São José do Hortêncio

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Município de São José do Hortêncio
"Schness"
"Terra do aipim"
Bandeira de São José do Hortêncio
Brasão de São José do Hortêncio
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 20 de dezembro
Fundação 29 de abril de 1988 (31 anos)
Gentílico hortenciense
Lema Trabalho e honestidade
Padroeiro(a) São José
Prefeito(a) Egídio João Grohmann (PMDB)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de São José do Hortêncio
Localização de São José do Hortêncio no Rio Grande do Sul
São José do Hortêncio está localizado em: Brasil
São José do Hortêncio
Localização de São José do Hortêncio no Brasil
29° 31' 40" S 51° 15' 03" O29° 31' 40" S 51° 15' 03" O
Unidade federativa Rio Grande do Sul
Região intermediária

Região Geográfica Intermediária de Porto Alegre

Região imediata

Região Geográfica Imediata de Novo Hamburgo-São Leopoldo

Região metropolitana Porto Alegre
Municípios limítrofes Feliz, São Sebastião do Caí, Portão, Lindolfo Collor, Presidente Lucena, Picada Café e Linha Nova
Distância até a capital 66 km
Características geográficas
Área 63,693 km² [1]
População 4 804 hab. Estimativa IBGE/2019
Densidade 75,42 hab./km²
Altitude 100 m
Clima Subtropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,707 alto PNUD/2010
PIB R$ 128 844,19 mil IBGE/2016

São José do Hortêncio[nota 1]é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul. Localiza-se a uma latitude 29º31'50" sul e a uma longitude 51º14'53" oeste, estando a uma altitude de 100 metros, ultrapassando os 350 metros em seus pontos mais altos. Sua população estimada pelo IBGE para 1° de julho de 2019 era de 4.804 habitantes.

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima é subtropical, tendo suas estações bem definidas, com verões quentes e invernos frios. É comum a presença de "veranicos" que fazem a temperatura subir para quase 30° C por alguns dias em pleno inverno, quando também registram-se com frequência temperaturas negativas e formação de geadas.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

O município é banhado pelo Rio Cadeia e também apresenta em seu território diversos arroios e açudes.

Localização[editar | editar código-fonte]

O município está localizado na Região Geográfica Imediata de Novo Hamburgo-São Leopoldo, que pertence à Região Geográfica Intermediária de Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul.

Distante a aproximadamente 66 km da capital, sua localização privilegiada se deve ao fato do município estar localizado no Vale do Caí, entre a Região Metropolitana de Porto Alegre e a Serra Gaúcha, que juntas formam o pólo econômico do estado.

Possui ligação asfáltica com São Sebastião do Caí através da VRS-874 e com Presidente Lucena através da VRS-815.

História[editar | editar código-fonte]

O município faz parte da "velha colônia" alemã, e surgiu a partir do processo de colonização alemã, iniciada na Feitoria do Linho Cânhamo, em São Leopoldo, em 25 de julho de 1824. Em 1828, com a vinda dos primeiros imigrantes alemães, foi formado o primeiro núcleo de moradores, tendo sido o terceiro município colonizado por alemães no estado do Rio Grande do Sul, após São Leopoldo e Novo Hamburgo.

Esses imigrantes se estabeleceram e começaram a trabalhar a terra, cultivando-a e extraindo dela sua subsistência, o que fez a localidade se desenvolver com o passar dos anos.

Com o avanço da colonização, muitos descendentes desses imigrantes instalados inicialmente ali partiram para outras regiões, como: Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Argentina e Paraguai. Com isso, milhares de pessoas possuem antepassados com origem em São José do Hortêncio.

