Salomão da Rocha

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José Agostinho Salomão da Rocha
Apelido Salomão da Rocha
Dados pessoais
Nascimento 1855 SergipeSergipe
Morte 4 de março de 1897 (42 anos) BahiaCanudos
Vida militar
Força Exército
Hierarquia Capitão.png
Capitão
Batalhas Guerra de Canudos

José Agostinho Salomão da Rocha (Sergipe, 1855Canudos, 4 de março de 1897) foi um capitão brasileiro, que pereceu heroicamente na Guerra de Canudos.

Carreira militar[editar | editar código-fonte]

Em 25 de maio de 1874, assentou praça como voluntário no 12° Batalhão de Infantaria, aquartelado em Rio Grande–RS. Em 1877, como 2° Sargento, prestou exame prático da arma de Infantaria, tendo sido aprovado. Um ano depois, foi promovido a 1° Sargento e requereu matrícula numa das escolas militares. Em 15 de maio de 1878, ficou adido ao 7° Batalhão de Infantaria sediado no Rio de Janeiro, aguardando vaga na Escola Militar. Em dezembro desse ano foi transferido para o 13° Batalhão de Infantaria, aquartelado em Porto Alegre-RS.

Em 1879 foi matriculado no curso preparatório da Escola de Cavalaria e Infantaria de Porto Alegre. Já possuidor dos cursos de Infantaria e Cavalaria em 1885, estudou por mais um ano, como facultava a legislação vigente, sendo aprovado em dezembro no 3° ano prático de Artilharia, ficando, então, habilitado a servir como oficial nas três armas (Infantaria, Cavalaria e Artilharia).

Em 4 de janeiro de 1886, foi promovido a Alferes, sendo classificado no 3° Regimento de Cavalaria de São Borja-RS. Em 15 de novembro de 1887, foi transferido para a arma de Artilharia e classificado no 4° Batalhão de Artilharia de Posição, no Amazonas. Dois anos depois, foi transferido para o 4° Regimento de Artilharia de Campanha em Bagé-RS.

Em 17 de março de 1890 foi promovido Primeiro-Tenente e transferido para o 3° Regimento de Artilharia Montado em Curitiba-PR, onde se apresentou em 7 de julho, assumindo o comando da 3ª Bateria. Esteve destacado no oeste paranaense por duas vezes, ficando a disposição da Comissão Estratégica, que fazia os reconhecimentos para a construção de rodovias, exercendo o comando desse contingente. De regresso ao Regimento, a 10 de janeiro de 1893, assumiu o comando da 2ª Bateria e posteriormente o cargo de secretário. Em 27 de fevereiro desse mesmo ano, transferiu-se para o 5° Regimento de Artilharia a Cavalo em Santa Cruz do Sul- RS, onde participou do bombardeio desencadeado pela conquista da Ilha de Mocange, durante a Revolta da Armada.

Em 9 de março de 1894 foi promovido ao posto de Capitão e classificado no 2° Regimento de Artilharia a Cavalo. Em 3 de fevereiro de 1897 seguiu para Canudos como Comandante da 4ª Bateria do 2° Regimento. Em 4 de março desse ano, sucumbiu trucidado, em pleno sertão baiano, à frente de sua Bateria e abraçado a seus canhões Krupp.[1]

Feito heróico[editar | editar código-fonte]

O Capitão Salomão da Rocha, Comandante da 4ª Bateria do 2º Regimento de Artilharia a Cavalo, fazia parte da Expedição do Coronel Antônio Moreira César que iria combater, no Arraial de Canudos, os jagunços liderados por Antônio Conselheiro. Sublime página de heroísmo escreveu, na história do Exército e da Artilharia, essa Bateria comandada por Salomão da Rocha, massacrado juntamente com seus canhões Krupp, na estrada da Favela em 4 de março de 1897.

Várias tentativas de conquistar os redutos dos jagunços foram infrutíferas. Numa destas tentativas, o Comandante da Expedição, Coronel Moreira César, foi seriamente ferido, assumindo o comando da mesma, o Coronel Pedro Nunes Batista Ferreira Tamarindo que face às grandes perdas sofridas, a escassez de munições da Infantaria e Artilharia, determinou a retirada de sua tropa.

