Salgueiro Maia

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Salgueiro Maia
Salgueiro Maia durante a Revolução de 25 de Abril de 1974
Nascimento 1 de julho de 1944 Castelo de Vide
Morte 4 de abril de 1992 (47 anos)

Fernando José Salgueiro Maia GOTEGCLGCIH (Castelo de Vide, 1 de julho de 1944Lisboa, 4 de abril de 1992), foi um militar português.[1][2] Foi um dos capitães do Exército Português que liderou as forças revolucionárias durante a Revolução de 25 de Abril de 1974, que marcou o final da ditadura.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Salgueiro Maia foi o único filho de um ferroviário, Francisco da Luz Maia, e de sua mulher, Francisca Silvéria Salgueiro (mortalmente atropelada aos 29 anos por um autocarro na Praça de Espanha, em Lisboa, tinha Fernando Salgueiro Maia quatro anos de idade)[3].

Nascido em Castelo de Vide, distrito de Portalegre, no Alto Alentejo, viveu subsequentemente em Coruche (frequentando a Escola Primária de São Torcato (Coruche)) e em Tomar. Quando tem 16 anos a família instala-se em Pombal; indo Salgueiro Maia fazer o ensino secundário no Liceu Nacional de Leiria (hoje Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo)[4].

Admitido, em outubro de 1964, na Academia Militar, em Lisboa, depois de ver reprovada a sua candidatura um ano antes, seria colocado colocado na Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém, para fazer o tirocínio. Na mesma instituição, ascendeu a comandante de instrução e integrou uma companhia dos comandos na Guerra Colonial[5].

Depois da revolução, viria a licenciar-se em Ciências Políticas e Sociais, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em Lisboa.

Papel na Revolução de 25 de Abril[editar | editar código-fonte]

Em 1973 iniciam-se as reuniões clandestinas do Movimento das Forças Armadas e, Salgueiro Maia, como Delegado de Cavalaria, integra a Comissão Coordenadora do Movimento. Depois do 16 de Março de 1974 e do Levantamento das Caldas, foi Salgueiro Maia, a 25 de Abril desse ano, quem comandou a coluna de blindados que, vinda de Santarém, montou cerco aos ministérios do Terreiro do Paço forçando, já no final da tarde, a rendição de Marcelo Caetano, no Quartel do Carmo, que entregou a pasta do governo a António de Spínola. Salgueiro Maia escoltou Marcelo Caetano ao avião que o transportaria para o exílio no Brasil.

Na madrugada de 25 de Abril de 74, durante a parada da Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém, proferiu o célebre discurso: Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui! Todos os 240 homens que ouviram estas palavras, ditas de forma serena mas firme, tão característica de Salgueiro Maia, formaram de imediato à sua frente. Depois seguiram para Lisboa e marcharam sobre a ditadura.[1][2]

A 25 de Novembro de 1975 sai da EPC, comandando um grupo de carros às ordens do Presidente da República. Será transferido para os Açores, só voltando a Santarém em 1979, onde ficou a comandar o Presídio Militar de Santarém. Em 1984 regressa à EPC.

Após a Revolução[editar | editar código-fonte]

Grafite do ícone da Revolução dos Cravos, Fernando José Salgueiro Maia, na parede da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa
Placa de homenagem a Salgueiro Maia, no local onde se dirigiu aos sitiados no Quartel do Carmo - Largo do Carmo, Lisboa

A 24 de Setembro de 1983 recebe a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, e, a título póstumo, o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, a 28 de junho de 1992,[6] e em 2007 a Medalha de Ouro de Santarém.

Recusou, ao longo dos anos, ser membro do Conselho da Revolução, adido militar numa embaixada à sua escolha, governador civil do Distrito de Santarém e pertencer à casa Militar da Presidência da República. Foi promovido a major em 1981 e, posteriormente, a Tenente-Coronel.

Em 1989 foi-lhe diagnosticada uma doença cancerosa que, apesar das intervenções cirúrgicas no ano seguinte e em 1991, o vitimaria a 4 de abril de 1992.[1][2] Os restos mortais de Salgueiro Maia foram exumados em 17 de novembro de 2015, em Castelo de Vide, para recolha de amostras de ADN. A ordem partiu do Tribunal de Família e Menores de Santarém e tem por base um processo de reconhecimento de paternidade que deu entrada na primeira instância em agosto de 2013. A ação foi interposta por um luso-americano, de 31 anos, que será fruto de uma relação extraconjugal de 10 anos mantida pelo militar, iniciada quando esteve destacado na ilha de São Miguel, nos Açores, com uma jovem emigrada nos Estados Unidos.

Foi agraciado a título póstumo pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, a 30 de Junho de 2016, véspera do dia em que completaria 72 anos de vida.[7]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Letria 2004
  2. a b c Duarte 2004
  3. Expresso
  4. Expresso
  5. Expresso
  6. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Salgueiro Maia". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 2014-05-18. 
  7. «Salgueiro Maia condecorado em gesto de "reparação histórica"». DN. Consultado em 2016-06-30. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Duarte, António de Sousa (2004). Salgueiro Maia: Fotobiografia (Lisboa: Âncora). ISBN 972-780-133-1. 
  • Letria, José Jorge (2004). Salgueiro Maia: o Homem do Tanque da Liberdade (Lisboa: Terramar). ISBN 972-710-371-5. 
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