Série 0500 da CP

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a antiga série de automotoras a gasóleo. Se procura a antiga série de locomotivas a vapor, veja Série 501 a 508 da CP.

A Série 0500 foi um tipo de automotora a tracção a gasóleo, que esteve ao serviço da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses e da sua sucessora, Caminhos de Ferro Portugueses.

História[editar | editar código-fonte]

Esta série foi encomendada pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, para assegurar serviços expresso entre Lisboa e o Porto, no âmbito de um programa de modernização dos serviços de passageiros.[1]

As automotoras desta série foram fabricadas na Itália, pela casa FIAT.[2] Eram similares às automotoras da Série 595, da Red Nacional de Ferrocarriles Españoles.[3] A primeira das 3 automotoras chegou a Entrecampos no dia 15 de Janeiro de 1953, tendo se deslocado pelos seus próprios meios desde a fronteira espanhola.[4] Foi acompanhada, em território espanhol, pelo engenheiro Branco Cabral, ao qual se juntou, na fronteira, o director-geral da Companhia, Roberto de Espregueira Mendes.[4] Em Sacavém, embarcaram o presidente do conselho de administração, Mário de Figueiredo, e os administradores Pinto Osório, Frederico Vilar e Mário Costa.[4] À chegada a Entrecampos, esperavam o comboio vários representantes da imprensa, e funcionários superiores da Companhia.[4]

Previa-se, naquela altura, que a segunda automotora iria chegar a Portugal nos inícios de Fevereiro, e a terceira iria sair da fábrica pouco tempo depois.[4]

Foram empregadas nos serviços Foguete da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, que começaram em 1953[5][6], na Linha do Norte.[2] Devido à sua qualidade e rapidez, este serviço tornou-se desde logo num nos ex-libris da Companhia.[2]

Fim do Foguete e legado[editar | editar código-fonte]

Com a eletrificação da Linha do Norte em 1966, esta série foi sendo afastada para outros serviços, nomeadamente para o Sotavento.[carece de fontes?]

Após ter estado imobilizado em Elvas por vários anos, a composição foi levada em finais da década de 2000 para a EMEF de Contumil, aguardando fundos para restauro integral.[carece de fontes?]

Em 2002 foi escolhido o desenho emblemático desta série para logótipo da revista da AMFO Foguete.

Caracterização[editar | editar código-fonte]

Alçado lateral de uma composição da Série 595 da Renfe.


Apresentavam uma composição tripla, com duas unidades motoras nas pontas e uma atrelada no centro.[2][4] Se necessário, a composição podia ser alterada, estando preparadas para viajar apenas com uma motora, com ou sem o atrelado.[4] Cada uma das unidades tractoras contava com um motor FIAT, de 505 cavalos, o que amontava a 1010 cavalos de potência por automotora completa.[4] Podiam atingir uma velocidade máxima de 120 quilómetros por hora, numa recta em patamar.[1]

Os exteriores apresentavam linhas elegantes, de forma a gerar uma sensação de leveza[4], enquanto que os interiores, de traços modernos, eram considerados bastante confortáveis, sendo insonorizados.[2] Possuíam um equipamento de ar condicionado, que permitia alterar a temperatura e a humidade no interior do veículo.[4] A automotora completa dispunha de 174 assentos reclináveis.[4] No centro do atrelado, existia um bufete, de reduzidas dimensões, com cozinha própria, onde se podiam produzir refeições quentes; estas eram servidas aos passageiros no próprio assento, através do uso de pequenas mesas portáteis.[4] Cada automotora contava igualmente com espaços próprios para colocar as bagagens mais volumosas dos clientes.[4]

Ficha técnica[editar | editar código-fonte]

  • Construtor: FIAT[2]
  • Motores de tracção:
    • Número: 2[4]
    • Construtor: FIAT[4]
    • Potência total: 1010 Cv[4]
  • Ano de entrada ao serviço: 1953[5]
  • Número de unidades construídas: 3[2]
  • Velocidade máxima: 120 Km/h[1]
  • Bitola de via: 1668 mm[2]
  • Tipo de composição: Motora + reboque + motora[2]
  • Lotação: 173 passageiros sentados[4]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c «Novo material para a C. P.» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 65 (1562). 16 de Janeiro de 1953. p. 454. Consultado em 25 de Abril de 2012 
  2. a b c d e f g h i REIS et al, 2006:119
  3. «Los Ferrocarriles Portugueses». Via Libre (em espanhol). 5 (58). Madrid: Red Nacional de Ferrocarriles Españoles. 1 de Outubro de 1968. p. 23 
  4. a b c d e f g h i j k l m n o p q «Linha Lisboa-Porto» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 65 (1563). 1 de Fevereiro de 1953. p. 472. Consultado em 25 de Abril de 2012 
  5. a b REIS et al, 2006:102
  6. MARTINS et al, 1996:12

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado:O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Ícone de esboço Este artigo sobre transporte ferroviário é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.