Santana do Matos

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Município de Santana do Matos
"Coração do Rio Grande do Norte"
Bandeira de Santana do Matos
Brasão de Santana do Matos
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 27 de outubro
Fundação 1827
Gentílico santanense
Padroeiro(a) Senhora Sant'Ana
CEP 59520-000
Prefeito(a) José Edvaldo Guimarães Júnior (PR)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de Santana do Matos
Localização de Santana do Matos no Rio Grande do Norte
Santana do Matos está localizado em: Brasil
Santana do Matos
Localização de Santana do Matos no Brasil
05° 57' 28" S 36° 39' 21" O05° 57' 28" S 36° 39' 21" O
Unidade federativa  Rio Grande do Norte
Mesorregião Central Potiguar IBGE/2008[1]
Microrregião Serra de Santana IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Angicos, Fernando Pedroza, Itajá, São Vicente, Florânia, Tenente Laurentino Cruz, Lagoa Nova, Bodó, Cerro Corá, São Rafael e Jucurutu
Distância até a capital 191 km[2]
Características geográficas
Área 1 420,313 km² (RN: 3º)[3]
Distritos Barão de Serra Branca, Santa Tereza, Bom Jesus e São José da Passagem
População 13 481 hab. (RN: 38º) –  IBGE/2012[4]
Densidade 9,49 hab./km²
Altitude 141 m
Clima Semiárido BSh
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,591 baixo PNUD/2010[5]
PIB R$ 54 467,779 mil IBGE/2008[6]
PIB per capita R$ 3 707,81 IBGE/2008[6]
Página oficial
Prefeitura «www.santanadomatos.rn.gov.br». www.santanadomatos.rn.gov.br 
Câmara «www.santanadomatos.rn.leg.br». www.santanadomatos.rn.leg.br 

Santana do Matos é um município brasileiro no estado do Rio Grande do Norte localizado na microrregião da Serra de Santana. De acordo com o Censo de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o município contava com uma população de 13.798 habitantes, dos quais 6.905 viviam no meio rural.[7] O município é o 3º maior do estado possuindo uma área territorial de 1.420 km².

Geografia[editar | editar código-fonte]

Santana do Matos está localizada em pleno Sertão Central Potiguar possuindo clima semiárido. A vegetação predominantemente arbustiva, típica da Caatinga, é composta por elementos caducifólios - que perdem suas folhas no período da seca, salvo as Algarobas que permanecem verdes em meio a paisagem acinzentada.

Todos os rios do Município são intermitentes, ou seja, secam durante os períodos de estiagem mais severos. A má distribuição do regime de chuvas e o solo em sua maior parte pedregoso não permitem o desenvolvimento da agricultura e da pecuária extensivas, somente familiar e/ou de subsistência. Santana do Matos também é conhecida como "Coração do Rio Grande do Norte", pois é nela que está o ponto exato que determina o centro do estado.

História[editar | editar código-fonte]

Cronologia

Período Pré-Colonial: O sertão nordestino é habitado por grupos humanos (paleoameríndios) há pelo menos 9 mil anos. Os primeiros habitantes do sertão potiguar foram, provavelmente, povos nômades, caçadores e coletores de alimentos. Deixaram registros gravados e pintados em pedras e paredões ao longo de rios, riachos e lagoas onde deviam caçar e coletar alimentos no período pré-colonial. Na região de Santana, a arte rupestre, como são chamados esses registros pré-históricos, é rica e diversificada. Pesquisas recentes do Professor Valdeci dos Santos Junior [8], da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, revelaram a existência de 75 sítios arqueológicos na região central do RN denominada "Área Arqueológica de Santana". Apenas dois daqueles sítios estão registrados pelo IPHAN como patrimônio histórico. Esses valiosos registros da ocupação humana pré-histórica da região, ainda que pouco estudados, vêm sendo depredados por vândalos e turistas ignorantes.

