Santa Cruz do Sul

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Município de Santa Cruz do Sul
Catedral de São João Batista

Catedral de São João Batista
Bandeira de Santa Cruz do Sul
Brasão de Santa Cruz do Sul
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 28 de setembro
Fundação 31 de março de 1877 (140 anos)
Gentílico santa-cruzense
Prefeito(a) Telmo Jose Kirst (PP)
(2017–2020)
Localização
Localização de Santa Cruz do Sul
Localização de Santa Cruz do Sul no Rio Grande do Sul
Santa Cruz do Sul está localizado em: Brasil
Santa Cruz do Sul
Localização de Santa Cruz do Sul no Brasil
29° 43' 04" S 52° 25' 33" O29° 43' 04" S 52° 25' 33" O
Unidade federativa  Rio Grande do Sul
Mesorregião Centro Oriental Rio-grandense IBGE/2008 [1]
Microrregião Santa Cruz do Sul IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Rio Pardo, Vera Cruz, Venâncio Aires, Passo do Sobrado, Sinimbu
Distância até a capital 150 km
Características geográficas
Área 733,473 km² (BR: 1844º)[2]
População 130,354 hab. Est. IBGE/2013[3]
Densidade 0,18 hab./km²
Altitude 73 m
Clima subtropical Cfa
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,773 alto PNUD/2010 [4]
PIB R$ 4 943 635 000,00 IBGE/2011[5]
PIB per capita R$ 41 473,80 IBGE/2011[5]
Página oficial
Prefeitura santacruz.rs.gov.br
Câmara camarasantacruz.rs.gov.br

Santa Cruz do Sul é um município brasileiro no estado do Rio Grande do Sul.

A cidade é conhecida por ser a sede da maior Oktoberfest do Rio Grande do Sul,[6] receber um dos maiores festivais de arte amadora, o Encontro de Arte e Tradição, e pelo Autódromo Internacional de Santa Cruz do Sul.

História[editar | editar código-fonte]

População de Santa Cruz do Sul
Ano População
1890 15.536 [7]
1900 23.158 [7]
1920 41.136 [7]
1940 55.041 [7]
1950 69.605 [7]
1960 75.931 [7]
1970 86.787 [7]
1980 99.645 [7]
1991 117.773 [7][nota 1]
2000 107.642 [7][nota 2]
2007 115.857 [7]
2010 106.669 [8]
  1. 78,291 segundo [8]
  2. 96,410 segundo [8]

Santa Cruz do Sul é um dos principais núcleos da colonização alemã do Rio Grande do Sul. A colônia foi fundada por lei provincial em 6 de dezembro de 1847.[9] Os primeiros habitantes da cidade vieram dos distantes lugares das regiões do Reno e da Silésia, em 1849. As terras ocupadas pela colônia de Santa Cruz do Sul foram cedidas pelo governo imperial através da lei de 1848 de incentivo à imigração estrangeira.[10] Os imigrantes se estabeleceram na Colônia Picada Velha, hoje conhecida como Linha Santa Cruz.

A povoação iniciou em 1849, no local então chamado de Faxinal de João Faria, em terras do barão de Cambaí, com a instalação de cinco famílias alemãs.[9] O primeiro diretor foi Johann Martin Buff.

Apesar da maioria dos imigrantes serem agricultores, muitos eram artesãos foram instalados na colônia, como por exemplo, de um grupo de 71 chefes de família chegados à colônia de Santa Cruz em 1853, constavam 25 artesãos e 46 agricultores.[10] A colônia cresceu rapidamente: em 1849 havia 12 habitantes; em 1852 eram 254, e em 1853 ocorreu um incremento de 692 pessoas; em 1859 havia 2723 habitantes.[10]

A região logo tornou-se um centro da produção de fumo.[10] Entre 1859 e 1881 a produção do fumo passou de 14 toneladas 1.552 toneladas em 1881, tornado-se o principal produto para a exportação, com 95% de sua safra exportada para outras localidades.[10]

A cidade foi oficialmente fundada em 31 de março de 1877, emancipada de Rio Pardo pela lei nº 1079. No dia 28 de setembro de 1878, instalou-se a Câmara Municipal na casa situada na esquina das ruas São Pedro e Taquarembó (atuais Marechal Floriano e 28 de Setembro). A sessão de posse foi presidida pelo vereador Joaquim José de Brito (Ten. Cel. Brito), mas na primeira ordinária, dia 15 de outubro, a presidência já foi exercida por Carlos Trein Filho. O novo município contava então com dez mil habitantes.

