Sã qui turo zente pleta

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Interior da Igreja do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, a origem deste vilancico negro.

"Sã qui turo zente pleta"[1] é um vilancico negro português anónimo,[1] escrito por volta de 1643.[1] Originalmente destinava-se à celebração religiosa do Natal.[2] Chegou aos nossos dias através de um único manuscrito (MM 50[2][3]) na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra,[1] proveniente do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.[3]

Após a sua redescoberta e publicação tem gozado de grande popularidade nacional[2] e internacional.

Letra[editar | editar código-fonte]

O texto da obra está escrito numa imitação do português falado por um grupo de escravos africanos.[1] Estes, seguindo uma estrutura comum nos vilancicos étnicos, identificam a sua proveniência e propósito no início da composição. Dizem ser escravos negros da Guiné e estão preparados com diversos instrumentos musicais para celebrar o nascimento do Menino Jesus, o Emanuel:

De seguida, eclode uma acesa discussão, em que cada um dos escravos incentiva outro a cantar; A intervenção de um dos negros termina-a:

Natividade, discípulo de Grão Vasco, 1520 - 1535. Este vilancico foi escrito para a celebração do Natal.

Depois, chega finalmente a festa. Celebram a liberdade recebida, tocando, dançando e cantando, dando vivas a Maria, José e Jesus:

A letra termina com uma última saudação ao Menino Emanuel, louvando o seu nascimento e a sua missão: há de morrer para libertar (alforriar) os cativos:

Música[editar | editar código-fonte]

A melodia do vilancico apresenta propositadamente reminiscências da música tradicional africana[5]. É um vilancico a 8 vozes[6].

Gravações[editar | editar código-fonte]

  • 1975Festival of Early Latin American Music. Roger Wagner Chorale. Eldorado S-1. Faixa 5: "Sã qui turo zente pleta".[7]
  • 1988Matinas do Natal - Responsórios e vilancicos dos séc. XVI - XVII. Coral Vértice. EMI. Faixa 10: "Sã qui turo zente pleta".[8]
  • 1996Native Angels. SAVAE. Iago Records. Faixa 3: "Sã qui turo zente pleta".[9]
  • 2002¡Iberia!. The Waverly Consort. Faixa 16: "Sã qui turo zente pleta".[10]
  • 2003Christmas with Chanticleer (DVD). Chanticleer. Faixa 4: "Sa aqui turo zente pleta".[11]
  • 2006A Celebration of Hispanic Music. Santa Fe Desert Chorale. Clarion. Faixa 15: "Sã qui turo zente pleta".[12]
  • 2014Misa Criolla and popular devotion in Early Music. Adrián Rodríguez Van der Spoel. Cobra Records. Faixa 9: "Sã qui turo zente pleta".[14]
  • 2016Nova Europa. Secunda Pratica. Centre culturel de rencontre d’Ambronay. Faixa 21: "São qui turo".

Referências

  1. a b c d e f g h Anne Storch (2011). Secret Manipulations. Language and Context in Africa (em inglês) 1 ed. Nova Iorque: Oxford University Press. p. 118 
  2. a b c «Concerto na Igreja de São Roque». Agência Ecclesia. 17 de março de 2008. Consultado em 2 de janeiro de 2015 
  3. a b Jorge Matta (2009). Manuscrito 50 da Biblioteca geral da Universidade de Coimbra. vilancicos, romances e chansonetas de Santa Cruz de Coimbra, século XVII. 1 ed. Lisboa: Edições Colibri 
  4. a b John M. Lipski (2009). A History of Afro-Hispanic Language. Five Centuries, Five Continents (APPENDIX) (em inglês). Pennsylvania: [s.n.] p. 14 
  5. George J. Buelow (2004). A History of Baroque Music (em inglês) 1 ed. Indiana: Indiana University Press. pp. 372, 373, 374. ISBN 0-253-34365-8. Consultado em 13 de janeiro de 2015 
  6. Samuel Claro Valdés (1977). Revista musical chilena Vol. 31, No. 139-1 (pdf). Veinticinco años de labor iberoamericana del doctor Robert Stevenson (em Castelhano). Santiago: [s.n.] p. 132. Consultado em 14 de janeiro de 2015 
  7. a b «SearchWorks catalog». Consultado em 14 de janeiro de 2015 
  8. Luísa Cymbron; Joaquim Carmelo Rosa. «Para uma discografia da música portuguesa» (PDF). pp. 16, 54. Consultado em 10 de março de 2015 
  9. «Native Angels». Consultado em 14 de janeiro de 2015 
  10. «¡IBERIA!». Consultado em 14 de janeiro de 2015 
  11. «CHRISTMAS WITH CHANTICLEER (DVD)». Consultado em 14 de janeiro de 2015 
  12. «A Celebration of Hispanic Music». Consultado em 14 de janeiro de 2015 
  13. «Vilancicos negros do século XVII». 20 de junho de 2010. Consultado em 14 de janeiro de 2015 
  14. «Misa Criolla». Consultado em 14 de janeiro de 2015