São Paulo Fashion Week

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São Paulo Fashion Week
Fundação 1995 (21 anos)
Fundador(es) Paulo Borges
Sede São Paulo
Presidente Grupo Luminosidade
Página oficial Portal FFW

São Paulo Fashion Week (SPFW) é o maior evento de moda do Brasil e o mais importante da América Latina e a quinta maior semana de moda do mundo, depois das de Paris, Milão, Nova York e Londres[1].

O SPFW acontece de modo semi-anual, reunindo estilistas e grifes brasileiras, super modelos, celebridades, grandes mídias, convidados e importantes compradores do universo fashion.

Após anos de sucesso, o evento se consolidou como uma forma de convivência para que diversas marcas brasileiras do mundo fashion participem do ambiente de inovação do mundo da moda.

A sua mais recente edição foi a 41ª, que aconteceu entre os dias 25 e 29 de abril de 2016, no Parque do Ibirapuera e contou com 37 desfiles. Dessa vez, as criações dos estilistas não foram dependentes das estações do ano e novas marcas aproveitaram o espaço para estrear no evento, como a A.Brand, À La Garçonne, Amir Slama, Vix, Murilo Lomas e Cotton Project. O tema principal dessa edição foi "Mãos que Valem Ouro", com o objetivo de celebrar "a capacidade humana de se repensar, de colocar a mão na massa, se reinventar e recomeçar".[2]

A 42ª semana de moda do Brasil acontecerá entre os dias 24 a 28 de outubro de 2016 e, como na última edição, será independente às estações. Além disso, o SPFW se tornou a primeira semana de moda do mundo a aproximar os seus desfiles aos lançamentos de varejo. A partir de 2017, o evento acontecerá nos meses de fevereiro e julho/agosto, datas que novas coleções de roupas chegam nas lojas para o consumidor.[3]

História[editar | editar código-fonte]

Em 1995, o produtor de eventos Paulo Borges e a empresária Cristiana Arcangeli, dona da marca de cosméticos Phytoervas, firmaram uma parceria para iniciarem um evento de moda. Assim, naquela época, o SPFW tinha o nome de Phytoervas Fashion. Na época, o Brasil não tinha nenhuma semana de moda e suas tendências eram espelhadas na Europa, com muitas importações do exterior.[4] Paulo Borges tinha o desejo de fazer com que os estilistas brasileiros fossem reconhecidos pelas suas criações e Cristiana Arcangeli, por sua vez, declarou que a sua intenção com a parceria era apenas de divulgar sua empresa.[5]Era necessário que, uma moda essencialmente brasileira, inspirada na cultura do próprio país, fosse criada e reconhecida.

Foi em 1994 que aconteceu a primeira edição do Phytoervas Fashion, em um galpão da Vila Olímpia, em São Paulo, e reuniu nomes que atualmente são grandes referências na indústria da moda brasileira. Com duração de três dias e três desfiles, os estilistas que participaram do evento foram Walter Rodrigues, Sonia Maalouli e Alexandre Herchcovitch, respectivamente. Além destes nomes, Glória Coelho e Ronaldo Fraga também começaram sua carreira durante as edições dos desfiles.

Em 1998, Paulo Borges decidiu se desligar da empresa Phytoervas e com sua empresa, o Grupo Luminosidade, fechou outra parceria, desta vez com o Shopping Morumbi. Assim, o evento agora recebia o nome de Morumbi Fashion Week, com 7 desfiles por dia e apresentando 31 marcas, o objetivo era consolidar o calendário de moda brasileira.

No ano seguinte, em 1997, a marca Phytoervas Fashion foi transformado em uma competição e se chamava Phytoervas Fashion Award. Estilistas, jornalistas e publicitários eram premiados no evento que tinha duas edições por ano. Em 1998, a modelo Gisele Bündchen ganhou o prêmio de melhor modelo do Brasil, encerrando as atividades da premiação.[6]

Gisele Bundchen, uma das modelos brasileiras de maior sucesso na São Paulo Fashion Week, desfilando pela Colcci.

Em 1999, o canal de televisão norte-americano E! Entertainment Television começou a cobrir o Morumbi Fashion Week. Nesta edição, a modelo inglesa Kate Moss desfilou para a coleção de verão da grife Ellus, atraindo um grande número de público presente. Entre 1998 e 2000, diversas marcas internacionais como Chanel, Versace e Gucci começaram a abrir lojas no Brasil. Esse fato trouxe uma mudança significativa para a indústria têxtil do país. Impactados pela abertura da economia, promovida pelo Governo Collor, os empresários brasileiros se viram prontos para investir em tecnologia de ponta, maquinário e mão-de-obra especializada, para renovar e qualificar o mercado nacional, bem como se preparar para concorrer com o mercado internacional, que começava a se instalar no Brasil.

