Santa Marcelina

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Santa Marcelina (Roma, 327 — Roma, 397) é uma virgem romano-milanesa venerada como santa pela Igreja Católica. Irmã mais velha de São Sátiro e de Santo Ambrósio, bispo e doutor da Igreja, pertencia a família dos Ambrosiis, sob o Império de Constantino I. Filha do prefeito da Gália, depois da morte prematura dos pais, ocupou-se da educação de seus irmãos São Sátiro e Santo Ambrósio.[1] Consagrou sua vida à piedade e ascetismo.[2] Sua festa litúrgica é celebrada no dia 17 de julho[3] [4] .

Vida[editar | editar código-fonte]

Nascida em Roma, provavelmente no ano de 327, Marcelina pertencia a nobre e rica família dos Ambrósios[5] . No tempo do imperador Constantino I. Estes eram tempos de profundas transformações culturais, contudo a família da jovem era aberta à religião cristã. No tempo do imperador Diocleciano, que governou Roma entre anos de 284 e 305, Sotera sua parenta foi martirizada por ser cristã[6] . É justamente à luz desse modelo e na escola de sua inteligente e piedosa mãe que Marcelina se prepara para o Batismo.
O pai de Marcelina chamava-se Aurélio Ambrósio [7] e trabalhou como prefeito romano e governou as Gálias, em Tréviri, hoje Alemanha. A família com os dois filhos, Marcelina e Sátiro, transferiu-se para este lugar e ali permaneceu, foram anos serenos e tranquilos naquele lugar. No ano de 340 nascia o terceiro filho da família que recebeu o nome do pai, Ambrósio. Naquele mesmo ano Marcelina, a mais velha, ao completar 13 anos, sofreu a primeira dor da família, a morte precoce do pai, um grande choque para todos. Diante disso a mãe de Marcelina, cujo nome desconhecemos, resolve retornar à Roma junto com os três filhos. Passados alguns anos e antes de completar 20 anos, Marcelina perde a mãe, ficando agora totalmente responsável pela educação de seus dois irmãos.
Em Roma, Sátiro e Ambrósio foram confiados a bons e competentes mestres, dedicando-se ambos, com sucesso, a estudos jurídicos, estudando literatura, direito e retórica. Para Marcelina, jovem, bonita, rica e nobre não faltavam pretendentes, mas em seu coração o desejo de se consagrar somente a Deus era sempre maior. Na Roma, de então, era difícil compreender que uma jovem como ela fosse capaz de renunciar à sua fortuna e a um ilustre casamento. No entanto, foi justamente nesta época que a semente do amor de Cristo plantou-se em sua vida. No intuito de buscar coragem para responder aos apelos divinos Marcelina visita muitas vezes às catacumbas dos mártires cristãos. Ali ela se sentia consolada e compreendida, descobriu sua verdadeira missão, tinha a convicção de que Deus a queria para si. Marcelina tem certeza de que Deus a quer para si. Sente o convite divino falar alto no seu íntimo e não resiste mais.
Retirou-se então para um lugar tranqüilo, na Vila de Cernusco (Milão) e, ali se coloca em oração, reza muito, lê a palavra de Deus, medita, observa a natureza, as flores, os pássaros. Sente a presença de Deus em todas as coisas e finalmente decide: "Farei a consagração da minha vida somente a Deus". Na noite de Natal do ano de 353, na Basílica de São Pedro, em Roma, Marcelina recebe o véu das virgens, sinal de sua consagração total, das mãos do Papa Libério, que faz, a este propósito um discurso relatado por Santo Ambrósio no tratado De virginibus, dedicado à própria irmã.[8] O Beato Luís Biraghi, fundador das Irmãs Marcelinas, descreve em seu livro intitulado Vida da virgem romano-milanesa Santa Marcelina as palavras dirigidas pelo Papa Libério à Marcelina quando de sua consagração[9] . A vida de Marcelina, a partir de agora, será totalmente dedicada à oração e ao estudo das Sagradas Escrituras. Muitas jovens desejosas de serem orientadas por ela no conhecimento do Senhor acorriam a sua casa e junto a ela se exercitavam no socorro aos pobres e sofredores. Ao mesmo tempo, Marcelina não descuida da educação humana, cultural e cristã de seus dois irmãos, logo nomeados para importantes cargos públicos. Seus irmãos, Sátiro e Ambrósio, completaram os estudos em direito e retórica e em 365 ambos foram chamados à magistratura junto a Prefeitura de Sírmio.
No tempo do imperador Valentiniano I, no ano de 372, Ambrósio é eleito governador de Milão e Sátiro foi nomeado para uma Prefeitura. Dois anos mais tarde, em 374, chega uma inesperada e clamorosa notícia: "Ambrósio foi eleito Bispo de Milão"! Com a morte de Auxêncio de Milão, bispo ariano, seus partidários organizaram-se rapidamente na tentativa de eleger um sucessor. Em virtude de tensões existentes ali Ambrósio foi chamado para apaziguar a situação, dirigiu-se a igreja aonde os seguidores de Auxêncio estavam reunidos com o objetivo de evitar um escândalo, o que era provável, pôs-se a discursar, mas seu discurso foi interrompido por um grito: "Ambrósio, bispo!" Assim, por aclamação popular Ambrósio tornou-se Bispo de Milão, sendo aprovado pelo Papa Dâmaso I. Logo, para auxiliar o irmão em sua nova missão, Marcelina não hesita em acompanhá-lo à sede milanesa e ajudá-lo no que fosse necessário. Para ambos Marcelina foi conselheira e mestra, mas continuava sua missão junto as suas companheiras que, com ela vieram para Roma.
Em sua vida diária, Marcelina foi além das lições mais perfeitas. Jejuava todos os dias até o anoitecer, e dedicava a maior parte do dia e da noite à oração e à leitura espiritual. S. Ambrósio aconselhou-a, nos últimos anos de sua vida, a que moderasse a sua austeridade e redobrasse as orações, especialmente pela recitação frequente dos salmos, a Oração do Senhor, o credo, que ele chama de selo do cristão, e de guarda dos nossos corações[10] . No silêncio de uma vida recolhida desenvolveu um intenso apostolado eclesial, participando ativamente das lutas do Bispo Ambrósio, orientou-o a manter-se firme e seguro no serviço da fé e da promoção da justiça. O Bispo era muito grato a seus irmãos, sobretudo, a Marcelina, a quem considerava uma verdadeira mãe. Encantava-o seu modo de proceder e em muitas ocasiões Ambrósio propunha seu exemplo a muitas outras jovens que também eram chamadas por Deus à consagração. Tamanha era a admiração que Ambrósio nutria por sua irmã Marcelina que em sua homenagem e por ela incentivado escreveu uma obra intitulada De Virginibus, exaltando as boas virtudes e a vida de Marcelina, sua querida irmã[11] .
Após a eleição de Ambrósio como Bispo Sátiro assumiu toda a parte administrativa dos bens da família, que eram também destinados aos pobres. Assim como Marcelina, Sátiro foi um fiel colaborador em todos os projetos e empreendimentos de Ambrósio. Sátiro foi o primeiro a falecer, no ano de 379. Ambrósio dedicará um belo sermão em homenagem ao irmão falecido. Passados alguns anos, na madrugada do sábado santo, dia 4 de abril de 397, com 57 anos aproximadamente, Ambrósio deixa este mundo. Na rápida enfermidade que lhe abriu as portas do céu Marcelina acompanhou-o até o fim. Tendo assistido à morte dos dois irmãos, por fim, muito esgotada, morreu poucos meses depois de Ambrósio, no dia 17 de julho de 397, com 70 anos. A voz do povo a proclamou santa pela vida tão edificante que levou. Foi sepultada em Milão junto a Basílica de Santo Ambrósio. Em 1722 seus restos mortais foram posteriormente transladados a uma capela erguida em sua homenagem na mesma basílica. Em homenagem à irmã de santo Ambrósio, em 1838, o Beato Luigi Biraghi fundou o instituto religioso feminino das Marcelinas, para a educação dos jovens[12] .

