Série 221 a 252 da CP

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Série 221 a 252
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Locomotiva 83 dos Caminhos de Ferro do Estado
Descrição
Propulsão Vapor
Fabricante Borsig
Maschinenfabrik Esslingen
John Cockerill
Tipo de serviço Via
Características
Bitola Bitola ibérica
Operação
Ano da entrada em serviço 1903

A Série 221 a 252, também identificada como Série 220, foi uma classe de locomotiva a tracção a vapor, utilizada pelas operadoras Caminhos de Ferro do Estado e Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Na transição para o Século XX, as companhias ferroviárias portuguesas começaram a encetar esforços no sentido de melhorar as velocidades nos comboios pesados; a iniciativa partiu da Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, que procurou acelerar os seus serviços internacionais e entre Lisboa e o Porto.[1] Para tal, adoptou o uso de locomotivas compound, com 3 eixos conjugados e um bogie à frente, que já se tinham provado apropriadas para rebocar comboios pesados a grandes velocidades em linhas de traçado acidentado.[1] A sua introdução permitiu uma profunda remodelação dos horários, que tiveram grande êxito perante os passageiros.[1] No Sul do país, onde os comboios eram explorados pela Administração dos Caminhos de Ferro do Estado, a situação era bastante diferente, com tráfego predominantemente de mercadorias, devido à reduzida povoação do Alentejo; no entanto, previa-se que esta situação mudasse com a expansão da rede ferroviária no Algarve, com uma correspondente expansão no trânsito de passageiros e mercadorias entre aquela região e Lisboa.[1] Já na região a Norte do Rio Douro, onde igualmente operavam os Caminhos de Ferro do Estado, o tráfego era mais intenso, tanto interno como nas ligações com Espanha, e a maior parte das locomotivas não possuíam capacidade suficiente para rebocar em condições os comboios mais pesados; por outro lado, o público reclamava maiores velocidades e maiores comodidades no material, o que lhe aumentava o peso.[1] Assim, tanto no Norte como no Sul do país, apontava-se a necessidade de locomotivas mais rápidas e mais potentes, situação à qual as locomotivas do tipo compound se ajustavam perfeitamente; para as suas necessidades específicas, a Administração dos Caminhos de Ferro do Estado criou um tipo novo, baseado em 3 eixos conjugados com um bogie à frente, que podia rebocar um comboio de 150 toneladas em rampas de 15 mm, e que tivesse um embasamento rígido de 4 metros em curvas de 250 metros.[1]

Entrada ao serviço[editar | editar código-fonte]

Estas locomotivas foram fabricadas pelas casas Borsig, Maschinenfabrik Esslingen e John Cockerill entre 1903 e 1926 para a operadora portuguesa Caminhos de Ferro do Estado, que as distribuiu entre as suas divisões do Sul e Sueste e do Minho e Douro.[2]

Locomotiva 248, exposta na estação de Contumil em 2016.

Recuperação da locomotiva 248[editar | editar código-fonte]

Em 5 de Janeiro de 1940, deu-se um desabamento de pedras ao quilómetro 115,47 da Linha do Douro, entre Covelinhas e Gouvinhas, que provocou o descarrilamento da locomotiva 248, que nesse momento rebocava um comboio de passageiros entre Porto - São Bento e Tua; a locomotiva caiu ao Rio Douro, tendo perecido o maquinista e o fogueiro.[2] A locomotiva foi posteriormente recuperada e desmontada, para ser reconstruída nas oficinas de Campanhã, mas o tender nunca chegou a ser encontrado.[2]

Com o fim da tracção a vapor na região Norte do país, todas as locomotivas a vapor foram agrupadas na estação de Vila Nova de Gaia, onde se decidiu que 44 locomotivas iriam ser abatidas, enquanto que as restantes seriam futuramente integradas no Museu Nacional Ferroviário, no Entroncamento.[2] A locomotiva 248 encontrava-se entre as que iriam ser destruídas, tendo sido salva no último momento por decisão de António Maria Lopes, chefe do depósito de Contumil, e de Armando Ginestal Machado, defensor do património ferroviário português.[2] A locomotiva permaneceu durante 2 anos em Gaia, onde lhe roubaram as peças em latão e bronze.[2] António Lopes ordenou que a locomotiva fosse rebocada até à rotunda em Contumil, onde ficou a salvo das condições atmosféricas e foi restaurada.[2] A Direcção de Manutenção do Porto continuou os restauros e instalou-a num pedestal em frente às novas instalações oficinais de Contumil, em 17 de Março de 1994.[2] A intervenção foi só de natureza estética, não tendo sido no sentido de deixar a locomotiva operacional.[2]

Caracterização[editar | editar código-fonte]

Esta Série era composta por 31 locomotivas a vapor, numeradas de 221 a 252.[2] Embora tenham sido fabricadas em várias etapas, obedeciam todas a um projecto comum, provavelmente de concepção nacional.[2] Do tipo compound com uma distribuição Walschaerts, nunca foram muito rápidas, mas eram bastante fiáveis e consumiam pouca água e carvão.[2] As caldeiras eram timbradas a 14 kg/cm².[2]

Ficha técnica[editar | editar código-fonte]

Características gerais[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f SOUSA, José Fernando de (16 de Novembro de 1903). «As novas locomotivas do Minho e Douro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 16 (384). p. 407-409. Consultado em 12 de Agosto de 2014 
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q r BRAZÃO, Carlos. «Una Borsig en Contumil». Maquetren (em espanhol). Ano 3 (29). Madrid: A. G. B., S. L. p. 10. ISSN 1132-2063 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre as locomotivas da Série 221 a 252

Ligações externas[editar | editar código-fonte]



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