São Félix (Marabá)

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São Félix
—  Distrito do Brasil  —
Rodovia BR-155 cortando parte do centro comercial do distrito, no bairro de São Félix III.
Rodovia BR-155 cortando parte do centro comercial do distrito, no bairro de São Félix III.
Estado Pará Pará
Município Marabá
Criado em 1935
Área
 - Total 470 km²
População (PMM/2000[1])
 - Total 8 367
    • Densidade 17,80 hab./km²

São Félix é um distrito urbano do município de Marabá. É o quarto mais populoso distrito urbano de Marabá, e há mais de uma década, é o que registra os maiores índices de crescimento populacional em Marabá.[2]

O distrito é uma das áreas de ocupação mais antiga do município, tendo esta iniciada na década de 1930. O plano diretor de 2006 o definiu como área de expansão demográfica e urbana.[2][3]

Histórico[editar | editar código-fonte]

A história do distrito do São Félix relaciona-se em sua fundação com fatores históricos e geoeconômicos marcantes para o município de Marabá. O primeiro fator são as enchentes que anualmente atingem Marabá, deixando grande parte da Velha Marabá (centro histórico do município) alagada. O segundo fator foram os ciclos econômicos das gemas (diamantes e cristais) e do extrativismo vegetal (castanha e caucho), e a posição geográfica estratégica que o distrito dispunha em relação aos depósitos minerais e vegetais.[4]

Vilarejo de garimpeiros[editar | editar código-fonte]

A descoberta dos depósitos de gemas de diamante e cristal de rocha no leito do Rio Tocantins nas proximidades de Marabá, na década de 1930, fez ocorrer uma intensa imigração de garimpeiros e comerciantes para a região.[5]

Embora próximos da cidade de Marabá (à época restrita somente a Velha Marabá), os depósitos minerais exigiam alguma infra-estrutura básica em áreas mais próximas a estes. Desta forma, os garimpeiros e comerciantes de pedras preciosas, montam seu acampamento próximo aos "pedrais de São Félix" e do "Espírito Santo", onde havia a lavra de tais gemas. Surge então, o povoado de São Félix de Valois, nome dado em homenagem à Félix de Valois, santo padroeiro de Marabá.[5]

A lavra torna o acampamento dos garimpeiros um centro economicamente dinâmico, concentrado todo tipo de estabelecimentos comerciais e de lazer (bares, restaurantes, bordéis, etc), além de hotéis e outros serviços.[6]

Foi em São Félix, na década de 1940, que surgiu a primeira associação de classe do município de Marabá, a associação dos garimpeiros. As pressões da associação obrigaram o governo federal a instalar na localidade a Fundação de Assistência ao Garimpeiro (FAG), demonstrando assim a elevada influência da vila à época. Neste período surge um vilarejo próximo ao São Félix, a Vila do Espírito Santo, que também concentrava garimpeiros.[7]

Com a mecanização da lavra, que passou a utilizar bombas para secar os canais naturais do rio Tocantins, cujo leito havia muitas gemas, a escala produtiva de diamantes e cristais aumentou substancialmente. A partir de 1940 os garimpos de diamantes passam a utilizar escafandros para prospecção e extração submersa. A extração desenfreada precipitou a exaustão das gemas no Tocantins. Após o fim da 2ª Guerra Mundial, a produção dos garimpos cai, até que nos fins da década de 1950 praticamente inexiste, levando a vila a uma profunda crise.[4][6]

Mesmo com a crise, a vila de São Félix servia como área de abrigo durante as enchentes que atingem a Velha Marabá anualmente.[5]

1947-1969[editar | editar código-fonte]

A queda na produção de gemas a partir de 1947 deixou o povoado de São Félix em situação econômica difícil. Muitos dos estabelecimentos comerciais fecharam, e a Fundação de Assistência ao Garimpeiro (FAG) encerrou suas atividades. Houve um esvaziamento populacional, com grande parte dos antigos moradores mudando-se para a Velha Marabá.[7]

Na década de 1950, São Félix tornou-se uma vila de pescadores e extratores silvícolas, recuperando parte de sua importância econômica. Graças a sua localização, dentro das terras dos povos Gavião, havia grande abundância de recursos vegetais em seu entorno, entretanto a relação entre indígenas e extrativistas era conflituosa.[4]

Já na década de 1960, tanto a vila de São Félix, quanto a vila do Espírito Santo haviam se recuperado economicamente, sendo assim de vital importância para Marabá, pois localizavam-se numa área rica em castanhais e dentro dos territórios indígenas.[5]

A PA-70 e a Ponte Mista[editar | editar código-fonte]

Em 1969 acontece a maior mudança estrutural do então vilarejo. Neste ano é inaugurada a PA-70, com o trecho final desta localizando-se exatamente na vila de São Félix. A rodovia ligava Marabá à rodovia Belém-Brasília, e foi o primeiro tronco de ligação do sudeste do Pará com o restante do Brasil.[8]

Como não havia ponte para que fosse feita a travessia sobre o rio Tocantins, um sistema de balsas foi montado ligando o São Félix à futura área da Nova Marabá. Graças a isto houve um florescimento de atividades comerciais e de serviços na vila de São Félix. Em pouco tempo a vila já superava a população pré-crise dos diamantes em 1947.[8][5]

