Santa Cruz do Sul

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Município de Santa Cruz do Sul
A Catedral de São João Batista em 2005.

A Catedral de São João Batista em 2005.
Bandeira de Santa Cruz do Sul
Brasão de Santa Cruz do Sul
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 28 de setembro[nota 1][1]
Fundação 31 de março de 1877 (140 anos)
Gentílico santa-cruzense
Prefeito(a) Telmo Jose Kirst (PP)
(2017–2020)
Localização
Localização de Santa Cruz do Sul
Localização de Santa Cruz do Sul no Rio Grande do Sul
Santa Cruz do Sul está localizado em: Brasil
Santa Cruz do Sul
Localização de Santa Cruz do Sul no Brasil
29° 43' 04" S 52° 25' 33" O29° 43' 04" S 52° 25' 33" O
Unidade federativa  Rio Grande do Sul
Mesorregião Centro Oriental Rio-grandense IBGE/2008[2]
Microrregião Santa Cruz do Sul IBGE/2008[2]
Municípios limítrofes Rio Pardo, Vera Cruz, Venâncio Aires, Passo do Sobrado, Sinimbu
Distância até a capital 155 km
Características geográficas
Área 733,473 km² (BR: 1844º)[3]
População 127 429 hab. Est. IBGE/2017[4]
Densidade 173,73 hab./km²
Altitude 122 m
Clima subtropical Cfa
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,773 elevado PNUD/2010[5]
PIB R$ 6 670 000 000,00 IBGE/2013[6]:32
PIB per capita R$ 53 500,80 IBGE/2013[6]:32
Página oficial
Prefeitura santacruz.rs.gov.br
Câmara camarasantacruz.rs.gov.br

Santa Cruz do Sul é um município brasileiro no Estado do Rio Grande do Sul. A 155 km de Porto Alegre e a 142 km de Santa Maria, no centro do estado, possui uma população estimada em 127.429 habitantes, sendo o 15.º município mais populoso do Rio Grande do Sul. Com uma área de 733,473 km², localiza-se na região do Vale do Rio Pardo, fazendo fronteira com os municípios de Vera Cruz, Rio Pardo, Sinimbu, Venâncio Aires, e Passo do Sobrado.

A antiga Colônia de Santa Cruz foi fundada em 6 de dezembro de 1847, e a cidade em 31 de março de 1877, emancipada de Rio Pardo. Um dos principais núcleos da colonização alemã do Rio Grande do Sul, fala-se lá tanto o português como o alemão, principalmente o dialeto Hunsrückisch.[7][8][9]:125 Sua economia está historicamente ligada ao tabaco, sendo considerada a capital mundial do fumo.[10][11] Em 2013, seu PIB figurava em R$6,67 bilhões, o oitavo maior do Estado,[6]:32 enquanto o IDH era de 0,733 em 2010, considerado alto.[5]

Com boa infraestrutura para o turismo,[6]:34 a cidade é conhecida por sediar a maior Oktoberfest do Rio Grande do Sul,[12] a Oktoberfest de Santa Cruz do Sul, por receber um dos maiores festivais de arte amadora da América Latina,[13] o Encontro de Arte e Tradição, e pelo Autódromo Internacional de Santa Cruz do Sul.

A Catedral São João Batista é a maior em estilo gótico da América do Sul[14] e cartão postal da cidade, cuja população é em grande parte católica e evangélica, e onde também se localiza a Igreja Evangélica de Confissão Luterana, maior templo evangélico do Rio Grande do Sul.[15] A cidade abriga ainda a Universidade de Santa Cruz do Sul, com onze mil alunos matriculados em 52 cursos de graduação, além de três outras instituições de ensino superior, catorze escolas de ensino médio e 114 de ensino básico, e três hospitais.

História[editar | editar código-fonte]

Cerimônia de inauguração da Prefeitura Municipal, em 1892.
Comemoração na Praça Getúlio Vargas. Ao fundo o Colégio Marista Liceu e a Casa de Artes Regina Simonis (então edifício do Banco Pelotense).

