São Vicente da Beira

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Portugal Portugal São Vicente da Beira 
  Freguesia  
Brasão de armas de São Vicente da Beira
Brasão de armas
São Vicente da Beira está localizado em: Portugal Continental
São Vicente da Beira
Localização de São Vicente da Beira em Portugal
Coordenadas 40° 02' 15" N 7° 33' 44" O
País Portugal Portugal
Região Centro (Região das Beiras)
Sub-região Beira Interior Sul
Província Beira Baixa
Concelho Coat of Arms of Castelo Branco.png Castelo Branco
Administração
 - Tipo Junta de freguesia
 - Presidente Vítor Manuel Ribeiro Louro (PS)
Área
 - Total 100 55 km² km²
População (2011[1])
 - Total 1 259
    • Densidade 12,5/km2 hab./km²
Gentílico Vicentino
Código postal 6005-270
Orago São Vicente
Sítio http://jfsvbeira.blogspot.com/?spref=fb

São Vicente da Beira é uma freguesia portuguesa do concelho de Castelo Branco, na província da Beira Baixa, região do Centro (Região das Beiras) e sub-região da Beira Interior Sul, com 100 km² de área e 1 259 habitantes (2011). A sua densidade populacional é de 12,6 hab/km², Foi vila e sede de concelho entre 1195 e 1895[2].

O concelho era inicialmente constituído pelas freguesias de Freixial do Campo, Louriçal do Campo, Ninho do Açor, São Vicente da Beira, Sobral do Campo e Tinalhas. Tinha, em 1801, 3 326 habitantes.

Em 1836 foram-lhe anexadas as freguesias de Almaceda e Póvoa de Rio de Moinhos. Tinha, em 1849, 6 466 habitantes.

Ao longo da segunda metade do século XIX, perdeu as freguesias de Freixial do Campo e de Póvoa de Rio de Moinhos, em 1871, e de Sobral do Campo e Tinalhas, em 1877. Tinha, em 1890, 5 906 habitantes.

Localização no Concelho de Castelo Branco

População[editar | editar código-fonte]

População da freguesia de São Vicente da Beira [3]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
2 186 2 336 2 844 2 803 3 282 3 013 3 239 4 000 4 185 3 881 2 501 2 265 1 871 1 597 1 259

Evolução da População (1864 / 2011) Grupos Etários (2001 e 2011) Grupos Etários (2001 e 2011)

Localização[editar | editar código-fonte]

A vila situa-se na Beira Baixa, no sopé da Serra da Gardunha, a uma altitude de 700 metros. Dista cerca de 30 km da sede Concelho e capital de distrito, Castelo Branco.

Tem como via de acesso directo, a Auto Estrada (A23) que posteriormente fornece ligação à N352, que liga com a Vila de São Vicente da Beira. A saída a utilizar na A23 é a que indica a direcção de Alcains, logo após a Estação de Serviço no sentido Sul-Norte

Freguesia[editar | editar código-fonte]

A freguesia é composta por 10 localidades, todas de características predominantemente rurais.

  • Casal da Fraga
  • Casal da Serra
  • Mourelo
  • Paradanta
  • Partida
  • Pereiros
  • São Vicente da Beira
  • Tripeiro
  • Vale de Figueiras
  • Violeiro

História[editar | editar código-fonte]

De fundação remota, perde-se nos tempos o que foi o início de uma pequena povoação no local em que se encontra hoje a Vila de São Vicente da Beira.

Segundo registos históricos, foi a mesma fundada (oficialmente) em 1173, tendo-lhe sido dado foral em 1195 pelo Príncipe Afonso (futuro D.Afonso II de Portugal) dizem uns, e por D.Sancho I de Portugal (dizem outros) com a finalidade de ser restaurada e repovoada.

Segundo lenda que passou de geração em geração, D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal, concedeu ao povo alguns privilégios para a edificação da vila (de nome desconhecido), e logo que a tarefa da reconstrução ficou concluída, foram oferecer a povoação ao Rei, que lhe deu o nome de SÃO VICENTE, por naquele dia se estar a fazer a trasladação dos restos mortais do Mártir São Vicente em 1173. O Rei, em gesto de gratidão, doou uma relíquia do Santo (parte do queixo), que ainda hoje se encontra na igreja matriz. Do livro "BEIRA BAIXA", de M. Lopes Marcelo, editado pela Editorial Presença, podemos retirar apontamento da lenda da fundação, descrito pelo vigário de São Vicente em 4 de Abril de 1758:

«Entre muntos, e amplos privilégios lhe assinou (D. Afonso Henriques) o sítio ahonde está edificada a villa para no mesmo a fundarem, o que fizeram, e depois de edificada, e já povoada a foram offerecer ao mesmo Senhor em o dia em que se tresladava o corpo do Martiry Sam Vicente da Igreja de Santa Justa para a Sée de Lisboa, por motivo do qual o dito Senhor Rey, aceitando a villa lhe seu por nome = Sam Vicente = querendo que o Santo Martiry fose da mesma villa Padroeiro, dando aos mesmos moradores della parte do queixo que hoje se venera na dita villa; e lhe confirmou na mesma ocasiam grandes privilégios e izempçoens, com a condiçam de que todos os annos irem ao dito Castello Velho, camera, e povo, afim de se conservar sempre em ser para memoria do sucedido; o que se observou por muntos annos, e o descuido dos moradores foy cauza para se perderem os ditos privilégios, deixando de satisfazer a condiçam com que foram dados. Está o dito Castello no meyoda Serra, virado para o Nascente.»

