Santiago Salvador Franch

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Santiago Salvador Franch
Nascimento 1862
Aragão (Espanha)
Morte 21 de novembro de 1894 (32 anos)
Montjuïc, Barcelona (Espanha)
Escola/tradição Anarquismo

Santiago Salvador Franch (1862 - 1894) foi um anarquista ilegalista aragonês, artesão de profissão, que viveu na segunda metade do século XIX. Em 7 de Novembro de 1893 ganhou notoriedade ao lançar dois artefatos explosivos contra a platéia da casa de ópera do Liceu de Barcelona durante a première da ópera Guilherme Tell. Foi executado em 21 de Novembro de 1894.

O atentado[editar | editar código-fonte]

No dia 7 de Novembro de 1893 na inauguração da temporada do Grande Teatro do Liceu de Barcelona (Catalunha), durante o segundo ato da ópera Guilherme Tell, de Rossini, dirigida por Leopoldo Mugnone, o anarquista Santiago Salvador Franch lançou duas bombas de orsini do quinto piso contra a platéia abaixo. Das duas bombas lançadas somente uma explode resultando em mais de vinte e dois mortos e trinta e cinco feridos[1]. Em meio a confusão que se segue a explosão Santiago Franch se retira do teatro sem ser visto.

A bomba de orsini que não explodiu resiste ao atentado intacta tendo sua queda amortecida pelo corpo de uma mulher já morta pela explosão da primeira bomba. Após o encerramento do caso o artefato explosivo é encaminhado para o Museu de História da cidade da Barcelona se tornando parte permanente do acervo deste museu.

Prisão e execução[editar | editar código-fonte]

Explosão do Grande Teatro do Liceu de Barcelona na capa do jornal francês Le Petit Journal.

Como conseqüência da ação foi declarada lei marcial na cidade de Barcelona e centenas de anarquistas inocentes foram presos e torturados pelo aparato repressor estatal. A autoria da ação foi inicialmente creditada à José Codina, depois à Mariano Cerezuela ambos eram anarquistas e acabaram sendo executados em 21 de Maio de 1894 pelo estado espanhol.

Em 2 de Janeiro de 1894, Salvador Franch foi pego enquanto tentava sair a pé da Catalunha para Zaragoza. Para evitar a captura ainda tentou desesperadamente cometer suicídio duas vezes sem conseguir êxito. Foi imediatamente levado a prisão do castelo de Monjuïc, não sendo julgado até o dia 11 de Julho. Durante seu julgamento declarou que seus atos se deram em vingança à execução de Paulino Pallàs a quem conhecia e admirava.

No dia 21 de Novembro de 1894 Santiago Salvador Franch foi executado pelo garrote vil na prisão de Montjuïc, em Barcelona. Ele tinha 32 anos e era pai de duas filhas.

Motivações[editar | editar código-fonte]

O atentado se deu em represália à execução de Paulino Pallás e à perseguição sistemática a diversos grupos anarquistas aragoneses em Outubro de 1893. Em fins de Setembro Pallás, um jovem anarquista, havia tentado sem sucesso assassinar o Capitão Geral (equivalente ao cargo de governador) da Catalunha, o general Arsenio Martínez Campos durante uma parada militar. Por sua vez, o atentado de Pallás se deu também como forma de revanche à execução de quatro anarquistas ocorrida em 16 de Fevereiro de 1892. Envolvidos em uma rebelião na cidade de Jerez um mês antes, os quatro haviam sido aprisionados e torturados pelo estado espanhol assim como centenas de outras pessoas supostamente envolvidas.

Escolhida como alvo da ação direta violenta por Salvador Santiago Franch, a casa de ópera do Liceu de Barcelona era na época majoritariamente freqüentada pela elite aragonesa que, indiferente a miséria das regiões rurais e dos trabalhadores urbanos, apoiava quaisquer medidas do violência estatal na repressão à manifestações de descontentamento e rebelião por parte das classes desfavorecidas.

Conseqüências[editar | editar código-fonte]

Escultura de autoria de Antoni Gaudí na fachada da Catedral da Sagrada Família em Barcelona, em que um operário aparece recebendo uma bomba de Orsini das mãos de um demônio.

O atentado acaba por implicar em importantes conseqüencias políticas, jurídicas e literárias, resultando em uma crise teatral que duraria ainda por meses. Todos os direitos individuais e civis são suspensos. É declarada lei marcial em Barcelona durante ano. Tempo em que o atentado é constantemente utilizado como desculpa para a perseguição sistemática da imprensa anarquista, sindicatos e outras organizações.

Relacionado a rebeliões populares e ações diretas violentas empreendidas por outros ilegalistas na Europa, o atentato de Santiago Salvador Franch foi vinculado pela imprensa burguesa à Internacional Negra, uma suposta conspiração anarquista mundial que tinha como objetivo acabar com líderes e burgueses influentes por todo o mundo.

Bibliografia e Referência[editar | editar código-fonte]

  1. Tal contagem aparece em Barcelona and Modernity, William H. Robinson, Jordi Falgas, Carmen Belen Lord, Robert Hughes, Josefina Alix. p.110, no entanto existem discrepâncias com relação ao número de mortos e feridos.

Veja também[editar | editar código-fonte]

Portal Portal da Anarquia