Salman Rushdie
| Salman Rushdie | |
|---|---|
| Salman em 2011 | |
| Nome completo | Ahmed Salman Rushdie |
| Nascimento | 19 de junho de 1947 (71 anos) Bombaim, Maharashtra |
| Ocupação | Ensaísta e autor de ficção |
| Principais trabalhos | Versos Satânicos BRA ou Os Versículos Satânicos POR; Os Filhos da Meia-Noite |
| Prémios | Prémio Man Booker (1981) James Tait Black Memorial Prize (1981) |
| Movimento literário | realismo mágico |
| Página oficial | |
| http://www.salman-rushdie.com/ | |
Sir Ahmed Salman Rushdie,Kt. (احمد سلمان رشدی, /sælˈmɑːn
Rushdie foi condecorado em 15 de junho de 2007 como Cavaleiro Celibatário (Knight Bachelor), fato que provocou diversos protestos por religiosos de todo o mundo.
Índice
Obras[editar | editar código-fonte]
Estreou na literatura em 1975 com o romance Grimus.
Dono de um estilo próprio e dominando excelentes técnicas de narração, Rushdie já era um autor consagrado quando venceu o Prémio Booker em 1981 com a obra Os Filhos da Meia-Noite.
Tornou-se incomparavelmente mais famoso após a publicação do livro Versos Satânicos BRA ou Os Versículos Satânicos POR, em 1989 ,que causou controvérsia no mundo Islâmico, devido a este livro ter sido considerado ofensivo ao profeta Maomé. A 14 de Fevereiro de 1989, a fatwa ordenando a sua execução foi proferida pelo Aiatolá Ruhollah Khomeini, líder do Irã, chamando o seu livro de "blasfémia contra o Islão". Para além disso, Khomeini condenou Rushdie pelo crime de "apostasia" - fomentar o abandono da fé islâmica - o que de acordo com a Xaria é punível com a morte. Isto porque Rushdie comunicava através do romance que já não acreditava no Islão. Khomeini ordenou a todos os "muçulmanos zelosos" o dever de tentar assassinar o escritor, os editores do livro que soubessem dos conceitos do livro e quem tomasse conhecimento de seu conteúdo, conforme a fatwa. Devido a este fatos Rushdie foi forçado a viver no anonimato por muitos anos. A fatwa contra ele foi renovada em 2005 por Ali Khamenei, que já tinha declarado: "Mesmo que Salman Rushdie se arrependa ao ponto de se tornar o homem mais piedoso do nosso tempo, a obrigação permanece para cada muçulmano, de o enviar para o inferno, não importa a que preço, e mesmo fazendo o sacrifício de sua própria vida."[2][3]
A obra infanto-juvenil Haroun e o Mar de Histórias foi escrita pelo autor como uma forma de explicar ao seu filho por que razão tinha perdido a liberdade de expressão.
Com o seu primeiro romance pós-fatwa, intitulado O Último Suspiro do Mouro, foi vencedor do Prémio Whitebread.
Os Versículos Satânicos[editar | editar código-fonte]
O romance, com cerca de 500 páginas, é um trabalho complexo inspirado em fatos reais (o ataque contra um avião da Air India em 1985, os tumultos de Brixton em 1981 e 1985, o fervor popular em torno do actor indiano Amitabh Bachchan, após um acidente em 1982, o trágico afogamento em 1983 de vários seguidores xiitas de um iluminado que os convenceram de que o mar abriria diante deles, a revolução iraniana de 1979) referências biográficas sobre o próprio autor ou sua comitiva, bem como fatos históricos inspirados na vida de Maomé, lendário (como o episódio dos versos satânicos) ou imaginário. Baseia-se em um tema central que pode ser encontrado em outras obras do autor: o desenraizamento do imigrante, dividido entre sua cultura de origem a partir da qual se afasta e a cultura de seu país anfitrião, que ele ansiosamente deseja adquirir, e a dificuldade desta metamorfose. A novela constrói pontes entre a Índia e a Grã-Bretanha, o passado e o presente, o imaginário e a realidade, e aborda muitos outros temas, fé, tentação, fanatismo religioso, racismo, brutalidade policial, provocação política, doença , morte, vingança, perdão ...
