de Estudios Superiores de la Ciudad de México Rosario Castellanos fundado pela presidente Claudia Sheinbaum,[11] que mais tarde se tornou a Universidad Nacional Rosario Castellanos ao ser elevada a uma universidade de âmbito nacional.[12][13]
Em março de 2021, o Senado da República mexicano criou o Prêmio de Mérito Literário "Rosario Castellanos",[14] destinado a escritores com notoriedade nos gêneros de narrativa, drama, poesia ou ensaio, com obras escritas em espanhol ou em qualquer uma das línguas indígenas da América Latina. O prêmio consiste em um busto de bronze com a imagem de Castellanos e 200.000 pesos mexicanos.[15]
Obra
[editar | editar código]Rosario Castellanos começou na literatura como poeta, mas seu primeiro livro foi um romance: Balún Canán, que, juntamente com Ciudad Real , seu primeiro livro de contos, e Oficio de Tinieblas , seu segundo romance, compõem a trilogia indigenista mais conhecida da narrativa mexicana.Em 1972, a autora compilou sua obra poética em Poesía no eres tú, e a partir de 1950, ano em que publicou sua tese Sobre cultura femenina, a escritora nunca deixou de explorar o ensaio. Ao longo de sua obra, incluindo seu único volume de peças teatrais, El eterno femenino emerge uma consciência do problema que a dupla condição de ser mulher e mexicana representava para ela.[16]
Romances
[editar | editar código]- 1957 - Balún Canán, México: Fondo de Cultura Económica.
- 1962 - Oficio de tinieblas, México: Joaquín Mortiz
- 1996 - Rito de iniciación, México: Alfaguara,
Contos
[editar | editar código]- Ciudad real, Xalapa: Universidad Veracruzana, 1960, OCLC 747471
- Los convidados de agosto, México: Era, 1964, OCLC 191065435
- Álbum de familia, México: Joaquín Mortiz, 1971, ISBN 9789682700880
Poesia
[editar | editar código]- Trayectoria del polvo, México: Costa-Amic, 1948,
- Apuntes para una declaración de fe, México: Secretaría de Educación Pública, 1948,
- De la vigilia estéril, México: Ediciones de "América", 1950,
- El rescate del mundo, Tuxtla Gutiérrez, Chiapas: Gobierno del Estado de Chiapas, Departamento de Prensa y Turismo, 1952,
- Presentación al templo: poemas (Madrid, 1951), México: América revista antológica, 1952,
- Poemas (1953-1955), México: Metáfora, 1957,
- Al pie de la letra, Xalapa: Universidad Veracruzana, 1959,
- Salomé y Judith: poemas dramáticos, México: Jus, 1959,
- Lívida luz, México: Universidad Nacional Autónoma de México, 1960,
- Materia memorable, México: Universidad Nacional Autónoma de México, 1960,
- Poesía no eres tú: obra poética, 1948-1971, México: Fondo de Cultura Económica, 1972,
Ensaio
[editar | editar código]- Sobre cultura femenina, México: América, revista antológica, 1950,
- La novela mexicana contemporánea y su valor testimonial, México: Instituto Nacional de la Juventud, 1960,
- Mujer que sabe latín..., México: Secretaría de Educación Pública, 1973,
- El mar y sus pescaditos, México: Secretaría de Educación Pública, 1975,
- Declaración de fe. Reflexiones sobre la situación de la mujer en México, México: Alfaguara, 1997, ISBN 9789681903770
Artigos reunidos
[editar | editar código]- El uso de la palabra, México: Excélsior, 1994,
- Mujer de palabras: Artículos rescatados de Rosario Castellanos, México: Consejo Nacional para la Cultura y las Artes, 2004, 3 vols.
Teatro
[editar | editar código]- Tablero de damas, pieza en un acto, México: América, revista antológica, 1952,
- El eterno femenino: Farsa, México: Fondo de Cultura Económica, 1975,
Correspondência
[editar | editar código]- Cartas a Ricardo, México: Consejo Nacional para la Cultura y las Artes, 1994,
Referências
[editar | editar código]- 1 2 3 «Rosario Castellanos - Detalle del autor - Enciclopedia de la Literatura en México - FLM». www.elem.mx. Consultado em 19 de março de 2026
- ↑ «Rosario Castellanos: La voz eterna en la lucha por la igualdad de género - Noticias San Diego». noticiassd.com (em inglês). 5 de março de 2026. Consultado em 19 de março de 2026
- 1 2 3 Vergara, Gloria (2007). Identidad y memoria en las poetas mexicanas del siglo XX. México: Universidad Iberoamericana. p. 49. ISBN 9789688596784
- ↑ «MULHER DE PALAVRAS: ROSARIO CASTELLANOS – RENATA DE CASTRO». VÍCIO VELHO. 28 de agosto de 2023. Consultado em 20 de março de 2026
- ↑ Bonifaz, Oscar (2015). Remembering Rosario: A Personal Glimpse into the Life and Works of Rosario Castellanos. [S.l.]: Scripta Humanistica. 104 páginas. ISBN 9780916379728
- ↑ Steele, Cynthia (1 de janeiro de 1996). «Power, Gender, and Canon Formation in Mexico». Studies in 20th & 21st Century Literature. 20 (1). ISSN 2334-4415. doi:10.4148/2334-4415.1381. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2025
- ↑ Cano, Gabriela (1992). «Rosario Castellanos: entre preguntas estúpidas y virtudes locas». Debate Feminista. 6: 253–259. ISSN 0188-9478
- ↑ «CIMAC Noticias: 08080812 - A 34 años de la muerte de Rosario Castellanos». cimacnoticias.com. Consultado em 20 de março de 2026. Cópia arquivada em 10 de outubro de 2009
- ↑ «CONCLUYEN LOS TRABAJOS DE CONSERVACIÓN Y RESTAURACIÓN DEL MAUSOLEO DE ROSARIO CASTELLANOS». INBAL - Instituto Nacional de Bellas Artes y Literatura (em espanhol). Consultado em 20 de março de 2026
- ↑ «Inauguran Museo Rosario Castellanos en Chiapas». El Universal (em espanhol). Consultado em 20 de março de 2026
- ↑ Clemente, Por Anabel (29 de maio de 2019). «Sheinbaum presenta nueva universidad en la CDMX; será gratuita y sin examen de admisión». El Financiero (em espanhol). Consultado em 20 de março de 2026
- ↑ Staff, M. N. D. (3 de dezembro de 2024). «Mexico City's tuition-free university to expand nationwide under new decree». Mexico News Daily (em inglês). Consultado em 20 de março de 2026
- ↑ «La Universidad Rosario Castellanos en la Ciudad de México». El Heraldo de México (em espanhol). Consultado em 20 de março de 2026
- ↑ República, Senado de la. «Gaceta del Senado». www.senado.gob.mx (em espanhol). Consultado em 20 de março de 2026
- ↑ «Premio al Mérito Literario Rosario Castellanos». Secretaría de Cultura/Sistema de Información Cultural (em espanhol). Consultado em 20 de março de 2026
- ↑ «La obra de Rosario Castellanos, pionera feminista, entra en la Caja de las Letras con una primera edición de «Balún Canán», su debut literario». cervantes.org (em espanhol). 11 de dezembro de 2025. Consultado em 20 de março de 2026