Em janeiro de 1984 é iniciada a construção da Ponte Mista de Marabá, que viria servir para escoar a produção mineral pela Estrada de Ferro Carajás, além de servir como travessia rodoviária, em substituição a travessia por balsas. Em 28 de fevereiro de 1985 a Ponte Mista é inaugurada, ligando por rodovia pela primeira vez a vila de São Félix e a Nova Marabá, e desta última à Velha Marabá, até então o centro da cidade.[6]

Expansão[editar | editar código-fonte]

A construção da Ponte Mista permitiu um maior fluxo de pessoas, mercadorias e serviços entre a região central de Marabá e a vila de São Félix.[8]

Em 1987 surge a primeira ocupação fora dos limites do que hoje é conhecido como São Félix I (São Félix Pioneiro), dando assim início ao atual bairro do São Félix II. Este novo bairro caracteriza-se pela ocupação ao longo da rodovia e pela não vulnerabilidade à enchentes (parte do São Félix I é afligido por enchentes). Em 1989 são iniciadas as primeiras ocupações na área do atual bairro São Félix III, também caracterizado por sua ocupação ao logo da rodovia e da grande distância em relação ao rio Tocantins.[8]

Na década de 1990 as ocupações de São Félix I, II, e III são finalmente integradas à grade municipal, sendo reconhecidas como bairros. Ao mesmo tempo, são estabelecidas as primeiras linhas regulares de transporte urbano (ônibus coletivo) ligado os três bairros à Velha Marabá.

A partir do ano 2000 inicia-se a ocupação na área que hoje é conhecida como Novo São Félix, e desde 2006 são organizados os primeiros empreendimentos residências particulares, com destaque neste sentido aos bairros Novo Progresso, Vale do Tocantins, Francolândia e Paris.[9]

Em 2006, o plano diretor municipal elevou oficialmente a área de São Félix à categoria de distrito, dando a este a definição de "distrito de expansão", compartilhando a mesma condição com o distrito de Morada Nova.[2]

Grade urbana[editar | editar código-fonte]

Rodovia BR-155 cortando parte do centro comercial do distrito, no bairro de São Félix III.

Assim como o distrito da Cidade Nova, seu povoamento beneficiou-se da topografia, não vulnerável à enchentes anuais, e pelo parcelamento em quadrícula.[4]

Mesmo tendo uma ocupação espontânea em boa parte de sua existência, o distrito apresenta uma repartição urbana razoável. Divide-se em três áreas distintas: central, intermediária e de expansão.[3]

Área central[editar | editar código-fonte]

A área central do distrito é caracterizada pela porção de ocupação mais antiga deste. Compõem a área central do São Félix os seguintes bairros: São Félix I, São Félix II, São Félix III e Novo Progresso.[3]

Os bairros São Félix II e III são de fato o centro comercial do distrito, concentrado o comércio, os serviços e as instituições educacionais e administrativas.[8]

Área intermediária[editar | editar código-fonte]

A área intermediária do distrito é composta pelos bairros de Paris, Vale do Tocantins e Magalhães. Os dois últimos são bairros planejados, erguidos no seio do programa Minha Casa, Minha Vida.[8]

Área de expansão[editar | editar código-fonte]

A área de expansão do São Félix, embora de ocupação recente, ocupa mais de 35% da grade urbana do São Félix. É composta pelos seguintes bairros: Geladinho, Novo São Félix e Francolândia.[3]

O bairro do Geladinho embora seja uma ocupação muito antiga no distrito, não apresenta contornos urbanos visíveis, além de sofrer direta e indiretamente com os efeitos de enchentes que atingem a cidade de Marabá.[10]

Referências

  1. ALMEIDA, José Jonas (2008). A cidade de Marabá sob o impacto dos projetos governamentais. [S.l.]: USP 
  2. a b c «Relatório de Avaliação de PDP – Município de Marabá» (PDF). Ministério das Cidades 
  3. a b c d «Lei Nº. 17.213 de 09 de Outubro de 2006: Institui o Plano Diretor Participativo do Município de Marabá, cria o Conselho Gestor do Plano Diretor e dá outras providências.» (PDF). Secretaria de Estado de Integração Regional, Desenvolvimento Urbano e Metropolitano 
  4. a b c d «A influência do governo federal sobre cidades na Amazônia: os casos de Marabá e Medicilândia». Núcleo de Altos Estudos Amazônicos/Periódicos UFPA 
  5. a b c d e VELHO, Otávio (2009). Frentes de Expansão e Estrutura Agrária:estudo do processo de penetração numa área da Transamazônica. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais 
  6. a b c DA SILVA, Idelma Santiago. «Migração e Cultura no Sudeste do Pará: Marabá (1968-1988)» (PDF). Pós-História UFG 
  7. a b «Marabá: A Fundação da Cidade». Maragusa 
  8. a b c d e f MORAES, Lindalva Canaan Jorge. «Abastecimento de Água na Cidade de Marabá- Pará» (PDF). Núcleo de Meio Ambiente (NUMA/UFPA) 
  9. «Beneficiários são convidados para assinar contratos de casas populares». Jus Brasil 
  10. GALVÃO, Francisca de Calvares (2002). Os impactos das atividades de lazer no bairro São Félix: um estudo sobre o povoado Geladinho. Marabá: Universidade Federal do Pará