Síndrome da serotonina

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Síndrome da serotonina
Serotonina
Classificação e recursos externos
CID-9 333.99
DiseasesDB 30044
MedlinePlus 007272
eMedicine ped
MeSH C21.613.276.720
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Síndrome da serotonina é um conjunto de sintomas resultante da estimulação excessiva de receptores serotoninérgicos centrais e periféricos, caracterizada pela tríade de sintomas: mudança do estado mental, anormalidades neuromusculares e hiperatividade autonômica.

Causas[editar | editar código-fonte]

É causada pela administração de substâncias pro-serotoninérgicas, sendo os casos mais graves resultantes da combinação de duas ou mais substâncias.

  • Secundária ao aumento da produção de serotonina: Triptofano
  • Secundária ao aumento da liberação da serotonina estocada: Anfetaminas (incluindo "Ecstasy"), Bromocriptina, Cocaína, L-Dopa.
  • Secundária à diminuição de recaptura de serotonina pela terminação pré-sinaptica:
    • Dextrometorfano,
    • Nefazodona,
    • Petidina (Meperidina),
    • ISRS (Fluoxetina, Paroxetina, Sertralina, Citalopram, Fluvoxamina),
    • ISRS/NA (Duoloxetina),
    • Antidepressivos tricíclicos.
  • Secundária à inibição do metabolismo da serotonina: Moclobemida, Tranilcipromina.
  • Secundária à estimulação do receptor pós-sináptico da serotonina: Dietilamida do Ácido Lisérgico (LSD).
  • Secundária ao aumento da resposta pós-sináptica à estimulação pela serotonina: Lítio


Pessoas mais predispostas são:

  • Pessoas com idade avançada
  • Usuários crônicos de ISRS
  • Hepatopatas
  • Pessoas com doença endotelial (aterosclerose, hipertensão)


Manifestações Clínicas[editar | editar código-fonte]

Podem iniciar-se horas ou dias após a exposição aos agentes causadores. São:

Tabela para o diagnóstico
Instabilidade autonômica Alterações neurológicas Alterações mentais
Diaforese Tremores Alteração da consciência
Diarréia Vertigem Agitação
Febre Hiperreflexia Hipomania
Taquicardia sinusal Mioclonia Letargia
Hipertensão/hipotensão Convulsões Insônia
Taquipnéia Rigidez muscular Alucinações
Dilatação das pupilas Reflexo de Babinski Hiperatividade
Rubor Opistótonos Cãimbras abdominais
Ataxia Hipersalivação Coma
Calafrio Disenteria Angia Cardíaca
Dispneia Exantema Varicela
Aterosclerose Hipóxia Asma


Complicações agudas incluem:

  • Coma
  • Convulsões
  • Rabdomiólise
  • Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD).
  • Acidente Vascular Cerebral (AVC)
  • Infarto Agudo do Miocárdio (Fulminante)
  • Pneumotórax
  • Insuficiência Hepática e renal

Diagnóstico Diferencial[editar | editar código-fonte]

A Síndrome Neuroléptica Malígna é o mais provável quando um neuroléptico foi iniciado, ou teve sua dose aumentada logo antes do aprecimento dos sinais e sintomas.

Outros diagnósticos possíveis são:

  • Síndrome anticolinérgica
  • Toxicidade à carbamazepina
  • Infecções do Sistema Nervoso Central (SNC)
  • Abstinência ao álcool
  • Abstinência a hipnóticos/sedativos
  • Abstinência a opióides
  • Insolação
  • Toxicidade do lítio
  • Overdose de simpaticomiméticos


Tratamento[editar | editar código-fonte]

  • Descontinuação do(s) agente(s) serotoninérgico(s)
  • Monitorização cardiocirculatória (arritmias, hipertensão/hipotensão) e respiratória.
    • Caso PA elevada e paciente não asmático: propranolol 20mg de 8/8h é uma opção.
    • Avaliar a necessidade de entubação
  • Controle da temperatura corporal reduzindo a hipertermia, os tremores e a rabdomiólise:
    • Uso de gelo para reduzir a hipertermia
    • Infusão endovenosa de fluidos para hidratação
    • Se convulsões: diazepam 5mg, EV lentamente.
    • Se mioclonias clorpromazina 25mg IM ou EV, até máximo de 1mg/kg de peso.
    • Se mioclonias há outra opção: difenidramina 50mg.
    • Se convulsões + mioclonias: metisergida (2-6mg/24h).


Apenas em 40% das formas graves são admitidas em UTI e a mortalidade nestes casos é de 11%.