Santi Quattro Coronati

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Basílica dos Santos Quatro Mártires Coroados
Santi Quattro Coronati
Vista do complexo
Estilo dominante Românico
Início da construção século XI
Fim da construção século XII
Religião Igreja Católica
Diocese Diocese de Roma
Ano de consagração século IV ou século V
1116
Website Site oficial
Geografia
País Itália
Região Roma
Local Monte Célio
Coordenadas 41° 53' 18" N 12° 29' 54" E

Santi Quattro Coronati ou Basílica dos Santos Quatro Mártires Coroados é uma antiga basílica menor de Roma, Itália, construída no século IV ou V e dedicada a quatro santos mártires anônimos. O complexo, que abrange dois pátios, o fortificado Palácio Cardinalício, com sua bela Capela de São Silvestre, um mosteiro com seu próprio claustro cosmatesco, está localizado numa parte silenciosa e arborizada de Roma, entre o Coliseu e a Basílica de São João de Latrão.

O cardeal-presbítero protetor do título dos Santos Quatro Mártires Coroados é Roger Michael Mahony, arcebispo emérito de Los Angeles.

Os "Santos Quatro Mártires Coroados"[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Quatro Mártires Coroados

"Santi Quattro Coronati" significa "Santos Quatro Coroados", um sinal de que seus nomes não são conhecidos e também de que eram mártires, pois a coroa e a folha de palmeira são antigos símbolos do martírio. De acordo com "A Paixão de São Sebastião", os quatro eram soldados que se recusaram a fazer sacrifícios a Esculápio e foram por isso mortos por ordem do imperador romano Diocleciano (r. 284–305). Os corpos dos quatro foram enterrados no cemitério de Santi Marcellino e Pietro al Laterano, na quarta milha da Via Labicana, pelo papa Milcíades e São Sebastião, cujo crânio está preservado ali até hoje segundo a tradição. Milcíades decidiu que os quatro deveriam ser venerados com os nomes de Cláudio, Nicostrato, Simproniano e Castório. Estes nomes — junto com um quinto, Simplício — são os mesmos dos cinco pedreiros mártires da Panônia. Outra tradição posterior os identifica como sendo os quatro mártires de Albano: Segundo (ou Severo), Severiano, Carpóforo e Vitorino. Seja como for, os corpos dos quatro estão sepultados em quatro antigos sarcófagos na cripta da igreja. De acordo com uma lápide de 1123, a cabeça de um dos quatro foi levada para Santa Maria in Cosmedin.

História[editar | editar código-fonte]

Planta do complexo

Conta a tradição que a primeira igreja no local foi fundada pelo próprio papa Milcíades no século IV, no lado norte do Monte Célio. Uma das primeiras igrejas de Roma, levava o nome de "Titulus Aemilianae", uma referência a uma patrocinadora, provavelmente a proprietária da elaborada villa cujos restos são evidentes sob a igreja. O edifício foi completado no final do século VI e, por sua proximidade da residência medieval do papa no Palácio de Latrão, tornou-se muito proeminente na época. A primeira reforma ocorreu sob o papa Leão IV (r. 847–855), que construiu a cripta sob a nave, acrescentou os dois corredores laterais, fechou o pátio à frente da fachada e construiu o campanário e as capelas de Santa Bárbara e São Nicolau. A nova basílica, em estilo carolíngio, tinha 95 metros de comprimento e 50 de largura.

Esta igreja, porém, foi incendiada e completamente arrasada pelas tropas de Roberto Guiscardo durante o saque de Roma pelos normandos em 1084. Ao invés de reconstruir a enorme basílica, o papa Pascoal II escolheu construir um edifício menor com dois pátios, um seguido do outro; o primeiro correspondendo ao pátio original do século IX e o segundo, ao espaço originalmente ocupado pelo início da nave da antiga basílica. O espaço dos dois corredores foram incorporados pelo Palácio Cardinalício (direita) e pelo mosteiro beneditino (esquerda), fundado pelo próprio Pascoal. A abside original da basílica, porém, foi preservada e parece atualmente ser grande demais para a igreja, cujo espaço remanescente da antiga nave foi subdividido em uma nova nave mais estreita e dois corredores por duas fileiras de colunas. A nova igreja foi consagrada em 20 de janeiro de 1116. Em 1338, ela estava incorporada à Abadia de Sassovivo.

No século XIII, um claustro cosmatesco foi acrescentado ao mosteiro. O Palácio Cardinalício foi ampliado pelo cardeal Stefano Conti, um sobrinho do papa Inocêncio III. Conti também transformou o palácio numa fortaleza para abrigar os papas, que moravam no Palácio de Latrão, durante o conflito com os imperadores germânicos da Casa Hohenstaufen. Em 1247, a Capela de São Silvestre, no térreo da fortaleza, foi consagrada e hoje abriga preciosos afrescos com a história do papa Silvestre I e do imperador Constantino I, entre elas o lendário batismo do imperador e uma representação da mítica Doação de Constantino. Pintado no contexto dos conflitos entre o papa Inocêncio IV e o recém-excomungado imperador Frederico II, os afrescos sublinhavam o direito de soberania da Igreja (Silvestre) sobre o Império (Constantino).

Quando os papas se mudaram para Avinhão, o Palácio Cardinalício ficou em ruínas. Assim, com o retorno do papa Martinho V a Roma, uma reforma se fez necessária. Porém, quando a residência papal se mudou de Latrão para o Vaticano, a basílica novamente perdeu importância. Em 1564, o papa Pio IV deixou todo o complexo aos cuidados dos agostinianos, que estão ali até hoje.

Decoração interior[editar | editar código-fonte]

A abside contém afrescos de Giovanni da San Giovanni (1630) sobre os Quatro Santos Coroados (Severo, Severiano, Carpóforo e Vitorino). A peça-de-altar à esquerda da nave é "São Sebastião com Lucina e Irene" e foi pintada por Giovanni Baglione. No segundo pátio está a entrada para a Capela de São Silvestre, com os afrescos originais do século IX e outros de Raffaellino da Reggio.

Em 2002, a historiador da arte Andreina Draghi descobriu uma incrível quantidade de afrescos, datando até o século XIII, enquanto restaurava o Salão Gótico do mosteiro. A maior parte das cenas ficaram bem preservadas sob uma grossa camada de gesso e representam os doze meses do ano, as "Artes Liberais", as "Quatro Estações" e o "Zodíaco". A imagem do Rei Salomão, um crente e um juiz, pintado na parede norte levou os estudiosos a sugerirem que esta sala pode ter sido utilizada como uma "Corte de Justiça". O gesso provavelmente foi colocado depois da Peste Negra (1348) por razões sanitárias ou, talvez, no século XV, quando os camaldulenses deixaram o mosteiro.

Galeria[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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