São João de Caruaru

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São João de Caruaru - O Maior e Melhor São João do Mundo
Pátio de Eventos Luiz Gonzaga durante a edição de 2016 do São João de Caruaru.
Período de atividade XIX à atualidade
Fundador(es) Prefeitura de Caruaru
Local(is) Caruaru, Pernambuco, Brasil
Data(s) 04 de junho a 02 de julho de 2022
Gênero(s) Forró e música sertaneja
Página oficial saojoao.caruaru.pe.gov.br
São João de Caruaru homenageia o grande artista pernambucano, Luiz Gonzaga - que eternizou o nome da cidade em suas canções.

O Maior e Melhor São João do Mundo, o São João de Caruaru, é a maior festa junina do mundo e maior festa regional a céu aberto, sediada no município de Caruaru, em Pernambuco, Brasil. A cidade de Caruaru também é valorizada pelo título de Capital Mundial do Forró, aumentando a importância deste evento. A festa do Nordeste conta com 30 dias intensos de comemorações, se estendendo por todo o mês de junho até julho, atraindo milhares de turistas de todo o Brasil e do exterior. Na Princesinha do Agreste são oferecidos atrativos como quadrilhas juninas, fogos de artifício, fogueira e iguarias tradicionais à base de milho e muito forró.[1].

História[editar | editar código-fonte]

A história de como começou o São João está diretamente ligada a história de surgimento de Caruaru, já que as festas juninas eram celebradas na época em que Caruaru era apenas uma vila. Segundo o historiador Wamiré, as festas juninas eram festas rurais, celebradas ainda na época da vila e por isso não há registros que especifiquem uma data ou ano que a festa tenha começado.

Nelson Barbalho em seu livro 'Caruaru de vila à cidade'[2], cita os festejos juninos de 1854 e 1856 (ainda na época da Vila) como "muito animados". Há registros, de que em 1920, o governador do Estado transferiu sua residência para Caruaru no período junino, de onde realizou os despachos oficiais. Nessa mesma década, e, na seguinte, encontramos descrição de programações juninas em clubes sociais como na sede do Central Sport Club e do Casino Caruaruense, com bailes, recitais de poesia e nenhuma referência a ritmos ligados ao forró", explicou o historiador.

Walmiré também afirma que até os anos de 1950, os maiores festejos eram realizados em sítios e fazendas em regiões ao redor da cidade, mas já apresentavam características bem parecidas com as festas juninas tradicionais com quadrilhas, fogueiras, música e comida. Em seguida, na década de 1960, as ruas da cidade começam a ser enfeitadas pelos moradores que também investiam em festejos juninos tradicionais.

"Os próprios moradores interditavam uma rua, coisa que era muito comum, menos burocrática, e mais espontânea. Essas ruas faziam pequenos arraiais, os homens construíam as palhoças, as mulheres se reuniam numa determinada casa, ou cada uma fazia parte da comida, e as crianças ajudavam na decoração dessa palhoça. Alguns colocavam um som mecânico, uma radiola, e quem tinha mais condições contratava um trio de forró ou uma banda de pífanos", relatou Walmiré.

A partir disso, começam a ser realizados concursos de ruas mais enfeitadas e concursos de quadrilha patrocinados por empresas e rádios locais, com as famosas caravanas de artistas. A ação estimulou o crescimento do São João de Rua e algumas ruas começaram a ficar muito famosas pelas festas como é o caso da Av. Rio de janeiro, 03 de maio, Capitão Zezé, 27 de janeiro e São Roque.[3]

O crescimento[editar | editar código-fonte]

Pátio do Forró em 2005.

O que era um evento espontâneo e tradicional, começa a ganhar olhares da prefeitura que vê na festa um potencial turístico e de crescimento. Então, a partir da década de 80, a prefeitura começa a fazer os primeiros experimentos de centralizar a festa. Principalmente por perceber que as pessoas da zona rural voltavam à cidade para celebrar o período.

"Primeiro, montou-se o 'Circo do Forró', ao lado da Casa de Cultura José Condé, no Parque 18 de Maio. Ele foi remontado depois no Espaço Cultural Tancredo Neves (que estava em construção). Em seguida, o São João passa a ser organizado na Estação Ferroviária e na Avenida Rui Barbosa, até a inauguração do Pátio de Eventos Luiz Lua Gonzaga, em 1995", explicou Walmiré.[4]

O Pátio do Forró[editar | editar código-fonte]

Pátio do Forró atualmente.

A construção do Pátio de Eventos Luiz Gonzaga, começou a ser construído aproximadamente no ano de 1993, sendo inaugurado em 1995. Conhecido como Pátio de Forró. Junto com a inauguração do local, também foi criado a Vila do Forró que ficava localizada em um setor do Pátio de Eventos.

