Século de Ouro Valenciano

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Página de edição de 1497 de Tirante o Branco.

O Século de Ouro Valenciano ou século de ouro das letras valencianas (Segle d'Or Valencià em língua valenciana) corresponde a um período histórico que abarca praticamente todo o século XV. Considerado um grande movimento cultural, abarca todas as ciências da época e comporta as melhores obras literárias em valenciano escritas no reino de Valência. A imensa maioria dos escritores espanhóis desta época era valenciana e escreveu em valenciano. Este grande ressurgimento do reino de Valência terá um fim com o descobrimento da América em 1492, pois a coroa de Aragão e a coroa de Castela passaram a aplicar todos os seus recursos nessa grande empresa. Outro importante fator de decadência da literatura valenciana será a inquisição, que ocasionará a fuga de um grande número de intelectuais, comerciantes e ourives do reino de Valência.

Situação Sociopolítica[editar | editar código-fonte]

Para compreender realmente este movimento, é fundamental compreender seu contexto, posto que, embora qualquer movimento cultural possa nascer de uma mudança, ele necessita de certa estabilidade para o seu crescimento.

Primeiramente, é interessante saber que, nestas terras, já estava semeada a semente, ainda que tenha vindo de outra cultura, a árabe. Com a Taifa de Valência, foi introduzido, pela primeira vez no mundo ocidental, o papel, assim como uma multiplicidade de ciências. Também foi traduzida uma grande variedade de textos, tanto da língua árabe como das línguas românicas, e do idioma hebreu.

Após a morte de Martim I de Aragão, e com a ausência de um sucessor direto, seguem-se alguns anos de instabilidade. Valência, até o momento, havia desfrutado de identidade própria e era administrada por autoridades públicas, juízes, e tribunais, antepondo-se estes aos direitos de senhores e nobres.

Os nobres aragoneses e senhores catalães viram a possibilidade de estender sua autoridade e ampliar seu domínio pessoal, revogando os direitos obtidos pelo povo valenciano e estabelecidos desde Jaime I de Aragão. Com o Compromisso de Caspe (1412), consegue-se conter tais ambições, já que foi eleito, como sucessor, Fernando I de Aragão, da Casa de Tratámara; esta casa se distinguiu por seu vínculo com a burguesia, limitando o poder dos nobres. Com o reinado de Afonso, o Magnânimo (1416-1458), a coroa de Aragão faz as pazes com a coroa de Castela e começa uma política exterior expansiva pelo Mediterrâneo.

Cabe, também, destacar a convivência de diferentes culturas, criando correntes humanistas muito importantes; muitas das ideias humanistas se estenderam pela Itália e Europa, assim como os êxitos militares obtidos pela coroa de Aragão.

Acontecimentos Relevantes[editar | editar código-fonte]

Ocorreu em Valência a impressão do primeiro livro escrito em catalão na Espanha, e isto denota um grande impulso das obras escritas. Este livro foi intitulado Obres o trobes en lahors de la Verge Maria e impresso no ano de 1474.

Personalidades Ilustres[editar | editar código-fonte]

Escritores[editar | editar código-fonte]

Pintura e Escultura[editar | editar código-fonte]

Na pintura e escultura, é possível sentir as tendências flamengas e italianas em artistas como:

Esse século, entre a Idade Média e Renascimento, foi revitalizado por suas relações estreitas com os italianos: Afonso V, o Magnânimo, se instala em Nápoles, onde mantém uma corte brilhante até sua morte em 1458. Seu filho Fernando I o sucede em Nápoles com o mesmo brilho.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Riquer, M. de (1990): Joanot Martorell, Tirante el Blanco, trad. castelhana de 1511, Barcelona, Ed. Planeta.
  • Vidal Jové, J. F. (1969): Joanot Martorell, Tirant lo Blanch, trad. espanhola, prólogo de Mario Vargas Llosa, Madrid, Alianza.