Samarco

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Samarco
Razão social Samarco Mineração S.A.
Tipo Empresa de capital fechado
Slogan Desenvolvimento com Envolvimento
Indústria Mineração
Gênero Sociedade anônima
Fundação 1977 (39–40 anos)
Sede Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil
Locais Mariana, Anchieta
Presidente Roberto Lúcio de Carvalho
Pessoas-chave Roberto Lúcio de Carvalho Maury de Souza Junior
Empregados Cerca de 3 mil[1] (2015)
Produtos Pelotas de minério de ferro
Acionistas Vale e BHP Billiton; (50%)
Antecessora(s) Sociedade Anônima Mineradora Trindade (Samitri)
Website oficial www.samarco.com.br

A Samarco Mineração S.A. é uma mineradora brasileira fundada em 1977 e atualmente controlada através de uma joint-venture entre a Vale S.A. e a anglo-australiana BHP Billiton, cada uma com 50% das ações da empresa.[2] A área teve a sua concessão transferida da Sociedade Anônima Mineradora Trindade (Samitri) para a Samarco.[3]

Trata-se de uma empresa que lucrou R$ 13,3 bilhões entre 2010 e 2014, sendo o lucro isolado do ano de 2014 de R$ 2,8 bilhões, segundo dados da própria empresa publicados em seu portal na internet.[4]

Em 5 de novembro de 2015 a mineradora ganhou destaque após o desastre do rompimento de barragem em Bento Rodrigues. As barragens de rejeitos faziam parte da Mina de Germano, que integra o chamado Complexo de Alegria, situado no distrito de Santa Rita Durão do município de Mariana, no estado de Minas Gerais.[5]

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Ricardo Vescovi
Ricardo Vescovi na Assembleia Legislativa do Espírito Santo em abril de 2015, meses antes da tragédia em Bento Rodrigues, quando a Samarco esteve envolvida na CPI do Pó Preto.
Nome completo Ricardo Vescovi de Aragão
Nascimento 1970 (46–47 anos)[6]
Nacionalidade brasileiro
Cônjuge Christina[7]
Filho(s) 2[7]
Alma mater Escola de Minas de Ouro Preto (UFOP)
Ocupação Engenheiro e diretor presidente da Samarco

A Samarco tem sede na capital mineira de Belo Horizonte e mantém unidades industriais no interior do estado nos municípios de Mariana e Ouro Preto, bem como no estado Espírito Santo, no município de Anchieta, onde está a unidade de Ponta Ubu.[8]

Em Minas Gerais, na divisa dos municípios de Mariana e Ouro Preto, localiza-se a unidade de Germano, que abriga a parte de mineração e beneficiamento inicial do minério de ferro. A produção desta unidade é escoada para o Espírito Santo por meio de um mineroduto.[8]

No Espírito Santo ficam a parte da pelotização do minério de ferro e o Porto de Ubu, bem como um escritório na cidade de Vitória para as operações de comércio exterior e câmbio. Em 2015 a presidência da Samarco era ocupada por Ricardo Vescovi, posto ocupado anteriormente por José Tadeu de Moraes.[8]

Diretoria[editar | editar código-fonte]

  • Roberto Lúcio Nunes de Carvalho - diretor presidente
  • Maury de Souza Junior - diretor de operações e infraestrutura
  • Eduardo Bahia Martins Costa - diretoria financeira e de suprimentos
  • Fernando Schneider Künsch - relações exteriores

Produção[editar | editar código-fonte]

Em 2015 a mineradora era a décima maior exportadora do Brasil, com clientes em mais de 20 países.[2] Em 2014 a empresa obteve lucro de R$ 2,8 bilhões, sendo que os lucros acumulados de 2010 a 2014 somam R$ 13,3 bilhões, segundo dados da própria empresa.[4]

Em 2015 a Samarco transferiu ao município de Mariana cerca de R$ 37,4 milhões relativos ao tributo da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, cuja alíquota é de 2% sobre o valor líquido da venda do minério.[4] Desse valor, o município fica com 65% e o restante é dividido entre o estado de Minas Gerais (23%) e a União (12%).[4]

Impactos socioambientais[editar | editar código-fonte]

Em sua história recente, a Samarco esteve envolvida em diversos episódios causadores de danos socioambientais nas áreas onde pratica a atividade da mineração. Reportam-se, por exemplo, ao menos cinco outros episódios de rompimento de estruturas, para além do notório caso em Bento Rodrigues, sendo que em quatro desses episódios houve vazamentos de lama que mataram peixes e paralisaram a captação de água.[9] Além desses vazamentos, no ano de 2014 a empresa foi uma das responsáveis pela poluição acentuada na capital do Espírito Santo, Vitória, que resultou na CPI do Pó Preto.[10]

CPI do Pó Preto[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: CPI do Pó Preto

Em 2015, juntamente com a Samarco, as empresas Arcellor Mital e Vale S.A foram responsabilizadas pela emissão de pó preto no ar de Vitória.[10]

Desastre em Bento Rodrigues[editar | editar código-fonte]

O ex-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi (esquerda), ao lado do deputado do Espírito Santo Lelo Coimbra e do então vice-presidente Michel Temer.