Profissionais de diversos áreas, como: estilistas, produtores, modelos, patrocinadores, tecelagens, jornalistas, agências, indústrias e técnicos se profissionalizaram e ganharam espaço no nicho da moda, graças a criação da semana de moda. Foi nesse período que começaram a surgir as supermodelos brasileiras, como Shirley Mallmann, Gisele Bündchen, Isabeli Fontana, Adriana Lima, Alessandra Ambrósio, dentre outras. Hoje, todas elas têm carreira e fama internacional, que trouxeram maior renome e prestígio ao evento. Foi também durante esses anos que muitas marcas brasileiras como Fórum, Triton, Ellus, Zoomp, Zapping, Maria Bonita, Reinaldo Lourenço, Glória Coelho, Alexandre Herchcovitch, Amir Slama, Jum Nakao, Walter Rodrigues, Iódice e Fause Haten começaram a ter fama internacionalmente.

Foi no ano de 2001, apenas, que a semana de moda brasileira passou a se chamar São Paulo Fashion Week, como é conhecida atualmente. No primeiro ano como SPFW, o evento recebeu a coleção de verão da grife Swarovski, que trouxe de Nova Iorque peças de ornamentos feitos com pedrarias, criadas pelas marcas Dolce & Gabbana, Alexander McQueen e Vivienne Westwood, o que acabou provando que o Brasil estava preparado para realizar uma semana de moda de grande porte e ganhar status respeitável no exterior.[7]

Em 2008, o Grupo Luminosidade se associou a empresa holding InBrands. A partir da ação, começaram a promover a SPFW em conjunto. A parceria proporcionou um número maior de investidores e patrocinadores para o evento, movimentando ainda mais o mercado fashion brasileiro.

No ano de 2013, os desfiles de primavera-verão, que aconteciam em junho, foram transferidos para março e os desfiles de outono-inverno, que aconteciam em janeiro, foram transferidos para outubro. Desde então, os desfiles passaram a ocorrer 6 meses antes das peças chegarem às lojas, possibilitando, assim, uma melhoria na produção, logística e distribuição das marcas que desfilam no evento.

Entretanto, a próxima Semana de Moda que acontecerá em outubro de 2016 será a última edição a seguir este calendário. Em maio de 2016, o idealizador do evento, Paulo Borges, anunciou que a SPFW iria se desprender das estações do ano e adotar o movimento "see now, buy now" (veja agora, compre agora)[8]. Com a velocidade imposta pelas redes sociais, novo formato "see now, buy now" visa se aproximar das gerações Y e Z e saciar um desejo de consumo imediato. O modelo ainda está em processo de experimentação em escala global e divide a opinião de estilistas. [9]Alguns exemplos de grifes internacionais que já adotaram o modelo são a Burberry e Tom Ford.

A edição de maio de 2016 abandonou a nomenclatura Verão 2017 e se tornou SPFW N41, fazendo referência a 41ª vez que o evento acontece. Assim, os estilistas não precisam mais apresentar obrigatoriamente uma coleção dividida por estação. Nessa mesma edição, a Riachuelo apresentou as peças da coleção assinada por Karl Lagerfeld e, logo após o desfile, montou uma loja na passarela para que os produtos pudessem ser comprados na hora. As duas 2000 peças disponíveis se esgotaram em menos de uma hora.[10]

O próximo passo vai acontecer em 2017, quando as datas do evento semi-anual deixam de ser em maio e outubro e começam a acontecer em fevereiro e junho. Portanto, logo depois de desfiladas, as coleções vistas já estarão nas lojas. Para isso acontecer e o produto ser entregue a tempo, compradores e a imprensa terão acesso as roupas antes - e precisarão se comprometer a não divulgar nada com um contrato de embargo. [11]

Importância do evento[editar | editar código-fonte]

No decorrer dos anos, os investimentos no evento cresceram de R$ 600 mil em sua primeira edição para mais de R$5 milhões por edição. Também houve um aumento significativo do número de estilistas que participam do evento: de 21 para 34 participantes. Por isso, hoje a SPFW é o evento de moda mais importante da América Latina e do Hemisfério Sul e aparece entre as cinco mais importantes semanas de moda do mundo, ao lado de Paris, Milão, Nova Iorque e Londres.[12]

Grandes veículos jornalísticos internacionais já fizeram e/ou fazem ainda hoje a cobertura dos desfiles, como Vogue, Elle, Vanity Fair, Harper's Bazaar e Cosmopolitan. Na imprensa brasileira, o evento conta hoje com mais de 2 mil profissionais para fazer a cobertura jornalística - nos primeiros anos, apenas 250 jornalistas a fizeram.[12]

Algumas das modelos mais famosas do mundo como Naomi Campbell, Candice Swanepoel, Karolina Kurkova e Kate Moss já desfilaram no evento. O objetivo da São Paulo Fashion Week não é apenas de divulgar o trabalho dos criadores brasileiros, mas também de organizar a produção de moda do Brasil, tornar os desfiles do país internacionais e potencializar novos negócios no setor.[12]

Como mostram os índices pesquisados pelo Observatório do Turismo[13], o evento movimenta diversos setores da cidade, tais como gastronomia, varejo, hotelaria, transporte e serviços. O setor da moda e beleza gera empregos a partir das demandas da semana, que traz turistas, compradores e jornalistas.

