Salta (cidade)

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Argentina Salta

Ciudad de Salta

 
—  Província  —
Salta Montage.jpg
Salta está localizado em: Argentina
Salta
Localização de Salta na Argentina
Coordenadas 24° 47' 24" S 65° 24' 36" O
Província Salta Flag of Salta province in Argentina.gif
Departamento Capital
Fundação 16 de abril de 1582
Fundador Hernando de Lerma
Administração
 - Intendente Miguel Angel Isa
Altitude 1 187 m (3 894 pés)
População (2010)
 - Total 535 303
Gentílico: saltenho/a
Fuso horário EET (UTC+2)
 - Horário de verão EEST (UTC+3)
Código postal A4400
Sítio www.municipalidad-salta.gov.ar

Salta é uma cidade argentina, capital da província de Salta e uma das mais importantes cidades do noroeste do país.

Salta fica localizada a leste da cordilheira dos Andes, no fértil Vale de Lerma, a cerca de 1 187 m de altitude, e é atravessada pelo rio Arenales. Nas últimas décadas a área urbana estendeu-se até alcançar localidades vizinhas, compondo a região que se denomina Grande Salta.

Sua localização geográfica é estratégica para as comunicações com a Bolívia e o norte do Chile. É também centro de uma importante região agrícola (principalmente na produção de grãos): milho, tabaco, cereais, cana de açúcar, etc, que são exportados para a Europa via Buenos Aires ou para a Califórnia e mercados do Pacífico pelo porto chileno de Antofagasta.

Salta fica a 1605 quilômetros da cidade de Buenos Aires, a 902 km de Córdoba, a 1500 km de Puerto Iguazú, 1268 km de Mendoza e 4019 km de Ushuaia.

É uma sede episcopal. Conta com duas universidades: a Universidade Nacional de Salta e a Universidad Católica de Salta, e numerosas instituições educativas de nível superior, incluindo vários museus e bibliotecas.

O aeroporto internacional General Martín Miguel de Güemes (SLA: SASA, em 24° 51' S 65° 29' O, distante 6 km do centro da cidade, a sudeste), oferece voos diários para outras cidades argentinas: Buenos Aires, Córdoba, San Miguel de Tucumán e semanais para Iguazú, Mendoza, Rosario e Ushuaia. Também opera para destinos internacionais: Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, Lima no Peru, Iquique e Santiago no Chile, e Florianópolis no Brasil.

Famosa por sua arquitetura colonial, em anos recentes Salta veio a tornar-se um importante centro de turismo. Por seus atrativos recebeu o apelido de Salta, la Linda ("Salta, a linda"). De acordo com os estudiosos, a palavra salta foi produto de uma deformação da palavra aimará (os indígenas originais) sagta, que significa la hermosa ("a formosa"), e por fim finalmente permaneceu "Salta, a formosa" ou "linda", como se diz atualmente.

População[editar | editar código-fonte]

Contava com 535 303 habitantes em 2010, segundo o INDEC. Isso representa um aumento de 14% na população desde 2001, quando a cidade registrou uma população de 469 103 habitantes.

A região metropolitana da Grande Salta — com 554 125 habitantes — constitui a 8.ª maior região metropolitana da Argentina, e é a 2.ª maior do norte argentino.

História[editar | editar código-fonte]

Cabildo de Salta, século XVIII.

A cidade foi fundada em 16 de abril de 1582 pelo espanhol Hernando de Lerma, cumprindo ordens do vice-rei do Peru, Francisco de Toledo, que tinha o objetivo de criar uma escala na rota entre Lima e Buenos Aires. Durante o período colonial a população cresceu rapidamente pois era abastecedora de matéria-prima para a opulenta Potosí. Fez parte do vice-reino do Peru até 1776, quando a Coroa espanhola criou o vice-reino do Rio da Prata. Em 1783 foi designada capital da Intendência de Salta del Tucumán, devido à sua importância no Vice-reino

Gaúchos de Güemes.

Nos tempos da Guerra da Independência da Argentina, a cidade foi quartel-general das expedições ao Alto Peru e na luta contra os realistas (espanhóis e pró-espanhóis). Em 1813, as tropas argentinas ordenadas por Manuel Belgrano conseguiram a decisiva vitória sobre os realistas na Batalha de Salta, sucesso bélico que deixou práticamente livre à maior parte do território argentino. Depois da derrota argentina na Sipe-Sipe, a região foi cenário da guerra de guerrilha conhecida como a Guerra Gaucha, onde destacaram os gaúchos de Salta, Jujuy e Tarija, ao mando do general Martín Güemes, quem defenderam com êxito o norte argentino das repetidas invasões realistas. No entanto, Salta foi arruinada economicamente.