A colônia foi fundada pela lei provincial em 6 de dezembro de 1847,[16] por desejo da Câmara de Rio Pardo de estabelecer uma comunicação com os campos e comércio com a região.[11] Os primeiros habitantes da cidade vieram em 1849[9]:102 e habitavam choupanas e ranchos.[11] A colônia foi elevada para freguesia em 8 de janeiro de 1859.[11] Em 1879, segundo levantamento de Carlos Trein Filho, 90,54% dos habitantes da Colônia de Santa Cruz, excluindo-se os brasileiros, proviam do Reino da Prússia, sendo 42,53% da Pomerânia, 37,88% da Renânia, 4,46% da Prússia, 3,57% da Silésia, 1,65% da Vestfália, e 0,14% de Brandenburgo. 8,92% vinham de outros estados alemães, e outros 0,55% de outras regiões da Europa.[9]:121 As terras ocupadas pela colônia de Santa Cruz do Sul foram cedidas pelo governo imperial através da lei de 1848 de incentivo à imigração estrangeira.[17] O objetivo da colonização da região era a renovação da economia, sem a mera substituição da antiga mão-de-obra escrava.[9]:103 Os imigrantes se estabeleceram na Colônia Picada Velha (Alt Picade),[9]:102 hoje conhecida como Linha Santa Cruz.[6]:6[11]

Em 1849, o local, então chamado de Faxinal de João Faria, em terras de Antônio Martins da Cruz Jobim, Barão de Cambaí, foi povoado com a instalação de cinco famílias alemãs.[16] O primeiro administrador da Colônia foi Evaristo Alves de Oliveira, e o primeiro diretor o engenheiro Johann Martin Buff, imigrante alemão de Rödelheim, cidade próxima de Frankfurt.[9]:99,102,103 Apesar de a maioria dos imigrantes serem agricultores, muitos artesãos foram instalados na colônia,[9]:129 como, por exemplo, o caso de um grupo de 71 chefes de família chegados em 1853, no qual constavam 25 artesãos e 46 agricultores.[17] Apesar de dificuldades no assentamento da terra - inicialmente mata nativa - bem como em dificuldades financeiras e políticas, como relatadas por Oliveria e Buff,[9]:104,105 a colônia cresceu rapidamente: em 1849 havia doze habitantes; em 1852 eram 254, e em 1853 ocorreu um incremento de 692 pessoas; em 1859 havia 2723 habitantes.[17]

A região logo se tornou um centro da produção de fumo.[17] Entre 1859 e 1881, a produção do fumo passou de 14 para 1 552 toneladas, tornando-se o principal produto para a exportação, com 95% de sua safra exportada para outras localidades.[17]

A cidade foi oficialmente fundada em 31 de março de 1877, emancipada de Rio Pardo pela lei nº 1079. No dia 28 de setembro de 1878, instalou-se a Câmara Municipal na casa situada na esquina das ruas São Pedro e Taquarembó (atuais Marechal Floriano e 28 de Setembro).[6]:7 A sessão de posse foi presidida pelo vereador Joaquim José de Brito (Ten. Cel. Brito), mas na primeira ordinária, dia 15 de outubro, a presidência já foi exercida por Carlos Trein Filho.[9]:115 Um dos edis da primeira sessão, Pedro Werlang, destacou-se na Guerra do Paraguai, tendo recebido medalhas e honrarias, dentre elas a comenda da Imperial Ordem da Rosa, conferindo-lhe as honras capitão do exército imperial brasileiro.[11]

Com a emancipação, os excedentes da agricultura, e a presença de artesões e outros profissionais, houve condições sólidas para uma diversificação da economia e a formação de uma média burguesia local. Alguns pequenos agricultores ascenderam economicamente, passando a ter condições de formar pequenos estabelecimentos comerciais e industriais.[18][9]:156[19]:102 Em 1904, contando com a cooperação mútua, fundaram o primeiro estabelecimento financeiro local, a Caixa de Crédito Santa-Cruzense.[18] Este banco se expandiu, formando depois o Banco Agrícola Mercantil, que depois se fundiu com o Banco Moreira Salles para formar o Unibanco.[20]