  • Em 2001, Ronaldo Fraga fez tributo à Zuzu Angel. Sua coleção foi premiada pela Associação da Indústria Têxtil, fazendo um marco na história da SPFW.[6]
  • O tema do evento em 2002 era a identidade brasileira e a marca Poko Pano fez um casting onde 95% dos modelos eram negros, também entrando em uma das grandes conquistas da semana de moda, rompendo a barreira de preconceitos raciais nesse universo.[6]
  • O estilista Jum Nakao é responsável por um dos desfiles mais históricos da São Paulo Fashion Week. Em 2004, Nakao criou elaboradas peças de roupas confeccionadas em papel vegetal em diversas gramaturas e que foram modeladas sobre os corpos das modelos, com reproduções de rendas e gravações em altos e baixos relevos. Com meia tonelada de papel consumidas e mais de 700 horas de trabalho, o desfile terminou com as modelos em cena destruindo os vestidos na passarela, o que fazia parte da performance.[14]
  • No ano de 2006, Karlla Girotto fez um desfile sem modelos. As roupas estavam em cabides presos a balões.[6]
  • Já em 2008, uma modelo nu tomou banho na passarela durante o desfile da marca Rosa Chá, do estilista Amir Slama.[6]
  • Em 2009, comemorou-se o centenário de Carmem Miranda e a SPFW exibiu uma exposição com figurinos da artista.[6]
  • A fim de promover a sustentabilidade, a estilista Glória Coelho posicionou 120 painéis solares na semana de moda de 2010.[15]
  • A abertura da SPFW em 2013 foi na linha verde do metrô de São Paulo.[16]
  • Em 2014, durante o desfile da Fause Hauten, os figurinos das modelos eram montados ao vivo.[17]
  • Em 2015, Gisele Büdchen se despediu das passarelas durante o desfile da Colcci. Assim, a modelo se aposentou dos desfiles.[18]
  • Em 2016, houve a primeira série de transmissões ao vivo e vídeos completos dos desfiles com a tecnologia 360º, ambos foram transmitidos na página oficial do evento no Facebook. [19] Outro destaque foi o desfile de Ronaldo Fraga, que levantou o debate sobre intolerância ao incluir cinco refugiados na passarela. [20]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://www.nytimes.com/2011/11/11/fashion/a-fashion-identity-beyond-the-beach.html?scp=9&sq=sao%20paulo%20city&st=cse
  2. «SPFW - São Paulo Fashion Week - N41». SPFW. Consultado em 2016-09-09. 
  3. «SPFW anuncia data da sua próxima edição, em outubro // FFW». 2016-06-08. Consultado em 2016-09-09. 
  4. «A origem do SPFW». sp.fashionweek.com.br. Consultado em 2016-09-09. 
  5. «A história do SPFW e o crescimento da moda brasileira». 2015-10-14. Consultado em 2016-09-09. 
  6. a b c d e f «A história da São Paulo Fashion Week». STYLIGHT. Consultado em 2016-09-09. 
  7. «São Paulo Fashion Week 15 anos de história». www.portaisdamoda.com.br. Consultado em 2016-09-09. 
  8. «Na crise, moda investe no modelo 'veja agora, compre agora' - Vida & Estilo - Estadão». Consultado em 2016-09-13. 
  9. Monteiro, Gabriel (2016-04-11). «Raf Simons fala sobre o “see now, buy now” e as mídias sociais». ELLE Brasil. Consultado em 2016-09-14. 
  10. Riachuelo vende 2 000 peças em quarenta minutos, Reportagem Veja São Paulo consultada em 2016-09-14.
  11. Camargo, Pedro (2016-03-04). «Paulo Borges fala à ELLE sobre as mudanças no calendário do SPFW». ELLE Brasil. Consultado em 2016-09-13. 
  12. a b c «São Paulo Fashion Week». tpeventos.com.br. Consultado em 2016-09-09. 
  13. «Observatório do Turismo» (PDF). 
  14. «Jum Nakao A Costura do Invisível (Brasil)». www.jumnakao.com. Consultado em 2016-09-09. 
  15. «Energia solar ilumina desfile de Gloria Coelho». Consultado em 2016-09-09. 
  16. «Desfile no metrô pra começar o SPFW - Lilian Pacce». 2013-10-28. Consultado em 2016-09-09. 
  17. «Desfile FH por Fause Haten no SPFW Inverno 2014 - SPFW - Especiais - GNT». Consultado em 2016-09-09. 
  18. «Gisele Bündchen faz, em São Paulo, último desfile da carreira». 2015-04-15. Consultado em 2016-09-09. 
  19. Página da SPFW no Facebook, Consultada em 2016-09-14.
  20. Estreias, refugiados, slow fashion: os melhores momentos do SPFW N41, Consultada em 2016-09-14.


Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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