Após a independência em 1816, a cidade submergiu num período de decadência por boa parte do século XIX. A retomada começou na década de 1890, com a chegada da ferrovia e a radicação de numerosos imigrantes espanhóis, italianos e árabes (sírios e libaneses em particular), e a economia local ganhou novo vigor.

Desde meados do século XX a cidade experimenta um acelerado crescimento demográfico, passando de 115 mil habitantes em 1960 a quase 600 mil na atualidade.

Arquitetura e atrativos[editar | editar código-fonte]

Salta é uma das cidades que mais preservou sua arquitetura colonial em toda a Argentina. Desta época preserva o Cabildo colonial (século XVIII), a Igreja e Convento de São Bernardo (séculos XVII-XVIII) e várias casas do século XVIII. Possui ainda importantes construções neoclássicas e ecléticas, como a Catedral e a Igreja e Convento de São Francisco.

Catedral.

O Cabildo é o edifício colonial mais antigo da cidade. As obras da construção se iniciaram em 1780 sob a direção de Antonio de Figueras. Sua torre foi levantada vários anos depois. Mais adiante foi parcialmente demolido: desapareceram a sala capitular, três arcos da planta baixa e quatro da planta alta. Em 1945 foi restaurado pelo arquiteto Mario Buschiazzo, que também participou da reconstrução da imagem original do Cabildo de Buenos Aires e da Casa de la Independencia em Tucumán. É o cabildo mais completo e melhor conservado da Argentina.

Atualmente é sede de dois museus em seu interior: do Museu Histórico do Norte na planta baixa e do Museu Colonial e das Belas Artes na planta alta.

Fachada da Igreja de São Francisco.

A Igreja Catedral de Salta foi construída onde estava a primeira catedral da cidade. A edificação é da segunda metade do século XIX. É um Monumento Histórico Nacional; na parte posterior funciona o Museu Catedralício.

Tanto o Cabildo como a Catedral estão localizados em frente à Praça 9 de Julio, que é a praça principal, onde se pode admirar a bela arquitetura colonial dos velhos edifícios.

A Igreja de São Francisco de Salta é um dos mais belos edifícios de estilo neoclássico do século XIX na Argentina. Sua fachada e seus muros vermelhos aparecem em muitos cartões-postais da cidade.

O Museu de Arqueologia de Alta Montaña (MAAM) é também outro dos atrativos do centro da cidade aonde são expostos elementos de um Santuário de Altura inca, que incluem as múmias de Llullaillaco. Outros lugares de interesse são os museus das Belas Artes e da Cidade, a Legislatura e a casa do General Güemes.

Monumento ao General Güemes.

A cidade de Salta é o início do itinerário do Trem das Nuvens (Tren a las Nubes), que realiza um peculiar passeio pela região de La Puna, um altiplano quase desértico. Com enormes contrastes em seu trajeto, o trem sobe a encosta dos Andes, localizados na província de Salta. O serviço foi interrompido momentaneamente em julho de 2005 para reparo, tendo sua reativação programada para breve. Atualmente, o destino final é a cidade de San Antonio de los Cobres.

A vista do morro San Bernardo, que se eleva mais de 200 metros acima do nível da cidade, propicia uma vista maravilhosa de Salta e do Valle de Lerma.

No sopé do cerro San Bernardo se ubica o Monumento ao General Martin Güemes, herói da independência Argentina.

Perto da praça principal, na Rua Balcarce á noite funcionam várias peñas, onde se pode disfrutar da música folclórica e das comidas típicas; também há restaurantes, danceterias, bares e pubs. Nos sábados, domingos e ferias, a rua é área de exposições e artesanatos.

Teleférico ascendendo ao cerro San Bernardo, com uma vista panorâmica da cidade de Salta.

Vida cultural[editar | editar código-fonte]

Edifícios ao redor da praça principal.

Em meados do século XX havia em Salta um interessante movimento literário cujos mais famosos expoentes foram os poetas Juan Carlos Dávalos, Manuel J. Castilla, José Rios, Walter Adet e Sara San Martín de Dávalos.

Na área musical, a cidade tem uma grande importância na música folclorica argentina, sendo origem de muitos dos principáis referentes do folklore argentino: Jaime Dávalos, Eduardo Falú, Gustavo "Cuchi" Leguizamón, Dúo Salteño, Los Chalchaleros, Los Fronterizos, Los Cantores del Alba, Hernán Figueroa Reyes, Dino Saluzzi, Daniel Tinte, Julia Elena Dávalos y Los Nocheros, entre muitos outros.