Em 1905 foi inaugurada a via férrea Santa Cruz – Rio Pardo (estação do Couto), dando impulso à integração da cidade com Porto Alegre, possibilitando o aumento da circulação de mercadorias e de pessoas.[19]:102 A estação férrea foi fundada no mesmo ano, pelo presidente da província, Borges de Medeiros. Porém, devido à decadência do sistema ferroviário no país, em 1965 a via férrea foi suprimida.[21][18][6]:7 De 1917 a 1965 a cidade vivenciou uma forte expansão no setor fumageiro,[19]:102 recebendo o título de "capital mundial do fumo."[10][22][11]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se a 155 km de Porto Alegre e a 142 km de Santa Maria, no centro do Estado, na região do Vale do Rio Pardo. Faz divisa com os municípios de Vera Cruz, a leste, Rio Pardo ao sul, Sinimbu, ao noroeste, Venâncio Aires ao nordeste, e Passo do Sobrado a leste. Situa-se na mesorregião do Centro Oriental Rio-Grandense e na Microrregião de Santa Cruz do Sul, sendo o polo do Vale do Rio Pardo.[6]:7-10

Compõem a microrregião de Santa Cruz do Sul dezesseis municípios, possuindo uma área total de 55 645,52 km², e situando-se a 122 m do nível do mar. Lá estão presentes os biomas de Mata Atlântica e Pampa. O relevo é composto por vales, morros, e outras ondulações. Uma região limítrofe da cidade de mata nativa e de preservação ambiental é denominada Cinturão Verde, sendo sua ocupação permitida de forma restritiva.[6]:7,10

A região contém três sub-bacias hidrográficas - a do Pardo, a Taquari-Antas, e a Baixo Jacuí, sendo a principal a primeira, com principal manancial o Rio Pardinho. Na Taquari-Antas, o manancial principal é o Rio Taquari Mirim. A cidade possui ainda uma série de micro-bacias de esgotamento sanitário - arroios.[23]:16

Clima[editar | editar código-fonte]

Santa Cruz do Sul localiza-se na região fisiográfica da Depressão Central,[24]:77 com clima subtropical temperado. A temperatura média é de 19°C, a máxima de 42°C e a mínima de 5°C; a pluviosidade varia entre 1300 e 1 800 mm, e os ventos sopram, em média, de 1,5 a 2 m/s.[6]:10[necessário esclarecer]

Economia[editar | editar código-fonte]

Tabaco, a principal fonte de renda de Santa Cruz do Sul.

As principais indústrias de tabaco do Brasil estão presentes em Santa Cruz do Sul. Entre as instaladas na cidade estão Souza Cruz, líder em participação de mercado no País,[25] e Philip Morris, que responde por 54% da arrecadação de ICMS do município,[26] entre outras.

A presença dessas empresas tem o respaldo dos produtores rurais de Santa Cruz do Sul e cidades vizinhas, como Venâncio Aires, Vera Cruz e Rio Pardo, de quem o cultivo de tabaco para processamento é a principal fonte de renda. Cerca de 6,6 mil hectares da área do município são dedicados ao tabaco, que acumula uma produção anual de 14,7 mil toneladas, na safra 2012/2013. Quatro mil famílias santa-cruzenses dedicam-se à atividade.[27]

Existe forte presença das indústrias do fumo na vida socioeconômica da região, oferecendo apoio técnico, financeiro e programas sociais para os fumicultores. Dessa forma, há um sistema de trocas e lealdades entre a maior parte de fumicultores e a indústria.[6]:33[28] Além do tabaco, destacam-se ainda as culturas de milho, arroz, mandioca, soja, feijão, oleicultura, fruticultura, floricultura, cana-de-açúcar, batata-doce, batata-inglesa, e uva. A atividade pecuária também é presente. Ao todo, há 4365 propriedade rurais com área média de 12,7 ha.[23]:17

