Reino Rustamida

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Rustamidas)
Ir para: navegação, pesquisa
Wiki letter w.svg
Por favor melhore este artigo ou secção, expandindo-o. Mais informação pode ser encontrada no artigo «Rostémides» na Wikipédia em francês e também na página de discussão.



الرستميون ; ar-Roustoumiyoune
Reino Rustamida
Black flag.svg
 
Ifren drapeau.png
767 – 909 Fatimid flag.svg
Localização de Reino Rustamida
Mapa dos estados argelinos c. 815–915
Continente África
Região Magrebe central
País  Argélia
 Tunísia
 Líbia
Capital Tahert
Língua oficial árabe e línguas berberes
Religião islão carijita ibadita; cristianismo, judaísmo
Governo imanato (teocracia), monarquia
Imã
 • 776 Abdal Ramane ibne Rustam
Período histórico Idade Média
 • 767 Fundação
 • 909 Dissolução

Os Rustamidas, Rustumidas, Rostemidas ou Banu Rustam (em árabe: الرستميون) foram uma dinastia de imames carijitas ibaditas de ascendência persa que governaram o Magrebe central como uma teocracia muçulmana entre 961 e 909 a partir da sua capital Tahert,[nt 1] no que é hoje a Argélia central.[1][2] A dinastia for extinta e a capital foi destruída pelos califas fatímidas em 909.

Não há certezas sobre os limites dos territórios controlados pelos Rustamidas. A sua autoridade era reconhecida, pelo menos nominalmente, por diversas regiões onde o ibadismo era predominante, nomeadamente na Tripolitânia (atualmente o noroeste da Líbia) e no Jerid (centro-nordeste da Argélia e oeste da Tunísia)[3] e frequentemente o território rustamida aparece nos mapas históricos no que é hoje o centro da Argélia.[4][5] Aparentemente o controlo da parte ocidental do Magrebe central (atualmente a Argélia ocidental) foi muito parcial, e coexistiu com diversos principados Alidas.[3][nt 2]

História[editar | editar código-fonte]

O Ibadismo chegou ao Norte de África em 719, quando o missionário Salma ibne Sade foi enviado da mesquita (jama´a) de Baçorá para Cairuão. Em 740, tinham conseguido converter as importantes tribos berberes dos huaras, em volta de Trípoli, Nafusa nas montanhas homónimas e os zenatas da Tripolitânia ocidental. E 757, um grupo de missionários formados em Baçorá, entre os quais se incluía Abdal Ramane ibne Rustam, o fundador da dinastia rustamida, proclamaram um imanato ibadita, iniciando o efémero estado liderado por Abul Catabe Abdalá ibne Same, que durou até os Abássidas o suprimirem em 761 e Abul Catabe ter sido morto. Os ibaditas da Tripolitânia elegeram então Abul-Hatim al-Malzuzi como imã; este foi morto em 772, depois de ter lançado uma segunda revolta sem êxito em 768.

Depois disso, o centro do poder transferiu-se para a Argélia e em 777, Abdal Ramane ibne Rustam, que tinha sido um dos quatro fundadores do imanato, foi eleito imã. Abdal Ramane era provavelmente um nativo da Ifríquia de origem persa que se converteu ao ibadismo. Contrariamente ao princípio de que os fiéis eram livres de escolher um imã, os sucessores de Abdal Ramane instituíram um poder dinástico hereditário, o que causou grandes dissenções políticas e religiosas que enfraqueceram o poder rustamida. Quando o filho do fundador da dinastia, Abdal Uabe, subiu ao poder em 784, alguns ibaditas recusaram-se a reconhecer a sua legitimidade, revoltando-se e formando o movimento Nucarita, uma das principais seitas do ibadismo no Magrebe.[3]

Supostamente a justificação para a sucessão hereditária era o facto dos Rustamidas não pertecerem a tribo alguma, pelo que a família era imparcial em relação a qualquer das tribos que formavam o estado.

Genealogia da dinastia Rustamida

O novo imanato centrou-se na recém-construída Tahert, para onde várias tribos ibaditas da Ifríquia e Tripolitânia se mudaram e onde foram construídas pesadas fortificações. Tahert tornou-se um ponto de paragem importante nas rotas mercantis com a África subsariana e o Médio Oriente que então conheciam um novo desenvolvimento.[carece de fontes?]

O Reino Rustamida foi descrito por visitantes como o sunita ibne Saguir como notavelmente multirreligioso, com uma minoria significativa e leal de cristãos e um número substancial de sunitas e judeus, onde o debate religioso aberto era encorajado.[carece de fontes?] Ganhou fama como um local onde viviam cristãos, muçulmanos não carijitas e aderentes a diferentes carijitas.[6]

Ibne Saguir também descreveu o imã como notavelmente ascético, que reparava a sua própria casa e recusava presentes. Os cidadãos criticavam-na duramente se considerassem que a sua conduta não condizia com os seus deveres. A ética religiosa era imposta de modo estrito pelas leis.[carece de fontes?]

Os Rustamidas combateram os Aglábidas de Ifríquia (cuja capital era Cairuão) em 812, mas à parte disso atingiram um modus vivendi com os seus vizinhos. Esta situação desagradou à tribos ibaditas da fronteira aglábida, que lançaram algumas rebeliões. Depois de Abdal Uabe, os Rustamidas enfraqueceram militarmente e foram facilmente conquistados pelos xiitas fatímidas em 909. Na sequência disso, muitos ibaditas, incluindo o último imã, procuraram refúgio na tribo Sedrata de Ouargla, de onde acabariam por emigrar para Mzab.[carece de fontes?]

Imãs rustamidas[editar | editar código-fonte]

Imã Reinado [carece de fontes?]
Abdal Ramane ibne Rustam ibne Baram 776-784
Abdal Uabe ibne Abdal Ramane 784-832
Afla ibne Abdal Uabe 832-871
Abacar ibne Afla 871
Maomé Abul Iaczane ibne Afla 871-894
Iúçufe Abu Hatim ibne Maomé Abul Iaczane 894-897
Iacube ibne Afla 897-901
Iúçufe Abu Hatim ibne Maomé Abul Iaczane, novamente 901-906
Iaczane ibne Maomé Abul Iaczane 906-909

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Tahert, também grafada Tahirt e Tihert, situava-se no que é atualmente a comuna de Tagdemt, na província de Tiaret, no centro-norte da Argélia.
  2. Designam-se por Alidas as dinastias árabes descendentes de Ali, o genro de Maomé, que existiram em locais tão diversos como o Tabaristão, a sul do mar Cáspio, até à Península Ibérica.

Referências

  1. Encyclopædia Britannica
  2. Wheatley 2010, p. 210.
  3. a b c Qantara
  4. «History and territories». www.qantara-med.org (em inglês). Consultado em 29 de abril de 2013 
  5. «Europe en l'an 800». www.euratlas.net (em francês). 2009. Consultado em 29 de abril de 2013 
  6. Entelis 1986, p. 10.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Reino Rustamida