  • Condes de São Vicente
Foram condes de São Vicente (São Vicente da Beira)
  1. João Nunes da Cunha, 1º conde * 1619, casado com D. Isabel de Bourbon *1620
  2. D. Maria Caetana da Cunha, filha única, 2ª condessa * c. 1645, casada com Miguel Carlos de Távora, 2.º Conde de São Vicente
  3. João Alberto de Távora, seu filho, 3º conde * 1677, casado com Bernarda Josefa da Cunha de Távora
  4. Manuel Carlos de Távora, seu irmão, 4º conde * 1682, casados com D. Isabel de Noronha * 1685
  5. Miguel Carlos da Cunha Silveira e Távora, seu filho, 5º conde * 1708, casado com D. Rosa Leonarda de Ataíde * 1710
  6. Manuel Carlos da Cunha e Távora, seu filho, 6º conde * cerca de 1730, casado com D. Luisa Caetana de Lorena * 1749
  7. Miguel Carlos da Cunha Silveira e Lorena, seu filho, 7º conde * 1775, casado com D. Isabel Fausta Cândida José de Melo e Noronha * 1778
  8. Manuel José Carlos da Cunha Silveira e Lorena, filho, 8º conde * 1807, casado com D. Joaquina José de Almada * 1798
  9. António José Carlos Manuel da Cunha Silveira e Lorena, filho, 9º conde * 1830, casado com D. Maria Carlota de Figueiredo de Figueiredo Cabral da Camara * 1895
  10. Manuel Carlos da Cunha Silveira e Lorena, primogénito, 10º conde * 1857, casado com Elisa Maria Brandão Brandão Rubio Lopez
Após a proclamação da Iª República, usaram o título particularmente, por direito histórico-familiar
  1. José Maria Carlos da Cunha Silveira e Lorena, irmão do anterior, representante desta casa (11º conde) * 1867
  2. António José Carlos da Cunha Silveira e Lorena, seu filho, sucessor na representação dos títulos de conde de São Vicente, e de conde de Carvalhais (12º conde) * 1899
  3. José Maria Carlos da Cunha Silveira e Lorena, seu filho, actual representante (13º conde) * 1932-
Sucessor presuntivo na representação familiar do condado de São Vicente;
  1. Nuno José Carlos da Cunha Silveira e Lorena, * 1974

Património[editar | editar código-fonte]

  • Pelourinho de São Vicente da Beira
  • Igreja Matriz (Nossa Senhora da Assunção)
  • Igreja da Misericórdia
  • Capelas de Santo Francisco, de S. Sebastião, de Santa Bárbara, de São Domingos (Inexistente), de Santo André (Inexistente), de S. Tiago e da Senhora dos Aflitos
  • Santuário da Nossa Senhora da Orada
  • Convento de São Francisco
  • Casa do Ermitão
  • Casas brasonadas
  • Museu de Arte Sacra
  • Hospital da Misericórdia
  • Calvário
  • Chafariz
  • Trecho de calçada romana
  • Sepulturas dos mouros
  • Moinho de água
  • Ruínas da antiga povoação e do castelo

Sociedade e Serviços[editar | editar código-fonte]

É uma das localidades mais desenvolvidas do Concelho, possuindo um vasto número de serviços, estruturas e coletividades, como Posto Médico, Farmácia, Santa Casa da Misericórdia, Posto de GNR, uma Secção de Bombeiros Voluntários de Castelo Branco, piscina pública, estabelecimento bancário, um complexo escolar com 1º, 2º e 3º ciclos, restaurante e estabelecimentos comerciais de vários tipos. A empresa mais empregadora da freguesia é a "Fonte da Fraga", que produz água engarrafada, exportada para todo o país.