A Samarco é responsável pelo maior desastre ambiental ocorrido no Brasil: o rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração de ferro no município de Mariana, que provocou a morte de pelo menos 17 pessoas na comunidade de Bento Rodrigues e entorno, além de causar crise no abastecimento de água de cidades do vale do rio Doce e uma catástrofe ambiental sem precedentes na bacia do rio Doce, ao longo de uma faixa de 800 km (desde Mariana até a foz do rio, no Oceano Atlântico),[11]com grandes danos aos ecossistemas e particularmente aos maiores refúgios da Mata Atlântica do estado, entre eles o Parque Estadual do Rio Doce. A catástrofe atingiu também cidades do Espírito Santo.[12][13] Foram destruídos 324 hectares de Mata Atlântica entre Mariana e Ponte Nova (que ficam a 114 km de distância), sendo 236 ha de floresta nativa.[11]

Por causa da tragédia o Governo do Estado embargou as atividades da empresa em 9 de novembro de 2015.[14]

Em 17 de novembro de 2015, durante uma entrevista coletiva, um dos representantes da empresa disse que

Posteriormente, em entrevista exclusiva ao programa Fantástico da Rede Globo, no dia 22 de novembro, outro representante da empresa afirmou que

Em uma coletiva de empresa organizada pela própria Samarco em novembro de 2015, um repórter da Bandeirantes, apesar de possuir todas as credenciais, foi impedido de participar da coletiva por cinco seguranças sem motivo justificado.[17] O repórter em questão, Juliano Dip, do programa de jornalismo humorístico CQC, afirmou num segundo momento que apenas queria perguntar pelo motivos que uma empresa como a Samarco tem de financiar campanhas de políticos no Brasil em cifras que atingem o valor de 80 milhões de reais.[18]

Em 20 de janeiro de 2016 o Conselho de Administração da Samarco aceitou os pedidos de afastamento do presidente Ricardo Vescovi e do diretor de operações Kleber Terra de suas funções na companhia. Os dois foram indiciados pela Polícia Federal por crime ambiental e vão se dedicar as suas defesas. O atual diretor Roberto Lúcio de Carvalho vai assumir a presidência interinamente.[19]

Fundação Renova[editar | editar código-fonte]

Após a assinatura de um Termo de Transação de Ajustamento de Conduta (TTAC) entre a Samarco e suas controladoras, Vale e BHP Billiton, com os governos federal e dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, foi criada a Fundação Renova[20], instituição responsável por conduzir os programas de reparação, restauração e recuperação socioeconômica e socioambiental nas áreas impactadas pelo rompimento da barragem de Fundão.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Carlos Eduardo Cherem (9 de novembro de 2015). «Mais de 2.500 funcionários da Samarco entram em licença remunerada». UOL. Consultado em 21 de janeiro de 2016 
  2. a b Veja: Samarco é a décima maior exportadora do país
  3. «As Minas de Germano da Samarco». www.morrodomoreno.com.br. 16 de março de 2015. Consultado em 10 de novembro de 2015 [fonte confiável?]
  4. a b c d Wellington Ramalhoso (15 de novembro de 2015). «Prejuízo em Mariana é quatro vezes maior que royalties pagos pela Samarco». UOL Notícias. Consultado em 21 de janeiro de 2016 
  5. «Barragem de mineradora se rompe, mata um e deixa 16 desaparecidos - Notícias - R7 Minas Gerais». r7.com. Consultado em 10 de novembro de 2015 
  6. Estevão Bertoni (1 de dezembro de 2015). «Desastre em Mariana abala trajetória do presidente da Samarco». Folha de S.Paulo. Consultado em 21 de janeiro de 2016 
  7. a b c UFOP: Clipping - Revista Encontro Belo Horizonte-MG em 06/01/2014
  8. a b c «Samarco será destacada com o Troféu Notáveis». Diário do Comércio. 8 de novembro de 2007. Consultado em 21 de janeiro de 2016 
  9. Estevão Bertoni e Thiago Amâncio (2 de dezembro de 2015). «Samarco teve outros 4 vazamentos de lama antes de tragédia em MG». Folha de S.Paulo. Consultado em 21 de janeiro de 2016 
  10. a b «Três empresas são responsáveis por emissão de pó preto no ES, diz CPI». G1. 7 de outubro de 2015. Consultado em 21 de janeiro de 2016 
  11. a b Enchente de rejeitos da Samarco deixou solo infértil, aponta Embrapa. R7, 17 de dezembro de 2015.
  12. Rompimento de barragens causa "maior dano ambiental da história de Minas", diz promotor.
  13. «Tragédia em Mariana já é considerada o maior desastre ambiental de MG». Fantástico. Consultado em 10 de novembro de 2015 
  14. «Governo de Minas suspende atividades da Samarco em Mariana - Notícias - R7 Minas Gerais». r7.com. Consultado em 10 de novembro de 2015 
  15. «Samarco cita risco de rompimento e diz que não é hora de pedir desculpas». El País Brasil. 17 de novembro de 2015. Consultado em 21 de janeiro de 2016 
  16. «Diretor-presidente da Samarco pede desculpas por tragédia em Mariana». OTempo. 23 de novembro de 2015. Consultado em 25 de novembro de 2015 
  17. «CQC é barrado em coletiva da Samarco: "eles têm medo das perguntas"». Notícias ao Minuto. Consultado em 21 de janeiro de 2016 
  18. «Proteste Já». Bandeirantes. Consultado em 21 de janeiro d 2016  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  19. G1 MG (20 de janeiro de 2016). «Presidente e diretor de operações da Samarco se afastam das funções». globo.com. Consultado em 21 de janeiro de 2016 
  20. «Roberto Waack presidirá fundação para reparar danos em Mariana (MG)». Valor Econômico 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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