A criação do distrito com a denominação de São José do Hortêncio se deu pela Lei Provincial nº 142, de 18 de julho de 1848, e Ato Municipal nº 1, de 12 de agosto de 1892, subordinado ao município de São Sebastião do Caí. Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o distrito de São José do Hortêncio figura no município de São Sebastião do Caí. Assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937. Pelo Decreto Estadual nº 7.199, de 31 de março de 1938, o município de São Sebastião do Caí passou a denominar-se Caí. Em divisão territorial datada de 01 de julho de 1950, o distrito permanece no município de Caí. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 01 de julho de 1960.

Iniciou seu trabalho de emancipação em 1986. O plebiscito estava marcado para o dia 20 de setembro de 1987, mas a Prefeitura de Ivoti, que perderia parte de sua área, entrou com uma representação obtendo a suspensão do mesmo. Posteriormente, foi refeito o projeto da área emancipada, excluindo a área de Ivoti, o que provocou o arquivamento do Processo na Justiça. O plebiscito foi então realizado em 20 de dezembro de 1987, com a maioria dos votos favoráveis. Elevado à categoria de município com a denominação de São José do Hortêncio, pela Lei Estadual nº 8.576, de 29 de abril de 1988, desmembrado do município de São Sebastião do Caí. Constituído do distrito sede e instalado em 01 de janeiro 1989. Em divisão territorial datada de 1995, o município é constituído do distrito sede. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.

A zona rural é constituída pelas localidades de Arroio Bonito, Campestre e Capela do Rosário.

Topônimo[editar | editar código-fonte]

Inicialmente a localidade era conhecida como "Linha Portuguesa" (em alemão: Portugieserschneiss). Depois "Picada do Cadeia", "Picada do Bernardino" (em alemão: Bernardinerschneiss) e "Freguesia de São José do Hortêncio".

São José é uma homenagem ao santo padroeiro da paróquia de Hortêncio, em homenagem a Hortêncio Leite de Oliveira, um fazendeiro português que tinha suas terras localizadas na via de acesso a localidade, à época da colonização. Então, tornou-se popular dizer que ia-se para São José e que se passava pelas terras do Hortêncio. Assim, a denominação ficou estabelecida como São José do Hortêncio.

Terra do aipim[editar | editar código-fonte]

O município é conhecido como a Terra do aipim, e, por vezes, a Capital do aipim. Isso se deve pela grande produção de aipim e por este ser o principal produto agrícola municipal.

Brasão[editar | editar código-fonte]

  • A coroa, representa os três poderes: executivo, legislativo e judiciário;
  • A flor-de-lis, branca, expressa vida e paz;
  • O livro, revela a educação;
  • O chapéu com asa, indica a presença do comércio;
  • A roda escamada, valoriza nossa indústria em geral e, o couro, a indústria calçadista;
  • O minifúndio com a policultura, destaque para o aipim, para a citricultura, milho e acácia-negra;
  • A agricultura motorizada e a pecuária também salientadas;
  • As igrejas, a valorização da religião;
  • 1828 (início da colonização) e 1988 (emancipação).

Cultura[editar | editar código-fonte]

Como a etnia alemã é a predominante, as marcas da colonização estão presentes no dia-a-dia de muitos hortencienses, sendo que o dialeto Riograndenser Hunsrückisch é falado por grande parte da população.

Também há descendentes de polacos e italianos no município.

Conta com a Orquestra Municipal de São José do Hortêncio que realiza apresentações pela região.

O Grupo de Danças Folclóricas Alemãs Portugieserschneiss Volkstanzgruppe conta atualmente com seis categorias: mirim, infantil, infanto-juvenil, juvenil, adulto e casados. Envolve mais de 100 pessoas da comunidade, que com seu lema "Tanzen und lachen ist gesund" (dançar e rir é saudável) divulgam e preservam a cultura dos seus antepassados.

A culinária também é influenciada, destacando-se: cucas, roscas, bolos, bolachas, linguiça, sauerkraut (chucrute), salada de batata, entre outros.