Colectividades[editar | editar código-fonte]

  • Associação de Caça e Pesca "O Pisco"
  • Associação de Escoteiros de Portugal - Grupo 170
  • Associação Cultural e Recreativa Vicentina - Rancho Folclórico Vicentino
  • GEGA - Grupo de Estudos e Defesa do Património Cultural e Natural da Gardunha
  • Grupo de Bombos "Os Vicentinos"
  • Sport Clube São Vicente da Beira
  • Sociedade Filarmónica Vicentina

Personalidades Ilustres[editar | editar código-fonte]

Tem como individualidades naturais mais conhecidas:

D. Álvaro da Costa (armeiro-mor) - (c 1470 - 1540), foi um fidalgo da Casa Real portuguesa, guarda-roupa, camareiro e conselheiro do Rei D.Manuel I de Portugal, tendo inclusivamente ascendido ao cargo de armeiro-mor em 1511. É documentado na corte manuelina desde, pelo menos, 1499. Foi ainda o primeiro Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. [1]

Leonardo Nunes - (São Vicente da Beira - Castelo Branco, 21 de setembro de 1509 - naufragando em viagem ao largo da Costa Brasileira, 30 de junho de 1554), foi um padre jesuíta português, conhecido também por Abarebebê ou "padre voador", filho de Simão Alvarez Guimarães e Izabel Fernandes Guimarães.

José Hipólito Raposo (1885 - 1953) advogado, escritor, historiador e político monárquico, que se notabilizou como um dos mais destacados dirigentes do Integralismo Lusitano, filho de João Hipólito Vaz Raposo e de Maria Adelaide Gama.

Felisberto Robles Monteiro (São Vicente da Beira, 9 de setembro de 1888- Lisboa, 28 de novembro de 1958), actor e director da Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, conjuntamente com a esposa, a actriz Amélia Rey Colaço.

Heráldica[editar | editar código-fonte]

Os símbolos heráldicos de são Vicente da Beira:

O Brasão é composto “por escudo de prata, castelo negro lavrado a ouro, aberto e iluminado no campo, tendo na porta, em grande arco abatido, cavaleiro envergando armadura completa com elmo e sua montada, tudo de negro, realçado de prata; acantonados em chefe, estrela de seis pontas de azul e minguante de vermelho; em ponta, barco de negro realçado de ouro, com dois corvos de negro, o da dextra volvido, um à proa e outro na popa. Coroa mural de prata de quatro torres, listel branco e a legenda a negro de S. Vicente da Beira”.

A bandeira apresenta-se esquartelada, negro e branco, com cordão e borlas de prata e negro e haste e lança de ouro. Uma simbologia que se prende com a história da própria povoação. As quatro torres surgem pelo facto da vila ter sido concelho até ao ano de 1895 e ter vários forais, um de D. Sancho I e outro, reformulando o anterior, de D. Manuel I. Também o castelo se relaciona com a existência de um antigo castro que terá existido no alto da Serra da Gardunha e acerca do qual ainda se colocam várias questões aos investigadores e historiadores. A estrela e o crescente enquadram-se nos símbolos dado que se terá travado, nas proximidades desta localidade, uma batalha entre os Cristãos que habitavam o antigo castelo e os mouros. Os Cristãos saíram vencedores e ofereceram as terras conquistadas a D. Afonso Henriques. Também da atribuição do topónimo de São Vicente, feita por este monarca à povoação em 1173 assim como as relíquias do Mártir, resulta a presença do barco e dos corvos. O cavalo e seu cavaleiro surgem pelo facto de o primeiro conde de São Vicente da Beira, que morreu no exercício das suas funções, ter participado no combate aos povos árabes, tendo sido esta região um município acastelado provido de forte organização em cavalaria-vilã.

Nª. Srª da Orada (São Vicente da Beira).jpg

Ver também[editar | editar código-fonte]

  • Nossa Senhora Da Orada
  • Lenda da Nossa Senhora da Orada
    • "Uma donzela da Vila, filha de pais honrados, foi acometida de uma moléstia que lhe fez inchar o ventre. O pai, persuadido que ela se tinha esquecido do que devia a si e aos seus, (pensou que estava grávida) a levou a um lugar cheio de matos e bosques incultos, onde havia muitos animais ferozes, decidido a expor a filha à voracidade deles. Esta, que estava inocente, implorou a misericórdia da Santíssima Virgem, a qual lhe apareceu, dizendo-lhe que não temesse nada que Ela lhe valeria. Disse-lhe que a inchação era produzida por uma cobra que se lhe havia gerado no ventre; que fosse para casa e dissesse a seu pai que mandasse aquecer um pouco de leite, e que, ao cheiro dele, sair-lhe-ia a cobra pela boca. Assim fez e o resultado foi como se esperava. O pai da donzela mandou logo construir na tal brenha onde havia exposto a filha uma ermida dedicada à Santíssima Virgem, sob o título de Nossa Senhora da Orada, em memória da oração que ali fizera a filha e na ermida colocou a pele da cobra."

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «População residente, segundo a dimensão dos lugares, população isolada, embarcada, corpo diplomático e sexo, por idade (ano a ano)». Informação no separador "Q601_Centro". Instituto Nacional de Estatística. Consultado em 28 de Fevereiro de 2014. Cópia arquivada em 4 de Dezembro de 2013 
  2. «São Vicente da Beira». Câmara Municipal de Castelo Branco. Consultado em 24 de Outubro de 2013 
  3. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  • "1700 Anos do Martírio de São Vicente", publicado em 2005 pelo GEGA. Autores: Coronel Dr. Pires Nunes e Dra. Inácia Brito