A vila foi projetada pelo arquiteto Gilson Lima. No entanto, em 2011, a vila foi demolida, com a justificativa de que daria mais espaço para abrigar mais pessoas durante as festas de São João no Pátio.

O Pátio do Forró também abriga o Espaço Cultural Tancredo Neves e os Museus do Forró, do Barro e da Antiga Fábrica de Caroá. Além de ter uma estátua com aproximadamente 5m de altura em homenagem aos 95 anos de nascimento de Luiz Gonzaga, o rei do baião. A estátua foi construída em 2007 e fica localizada na entrada do pátio de eventos que leva o mesmo nome do artista, que fez canções que eternizaram o nome de Caruaru.[5]

Comidas gigantes[editar | editar código-fonte]

Broa Gigante, uma das comidas gigantes de Caruaru

Durante o São João é muito comum também a realização das comidas gigantes.[6] A tradição consiste em cozinhar comidas tradicionais dos festejos juninos em proporções gigantescas. De acordo com o historiador Daniel Silva o início das comidas gigantes se deu por um processo inverso ao crescimento do São João. Enquanto, o São João de Rua migrava para áreas centrais, as comidas gigantes apareciam justamente para manter a tradição de rua viva.

"Muitas pessoas que viviam na zona rural vinham para Caruaru para celebrar a festa junina, que era a festa junina da fogueira, das brincadeiras, do forró, das comidas de milho, da palhoça e da quadrilha. Mas Caruaru começou a ficar grande demais, e a festividade estava mais relacionada ao centro. Então, começa a surgir o processo contrário. As pessoas dos bairros começam a pensar 'meu São João não era assim', contou Daniel.

O historiador Walmiré, conta que a tradição começou no ano de 1999, na Rua Mestre Tota. Moradores do local se reuniram e criaram a Festa da Pamonha Gigante para animar o São João da rua. A princípio a pamonha gigante começou com 50 kg e já chegou perto dos 250 kg. Com o sucesso, outros moradores de outros bairros da cidade se mobilizaram e foram promovendo outras festas, dentro da temática.

As comidas gigantes que já passaram pela cidade foram: Maior Cuscuz do Mundo; Bolo de Milho Gigante; Maior Pé-de-moleque do Mundo; Canjica Gigante; Mungunzá Gigante; Maior Pipoca e Maior Salgadinho do Mundo; Maior Arroz Doce do Planeta; Maior Broa de Milho do Mundo; Maior Cozido de Milho do Mundo; Festival de Milho do Murici; Festa do Mungunzá; Maior Xerém com Galinha do Mundo e a Cangica Gigante de Peladas.

"Essas festas nasceram de iniciativas de moradores, na área urbana da cidade, depois, se estenderam à zona rural. Hoje, em sua maioria, contam com patrocinadores e apoio oficial e estão organizadas através da Associação dos Idealizadores das Comidas Gigantes de Caruaru", afirma Walmiré.

Atualmente[editar | editar código-fonte]

O São João de Caruaru se estende durante todo o mês de junho até o começo de julho com atrações multiculturais para todos os gostos, espalhadas em 24 polos, em todo território caruaruense.

Na última edição antes da pandemia (2019), de acordo com a CIMGE, cerca de 3,2 milhões de pessoas passaram pela cidade no São João.[7] Vale salientar que esses polos são gratuitos e descentralizados, abraçando assim a pluralidade cultural do estado e região.

No Polo Maestro Camarão acontecem shows mais intimistas dentro do Pátio de Eventos Luiz Gonzaga, vulgo Pátio do Forró. Principal palco do democrático São João de Caruaru. O famigerado Pátio do Forró possui 44 mil m² e em noites de lotação chega a receber 100 mil pessoas[8], onde já passaram artistas de renome nacional e internacional como Marília Mendonça, Alok, Wesley Safadão, Xand Avião, Matheus e Kauan entre outros.

Estação Ferroviária - Cidade Cenográfica[editar | editar código-fonte]

Próximo ao Pátio do Forró encontra-se a Estação Ferroviária[9], que abriga a cidade cenográfica junina com diversas exposições e atrações culturais como bacamarteiros, recitais, peças e claro mais forró no Polo Juarez Santiago. Mas também não pode faltar o banquete gastronômico que a época nos proporciona. Na área da Estação você consegue visitar vários food trucks e barraquinhas para se deliciar com o tempero nordestino. Mais a frente nas mediações do Grande Hotel, fica o Polo Azulão. O Polo destinado a shows mais alternativos já contou com shows de nomes como Marcelo Jeneci, Paulo Miklos, Jorge du Peixe e Academia da Berlinda.

