Santa Marcelina

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Santa Marcelina ou Santa Marcelina de Milão (Roma, 327 — Roma, 397) é uma virgem e santa venerada pelas Igrejas Católica e Ortodoxa. Irmã mais velha de São Sátiro e de Santo Ambrósio. Após a morte prematura dos pais Marcelina ocupou-se da educação de seus irmãos[1] . Dedicou sua vida à piedade e ao ascetismo[2] . O Martirológio Romano[3] celebra sua festa litúrgica no dia 17 de julho[4] . Santa Marcelina é a padroeira do Instituto Internacional das Irmãs de Santa Marcelina e ali é invocada como modelo de virtude para todos os que se dedicam a missão educativa.

Santa Marcelina ou Santa Marcelina de Milão
Santa Marcelina e seus irmãos São Sátiro e Santo Ambrósio (Tela de Gonin, 1836). Milão, Itália.
Virgem
Nascimento 327 em Roma
Morte 17 de julho de 397 em Roma
Veneração por Igreja Católica, Igreja Ortodoxa
Principal templo Basílica de Santo Ambrósio, Milão
Festa litúrgica 17 de julho
Padroeira Instituto Internacional das Irmãs de Santa Marcelina
Gloriole.svg Portal dos Santos

Vida[editar | editar código-fonte]

Santa Marcelina em oração diante da tumba de Santa Sotera (C. Mariani). Milão, Itália.
Velatio. Marcelina recebe das mãos do Papa Libério em 25 de dezembro de 353 o véu das virgens.
Em suas pregações, o Bispo Santo Ambrósio propôs o exemplo de Santa Marcelina a muitas outras jovens.
Santo Ambrósio ao centro, à esquerda os Santos Gervásio e Protásio e à direita seus irmãos São Sátiro e Santa Marcelina (Obra de Ambrogio da Fossano, 1490).