Com a emancipação, houve condições sólidas para a formação de uma média burguesia local, alguns pequenos agricultores ascenderam economicamente, passando a ter condições de formar pequenos estabelecimentos comerciais e industriais.[11] Em 1904, contando com a cooperação mútua, fundaram o primeiro estabelecimento financeiro local, a Caixa de Crédito Santa-Cruzense.[11] Este banco se expandiu, formando depois o Banco Agrícola Mercantil, que depois se fundiu com o Banco Moreira Salles para formar o Unibanco.[12]

Em 1905 foi inaugurada a via férrea Santa Cruz – Rio Pardo (estação do Couto), dando impulso à integração da cidade com Porto Alegre, possibilitando o aumento da circulação de mercadorias e de pessoas, Porém, devido à decadência do sistema ferroviário no país, em 1965 a via férrea foi suprimida.[13][11]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se na mesorregião do Centro Oriental Rio-Grandense e na Microrregião de Santa Cruz do Sul. Com uma população estimada, em 2016, em 126.775 habitantes,[14] é o pólo de uma área denominada Vale do Rio Pardo.

Economia[editar | editar código-fonte]

Tabaco, a principal fonte de renda de Santa Cruz do Sul.

As principais indústrias de tabaco do Brasil estão presentes em Santa Cruz do Sul. Entre as instaladas na cidade estão Souza Cruz, líder em participação de mercado no País,[15] e Philip Morris, que responde por 54% da arrecadação de ICMS do município,[16] entre outras.

A presença dessas empresas tem o respaldo dos produtores rurais de Santa Cruz do Sul e cidades vizinhas, como Venâncio Aires, Vera Cruz e Rio Pardo, de quem o cultivo de tabaco para processamento é a principal fonte de renda. Cerca de 6,6 mil hectares da área do município são dedicados ao tabaco, que acumula uma produção anual de 14,7 mil toneladas, na safra 2012/2013. Quatro mil famílias santa-cruzenses dedicam-se à atividade.[17]

Existe forte presença das indústrias do fumo na vida socioeconômica da região, especialmente oferecendo apoio técnico, financeiro e programas sociais para os fumicultores[carece de fontes?]. Desta forma há um sistema de trocas e lealdades entre a maior parte de fumicultores e a indústria. Entretanto, existe também um conjunto de iniciativas locais, regionais e nacionais de substituição da cultura do fumo, visto as projeções internacionais de redução mundial de consumo. Esta redução do consumo mundial obedece à crescente tomada de consciência no mundo dos comprovados riscos para a saúde dos produtos derivados do tabaco – tabagismo, tabagismo passivo, uso de agrotóxicos, doença da mão verde, etc.

A cidade também possui outros ramos fortes em sua economia, como o comércio e serviços. Com isto, o segmento comercial é hoje representado por aproximadamente 3.277 estabelecimentos e mais 2.793 empresas de prestação de serviços. Na totalidade o município tem 533 indústrias e 3.914 profissionais autônomos, formando uma rede bem estruturada.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Rua Marechal Floriano Peixoto, centro da cidade.

O principal evento de Santa Cruz do Sul é a Oktoberfest, uma festa popular germânica, que ocorre anualmente na cidade no mês de outubro. A Oktoberfest de Santa Cruz do Sul é a segunda maior do Brasil, atrás apenas da realizada em Blumenau.[18] Promovida localmente como a "festa da alegria",[19] sua edição de 2016 teve um público de cerca de 150 mil pagantes.[20]

A cidade também é palco do Encontro de Arte e Tradição, evento que celebra as tradições gaúchas e que costuma ocorrer no mês de novembro.[21] A edição de 2016 teve seis mil artistas participantes.[22]

Também é sede do Autódromo Internacional de Santa Cruz do Sul, que foi inaugurado em 12 de junho de 2005 com um evento do Renault Speed Show.[23] Além disso, o local já recebeu etapas da Stock Car,[24] Fórmula Truck,[25] entre outras competições.

Possui uma boa infraestrutura para eventos, conquistando com isso o Selo Prioritário para o Desenvolvimento do Turismo.[carece de fontes?] Tem dezesseis hotéis e cinco motéis, dispondo, assim, de 1900 leitos. Mais de trinta restaurantes, alguns cafés coloniais, mais de oito pizzarias além de um grande número de bares, oferecendo à comunidade a aos turistas uma variada gastronomia.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Fala-se o português (idioma falado pela maioria da população e também o oficial do Brasil), o alemão[26] (incluindo dialetos como o Hunsrückisch)[27] e, entre os negócios de fumo, é falado na sua maioria o inglês.[carece de fontes?]

