S/2004 N 1

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S/2004 N 1
Satélite Netuno VII
Características orbitais[1]
Semieixo maior 105,283 km
Excentricidade ~ 0.000º [2]
Período orbital 0,9362 d[1]
Inclinação ~0,00[2] °
Características físicas
Dimensões 16-20 km
Magnitude aparente 26.5[1]

S/2004 N 1 é um pequeno satélite natural do planeta Netuno que foi descoberto em 2013[3]. A lua é tão pequena que não foi observada pela sonda espacial Voyager 2 que passou por Netuno em 1989. Mark R. Showalter do Instituto SETI a descobriu em julho de 2013 analisando fotografias arquivadas de Netuno tiradas pelo Telescópio Espacial Hubble de 2004 a 2009[4]. S/2004 N 1 completa uma revolução completa ao redor de Netuno a cada 22 horas e 28,1 minutos.

Descoberta[editar | editar código-fonte]

Showalter examinava fotografias dos anéis de Netuno, tiradas pelo Telescópio Espacial Hubble (HST) em 2009 utilizando de uma técnica panorâmica para compensar o movimento orbital[3][5]. Em 1 de Julho de 2013, depois de decidir "por capricho" expandir sua área de pesquisa para anéis planetários[6], ele encontrou um ponto que aparecia em vários imagens. Ele, então, encontrou o satélite em outras imagens no arquivo do Hubble que datavam de 2004. A Voyager 2, que tinha observado todos os outros satélites internos de Netuno, não detectou a lua durante o seu sobrevôo em 1989[3]. Tendo em conta que as imagens da descoberta estão há muito tempo disponíveis para o público, a lua poderia ter sido encontrada por qualquer pessoa[1].

S/2004 N 1 é a décima quarta lua conhecida de Netuno, e a primeira lua de Netuno descoberta a ser anunciada desde setembro de 2003.

Origem[editar | editar código-fonte]

A maior lua de Netuno, Tritão, possui uma órbita retrógrada e inclinada, sugerindo que fora capturada do cinturão de Kuiper bem após a formação do sistema original de satélites de Netuno. As luas então pré-existentes tiveram suas órbitas deslocadas pelo processo de captura de Tritão, o que teria ejetado algumas do sistema e provocado colisões em outras, tendo algumas luas destruídas no processo[7][8]. O presente sistema de satélites naturais internos de Netuno são os escombros resultantes de acreção planetária após a órbita de Tritão ter-se tornado estabilizada[9].

Propriedades físicas[editar | editar código-fonte]

Supõe-se que S/2004 N 1 tenha uma superfície escura como "asfalto sujo"[5], comparado com os outros satélites naturais de Netuno, cujo albedo geométrico varia de 0.07 a 0.10[10]. Seu espectro indica que ele é feito de gelo de água contaminado por algum material muito escuro, provavelmente compostos orgânicos complexos. S/2004 N 1 possui uma magnitude aparente de 26,5, então, estima-se um diâmetro de 16 a 20 quilômetros, tornando-a a menor das luas conhecidas de Netuno.

Propriedades orbitais[editar | editar código-fonte]

Diagrama das órbitas das luas de Netuno interiores à Tritão, com a órbita de S/2004 N 1 em destaque.

O período orbital de S/2004 N 1 é de 0,9362 dias[1], o que através da terceira lei de Kepler implica um semi-eixo maior de 105.283 km, pouco mais que um quarto da distância entre a Terra e a Lua, e cerca de duas vezes o raio médio dos anéis de Netuno. Tanto a sua inclinação como a sua excentricidade estão próximos de zero[1]. Ele orbita entre Larissa e Proteu, tornando-se o segundo mais externo dos satélites regulares de Netuno. Seu pequeno tamanho neste local contraria uma tendência entre os outros satélites netunianos regulares de diâmetro crescente com o aumento da distância à Netuno.

Os períodos de Larissa, S/2004 N 1 e Proteu estão dentro de cerca de 1% da ressonância orbital 3:5:6[carece de fontes?].

Nome[editar | editar código-fonte]

A equipe de descoberta planeja enviar uma proposta de nome para a União Astronômica Internacional baseado em alguma figura da mitologia greco-romana que possua relação com Posidão/Netuno, o deus dos mares, consistindo com os nomes das outras luas de Netuno.[6]

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Referências

  1. a b c d e f Kelly Beatty (15 de julho de 2013). «Neptune's Newest Moon». Sky & Telescope [S.l.: s.n.] Consultado em 15 de julho de 2013. 
  2. a b Editors of Sky & Telescope. «A Guide to Planetary Satellites». Sky & Telescope web site. Sky & Telescope. Consultado em 17 de julho de 2013. 
  3. a b c «Hubble Finds New Neptune Moon». Space Telescope Science Institute. 2013-07-15. Consultado em 2013-07-15. 
  4. «Nasa's Hubble telescope discovers new Neptune moon». BBC News. 15 de julho de 2013. Consultado em 16 de julho de 2013. 
  5. a b Showalter, M. R. (2013-07-15). «How to Photograph a Racehorse ...and how this relates to a tiny moon of Neptune». Mark Showalter's blog. Consultado em 2013-07-16.  Ligação externa em |work= (Ajuda)
  6. a b Klotz, I. (2013-07-15). «Astronomer finds new moon orbiting Neptune». Reuters. Consultado em 2013-07-16. 
  7. Goldreich, P.; Murray, N.; Longaretti, P. Y.; Banfield, D. (1989). «Neptune's story». Science [S.l.: s.n.] 245 (4917): 500–504. Bibcode:1989Sci...245..500G. doi:10.1126/science.245.4917.500. PMID 17750259. 
  8. Agnor, C. B.; Hamilton, D. P. (2006-05-11). «Neptune's capture of its moon Triton in a binary–planet gravitational encounter». Nature [S.l.: s.n.] 441 (7090): 192–194. Bibcode:2006Natur.441..192A. doi:10.1038/nature04792. PMID 16688170. 
  9. Banfield, Don; Norm. . "A dynamical history of the inner Neptunian satellites". Icarus 99 (2): 390-401. DOI:10.1016/0019-1035(92)90155-z.
  10. Karkoschka, Erich. (2003-04-01). "Sizes, shapes, and albedos of the inner satellites of Neptune". Icarus 162 (2): 400-407. DOI:10.1016/S0019-1035(03)00002-2.