Ross Ulbricht

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Ross William Ulbricht, nascido em 27 de março de 1984 em Austin, Texas[1] , conhecido online pelo pseudônimo de Dread Pirate Roberts, é atribuído como criador da Silk Road, um mercado na deep web para troca de mercadorias de forma anônima que facilitava a distribuição de artefatos ilegais. As únicas coisas que eram proibidas na Silk Road eram coisas que feriam pessoas ou que fossem conseguidas através disso[2]. Um livre comércio de bens exercido de forma voluntária entre pessoas, sem instituições como governo para taxar e regulamentar.

Defende ideais libertárias, como Agorismo e total autonomia política e social, incluindo acesso total ao direito do indivíduo de escolha sobre o que pode usar no seu corpo ou não, sem violar o Princípio de Não Agressão de outra pessoa.

Atualmente se encontra preso, cumprindo pena perpétua, acusado e condenado por sete crimes, entre eles lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.

Seu pseudônimo advem do clássico cult “A Princesa Prometida”, onde o nome Dread Pirate Roberts é reclamado por quem estiver usando a máscara.

Foi o personagem central do documentário Deep Web (2015), produzido pelo ator e diretor Alex Winter.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de Kirk e Lyn Ulbricht, nasceu em 1984 na cidade de Austin, capital do estado do Texas, Estados Unidos. Passou sua vida escolar na cidade e frequentou uma organização de escoteiros[3].

Seus pais possuíam casas na Costa Rica, onde costumava passar férias e aprendeu a surfar[3].

Após o ensino médio, estudou Física na Universidade do Texas, em Dallas, onde se graduou em 2006. Ganhou uma bolsa em um programa de mestrado na Universidade Estadual da Pensilvânia, onde estudou Ciência dos Materiais[4].

Durante seu tempo na universidade cresceu seu interesse por economia enquanto a ciência lhe parecia menos atraente. Participou de grupos de debate, onde defendeu a filosofia libertária e as teorias de Ludwig von Mises/ Escola Austríaca [5]. Sua presença em redes sociais também apontava seu novo interesse em economia.

Após concluir a pós-graduação na Pensilvânia, voltou para Austin. Fascinado por economia e decidido a mudar de área, Ross tentou trabalhar com day trading, sem sucesso. Pôs em prática seu lado empreendedor recém descoberto. Após falir uma empresa de videogames, juntou-se a seu vizinho na Good Wagon Books, uma loja online de livros usados. Após algum tempo ele queria dar uma passo maior e ir além dos livros, o que foi impulsionado pelo estoque da Good Wagon ter sido destruído por uma estante mal montada[3].

Envolvimento com a Silk Road[editar | editar código-fonte]

Criação[editar | editar código-fonte]

 Identidades falsas que Ross Ulbricht teria encomendado na própria Silk Road.
Identidades falsas que Ross Ulbricht teria encomendado na própria Silk Road.

Durante seu tempo trabalhando com trading, Ulbricht entrou em contato com Bitcoin[3], uma criptomoeda virtual que, se usada com cuidado, permite transações anônimas quase impossíveis de serem rastreadas por bancos ou governos.

Ele participou de um fórum sobre Bitcoin[6], onde demonstrou interesse em empreender, montando uma start-up baseada na moeda. Ross desejava “utilizar teoria econômica como um meio de abolir o uso de coerção e violência entre a humanidade”[3].

Em suas pesquisas de como viabilizar o negócio descobriu o Tor, um software livre e de código aberto para proteger o anonimato pessoal ao navegar na Internet. Em 2011 ele então uniu o Tor e o Bitcoin em um empreendimento, criando a Silk Road, um mercado de vendedores anônimos para compradores anônimos onde se podia vender quase qualquer coisa, não limitado por leis mas pelos princípios de Ulbricht[7].

A Silk Road cresceu rapidamente. Por suas características de tentar preservar o anonimato de seus usuários, ela se tornou um enorme mercado de artefatos ilegais, chegando a acumular 1 bilhão de dólares em transações em seu auge[3]. Pela sua semelhante forma de operação, foi apelidada de o eBay das coisas ilícitas[8].

