Só sei que nada sei

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A frase só sei que nada sei ou sei uma coisa: que eu nada sei (originalmente do latim: "ipse se nihil scire id unum sciat",[1] uma possível paráfrase de um texto grego antigo; também citado como "scio me nihil scire" ou "scio me nescire";[2] posteriormente retrotraduzido para o grego catarévussa como "[ἓν οἶδα ὅτι] οὐδὲν οἶδα", [hèn oîda hóti] oudèn oîda),[3] por vezes chamado de paradoxo socrático, é um dizer muito conhecido derivado da narrativa de Platão sobre o filósofo Sócrates.

O dizer está relacionado com a resposta que se supõe Sócrates ter descoberto na sua investigação da assertiva da sacerdotisa (pítia), no Oráculo de Delfos, em relação à questão "quem é o homem mais sábio da Grécia?". O fato dessa consulta também foi narrado por outro discípulo de Sócrates, Xenofonte, em seu livro Memorabilia.

A frase indica que é sábio conhecer a dimensão da ignorância própria, querendo dizer também que quanto mais aprendemos, mais se tem para descobrir.[carece de fontes?]

Em Platão[editar | editar código-fonte]

A frase, esta, frequentemente atribuída ao Sócrates de Platão, nos tempos antigos e modernos, não ocorre tal como ela é em nenhuma das obras de Platão.[4] Dois proeminentes académicos estudiosos de Platão argumentaram recentemente que a frase não deve ser atribuída ao Sócrates de Platão.[nota 1]

No entanto, Platão relata, em sua Apologia de Sócrates, que:[7]

[…] οὗτος μὲν οἴεταί τι εἰδέναι οὐκ εἰδώς, ἐγὼ δέ, ὥσπερ οὖν οὐκ οἶδα, οὐδὲ οἴομαι [aquele homem acredita saber alguma coisa, sem sabê-la, enquanto eu, como não sei nada, também estou certo de não saber.]

A imprecisão da paráfrase como 'só sei que nada sei' deriva do facto de o autor não estar a dizer que ele nada sabe, mas sim que não pode saber nada com absoluta certeza, mas pode se sentir confiante acerca de certas coisas.[8]

Uma curiosidade é que Sócrates já afirmou em mais de uma passagem das narrativas conhecer algum assunto além da própria ignorância:[9]

Como poderia eu votar ‘Não,’ quando a única coisa que eu digo que entendo é a arte do amor (τὰ ἐρωτικά)?[10]
“Eu não conheço virtualmente nada, exceto um pequeno assunto - amor (τῶν ἐρωτικῶν), embora sobre esse assunto, eu sou pensado como incrível (δεινός), mais do que ninguém, passado ou presente"[11]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Fine argumenta que "é melhor não atribuí-la a ele"[5]. Taylor argumentou que a "formulação paradoxal é uma leitura incorreta de Platão".[6]

Referências

  1. Cícero, «1», Academica [Acadêmica], I, Tufts, Ele próprio pensa que sabe de uma coisa, que nada sabe .
  2. Uma variante encontra-se em de Cusa, Nicolau (1967), «XIII 146», De visione Dei [Da visão de Deus], Werke (em latim), Walter de Gruyter, p. 312, …et hoc scio solum, quia scio me nescire… [Eu apenas sei, que (ou porque) eu sei, que eu não sei]. 
  3. «Topic: All I know is that I know nothing», Translatum: The Greek Translation Vortal [Traduzido: o vortal de tradução grega] (em grego) .
  4. Fine, Gail (2008), «Does Socrates Claim to Know that He Knows Nothing?» [Sócrates diz não saber nada?], Oxford Studies in Ancient Philosophy (em inglês), 35: 49–88 .
  5. Fine 2008, p. 51.
  6. Taylor, CCW (1998), Sócrates [Sócrates] (em inglês), Oxford University Press, p. 46 
  7. Platão, Apologia de Sócrates, 21d .
  8. Stokes, Michael C (1997). Apology of Socrates [Apologia de Sócrates] (em inglês). Warminster: Aris & Phillips. p. 18. ISBN 0-85668-371-X 
  9. Cimakasky, Joseph J.. All of a Sudden: The Role of Ἐξαίφνης in Plato's Dialogues. Doctor of Philosophy Dissertation. Duquesne University. 2014.
  10. Platão. O Banquete}}.
  11. Platão. Theages, 128b.