Sítio Paleontológico Sanga da Alemoa

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Sítio Paleontológico
Sanga da Alemoa
Estauricossauro, o primeiro dinossauro brasileiro, caçando um Rincossauro.
Localização Santa Maria,
 Rio Grande do Sul,
 Brasil.
Coordenadas 29° 41' 52" S 53° 46' 10" O

O Sítio Paleontológico Sanga da Alemoa está situado dentro da área urbana da cidade brasileira de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e pertence a Formação Caturrita e Formação Santa Maria, Membro Alemoa. Está situado no bairro Km 3, as margens da rodovia RS-509, perto do Castelinho. Este sítio deu origem ao termo Membro Alemoa. O local atualmente é propriedade da Universidade Federal de Santa Maria e esta a margem da Rodovia dos Dinossauros.

História[editar | editar código-fonte]

Historicamente a Sanga da Alemoa é um dos mais importantes sítios paleontológicos brasileiros. Foi deste local que saiu o Estauricossauro, o primeiro dinossauro brasileiro e um dos mais antigos encontrados no mundo. No inicio pesquisadores locais coletaram fosseis que chamara a atenção de pesquisadores internacionais que posteriormente visitaram a região. Esses pesquisadores locais moldaram toda a pesquisa paleontológica da região e do Brasil. Por todos esse fatores históricos e contribuições, a Sanga da Alemoa é hoje conhecida internacionalmente.

O sitio foi descoberto pelo professor e geógrafo Antero de Almeida, em 1901, quando foi encontrado o primeiro fóssil no local.

Em 1902, o Dr. Jango Fischer, nascido em Santa Maria, coletou fósseis no local e que foram remetidos para Arthur Smith Woodward, eminente paleontólogo do Museu Britânico, em Londres. O Rincossauro encontrado foi batizado com o nome de Scaphonyx fischeri, em homenagem a Jango Fischer.

Em maio de 1906 o engenheiro brasileiro Cícero Campos coletou fosseis que foram enviados para Arthur Smith Woodward.

Entre 1915 a 1917, o Dr. Guilherme Rau, um alemão que passou a residir em Santa Maria, auxiliou o cientista alemão Dr. H. Lotz, na coleta de 200 peças no Sítio. Este material foi enviado para Von Huene, na Alemanha. Neste período um menino de 14 anos, Atílio Munari, que vivia próximo ao local (Vila Schirmer), passou a conviver com o cientista H. Lotz, que lhe ensinou a coletar e preparar os fósseis. Muitos de seus trabalhos estão hoje no Rio de Janeiro, Porto Alegre e Santa Maria.

Llewellyn Ivor Price, nasceu em Santa Maria no ano de 1905, e terminou seus estudos em Universidade de Harvard, Estados Unidos. Retornou a Santa Maria, em 1936, trazendo junto seu colega Theodore E. White. Ambos entraram em contato com Munari que os ajudou em suas escavações neste local. Neste ano foi coletado o Estauricossauro o primeiro dinossauro brasileiro. Price foi o primeiro paleontólogo totalmente brasileiro e ajudou a definir toda a estrutura de pesquisa paleontológica no Brasil.

Em 1925, o paleontólogo alemão Dr. Bruno von Freyberg, da Universidade de Halle-Wittenberg, visitou o local. Neste mesmo ano Drs. G. Florence e Pacheco da Comissão geológica e geográfica de São Paulo estiveram no local.

Em 1927, Guilherme Rau coletou o cinodonte Gomphodontosuchus brasiliensis.

Em 1927, vêm a Santa Maria os geólogos Paulino Franco de Carvalho e Nero Passos. Também neste ano chega o Geólogo Alex Löfgren, que ficou por aqui um ano e meio auxiliado por Munari.

Em 1928 chega o alemão Friedrich Von Huene, acompanhado pelo Dr. Rudolf Stahlecker. Ficaram seis meses coletando no local e retornaram para a Alemanha com muitas toneladas de fósseis. Muitos fósseis coletados estão na Universidade de Tubinga, na Alemanha. Durante este período estiveram hospedados na casa de Guilherme Hübner, localizada dentro do sítio.

Foi coletado o Cerritosaurus em 1941 pelo jesuíta Antonio Binsfeld, do Seminário São José de Santa Maria.

Nas décadas de 40' e 50 várias expedições organizadas por Llewellyn Ivor Price, do Setor de Paleontologia do Departamento Nacional de Produção Mineral do Rio de Janeiro, chegam a região. Price trabalhou na área junto com Edwin Harris Colbert , Carlos de Paula Couto, Mackenzie Gondon, Fausto Luís de Souza Cunha e Theodore E. White. Em Santa Maria, Price se hospedava no Colégio Centenário.

