Síndrome do desconforto respiratório agudo

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Síndrome do desconforto respiratório agudo
Radiografia torácica de pessoas com SDRA
Sinónimos Síndrome de stress respiratório agudo, síndrome de stress respiratório do adulto
Especialidade Medicina de emergência
Sintomas Falta de ar, respiração acelerada, pele de tom azul[1]
Início habitual No prazo de uma semana[1]
Método de diagnóstico Taxa paO2 / FIO2 inferior a 300 mmHg[1]
Condições semelhantes Insuficiência cardíaca[1]
Tratamento Ventilação mecânica, ECMO[1]
Prognóstico Risco de morte 35 a 50%[1]
Frequência 3 milhões por ano[1]
Classificação e recursos externos
CID-10 J80
DiseasesDB 892
MedlinePlus 000103
eMedicine 165139
MeSH D012128
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Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) é um tipo de insuficiência respiratória caracterizado pelo aparecimento súbito de inflamação disseminada nos pulmões.[1] Os sintomas mais comuns são falta de ar, respiração acelerada e pele de tom azul.[1] Entre os sobreviventes é relativamente comum a diminuição da qualidade de vida.[1]

Entre as possíveis causas estão sepse, pancreatite, trauma físico, pneumonia e aspiração pulmonar.[1] O mecanismo subjacente envolve lesões difusas nas células que formam a barreira dos alvéolos pulmonares, diminuição do surfactante pulmonar, activação do sistema imunitário e disfunção na regulação da coagulação sanguínea.[2] Como resultado, a SDRA diminui a capacidade dos pulmões em realizar as trocas gasosas.[1] O diagnóstico baseia-se numa taxa paO2 / FIO2 inferior a 300 mmHg apesar de pressão expiratória positiva superior a 5 cm H2O.[1] Deve também ser excluído como causa edema pulmonar.[3]

O tratamento imediato consiste em ventilação mecânica, acompanhado por tratamento das causas subjacentes.[1] Entre as estratégias de ventilação estão a utilização de baixo volume e baixa pressão.[1] Nos casos em que a oxigenação continua a ser insuficiente, podem ser tentadas manobra de recrutamento alveolar e bloqueadores neuromusculares.[1] Quando isto é insuficiente, pode ser considerada ECMO.[1] A síndrome está associada a uma taxa de mortalidade de 35 a 50%.[1]

A SDRA afeta anualmente mais de 3 milhões de pessoas em todo o mundo.[1] A condição foi descrita pela primeira vez em 1967.[1] Embora por vezes seja usado o termo "síndrome do desconforto respiratório do adulto" para distinguir a SDRA da síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido, o consenso internacional é de que o termo "síndrome do desconforto respiratório agudo é o que melhor descreve a condição, uma vez que pode afetar pessoas em qualquer idade.[4] Existem critérios de diagnóstico modificados para crianças e regiões do mundo com menos recursos.[3]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t Fan, E; Brodie, D; Slutsky, AS (20 de fevereiro de 2018). «Acute Respiratory Distress Syndrome: Advances in Diagnosis and Treatment». JAMA. 319 (7): 698–710. PMID 29466596. doi:10.1001/jama.2017.21907 
  2. Fanelli, Vito; Ranieri, V. Marco (1 de março de 2015). «Mechanisms and clinical consequences of acute lung injury». Annals of the American Thoracic Society. 12 Suppl 1: S3–8. ISSN 2325-6621. PMID 25830831. doi:10.1513/AnnalsATS.201407-340MG 
  3. a b Matthay, MA; Zemans, RL; Zimmerman, GA; Arabi, YM; Beitler, JR; Mercat, A; Herridge, M; Randolph, AG; Calfee, CS (14 de março de 2019). «Acute respiratory distress syndrome.». Nature Reviews. Disease Primers. 5 (1). 18 páginas. PMC 3408735Acessível livremente. PMID 30872586. doi:10.1038/s41572-019-0069-0 
  4. Bernard G, Artigas A, Brigham K, Carlet J, Falke K, Hudson L, Lamy M, Legall J, Morris A, Spragg R (1994). «The American-European Consensus Conference on ARDS. Definitions, mechanisms, relevant outcomes, and clinical trial coordination». Am J Respir Crit Care Med. 149 (3 Pt 1): 818–24. PMID 7509706. doi:10.1164/ajrccm.149.3.7509706 

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