A cultura gaúcha também é preservada, através de piquetes e centro de tradições gaúchas.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Dados do IBGE (censo de 2010) Habitantes
População total 4.094
Brancos 4.000
Pardos 76
Pretos 15
Amarelos 3
Homens 2.088
Mulheres 2.006
População urbana 2.645
População rural 1.449
Religião
Católica apostólica romana 3.364
Evangélicas 715
Outras religiosidades cristãs 7
Sem religião 3
Umbanda 3
Igreja messiânica mundial 2

Crescimento populacional[editar | editar código-fonte]

Ano População
1991 2.809
1996 3.079
2000 3.387
2007 3.864
2010 4.094
2017 (estimativa) 4.543
2018 (estimativa) 4.739
2019 (estimativa) 4.804

Indicadores sociais[editar | editar código-fonte]

São José do Hortêncio conta com ótimos indicadores sociais e de qualidade de vida. Figura entre os municípios brasileiros com as menores taxas de analfabetismo (1,37% - em 2010), índice de pobreza (2,91% - em 2010) e mortalidade infantil (0,00 por mil nascidos vivos - em 2009). Em 2000, a expectativa de vida era de 76,83 anos.

Economia[editar | editar código-fonte]

Dados do IBGE X R$ 1.000,00
PIB 1999 24.585
PIB 2000 29.627
PIB 2001 33.747
PIB 2002 38.461
PIB 2003 41.124
PIB 2004 43.235
PIB 2005 44.357
PIB 2006 48.946
PIB 2007 46.798
PIB 2008 57.218
PIB 2009 64.114
PIB 2010 77.234
PIB 2011 85.357
PIB 2012 93.015
PIB 2013 98.606
PIB 2014 119.074
PIB 2015 122.166
PIB 2016 128.844,19
PIB agropecuária 14.750,86
PIB indústria 45.823,44
PIB serviços 35.276,36
Impostos sobre produtos líquidos de subsídios 12.329,63
PIB per capita 28.606,61
Exportações totais (2010) U$ FOB 14.083.992

Agricultura[editar | editar código-fonte]

Dados do IBGE (2017) Toneladas
Abacate 20
Amendoim (em casca) 4
Arroz (em casca) 6
Batata-doce 375
Batata-inglesa 8
Cana-de-açúcar 6.120
Caqui 48
Cebola 20
Feijão (em grão) 63
Figo 96
Goiaba 30
Laranja 6.160
Limão 400
Mamão 11
Mandioca 8.960
Manga 5
Melancia 140
Melão 340
Milho (em grão) 672
Noz (fruto seco) 2
Pêssego 24
Tangerina 4.060
Tomate 250
Uva 150

Pecuária[editar | editar código-fonte]

Dados do IBGE (2017) Quantidade
Bovinos 2.875
Vacas ordenhadas 360
Leite de vaca (litros) 898.000
Bubalinos 70
Caprinos 4
Equinos 57
Codornas 550
Ovos de codorna (dúzias) 10.000
Galináceos (total) 164.000
Galináceos (galinhas) 20.000
Ovos de galinha (dúzias) 426.000
Ovinos 70
Ovinos tosquiados 65
Lã (kg) 160
Suínos 1.192
Suínos (matrizes) 44
Mel de abelha (kg) 8.000
Carpa (kg) 12.000
Tilápia (kg) 1.700

Extrativismo vegetal[editar | editar código-fonte]

Dados do IBGE (2017) Produção
Acácia-negra (casca - toneladas) 350
Carvão vegetal (toneladas) 700
Eucalipto (área em ha) 210
Outras espécies (área em ha) 1.300
Lenha (m³) 13.500
Madeira em tora (m³) 480

Indústria[editar | editar código-fonte]

As indústrias são variadas: envase de água mineral natural, calçados e componentes, curtume, óleos vegetais, massa vidraceira, móveis, madeireira, carvão vegetal, agroindústria e de alimentos.

O município possui um Distrito Industrial.