Prisão[editar | editar código-fonte]

O crescimento da Silk Road atraiu a atenção da mídia e das agências do governo. Em junho de 2011 o jornalista Adrian Chen publicava no Gawker uma matéria sobre o “site obscuro onde se pode comprar qualquer droga imaginável”, aumentando a visibilidade e o tráfego para o site[9].

Enquanto isso, os senadores do Partido Democrata Charles Schumer e Joe Manchin pressionavam o procurador-geral Eric Holder a agir para o fechamento da Silk Road e a extinção do Bitcoin[10].

As investigações demoraram a fazer avanços. Seu primeiro sucesso notável foi a prisão de Curtis Green, 47, pseudônimo Chronicpain. Ele havia sido contratado pelo Dread Pirate Roberts, o até então desconhecido mantenedor da Silk Road, como um dos administradores do site. Ele foi solto pouco depois[3].

Ao saber do contato de Green com agentes federais, Ulbricht teria contratado assassinos de aluguel para matá-lo[11].

A primeira pessoa a descobrir a identidade do Dread Pirate Roberts foi o fiscal da receita Gary Alford. Mesmo após a descoberta, ele levou mais três meses para reunir evidências suficientes para prender Ulbricht e fechar a Silk Road[12].

Em 1 de outubro de 2013, Ross foi preso pelo agente do FBI Chris Tarbell numa biblioteca pública em São Francisco, sob acusação de ser o mentor do mercado negro cibernético Silk Road[13].

Julgamento[editar | editar código-fonte]

Ross Ulbricht foi acusado pelo FBI de ter cometido 7 crimes, entre eles lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e acesso ilegítimo a sistemas ou redes informáticos.

Haviam também uma acusação de ter contratado serviços de assassinos profissionais para matar seis pessoas, acusação que foi fundamental para a negação de seu pedido de caução[14]. Nenhum dos assassinatos foi concretizado e essas acusações foram retiradas pouco antes do julgamento[15].

Após quatro semanas de julgamento, Ross foi condenado por todas as sete acusações, em fevereiro de 2015. Em maio de 2015, foi sentenciado a prisão perpétua, sem direito a condicional[16].

Sua defesa submeteu um recurso contra a condenação em janeiro de 2016, acusando agentes federais de corrupção. A defesa alega que o tribunal omitiu informações sobre agentes envolvidos na investigação, que teriam utilizado sua posição para roubar bitcoins do site e extorquir Ulbricht[17].

 Declaração do agente Christopher Tarbell sobre o julgamento de Ross Ulbricht e como ele conseguiu a localização do servidor da Silk Road.
Declaração do agente Christopher Tarbell sobre o julgamento de Ross Ulbricht e como ele conseguiu a localização do servidor da Silk Road.

Repercussão do julgamento[editar | editar código-fonte]

O julgamento de Ross não marcou apenas o fim da primeira era da Silk Road, mas abre muitos precedentes.

O FBI alega que descobriu o IP do servidor, e posteriormente sua localização e outras informações que os levariam a Ulbricht, através de uma falha na página de login do site[18]. Porém, na opinião de especialistas, a versão mais plausível da história é que o FBI tenha hackeado a página de login a fim de conseguir seu IP, o que seria considerado ilegal e poderia invalidar o julgamento[19].

Em julho de 2015 o agente da DEA Carl Force declarou-se culpado de extorsão, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça no caso da Silk Road. Ele fechou um contrato de 240 mil dólares com a 20th Century Fox para contar sua história em um filme[20]. Force foi sentenciado a 78 meses de prisão em outubro de 2015[21].

O caso também expôs que o Tor não é mais tão seguro quanto se pensava. Os endereços IP dos utilizadores podem ser obtidos através de brechas nos routers[22]. E foi descoberto que o FBI vem utilizando em investigações, desde 2012, um malware para burlar algumas camadas do protocolo Tor e conseguir identificar seus usuários[23].

A confidencialidade da bitcoin também foi posta em causa, com a facilidade com que a promotoria do caso conseguiu ligar mais de 700.000 bitcoins das contas de Ross como provenientes da Silk Road[24].