A cidade também possui outros ramos fortes em sua economia, como o comércio e serviços. Com isso, o segmento comercial é hoje representado por aproximadamente 3.277 estabelecimentos e mais 2.793 empresas de prestação de serviços. Na totalidade, o município tem 533 indústrias e 3.914 profissionais autônomos. As maiores empresas do município em valor adicionado, no ano de 2013 foram a Phillip Morris Brasil, a Souza Cruz, a Universal Leaf Tabacos, a JTI Processadora de Tabacos, a Metalúrgica Mor, a Associated Tobacco do Brasil, a Mercur, a Excelsior Alimentos, a Premium Tobacos do Brasil, e a Xalingo.[23]:17

O PIB da região figurava, em 2013, em R$6,67 bilhões, sendo o oitavo maior do estado, com participação de 2% na economia deste. O PIB per capita do município era de R$53,5 mil, enquanto que o do estado era de R$29.657 mil, e o do país, R$26.445 mil.[6]:32 A renda média dos habitantes do município passou de R$554,13 em 1991 para R$1036,87 em 2010, enquanto que a extrema pobreza caiu de 3,76% a 0,96% no mesmo período. As principais atividades dos trabalhadores são as fabris, comerciais, na agricultura e pecuária, construção civil, funcionalismo público, de transporte, profissionais da educação, particulares, e outros profissionais liberais e prestadores de serviço.[23]:18

Turismo[editar | editar código-fonte]

Rua Marechal Floriano Peixoto, centro da cidade.
A gruta do Parque das Aventuras, uma paleotoca da megafauna escavada há mais de dez mil anos.[29]

O principal evento de Santa Cruz do Sul é a Oktoberfest de Santa Cruz do Sul, uma festa popular germânica, que ocorre anualmente na cidade no mês de outubro. A Oktoberfest de Santa Cruz do Sul é a segunda maior do Brasil, atrás apenas da realizada em Blumenau,[30] sendo a maior do Rio Grande do Sul.[12] Promovida localmente como a "festa da alegria",[31] sua edição de 2016 teve um público de cerca de 150 mil pagantes.[32]

A cidade também é palco do Encontro de Arte e Tradição, evento que celebra as tradições gaúchas e que costuma ocorrer no mês de novembro,[33][6]:34 sendo um dos maiores da América Latina.[13] A edição de 2016 teve seis mil artistas participantes.[34]

Também é sede do Autódromo Internacional de Santa Cruz do Sul, que foi inaugurado em 12 de junho de 2005 com um evento do Renault Speed Show.[35] Além disso, o local já recebeu etapas da Stock Car,[36] Fórmula Truck,[37] entre outras competições.[14]

Possui uma boa infraestrutura para eventos, conquistando com isso o Selo Prioritário para o Desenvolvimento do Turismo. Tem dezesseis hotéis e cinco motéis, dispondo, assim, de 1.900 leitos. Mais de trinta restaurantes, alguns cafés coloniais, mais de oito pizzarias além de um grande número de bares, oferecendo à comunidade a aos turistas uma variada gastronomia.[6]:34

Outras atrações turísticas incluem o Parque da Gruta, também chamado de Parque das Aventuras, um espaço de 17,4 ha com mata nativa, trilhas, restaurante, e equipamentos de escalada.[38][39][14] O nome vem de uma paleotoca localizada no parque, escavada por animais da megafauna há mais de dez mil anos, mas erroneamente atribuída ao trabalho de indígenas (daí o nome coloquial de Gruta dos Índios).[29][40] Conta ainda com o Parque da Cruz, que ocupa o local onde um dia foi uma pedreira, área recuperada pelo ambientalista José Lutzenberger, e onde foi instalada uma cruz, de vinte metros de altura.[41][42][14] Há também o Lago Dourado, um lago artificial de 228,43ha construído para o abastecimento de água em tempos de estiagem, com ciclovias e local para repouso em suas margens, com projeto de ser transformado em um complexo turístico.[43][44][14]