Chegada dos Portugueses: Quando os portugueses chegaram à região, ao longo do século XVI, encontraram pelo menos três grupos culturais distintos, os Cariri, os Tarairiu e os Jê, e um grande número de grupos isolados e ainda sem classificação, dentro da denominação de Tapuia predominante no período colonial:.[9] O conflito com os colonizadores/invasores portugueses foi inevitável. Ao adentrar o sertão com a pecuária e as campanhas de aprezamento de índios para trabalho escravo, ao longo do século XVII, os portugueses logo se viram confrontados com povos arredios e valentes. O historiador Pedro Puttoni, em seu livro "A Guerra dos Bárbaros", retrata muito bem esse período de enfrentamento que resultou, como era de se esperar, na aniquilação de populações inteiras de índios do sertão. As tribos restantes, pacificadas por bandeirantes paulistas, foram aldeadas e os primeiros assentamentos de colonos brancos criados ao final do século XVII. A pecuária pode retomar seu crescimento ao final dos conflitos, desenvolvendo-se rapidamente e tornando-se importante atividade econômica. Nesse período, as oficinas de carne seca e a indústria de extração da cera de carnaúba representavam a base da economia da região. Em 1696, Bernardo Vieira de Melo, então Governador da Capitania do Rio Grande do Norte, colocou-se à frente de uma pequena expedição e fundou à margem esquerda do Rio Açu (ou Piranha) o Arraial de Nossa Senhora dos Prazeres, ponto de reforço para a conquista do sertão. Bernardo Vieira instalou-se com seus soldados no novo arraial, iniciando o aldeamento dos índios e assegurando o estabelecimento dos colonos. Surgiu daí o povoado conhecido como povoação de São João Batista da Ribeira do Céu. O município de Açu foi criado por Ordem Régia em 22 de julho de 1766. Inicialmente foi denominado de Vila Nova da Princesa. A Lei provincial nº 124, de 16 de outubro de 1845, concedeu à Vila Nova da Princesa foros de cidade com o nome de Açu. O município foi posteriormente desmembrado entre os municípios de Santana, Jucurutu, Angicos, São Rafael, Lages, Bodó, Itajá e Fernando Pedroza. O povoado do que hoje é a cidade de Santana do Matos teve início na Fazenda Bom Bocadinho, de propriedade do português Manoel José de Matos. Quando a fazenda começava a dar sinais de prosperidade, uma forte seca prejudicou seriamente a lavoura e dizimou o gado. Manoel José, homem religioso, prometeu erguer uma capela em homenagem a Nossa Senhora de Santana se a seca terminasse. A seca passou, a Fazenda Bom Bocadinho voltou a crescer e a capela foi construída, recebendo o nome de Santana do Matos, numa referência à santa milagrosa e ao dono da fazenda. A exemplo de outras cidades sertanejas, cujos territórios − municipais foram delineados pelos limites da freguesia primeva, Santana do Matos tem seu mito de origem na intervenção da avó de Cristo, nos vexames sofridos pelos primeiros vaqueiros. Câmara Cascudo explica essa "história que se enovela em lenda": Manoel José de Matos – daí o sobrenome da cidade – desesperado pelas tribulações por que passava, prometeu cultuar Sant’Ana, com capela e imagem votivas; agraciado, cumpre a promessa, lançando em terra o que seria a semente urbana. Da − construção da capela à instituição da freguesia, foi um movimento natural; em 1821, a povoação santanense assim tinha sido reconhecida. (Cascudo, 1955-a: 15.)

O povoado foi iniciado nas proximidades da capela com o nome de Santana do Pé de Serra, passando posteriormente a ser chamado de Santana do Matos, num vínculo direto com a capela que lhe deu origem. A agricultura e a pecuária foram se desenvolvendo nas terras da localidade, fazendo com que o povoado crescesse rapidamente. − −

Pintura rupestre

No dia 13 de outubro de 1836, de acordo com a lei n° 9, Santana do Matos desmembrou-se de Açu, tornando-se município. Mas no dia 6 de agosto de 1855, pela Resolução Provincial de nº 314, o município voltou à condição de povoado, sendo restabelecido definitivamente como município um mês depois, no dia 5 de setembro do mesmo ano. −

Produção agrícola[editar | editar código-fonte]

Pecuária[editar | editar código-fonte]

IBGE (2015)[10]
Rebanho Efetivo (cabeças)
Bovino 23.415
Suíno 1.530
Equinos 374
Caprinos 10.375
Ovinos 13.637
Galinhas 7.570
Leite produzido 2.684.000 litros
Ovos de galinha 22.000 dúzias

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  2. FEMURN. «Distâncias dos Municípios do Rio Grande do Norte a Natal-RN». Consultado em 29 de março de 2011 
  3. IBGE; IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  4. «ESTIMATIVAS DA POPULAÇÃO RESIDENTE NOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS COM DATA DE REFERÊNCIA EM 1 DE JULHO DE 2012» (PDF). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 30 de agosto de 2011. Consultado em 31 de agosto de 2012 
  5. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 4 de setembro de 2013 
  6. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010 
  7. «Título ainda não informado (favor adicionar)» (PDF). www.ibge.gov.br 
  8. «Título ainda não informado (favor adicionar)». www.uern.br 
  9. «Título ainda não informado (favor adicionar)» (PDF). pe.anpuh.org 
  10. «Título ainda não informado (favor adicionar)». www.ibge.gov.br 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]