Frota de veículos[editar | editar código-fonte]

Dados do DETRAN/RS (julho de 2019) Veículos
Automóvel 1.869
Motocicleta, motoneta e ciclomotor 480
Caminhão e caminhão trator 242
Reboque 133
Ônibus e microônibus 40
Trator 15
Utilitário, caminhonete e camioneta 383
Outro 3
TOTAL 3.165

Turismo[editar | editar código-fonte]

Vista a partir da antiga Escola Paroquial São José.

O município faz parte da região turística do Vale da Felicidade. Mas, embora tenha potencial para receber visitantes, tem seu turismo ainda pouco explorado.

A Avenida Mathias Steffens é a única do município, sendo a maior avenida de toda a região, totalmente pavimentada e sem buracos ou remendos. Nela encontram-se grande parte do comércio, indústrias e serviços.

O Morro Grande fica localizado ao norte do município, e dele têm se uma bela vista panorâmica do município e da região.

O Balneário Municipal do Rio Cadeia, bem como todo o trajeto que o rio percorre no município, são muito procurados no verão por pessoas de diversos municípios da região para banho, pesca e lazer. Junto ao balneário, fica a Ponte de Ferro Engenheiro Daniel Ribeiro, ponte de ferro construída em 1961, na divisa com Presidente Lucena. Também sobre o mesmo rio, em Capela do Rosário, fica a Pinguela, ponte pênsil centenária.

Na arquitetura, encontram-se antigas construções entre casas, igrejas e moinhos, datados a partir da década de 1840. Destacam-se prédios em estilo enxaimel, jesuítico, canônico e eclético.

A Igreja Católica Matriz São José possui uma torre de 28 metros de altura. Sua paróquia foi fundada em 18 de julho de 1848, sendo uma das mais antigas do estado. Em frente à ela, situa-se o Monumento ao Centenário de Colonização Alemã, que marca os 100 anos da colonização alemã no município (1828-1928). Uma das principais atividades da comunidade é a festa em honra ao padroeiro São José, celebrada em março. Em frente à mesma igreja, está a Sociedade Cultural União São José. Fundada em 1849, é a sociedade mais antiga do estado do Rio Grande do Sul.

A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil do Centro teve seu templo construído em 1856.

A Praça Municipal dos Imigrantes foi construída sobre um antigo cemitério e, em homenagem às pessoas sepultadas no local, foi erguida uma placa com os nomes e datas dos mesmos, muitos dos quais imigrantes.

Outras igrejas: Católica Exaltação da Santa Cruz (Campestre), Católica Nossa Senhora do Rosário (Capela do Rosário), Evangélica de Confissão Luterana da Paz (Arroio Bonito), Evangélica Assembléia de Deus (Centro).

No Parque Municipal de Eventos são realizados muitos dos principais eventos do município, dentre eles bailes, encontros de grupos de danças, corais e idosos, apresentações, Feira Municipal do Livro e das Artes e a maior festa do município, a Festa Municipal do Aipim.

Festa Municipal do Aipim[editar | editar código-fonte]

Teve origem em 1985, quando foi realizada primeiramente na Sociedade Cultural União São Jacob. A festa foi criada oficialmente através da Lei n° 17, de 06 de abril de 1989.

A tradicional festa é realizada a cada biênio no mês de abril para comemorar a boa safra, atraindo milhares de visitantes da região e do estado.

Conta com apresentações culturais, show de fogos, competição de motocross, juramento à bandeira, feira comercial e industrial, parque de diversões, exposição de aipim, praça de alimentação, culinária à base de aipim, shows de bandas locais e nacionais.

Notas

Referências

  1. IBGE (12 set. 2019). «Área territorial oficial». Consultado em 12 set. 2019 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • SCHUPP, Pe. Ambros. A Missão dos Jesuítas Alemães no Rio Grande do Sul. Coleção Fisionomia Gaúcha, num. 4. Editora Unisinos, São Leopoldo, 2004.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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