Fora da cidade mas ainda dentro dos limites do município, no distrito de Rio Pardinho, há a Rota Germânica, trajeto com casas e estabelecimentos comerciais de descendentes germânicos que oferecem produtos da culinária tradicional, bem como o Mosteiro da Santíssima Trindade, o Santuário de Nossa Senhora, e a Igreja dos Imigrantes, fundado em 1890.[14][45]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Pirâmide etária de Santa Cruz do Sul em 2010.[6]:13
População de Santa Cruz do Sul
Ano População
1890 15.536[46]
1900 23.158[46]
1920 41.136[46]
1940 55.041[46]
1950 69.605[46]
1960 75.931[46]
1970 86.787[46]
1980 99.645[46]
1991 117.773[46][nota 2]
2000 107.642[46][nota 3]
2007 115.857[46]
2010 106.669[47]
2017 127.429[4][nota 4]

Com uma população estimada, em 2017, em 127.429 habitantes,[4] é o 15º município mais populoso do Rio Grande do Sul. Em 2010, quando contava com 118.374 habitantes, 88% viviam na zona urbana, e a densidade demográfica era de 161 habitantes por quilômetro quadrado.[23]:18

Ainda em 2010, 86,12% da população era branca, sendo pretos e pardos 13,75%, e os 0,37% restantes amarelos e indígenas.[48] Em contraste com seus anos iniciais, em 2010 a maioria absoluta da população residente permanente (99,76%) era brasileira nata, sendo apenas 249 habitantes estrangeiros, e os 30 restantes brasileiros naturalizados.[49]

O IDH do município em 2010 foi de 0,733,[5] considerado alto. A esperança de vida ao nascer era de 76,1 anos - de 69 em 1991 - e a taxa de mortalidade infantil era de 11,8 por mil - de 21,5 em 1991.[23]:21

Religião[editar | editar código-fonte]

O Mosteiro da Santíssima Trindade.

Em 2010, 75,14% da população era católica, 20% era evangélica - sendo 60% destes evangélicas de missões, dos quais 95% eram luteranos - 2% eram espíritas, 1,5% não tinha religião, e os 1,36% restantes dividiam-se entre outras religiões.[48]

A primeira capela da cidade foi fundada em 1855 pelo governo local.[11] Atualmente, além da Catedral São João Batista, cartão postal da cidade e maior catedral da América do Sul em estilo gótico,[14] a cidade conta com numerosas outras igrejas e templos, dentre elas a Igreja Evangélica de Confissão Luterana - fundada em 1924, é o maior templo evangélico do Rio Grande do Sul, com capacidade de abrigar até 500 fiéis.[15] Conta ainda com a Casa de Retiro Loyola, local para encontros religiosos, com alojamentos para 100 pessoas. Considerado um ponto turístico, possui uma área de 5,3 ha e localiza-se próximo a uma gruta.[50] Em 1997 foi fundado o Mosteiro da Santíssima Trindade, sua construção sendo finalizada no ano 2000. Abrigando freiras cristãs da cidade, conta ainda com biblioteca, refeitório onde são realizadas quermesses, jardins, capela, e outras instalações.[51] Foi também lar do cantor Belchior.[52]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Fachada do Hospital Santa Cruz.

A cidade possui 40.540 domicílios registrados, sendo que 91,37% possuem abastecimento de água, 90,87% possuem saneamento básico, 99,76% energia elétrica, e 98,28% coleta de lixo. O abastecimento de água e o tratamento de esgoto são realizados pela CORSAN. A coleta de lixo é realizada pela CONESUL, enquanto a energia elétrica é fornecida pela RGE Sul (antiga AES Sul). A cidade possui projetos de habitação popular em 9 bairros, recebendo recursos do Programa de Aceleração do Crescimento.[6]:38-39

Conta com três hospitais. O Hospital Ana Nery, fundado em 1955 pela comunidade evangélica da região, de caráter privado e filantrópico,[53] é referência em oncologia para a região.[54] O Hospital Santa Cruz, fundado em 1908, também de caráter filantrópico, é o principal centro de saúde do Vale do Rio Pardo.[55] O hospital é administrado pela Associção Pró-Ensino de Santa Cruz do Sul, que administra também a Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC).[56][57] Por fim, conta ainda com o Hospital Beneficente Monte Alverne.[58]