Carreira acadêmica[editar | editar código-fonte]

Antes da história com a Silk Road, Ross teve uma breve carreira como cientista estudando ciência dos materiais. Ele se especializou em com o professor Darrell Schlom da Universidade Estadual da Pensilvânia[4].

Listados aqui seus artigos publicados:

  • Inoue, Kanzan, et al. "Optimization of postproduction heat treatment for plastic solar cells." Optical Science and Technology, the SPIE 49th Annual Meeting. International Society for Optics and Photonics, 2004.
  • Inoue, Kanzan, et al. "High efficiency P3HT/PCBM solar cell." MRS Proceedings. Vol. 836. Cambridge University Press, 2004.
  • Inoue, Kanzan, et al. "Temperature and time dependence of heat treatment of RR-P3HT/PCBM solar cell." Synthetic metals 154.1 (2005): 41-44.
  • Madakasira, Pallavi, et al. "Multilayer encapsulation of plastic photovoltaic devices." Synthetic Metals 155.2 (2005): 332-335.
  • Ulbricht, Ross, et al. "Transparent carbon nanotube sheets as 3-D charge collectors in organic solar cells." Solar Energy Materials and Solar Cells 91.5 (2007): 416-419.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Nina Burleigh, Key Moments in the Life of Silk Road Creator Ross Ulbricht, Newsweek
  2. Adrian Chen, The Underground Website Where You Can Buy Any Drug Imaginable, Gawker
  3. a b c d e f g Joshuan Bearman, The Untold Story of Silk Road, Part 1 , Wired
  4. a b Caitlin Dewey, Everything we know about Ross Ulbricht, the outdoorsy libertarian behind Silk Road, The Washington Post
  5. Mandy Hofmockel, Students debate current issues, Daily Collegian
  6. Postagens sob o nome de usuário de Ross Ulbricht. https://bitcointalk.org/index.php?action=profile%3Bu=3905%3Bsa=showPosts%3Bstart=0
  7. Alex Winter. Deep Web (2015). (Documentário)
  8. David Segal, Eagle Scout. Idealist. Drug Trafficker?, The New York Times
  9. Justin Norrie and Asher Moses, Drugs bought with virtual cash, The Sydney Morning Herald
  10. Brennon Slattery, U.S. Senators Want to Shut Down Bitcoins, Currency of Internet Drug Trade, PCWorld
  11. Ryan Mac, Meet The Silk Road Employee That The Dread Pirate Roberts Allegedly Tried To Murder, Forbes
  12. Nathaniel Popper, The Tax Sleuth Who Took Down a Drug Lord, The New York Times.
  13. Ryan Mac, Who Is Ross Ulbricht? Piecing Together The Life Of The Alleged Libertarian Mastermind Behind Silk Road, Forbes
  14. Silk Road founder Ross William Ulbricht denied bail, The Guardian
  15. Patrick Howell O'Neill, The mystery of the disappearing Silk Road murder charges, The Daily Dot
  16. Sam Thielman, Silk Road operator Ross Ulbricht sentenced to life in prison, The Guardian.
  17. Andy Greenberg, In Silk Road Appeal, Ross Ulbricht’s Defense Focuses on Corrupt Feds, Wired
  18. Andy Greenberg, FBI’s Story of Finding Silk Road’s Server Sounds a Lot Like Hacking, Wired
  19. Kate Knibbs, How the Silk Road Trial Could Lead to a Dangerous Legal Precedent, Gizmodo
  20. Joe Mullin. «Corrupt Silk Road investigator pleads guilty, admits to $240K movie deal». Ars Technica 
  21. Joe Mullin. «Corrupt Silk Road agent Carl Force sentenced to 78 months» 
  22. Mariella Moon, Tor users' IP addresses can be identified by exploiting routers, Engadget
  23. Chris Velazco, The FBI uses malware to combat online anonymity, Engadget
  24. Andy Greenberg, Prosecutors Trace $13.4M in Bitcoins From the Silk Road to Ulbricht’s Laptop, Wired

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • freeross.org/ Site da defesa de Ulbricht, para arrecadações de fundos para as despesas do julgamento, mantido por sua mãe.