Nascida em Roma, provavelmente no ano de 327, Marcelina pertencia a nobre e rica família dos Ambrósios[5] . Estes eram tempos de profundas transformações culturais, sua família, contudo, era aberta à religião cristã. Durante a perseguição do imperador Diocleciano, Sotéria, sua parente, foi martirizada por professar a fé cristã[6] . Acredita-se que Marcelina tenha inspirado-se em seu testemunho, uma vez que, assim como Sotéria, renunciou a tudo por amor a Cristo, imitando seu exemplo de consagração virginal.
O pai de Marcelina chamava-se Ambrósio[7] e trabalhou como prefeito romano governando a Gália atual Tréveris[8] território que hoje corresponde a Alemanha. A família com as duas crianças, Marcelina e Sátiro, transferiu-se para este lugar e ali permaneceu, foram anos serenos e tranquilos naquele lugar. No ano de 340 nascia o terceiro filho da casal que recebeu o nome do pai, Ambrósio. Naquele mesmo ano Marcelina, a filha mais velha, ao completar 13 anos, sofre a morte precoce do pai, um grande choque para a família. Diante disso, a mãe de Marcelina, cujo nome desconhecemos, resolve retornar à Roma junto com os três filhos. Ali, passados alguns anos e antes de completar 20 anos, falece sua mãe. Assim, Marcelina assuma a responsabilidade pela educação de seus dois irmãos.
Em Roma Sátiro e Ambrósio foram confiados a bons e competentes mestres, dedicando-se ambos, com sucesso, a estudos jurídicos, estudando literatura, direito e retórica. Para Marcelina, jovem, bonita, rica e nobre não faltavam pretendentes, mas em seu coração o desejo de se consagrar somente a Deus era sempre maior. Na Roma, de então, era difícil compreender que uma jovem como ela fosse capaz de renunciar à sua fortuna e a um ilustre casamento. No entanto, foi justamente nesta época que a semente do amor de Cristo plantou-se em sua vida. No intuito de buscar coragem para responder aos apelos divinos Marcelina visita muitas vezes às catacumbas dos mártires cristãos. Ali ela se sentia consolada e compreendida, descobriu sua verdadeira missão, tinha a convicção de que Deus a queria para si. Marcelina tem certeza de que Deus a quer para si. Sente o convite divino falar alto no seu íntimo e não resiste mais.
Retirou-se então para um lugar tranqüilo, na Vila de Cernusco (Milão) e, ali se coloca em oração, reza muito, lê a palavra de Deus, medita, observa a natureza, as flores, os pássaros. Sente a presença de Deus em todas as coisas e finalmente decide: "Farei a consagração da minha vida somente a Deus". Na noite de Natal do ano de 353, na Basílica de São Pedro, em Roma, Marcelina recebe o véu das virgens, sinal de sua consagração total, das mãos do Papa Libério[9] . Tal fato é relatado por Santo Ambrósio no tratado De virginibus, dedicado à própria irmã.[10] A este mesmo propósito o Beato Luís Biraghi, fundador das Irmãs Marcelinas, descreve em seu livro intitulado Vida da virgem romano-milanesa Santa Marcelina as palavras dirigidas pelo Papa Libério à Marcelina quando de sua consagração[11] . A vida de Marcelina, a partir de agora, será totalmente dedicada à oração e ao estudo das Sagradas Escrituras. Muitas jovens desejosas de serem orientadas por ela no conhecimento do Senhor acorriam a sua casa e junto a ela se exercitavam no socorro aos pobres e sofredores. Ao mesmo tempo, Marcelina não descuida da educação humana, cultural e cristã de seus dois irmãos, logo nomeados para importantes cargos públicos. Seus irmãos, Sátiro e Ambrósio, completaram os estudos em direito e retórica e em 365 ambos foram chamados à magistratura junto a Prefeitura de Sírmio.
No tempo do imperador Valentiniano I, no ano de 372, Ambrósio é eleito governador de Milão e Sátiro foi nomeado para uma Prefeitura. Dois anos mais tarde, em 374, chega uma inesperada e clamorosa notícia: "Ambrósio foi eleito Bispo de Milão"! Com a morte de Auxêncio de Milão, bispo ariano, seus partidários organizaram-se rapidamente na tentativa de eleger um sucessor. Em virtude de tensões existentes ali Ambrósio foi chamado para apaziguar a situação, dirigiu-se a igreja aonde os seguidores de Auxêncio estavam reunidos com o objetivo de evitar um escândalo, o que era provável, pôs-se a discursar, mas seu discurso foi interrompido por um grito: "Ambrósio, bispo!" Assim, por aclamação popular Ambrósio tornou-se Bispo de Milão, sendo aprovado pelo Papa Dâmaso I. Logo, para auxiliar o irmão em sua nova missão, Marcelina não hesita em acompanhá-lo à sede milanesa e ajudá-lo no que fosse necessário. Para ambos Marcelina foi conselheira e mestra. Paralelamente, continuava sua missão junto as suas companheiras que com ela vieram para Roma.
Em sua vida diária, Marcelina foi além das lições mais perfeitas. Jejuava todos os dias até o anoitecer, e dedicava a maior parte do dia e da noite à oração e à leitura espiritual. S. Ambrósio aconselhou-a, nos últimos anos de sua vida, a que moderasse a sua austeridade e redobrasse as orações, especialmente pela recitação frequente dos salmos, da Oração do Senhor, o Credo, que ele chama de selo do cristão, e de guarda dos nossos corações[12] . No silêncio de uma vida recolhida desenvolveu um intenso apostolado eclesial, participando ativamente das labutas do Bispo Ambrósio, orientou-o a manter-se firme e seguro no serviço da fé e da promoção da justiça. O Bispo era muito grato a seus irmãos, sobretudo, a Marcelina, a quem considerava uma verdadeira mãe. Encantava-o seu modo de proceder e em muitas ocasiões Ambrósio propunha seu exemplo a muitas outras jovens que também eram chamadas por Deus à consagração. Tamanha era a admiração que Ambrósio nutria por sua irmã Marcelina que em sua homenagem e por ela incentivado escreveu uma obra intitulada De Virginibus, exaltando as boas virtudes e a vida de Marcelina, sua querida irmã[13] .
Após a eleição de Ambrósio como Bispo Sátiro assumiu toda a parte administrativa dos bens da família, que eram também destinados aos pobres. Assim como Marcelina, Sátiro foi um fiel colaborador em todos os projetos e empreendimentos de Ambrósio. Sátiro foi o primeiro a falecer, no ano de 379. Ambrósio dedicará um belo sermão em homenagem ao irmão falecido. Passados alguns anos, na madrugada do sábado santo, dia 4 de abril de 397, com 57 anos aproximadamente, Ambrósio deixa este mundo. Na rápida enfermidade que lhe abriu as portas do céu Marcelina acompanhou-o até o fim. Tendo assistido à morte dos dois irmãos, por fim, muito esgotada, morreu poucos meses depois de Ambrósio, no dia 17 de julho de 397, com 70 anos. A voz do povo a proclamou santa pela vida tão edificante que levou. Foi sepultada junto a Basílica de Santo Ambrósio. Em 1722 seus restos mortais foram posteriormente transladados a uma capela erguida em sua homenagem na mesma Basílica. Em homenagem à irmã de santo Ambrósio, em 1838, o Beato Luigi Biraghi fundou o instituto religioso feminino das Irmãs de Santa Marcelina, para a educação de jovens[14] .

Síntese cronológica[editar | editar código-fonte]

Anos Eventos importantes da vida de Santa Marcelina
327 Nasce Santa Marcelina, na casa paterna, em Roma. Filha mais velha de Ambrósio, prefeito romano, que governou a Gália, atua Tréveris.
337 Nasce São Sátiro, segundo filho do casal, na cidade de Tréveris.
340 Nasce Santo Ambrósio, terceiro filho do casal, em Tréveris. Naquele mesmo ano falece Ambrósio, pai de Marcelina, Sátiro e Ambrósio. Em virtude disto a família regressa a Roma.
347 Falece sua mãe, cujo nome desconhecemos. Marcelina assume, a partir de então, a responsabilidade de educar seus irmãos menores.
353 Na noite de Natal, na Basílica de São Pedro, em Roma, Marcelina recebe das mãos do Papa Libério o véu da consagração total.
365 Sátiro e Ambrósio são chamados à magistratura junto a Prefeitura de Sírmio.
372 Ambrósio é nomeado governador de Milão. Sátiro, por sua vez, foi nomeado para a prefeitura da mesma cidade.
374 Ambrósio é eleito Bispo de Milão por aclamação popular.
377 A pedidos de Santa Marcelina Santo Ambrósio escreve o tratado De Virginibus (Sobre a Virgindade).
379 Falece São Sátiro em Milão.
393 Santo Ambrósio escreve o tratado Exhortatio virginitatis (Exortação à virgindade) sobre a queda de uma virgem.
397 Falece Santo Ambrósio em Milão. Naquele mesmo ano no dia 17 de julho Marcelina entra para a glória celeste.
  • Referências

    Bibliografia[editar | editar código-fonte]

    Links relacionados[editar | editar código-fonte]

    Ligações externas[editar | editar código-fonte]