Educação[editar | editar código-fonte]

Em 2014, possuía 114 escolas de ensino básico com 30 925 alunos matriculados. Destes, 5% estudavam na zona rural, e o resto na urbana. 19,6% estudavam na rede privada, enquanto o resto dividia-se nas redes municipal e estadual. A taxa de analfabetismo da população acima de quinze anos foi, em 2010, 8,42%.[23]:25,26 300 alunos são atendidos ainda na educação especial, em todas as esferas.[23]:48

Em 2013, catorze escolas ofereciam turmas de ensino médio, com 3 806 alunos matriculados em algum dos três anos. Destas, quatro eram particulares, e as outras estaduais, sendo uma única localizada na região rural.[23]:43 São oferecidos ainda cursos ensino médio profissionalizante na UNISC, com 211 alunos matriculados em 2014, no SENAI, com 183 alunos em 2013, na Família Agrícola de Santa Cruz do Sul, com duzentos alunos em 2013, na Ideal School, com nove alunos em 2013, e no Colégio Marista Liceu, com 48 alunos em 2013.[23]:49

A oferta de ensino superior na cidade se dá através da Universidade de Santa Cruz do Sul, com onze mil alunos matriculados em 52 cursos de graduação em 2014, a Faculdade Dom Alberto, com 2,5 mil alunos matriculados em 3 cursos de graduação, uma sede da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul, com 36 alunos matriculados em dois cursos de graduação, bem como um centro do Centro Universitário Ritter dos Reis, com 361 alunos matriculados em cursos de graduação em 2013.[23]:45

Transporte[editar | editar código-fonte]

O transporte coletivo na cidade é operado pelo Consórcio TCS, em contrato com a prefeitura, que surgiu com a união das empresas Stadtbus e TC Catedral, que operavam até 2017 na cidade junto ao Consórcio Primavera. A frota de ônibus conta com ar-condicionado, elevador para cadeirantes, sistema para a identificação visual dos usuários, GPS, e aplicativo que permite verificar a localização dos ônibus em tempo real.[59][60][61] No transporte coletivo intermunicipal, atua a Viação União Santa Cruz.[62][63]

A cidade conta ainda com sete ciclofaixas ou ciclovias, totalizando 11,7 km de extensão. A frota de automóveis na cidade era, em 2014, 85 076, sendo a maioria carros.[6]:35,26

Esporte[editar | editar código-fonte]

Dois clubes profissionais de futebol estão estabelecidos na cidade, o Esporte Clube Avenida e o Futebol Clube Santa Cruz. Ambos possuem estádios na cidade, respectivamente o Estádio dos Eucaliptos e o Estádio dos Plátanos. Há ainda um clube de tênis[64] e um campo de golfe.[65][14]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Em trajes germânicos, participantes desfilam ao som de bandinhas, com degustação de chopp e danças tradicionais, durante a Oktoberfest.

Fala-se o português (idioma falado pela maioria da população e também o oficial do Brasil) e o alemão,[8] incluindo dialetos como o Hunsrückisch,[7] o principal entre os primeiros habitantes da colônia.[9]:125

Dentre os centros culturais da cidade está o Centro de Cultura Francisco José Frantz, localizado na antiga estação ferroviária do município, onde são hospedadas exposições diversas.[14] No centro da cidade, no antigo prédio do Banrisul - patrimônio tombado - está localizada a Casa de Artes Regina Simonis, onde ocorrem exposições de arte. Há ainda o Auditório da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, e o Teatro Espaço Camarin, no auditório do Colégio Mauá. Dentre os estabelecimentos de cultura privados estão o Teatro do Colégio Mauá, com 711 lugares, os auditórios dos colégios Dom Alberto e São Luís, bem como os da UNISC. Os pavilhões do Parque da Oktoberfest abrigam eventos diversos, e o Parque da Santa Cruz possui um anfiteatro com oitocentos lugares.[23]:22,23

Tradicionalmente são promovidos eventos comemorando tanto a cultura germânica quanto a gaúcha, sendo os mais famosos a Oktoberfest de Santa Cruz do Sul e o Encontro de Arte e Tradição, respectivamente, bem como seu eventos associados. Outros eventos incluem a Festa das Cucas, evento sobre o prato da culinária alemã, que em sua 17a edição, em 2017, esperava setenta mil pessoas,[66] bem como eventos de produtores de cerveja gaúchos.[67]

Política e administração[editar | editar código-fonte]

Sede da prefeitura, em 2009.