Atualmente existem numerosas instituições que cultivam a pintura, a escultura, danças, a música e as letras. Um grupo de artistas e escritores dão recitais poéticos "andarilhos", organizados pelo movimento Joaquina Cultural. Existem apresentações regulares nas calçadas da avenida San Martín, uma zona tipicamente boêmia.

A Orquestra Sinfônica da Província ganhou um sólido prestígio com recentes apresentações em outras províncias e na capital, Buenos Aires. O Centro Cultural America e o Museu de Arte Conteporânea (MAC) - ambos frente à praça principal da cidade - oferecem um variado calendário de exposições e eventos ao longo do ano. Em anos recentes, um crescente número de atores e diretores vêm dando vida a um incipente movimento teatral. O teatro da Peña Española é provavelmente o de maior prestígio. No campo cinematográfico se deve destacar a nova de camada de diretores jovens, entre eles Lucrecia Martel, diretora de La ciénaga (2001) e La niña santa (2003) e Rodrigo Moscoso, diretor de Modelo 73 (2001).

A vida cultural da cidade alcança seu clímax em abril, quando se celebra o aniversário da fundação da cidade. Para esta ocasião, e durante todo o mês, se organiza o "Abril Cultural Saltense", com exposições de arte, concertos, "veladas" literárias e outros eventos.

Visão geral de edifícios em toda a praça 9 de Julho.

Clima[editar | editar código-fonte]

Climograma de Salta.

Ubicada no sopé dos Andes, o clima da cidade é temperado, com verões quentes e chuvosos, e invernos frios e secos, acontecendo ocasionalmente a queda de neve.

As médias anuais de precipitação são de 756 mm e a média anual de temperatura é de 16,4°C (21,8 °C em janeiro e 11,2 °C em julho). Dezembro, janeiro e fevereiro são os meses com maiores médias de precipitação.

Esportes[editar | editar código-fonte]

Em Salta, assim como em todo o resto da Argentina, o futebol é o esporte mais popular. Os principais clubes são o Club Central Norte, o Centro Juventud Antoniana e o Club de Gimnasia y Tiro de Salta. Eles participam na terceira e quarta divisão de futebol nacional, e alguma vez têm participado na primeira divisão. O principal estádio da cidade é o Estadio Padre Martearena, com capacidade para 20 408 espectadores. Em Salta tambén existem os estadios Gigante del Norte, Fray Honorato Pistoia e Dr. Luis Güemes.

Para os outros esportes, a cidade conta com o estádio Polideportivo Delmi, com capacidade para 10 000 espectadores.

Outros esportes com grande número de praticantes são o beisebol (alguns jogadores locais figuram entre os melhores do país), basquete, vôlei e montanhismo.

Um esporte muito comum tambem na zona é o Rugby, com clubes como Jockey Club Salta, Tigres Rugby Club, Universitarios Rugby Club e Gimnasia y tiro Salta.

Aos fins de semana, milhares de saltenses ascendem ao cume do cerro San Bernardo para praticar aeróbica, exercitar-se e admirar o horizonte da cidade.

Problemas e desafios[editar | editar código-fonte]

Rua em Salta.

A cidade padece de graves inconvenientes urbanísticos devido ao crescimento excessivo e sem planejamento que experimentou durante a última metade de século. Até a década de 1950 a cidade crescia em quarteirões, com ruas retas que se cruzavam em ângulos de 90º. Mas desde a chegada de migrantes provenientes da zona rural e de países limítrofes (especialmente da Bolívia), e do alto número de nascimentos (sobretudo da população pobre) - somados à falta de planejamento por parte das autoridades publicas - fizeram com que a capital provincial se expandisse de maneira irregular e desproporcionada.

Salta cresceu disforme. Têm cerca de 25 km de norte ao sul e 10 km de leste a oeste. Existem enormes setores que parecem verdadeiros labirintos. O barrio (bairro) de Tres Cerritos, por exemplo, na zona nordeste da cidade, tem ruas sinuosas e desemparelhadas. Os barrios da zona sudeste (San José, Santa Lucía, etc.) não possuem uma só rua que seja reta por mais de 200 metros.

Outro grave problema é o trânsito. As principais causas deste problema são o excesso de automóveis particulares que circula pela cidade, a presença de numerosos táxis e lotações irregulares, o mau estado de conservação das ruas e a péssima conduta de muitos motoristas saltenhos. Todas estas condições fazem com que Salta seja uma cidade sumariamente caótica.


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