Entre 1968 e 1973 o padre Daniel Cargnin coletou vários fosseis no local, que foram enviados para várias instituições de Pesquisa e Museus.

Em 1999, Max Cardoso Langer e colegas coletaram no local o dinossauro Saturnalia tupiniquim.

Em homenagem aos pesquisadores Atílio Munari e Daniel Cargnin, ruas próximas ao Sítio receberam seus nomes.

O corpo de Atílio Munari repousa no Cemitério São José, próximo ao Sítio.

Pesquisadores que estiveram no Sítio[editar | editar código-fonte]

Animais encontrados[editar | editar código-fonte]

Turismo Paleontológico[editar | editar código-fonte]

Sítio Paleontológico Sanga da Alemoa (Sítios Paleontológicos de Santa Maria)
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1)Arroio Cancela. 2)Cabeceira do Raimundo. 3)Arroio Passo das Tropas. 4)Olaria Campus UFSM. 5)Colégio Militar. 6)Largo Padre Cargnin. 7)Cerrito I. 8)Cerrito II. 9)Cerrito III. 10)Sanga da Alemoa. 11)Jazigo 5. 12)Sanga do Armário. 13)Vila dos Sargentos. 14)Cidade dos Meninos. 15)Vila Kennedy. 16)Vila Caturrita. 17)Bela Vista. 18)Jardim Berleze. 19)Esc. Xavier da Rocha. 20)Silva Jardim.

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Historicamente este é o mais importante sítio paleontológico do Estado do Rio Grande do Sul. Neste local que foi encontrado o primeiro fóssil do Estauricossauro, primeiro dinossauro brasileiro e um dos mais antigos encontrados no planeta. Grandes pesquisadores passaram por este local e ajudaram a formar a paleontologia brasileira.

Santa Maria é considerada uma Cidade Universitária, pois há um grande numero de Universidades na cidade. A cidade se denomina Cidade Cultura e mesmo assim depois de mais de um século, o local encontra-se abandonado, sem placas de sinalização, sem painéis contando a história do local, sem réplica dos animais ali encontrados e sem estatuas dos pesquisadores. O Sítio é conhecido internacionalmente por suas grandes contribuições e encontra-se na área urbana da cidade, perto de um grande entroncamento rodoviário, com grande movimentação de veículos, e mesmo assim, não há um projeto para tornar o local em um ponto turístico.

Atualmente menos de 10 mil turistas visitam o local por ano, sendo que o mínimo aceitável seriam 150 mil turistas. Isso ocorre devido a falta de investimentos pelo município no turísmo paleontológico. A Argentina envia mais de um milhão de turistas por ano, sendo o país que mais envia turistas ao Brasil. Aproximadamente 80% desses turistas percorrem a Rodovia dos Dinossauros, passando pelo local. A falta de uma visão econômica do turismo paleontológico tem prejudicado muito os hotéis, restaurantes e lojas da cidade, prejudicando a arrecadação de impostos que melhoraria a condição econômica da população.

O turismo paleontológico é o que mais atrai turistas internacionais para o Rio Grande do Sul. Os turistas geralmente saem decepcionados da cidade, declarando que esperavam ver muito mais, devido a grande quantidade de descobertas e importância do local.

Patrimônio da humanidade[editar | editar código-fonte]

Esta patrimônio da humanidade encontra-se ameaçado, por estar em uma área urbana e sem investimentos em turismo por parte do poder público. O projeto Rodovia dos Dinossauros não avança por falta investimentos em turismo paleontológico por parte da prefeitura de Santa Maria e pela Secretaria do Turismo do Rio Grande do Sul. Estando a margem da rodovia RS-509, tem sido desrespeitado pelo DAER que procura ampliar as rodovias sem o devido cuidado necessário.[1]

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Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Dinossauros do Rio grande do Sul.em royalsul.com.br.
  • Sociedade Brasileira de Paleontologia.em sbpbrasil.org.
  • Livro: Os Fascinantes Caminhos da Paleontologia. Autor : Antônio Isaia. Comentários : Conta as historia dos paleontólogos de Santa Maria e região. 60 páginas. Editora Pallotti.
  • Livro: "Cronologia Histórica de Santa Maria e do extinto município de São Martinho." 1787-1933. Vol I. Autor: Romeu Beltrão, Editora Pallotti, 1958.