A câmara municipal foi fundada em 28 de setembro de 1878, na esquina das atuais Marechal Floriano e 28 de Setembro.[6]:7 Após várias mudanças de sede, localiza-se desde 2016 em prédio alugado na rua Fernando Abott. De 1878 a 1937, a câmara teve 116 vereadores. Com o surgimento do Estado Novo em 1937, as câmaras municipais foram fechadas por Getúlio Vargas. Após a deposição de Vargas em 1945, começam as legislaturas, em geral de quatro anos. Da primeira legislatura, que foi até 1947, à décima sétima legislatura, que vai até 2020, a câmara teve 275 vereadores, ao todo 391 vereadores desde a fundação, sendo alguns reeleitos. A primeira mulher eleita vereadora foi Glória Dulce Jacobus, em 1964, o vereador mais jovem foi André Luiz Beck em 1988, aos 22 anos, e o vereador com mais votos foi Helena Hermany, com 3 680 votos em 2000.[68]:4,32,39

Na legislatura atual, dezessete vereadores compõe a câmara municipal.[69] Um aumento para dezenove havia sido proposto,[70] mas o número permaneceu o mesmo da legislatura anterior. Na eleição de 2016, o prefeito Telmo Kirst (PP) foi reeleito, tendo recebido 52,25% dos votos válidos, enquanto o segundo colocado, Sérgio Moraes (PTB), recebeu 38,73%.[71][72] Moraes havia sido prefeito da cidade por duas vezes, e sua mulher, Kelly Moraes, uma.[73]

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

O município é dividido em nove distritos, já a área urbana era dividida, em 2010, em 36 bairros. Os distritos são a Sede Municipal, Boa Vista, Monte Alverne, São Martinho, Saraiva, São José da Reserva, Rio Pardinho, Alto Paredão, e Área Anexada.[23]:16 Os bairros encontram-se na tabela abaixo.[74]

Bairro Aliança Ana Nery Arroio Grande Avenida Belvedere Bom Jesus Bonfim Castelo Branco Centro Country Do Parque Dona Carlota Esmeralda Faxinal Menino Deus Germânia Goiás Higienópolis Independência
Área (km²) 4,4453 1,2784 1,9525 0,6331 0,5203 0,8883 0,9771 0,7767 2,7863 7,9436 11,2482 5,5143 3,1009 1,3241 9,0613 1,0152 1,4022 0,3641
População (2010) 2 753 4 389 5 131 2 492 904 5 706 3 221 1 907 8 727 566 86 1 888 4 368 5 918 636 3 404 2 604 2 402
Bairro Jardim Europa João Alves Linha Santa Cruz Margarida Monte Verde Pedreira Progresso Rauber Renascença Santa Vitória Santo Antônio Santo Inácio Santuário São João Schulz Senai Universitário Várzea
Área (km²) 1,7189 5,4374 15,3431 0,7731 0,7099 1,3373 4,3731 0,6845 1,0920 1,0002 0,6135 1,6415 0,6534 1,3867 0,5887 0,7074 1,3812 1,9208
População (2010) 517 304 2 851 3 179 676 3 339 2 244 1 266 1 704 5 000 1 528 5 867 654 3 200 3 236 3 705 4 100 2 009
Panorama de Santa Cruz do Sul em 2017, tirado da zona norte da cidade

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Santa Cruz do Sul

Notas

  1. A data marca a instalação da Câmara dos Vereadores
  2. 78,291 segundo[47]
  3. 96,410 segundo[47]
  4. Estimativa

Referências

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  2. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008 
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