Consiste em nove capítulos. Os capítulos ímpares descrevem as peregrinações dos dois personagens principais, Gibreel Farishta e Saladin Chamcha. Os capítulos pares são as narrativas dos sonhos e pesadelos de Gibreel Farishta. O último, um ator de renome no cinema indiano, perdeu a fé após uma doença e fugiu para a Inglaterra em busca de uma jovem que conhecera pouco antes. Saladin Chamcha também é de origem indiana, mas é dotado de um passaporte britânico, e de toda a sua alma quer ser britânico. Sua cor de pele provoca preconceitos, e ganha sua vida pelo talento que ele tem para falsificar sua voz. Encontrando-se ambos num vôo para Londres, são os únicos sobreviventes de um ataque terrorista. Quando eles chegam ilesos em uma praia, eles enfrentam policiais que suspeitam que sejam imigrantes ilegais, mas apenas Saladino Chamcha, embora o mais "britânico" dos dois, considerado o mais suspeito, é preso sem que Gibreel Farishta esboçe o menor gesto de solidariedade. Os dois homens, agora separados, e reciprocamente prometendo uma certa animosidade, evoluirão cada um do seu lado durante a novela, antes de confrontar-se.
Gibreel Farishta, objeto de alucinações, tem vários sonhos. Estes referem-se aos começos da pregação de um profeta monoteista, Mahound, na cidade de Jahiliya e as pressões a que está submetido, a um imã exilado de um país onde ele retorna como resultado de uma revolução (uma alusão ao Ayatollah Khomeini), e a uma menina que convence sua aldeia a ir a Meca atravessando o Mar Arábico .
Obras[editar | editar código-fonte]
- Grimus (1975)
- Os Filhos da Meia-Noite - no original Midnight's Children (1980)
- Vergonha - no original Shame (1983)
- O Sorriso do Jaguar - no original The Jaguar Smile: A Nicaraguan Journey (1987)
- Versos Satânicos BRA ou Os Versículos Satânicos POR - no original The Satanic Verses (1989)
- Haroun e o Mar de Histórias - no original Haroun and the Sea of Stories (1990)
- Pátrias Imaginárias - no original Imaginary Homelands: Essays and Criticism, 1981-1991 (1992)
- Oriente, Ocidente - no original East, West (1994)
- O Último Suspiro do Mouro - no original The Moor's Last Sigh (1995)
- O Chão que Ela Pisa - no original The Ground Beneath Her Feet (1999)
- Fúria - no original Fury (2001)
- Step Across This Line: Collected Nonfiction 1992-2002 (2002)
- Shalimar, o Palhaço ou Shalimar, o Equilibrista (Brasil) - no original Shalimar, the clown (2005)
- A Feiticeira de Florença - no original The Enchantress of Florence (2008)
- Joseph Anton - Uma Memória - no original Joseph Anton - A Memoir (2012)
- Dois Anos, Oito Meses e Vinte e Oito Noites - no original Two Years Eight Months and Twenty-Eight Nights (2015)
- The Golden House (2017)
Referências
- ↑ British Council profile
- ↑ Osborne, Samuel (21 de Fevereiro de 2016). «Salman Rushdie: Iranian state media renew fatwa on Satanic Verses author with $600,000 bounty». The Independent
- ↑ «Há 25 anos, Salman Rushdie recebia "sentença de morte" islâmica». Carta Capital. 14 de Fevereiro de 2014
Ver também[editar | editar código-fonte]
Ligações externas[editar | editar código-fonte]
- Salman Rushdie no Twitter
- Figurações do feminino na obra de Salman Rushdie
- Questões pós-coloniais em Grimus, de Salman Rushdie
- A reinvenção dos símbolos: um olhar crítico sobre as relações entre o Oriente e o Ocidente na era do pós-colonialismo
- O diálogo intertextual entre Salman Rushdie e Ítalo Calvino em Fúria-romance
- Carreira, Shirley de S. G. "A representação da mulher em Shame, de Salman Rushdie, e O deus das pequenas coisas, de Arundathi Roy". In: MONTEIRO, Conceição & LIMA, Tereza M. de O. ed. Rio de Janeiro: Caetés, 2005
- O mar de histórias revisitado: uma análise de Shalimar, o equilibrista, de Salman Rushdie
- Vestígios da transculturação em Shame, de Salman Rushdie
- Arquivo pessoal de Salman Rushdie na Universidade de Emory
Bibliografia[editar | editar código-fonte]
- CARREIRA, Shirley de S.G. Transculturação: a saga do escritor migrante. Cadernos de Literatura Comparada 14/15, tomo 1, Porto, FLEUP, 2006, 369-381. ISSN: 1645-1112
- CARREIRA, Shirley de S.G. Fúria: a saga do homem traduzido In: Dialogando com culturas: questões de memória e identidade. MONTEIRO Conceicão & LIMA, Tereza Marques de O.ed. Rio de Janeiro: Vício de Leitura, 2003