Coube, então, à 4ª Bateria, comandada por Salomão da Rocha, a missão de relevo nessa operação. Manter os atacantes à distância enquanto se processava a evacuação dos feridos. Ante o furor assassino dos fanáticos jagunços de Antônio Conselheiro, que atacavam de todos os lados, os elementos retirantes, profundamente abalados com a morte do Coronel Moreira César, retraíram ao longo da única estrada que conduzia à retaguarda.

Em meio aos dramáticos acontecimentos que envolveram de tragédia a expedição Moreira César, o bravo artilheiro exemplificou, de forma soberana, as palavras contidas na Canção da Artilharia, resultando, em meio à derrota, um heroico exemplo de estoicismo no cumprimento do dever:

Combate em Canudos: Morte do Capitão Salomão da Rocha defendendo uma peça de artilharia.

De acordo com o livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, "vê-se a beleza dos gestos, da artilharia de Salomão, em meio a grande tragédia acontecida".

Dentre seus versos destaca-se esse episódio: “Apenas a artilharia, na extrema retaguarda, seguia vagarosa e unida, solene quase, na marcha habitual de uma revista em que parava quando para varrer a disparos as macegas traiçoeiras, e prosseguindo depois lentamente, rodando, inabordável, terrível.

A dissolução da tropa parara no aço daqueles canhões, cuja guarnição diminuta se destacava maravilhosamente, impávida, galvanizada pela força moral de um valente. De sorte que no fim de algum tempo em torno dela se adensaram mais numerosos, os perseguidores. O resto da expedição podia escapar-se a salvo. Aquela bateria libertava-a. De encontro aos quatro Krupp de Salomão da Rocha, como de encontro a uma represa, embatia, e parava, aduava-se, avolumando e recuava, e partia-se a onda rugidora dos jagunços.

Naquela corrimaça sinistra, em que a ferocidade e a covardia revoluteavam confundidas sob o mesmo aspecto revoltante, abriu-se de improviso em episódio épico. Contidos, a princípio em distância, os sertanejos constringiam pouco a pouco o círculo de ataque, em roda das duas divisões, que os afrontavam, seguindo a passo tardo, ou, de súbito, alinhando-se em batalha e arrebentando-se em descargas fulminando-os.

As granadas explodindo entre os restolhos secos do matagal incendiavam-nos; ouvia-se lá dentro, envolta com o crepitar de queimadas sem labaredas, extintas nos brilhos da manhã claríssima, brados de cólera e de dor; e tontos de fumo, saltando dos esconderijos em chamas, gritando, correndo, disparando os trabucos e as pistolas, assombrados ante aquela resistência inexplicável, vacilantes no assaltar a zargunchadas e a faca o pequeno grupo de valentes indomáveis.

Estes, entretanto, mal podiam prosseguir. Reduziam-se. Um a um tombavam os soldados da guarnição. Feridos ou espantados, os muares de tração empacavam, torciam-se, impossibilitando a marcha. A Bateria afinal parou. Os canhões, emperrados imobilizaram-se numa volta de caminho.

O Coronel Tamarindo, que volvera à retaguarda, agitando-se e infatigável entre os fugitivos, penitenciando-se heroicamente, na hora da catástrofe, da tibieza anterior, ao deparar com aquele quadro estupendo, procurou debalde socorrer os únicos soldados que tinham ido a Canudos. Inteiramente só, sem uma única ordenança, o Coronel Tamarindo, lançou-se desesperadamente pela estrada – agora deserta – como se procurasse conter ainda pessoalmente a retaguarda.

E a Artilharia ficou, afinal, inteiramente em abandono. Os jagunços lançaram-se sobre ela. Era o desfecho. O Capitão Salomão da Rocha tinha apenas meia dúzia de combatentes leais. Convergiram-lhe em cima os golpes; e ele tombou. Retalhado à foice junto dos canhões que não abandonara. Consumara-se a catástrofe.

Homenagens[editar | editar código-fonte]

O 5º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado, situado em Curitiba, possui o nome histórico de Grupo Salomão da Rocha, em homenagem ao heróico artilheiro de Canudos.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Histórico do 5º GAC AP». Consultado em 3 de dezembro de 2014