Galeria de fotos[editar | editar código-fonte]

Panorama de Santa Cruz do Sul em 2017, tirado da zona norte da cidade

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  2. IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 dez. 2010 
  3. «Estimativas da população residente nos municípios brasileiros» (PDF). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2013. Consultado em 23 de março de 2015 
  4. «Ranking IDHM Municípios». Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 23 de março de 2015 
  5. a b «PIB Municipal 2007-2011». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 23 de março de 2015 
  6. «Outubro é mês de Oktoberfest: saiba quais são e escolha a sua». Zero Hora. 6 de Outubro de 2015. Consultado em 21 de Janeiro de 2017 
  7. a b c d e f g h i j k Molina, G.S.L.F. (2010). Um estudo comparado sobre o desenvolvimento industrial de Caxias do Sul e de Santa Cruz do Sul (Tese). Universidade de Santa Cruz do Sul. p. 154. Consultado em 7 de Março de 2017 
  8. a b c «Tabela 202: População residente, por sexo e situação do domicílio». IBGE. Consultado em 7 de Março de 2017 
  9. a b PORTO, Aurélio. O trabalho alemão no Rio Grande do Sul, Graf, Santa Terezinha, Porto Alegre, 1934, p.168.
  10. a b c d e MONTALI, Lilia (1979). Dissertação de Mestrado em Sociologia – Universidade de São Paulo, ed. Do núcleo colonial ao capitalismo monopolista: produção de fumo em Santa Cruz do Sul. [S.l.: s.n.] 167 páginas 
  11. a b c NORONHA, Andrius Estevam (2012). «Beneméritos empresários: história social de uma elite de origem imigrante do sul do Brasil,Santa Cruz do Sul, 1905-1966)». Porto Alegre. 370 páginas. Consultado em 1 de Fevereiro de 2013 
  12. GARCIA, Darcy (1990). «O sistema financeiro do Rio Grande do Sul: da criação da Caixa Econômica Estadual ao surgimento dos bancos múltiplos» (PDF). Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul 
  13. «IPHAE». www.iphae.rs.gov.br. Consultado em 11 de fevereiro de 2017 
  14. «Santa Cruz do Sul». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 21 Janeiro 2016 
  15. «British American Tobacco registra oferta para fechar capital da Souza Cruz». O Globo. 3 de março de 2015. Consultado em 23 de março de 2015 
  16. Freitas, Clarisse de (5 de abril de 2013). «Philip Morris inaugura nova fábrica em Santa Cruz do Sul». Jornal do Comércio. Consultado em 23 de março de 2015 
  17. «Lavoura dourada». Santa Cruz do Sul: Editora Gazeta. Revista Santa Cruz: 44—45. 2013. Consultado em 23 de março de 2015 
  18. «Um guia para as Oktoberfests no sul do país». Zero Hora. 14 de outubro de 2014. Consultado em 11 de abril de 2017 
  19. «Shows marcam 1º fim de semana da Oktoberfest de Santa Cruz do Sul, RS». RBS TV / G1. 11 de outubro de 2014. Consultado em 11 de abril de 2017 
  20. Four Comunicação (16 de outubro de 2016). «Público da 32ª Oktoberfest é 20% superior ao do ano passado». Portal Gaz. Consultado em 30 de janeiro de 2017. Cópia arquivada em 19 de outubro de 2016 
  21. «Chimarrão, música e dança». Revista Santa Cruz. 2015. Consultado em 11 de abril de 2017 
  22. «CTG Tiarayú é o grande campeão do Enart 2016; veja mais vencedores». RBS TV / G1. 20 de novembro de 2016. Consultado em 11 de abril de 2017 
  23. Setúbal, Nero (13 de junho de 2006). «Um histórico e emocionante domingo» (PDF). Gazeta do Sul. 61 (118). Consultado em 11 de abril de 2017 
  24. Caramez, João Cléber (26 de junho de 2015). «Stock Car: 35 anos de história no Brasil». Portal Gaz. Consultado em 11 de abril de 2017. Cópia arquivada em 11 de abril de 2017 
  25. Müller, Ana Cláudia (10 de março de 2016). «Santa Cruz começa a entrar no clima da Fórmula Truck». Portal Gaz. Consultado em 11 de abril de 2017. Cópia arquivada em 19 de abril de 2016 
  26. Bianca, Roseane (15 de dezembro de 2012). «Idioma é diferencial na hora da contratação». Gazeta do Sul. Consultado em 23 de março de 2015 
  27. Alexandre Schossler (Abril de 2007). «Dialeto hunsrückisch do sul do Brasil ganhará atlas lingüístico» (PDF). Landeskunde: Conhecendo o Brasil. Consultado em 7 de janeiro de 2009 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]