Referências

  1. P. Pierrand, op. cit., p. 147.
  2. Kirsch, J.P. (1910). "St. Marcellina. In The Catholic Encyclopedia". New York: Robert Appleton Company. Consult. 27 de Janeiro de 2013.  (em inglês)
  3. http://www.chiesadimilano.it/cms/almanacco/santo-del-giorno/anno-c-2012-2013/mercoledi-settimana-della-viii-domenica-dopo-pentecoste-1.77903
  4. Martirologio Romano, 1964.
  5. PENSO, Maria Silvina. Marcelinas 160 anos: 1838-1998/ Maria Silvina Penso. Rio de Janeiro: Instituto das Irmãs de Santa Marcelina, 1998, pp. 39-43.
  6. PENSO, Maria Silvina. Marcelinas 160 anos: 1838-1998/ Maria Silvina Penso. Rio de Janeiro: Instituto das Irmãs de Santa Marcelina, 1998, p. 40
  7. Greenslade, Stanley Lawrence (1956), Early Latin theology: selections from Tertullian, Cyprian, Ambrose, and Jerome, Library of Christian classics, 5, Westminster: John Knox Press, p. 175 
  8. Ambrosius, De virginibus, lib. I, cap. IV, 15; in PL, vol. 16, col. 193.
  9. BIRAGHI, Luigi. Vida da virgem romana-milanesa Santa Marcelina.São Paulo: Escolas Profissionais Salesianas, 1966. p. 24-26.
  10. ALBAN, Butler. Vida dos Santos. Vol. VII/julho. Petrópolis: Vozes, 1989, p. 162.
  11. http://www.carbonate.it/archivio/Not_29-2012.pdf.
  12. MARCOCCHI, Massimo. Caderno de Estudos VI: Luigi Biraghi e a Congregação das Irmãs Marcelinas. São Paulo: Instituto das Irmãs de Santa Marcelina, 2001.

Síntese cronológica[1] [editar | editar código-fonte]

  • 327 - Nasce Marcelina em Roma
  • 340 – Nasce o irmão mais novo de Marcelina, Ambrósio, que toma o nome do pai. Naquele mesmo ano, de maneira precoce, Marcelina sofre a perda do pai e sua família regressa a Roma
  • 347 – Marcelina sofre mais uma perda na família, sua mãe falece, deixando-a totalmente responsável pelos irmãos menores Sátiro e Ambrósio
  • 353 – Na noite de Natal Marcelina recebe das mãos do Papa Libério o véu da consagração total
  • 365 – Sátiro e Ambrósio são chamados à magistratura junto a Prefeitura de Sírmio
  • 372 – Ambrósio é nomeado governador de Milão. Sátiro, por sua vez, foi nomeado para a prefeitura
  • 374 – Ambrósio é eleito Bispo de Milão por aclamação popular
  • 377 – Ambrósio escreve o tratado De Virginibus em homenagem a Marcelina e suas companheiras
  • 379 – Falece Sátiro
  • 397 – Falece o grande Bispo Ambrósio, irmão mais novo de Marcelina. Naquele mesmo ano no dia 17 de julho Marcelina entra para a glória celeste.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Links relacionados[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  1. PENSO, Maria Silvina. Marcelinas 160 anos: 1838-1998/ Maria Silvina Penso. Rio de Janeiro: Instituto das Irmãs de Santa Marcelina, 1998, pp. 39-43