Alto do Moura[editar | editar código-fonte]

Alto do Moura, aonde acontece a festa do Maior e Melhor São João do Mundo durante todo o dia no mês de junho.

O Maior e Melhor São João do Mundo possui festas a noite toda e durante o dia também. A festa imparável conta com o Alto do Moura para festejos diurnos.

Durante o dia, o evento é garantido no Maior Centro de Arte Figurativa da América Latina, o famoso Alto do Moura. Lá é destino certo pra quem quer aproveitar durante a tarde dos finais de semana juninos. A visita ao local rende experiências: dançar forró nos shows de nomes como Flávio José, Santana, Maciel Melo e conhecer a cultura caruaruense na emblemática casa de Mestre Vitalino.

São João na Roça[editar | editar código-fonte]

Nem só na cidade que se respira forró e tradição durante o mês. A Zona Rural também recebe o polo São João na Roça, onde os 4 distritos da cidade também recebem shows e apresentações.

Uma das marcas do São João de Caruaru é a descentralização da festa, com polos espalhados na cidade e na zona rural. O São João na Roça é ampliado, com sanfona, triângulo, zabumba, pífano, milho assado, fogueira e muito forró.

A festa na roça é uma das ações da Fundação de Cultura e Turismo para continuar a democratização do Maior e Melhor São João do Mundo. A festa acontece nas comunidades de Pau Santo, Rafael, Juá, Malhada de Barreira Queimada, Malhada de Pedras, Peladas, Cachoeira Seca, Xicuru, Terra Vermelha e Gonçalves Ferreira.[10]

Mercado Cultural Casa Rosa[editar | editar código-fonte]

Inaugurado em 2022, o Polo Casa Rosa fica localizado no Parque 18 de Maio, no coração da Feira de Caruaru, uma das maiores feiras ao ar livres do mundo. Oferece variedade gastronômica e honrando o título de Capital do Forró, o espaço oferece shows de bandas e artistas de sexta a domingo na época junina.[1]

Decorações[editar | editar código-fonte]

Decoração na estação ferroviária de Caruaru, Pernambuco.

Não existe festa junina em Caruaru sem as decorações típicas. Ao se aproximar das festas, a cidade é tomada por bandeirolas, chapeis de palha, palhoça, balões e outros encantos. Na Estação Ferroviária é montada uma uma vila cenográfica com diversas atividades.

Os caruaruenses investem nas decorações em todos os espaços. Os moradores de suas respectivas ruas se organizam e enfeitam todos os locais, abusando da criatividade. E todos os anos, as lojas e bairros recebem premiações pelas decorações, os títulos vão para aqueles com a maior e mais criativa decoração.

Festas em fotos[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «São João em Caruaru». Fundação Joaquim Nabuco. Consultado em 19 de maio de 2018 
  2. «IBGE | Biblioteca | Detalhes | Caruaru de vila a cidade : (subsidio para a historia do agreste de Pernambuco) / Nelson Barbalho. -». biblioteca.ibge.gov.br. Consultado em 26 de setembro de 2022 
  3. Aragão, Hanna (4 de junho de 2021). «Qual a origem da festa junina de Caruaru? Conheça história do maior São João do mundo». JC. Consultado em 26 de setembro de 2022 
  4. Aragão, Hanna (4 de junho de 2021). «Qual a origem da festa junina de Caruaru? Conheça história do maior São João do mundo». JC. Consultado em 26 de setembro de 2022 
  5. Caruaru, Joalline NascimentoDo G1 (16 de maio de 2016). «Conheça a história do São João de Caruaru, das ruas ao 'Pátio do Forró'». São João 2016. Consultado em 26 de setembro de 2022 
  6. Rêgo, Sarah (6 de junho de 2022). «SÃO JOÃO DE CARUARU: Confira programação das Comidas Gigantes». JC. Consultado em 26 de setembro de 2022 
  7. «São João 2019 de Caruaru: mais de 3 milhões de pessoas passaram pela festa; veja balanço». G1. Consultado em 26 de setembro de 2022 
  8. Caruaru, Lafaete VazDo G1 (19 de junho de 2016). «Aviões do Forró lota 'Pátio' e leva 100 mil pessoas ao São João de Caruaru». São João 2016. Consultado em 26 de setembro de 2022 
  9. «Visite Caruaru - Estação Ferroviária». visitecaruaru.com.br. Consultado em 26 de setembro de 2022 
  10. «São João na Roça terá 10 polos espalhados na zona rural» (em inglês). Consultado em 26 de setembro de 2022 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]