Sakura (cerejeira)

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Sakura (桜 / 櫻 ou さくら) são as cerejeiras ornamentais do Japão (incluindo a Prunus serrulata) e suas flores. A cereja (桜 ん ぼ, sakuranbo) vem de outra espécie do gênero Prunus.

Espécies[editar | editar código-fonte]

Flor de cerejeira na Sibéria Oriental

Existem mais de 600 variedades de sakura diferenciadas pelo número de pétalas, a cor das flores e as folhas jovens, ou o período de floração.[1][2] A cor das flores vai do branco ao vermelho escuro através de todos os tons de rosa pálido.[2]

Algumas das espécies de cerejeiras ornamentais mais comuns no Japão incluem:

  • Prunus serrulata, a cerejeira do Japão
  • Prunus speciosa, a cerejeira de Izu Ōshima cereja
  • Prunus sargentii, a cerejeira de Ezo
  • Prunus × yedoensis, a cerejeira Yoshino, híbrida da Prunus speciosa e da Prunus subhirtella 'Pendula' ou Prunus jamazakura.[3]

A variedade favorita dos japoneses é a cerejeira Yoshino (染井吉野, Somei yoshino). Suas flores são quase brancas, com o rosa mais pálido especialmente no tronco. Em geral, as pétalas dessas flores caem, ou melhor, "dispersam" (散る, chiru) uma semana antes das folhas aparecerem. Esta variedade é chamada assim por conta da aldeia de Somei (agora parte do distrito de Toshima, em Tóquio). De acordo com pesquisas genéticas, é um híbrido que foi desenvolvido em meados do século XIX na região de Edo (atual Tóquio).[3]

A yaezakura e a shidarezakura são outras variedades populares de cerejeiras japonesas. A yaezakura (Prunus serrulata F. purpurascens) possui grandes flores com mais de cinco pétalas densas e com um tom de rosa mais escuro. A shidarezakura (Prunus serrulata var pendula ou Prunus pendula Maxim), ou "cerejeira chorosa", tem ramos que se caem como os do salgueiro-chorão e carregam cascatas de flores rosa.[4]

Simbolismo[editar | editar código-fonte]

Uma moeda de 100 ienes retratando uma sakura

No Japão, as sakura simbolizam nuvens devido ao seu florescimento natural em massa, além de ser uma metáfora para a natureza efêmera da vida, e[5] um aspecto da tradição cultural Japonesa que é geralmente associado com a influência Budista,[6] e que está incorporado no conceito de Mono-no-aware.[7]A associação das sakura com o mono-no-aware data do estudioso do século XVIII Motoori Norinaga.[7] A transitoriedade das sakura, a delicada beleza e volatilidade, é geralmente associada com a mortalidade[5] e a graciosa e rápida aceitação do destino e karma; por esta razão, as sakura são ricamente simbólicas, e tem sido utilizadas geralmente na arte, no mangá, no anime e nos filmes, bem como em performances musicais para efeito de ambiente. Há pelo menos uma canção tradicional popular, originalmente destinada para o shakuhachi (flauta de bambu), chamada "Sakura". A flor também é representada em todos os tipos de bens de consumo no Japão, incluindo kimonos, papelaria e louça.

A Sakurakai ou Sociedade das Sakura foi o nome escolhido por jovens oficiais dentro do Exército Imperial Japonês em setembro de 1930 para sua sociedade secreta estabelecida com o objetivo de reorganizar o estado por meio de linhas militaristas totalitárias, via um golpe de estado militar se necessária.[8]

Sakuras no Castelo de Himeji, Japão

Durante a Segunda Guerra Mundial, as sakuras eram usadas para motivar o povo Japonês, para acender o nacionalismo e o militarismo entre as pessoas.[9]Mesmo antes da guerra, elas eram usadas em propagandas para inspirar o "espírito Japonês", como na música "Canção do Jovem Japão", que falava em "guerreiros" que estavam "prontos como a miríade de sakuras a dispersar-se".[10]Em 1932, a poesia de Akiko Yosano instigava os soldados Japoneses para sofrerem na China e comparava os soldados mortos com as sakuras.[11]Discussões de que os planos para a Batalha do Golfo de Leyte, envolvendo todas as embarcações Japonesas, poderiam expor o Japão a sério perigo se ela falhasse, foram contestadas com a alegação de que a Marinha seria permitida "florescer como flores da morte".[12] A última mensagem das forças em Peleliu (Palau) foi "Sakura, Sakura".[13] Os pilotos Japoneses as pintavam nos lados de suas aeronaves antes de embarcar em uma missão suicida, ou até mesmo levavam ramos de uma árvore com eles nas missões.[9] Uma sakura pintada no lado de um kamikaze simbolizava a intensidade e efemeridade da vida;[14] deste modo, a associação estética foi alterada de modo que as pétalas caindo representariam o sacrifício dos jovens em missões suicidas em honra ao imperador.[9][15] O primeira unidade kamikaze tinha uma subunidade chamada Yamazakura (sakuras selvagens).[15] O próprio governo chegou a encorajar as pessoas para acreditarem que as almas dos guerreiros caídos reincarnavam nas flores.[9]

Em suas empresas coloniais, o Japão Imperial geralmente plantava cerejeiras como "reivindicação do território ocupado como espaço Japonês".[9]

As sakura também são um símbolo prevalente no Irezumi, a tradicional arte das tatuagens Japonesas. Na arte das tatuagens, as sakura também são geralmente combinadas como outros símbolos clássicos Japoneses como nishikigois, dragões ou tigres.[16]

Referências

  1. «Variedades de Cerejeiras». Japan Guide. Consultado em 9 de fevereiro de 2018 
  2. a b «Sakura: as flores de cerejeira anunciam a chegada da primavera (em Francês)». Nippon.com. Consultado em 9 de fevereiro de 2018 
  3. a b «O Arquipélago das Cerejeiras (em Francês)». Nippon.com. Consultado em 9 de fevereiro de 2018 
  4. «Curiosidades e Lendas Sobre o Sakura». Japão em Foco. Consultado em 9 de fevereiro de 2018 
  5. a b Choy Lee, Khoon. Japan—between Myth and Reality. 1995, page 142.
  6. Young, John & Nakajima-Okano, Kimiko. Learn Japanese: New College Text. 1985, page 268.
  7. a b Slaymaker, Douglas. The Body in Postwar Japanese Fiction. 2004, page 122.
  8. James L. McClain, Japan: A Modern History p 414 ISBN 0-393-04156-5
  9. a b c d e Ohnuki-Tierney, Emiko. Kamikaze, Cherry Blossoms, and Nationalisms. 2002, page 9-10.
  10. Piers Brendon, The Dark Valley: A Panorama of the 1930s, p441 ISBN 0-375-40881-9
  11. James L. McClain, Japan: A Modern History p 427 ISBN 0-393-04156-5
  12. John Toland, The Rising Sun: The Decline and Fall of the Japanese Empire 1936–1945 p 539 Random House New York 1970
  13. Meirion and Susie Harries, Soldiers of the Sun: The Rise and Fall of the Imperial Japanese Army p 424 ISBN 0-394-56935-0
  14. Sakamoto, Kerri: One Hundred Million Hearts. Vintage Book, 2004. ISBN 0-676-97512-7.
  15. a b Ivan Morris, The Nobility of Failure: Tragic Heroes in the History of Japan, p290 Holt, Rinehart and Winston, 1975
  16. «Cherry Blossom Tattoo Designs». Freetattoodesigns.org. Consultado em 10 de fevereiro de 2018