Santuário de Fátima

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Santuário Nossa Senhora de Fátima.
Santuário de Nossa Senhora
do Rosário de Fátima
(Santuário de Fátima)
Vista geral do Santuário de Fátima (com a Capelinha das Aparições e a Basílica de Nossa Senhora do Rosário)
Estilo dominante Neobarroco
Religião Católica
Diocese Leiria-Fátima
Bispo Dom António Marto
Padre Carlos Cabecinhas
Website www.fatima.pt
Geografia
País  Portugal
Cidade Cova da Iria, Fátima
Endereço Santuário de Fátima
Apartado 31
2496-908 Fátima (Portugal)
Coordenadas 39° 37' 52.59" N 8° 40' 23.41" O

O Santuário de Fátima, formalmente intitulado Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, é um santuário mariano dedicado a Nossa Senhora de Fátima, localizado na Cova da Iria, na cidade de Fátima, concelho de Ourém, em Portugal. É considerado um dos mais importantes santuários marianos do mundo pertencentes à Igreja Católica.

História do Santuário de Fátima[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Aparições de Fátima

Em 1917, o ano da Revolução Soviética, Lúcia dos Santos e os seus primos Francisco e Jacinta Marto, popularmente chamados de "Os Três Pastorinhos", afirmaram ter presenciado seis aparições de Nossa Senhora no lugar da Cova da Iria nos dias 13 de maio, 13 de junho, 13 de julho, 13 de setembro e 13 de outubro, tendo, em agosto, a aparição mariana ocorrido excecionalmente no dia 19 e no lugar dos Valinhos. No essencial da mensagem apresentada, a Virgem Maria terá pedido que se rezasse o terço todos os dias, pela conversão dos pecadores, e que fosse feita penitência. Numa dessas aparições, pediu ainda para se construir uma capela em sua honra, a qual, atualmente, constitui parte do Santuário onde está exposta uma imagem de Nossa Senhora de Fátima. No decorrer dos anos, o Santuário foi sendo expandido, existindo já duas basílicas, o que aumentou a capacidade para o acolhimento de peregrinos e visitantes em recinto coberto.

O Santuário é composto principalmente pela Capelinha das Aparições, pela Basílica de Nossa Senhora do Rosário e respetivas colunatas, pelo Recinto/Esplanada do Rosário, pela Casa de Retiros de Nossa Senhora do Carmo e Casa de Retiros de Nossa Senhora das Dores, pela Reitoria, pelo Albergue de Peregrinos, pela Praça Pio XII e Centro Pastoral Paulo VI, pela nova Basílica da Santíssima Trindade, inaugurada a 13 de outubro de 2007. Destacam-se ainda a Capela do Lausperene (Laus Perene, que significa Louvor Permanente) onde está permanentemente exposto o Santíssimo Corpo de Cristo na Hóstia Consagrada, e a Capela da Reconciliação, dedicada à celebração do Sacramento da Reconciliação (ou Confissão).

É também propriedade do Santuário o lugar dos Valinhos, onde ocorreu a aparição do Anjo de Portugal, em 1916, e de Nossa Senhora, em 19 de agosto de 1917, assim como a Casa da Lúcia e a Casa do Francisco e da Jacinta, situadas no lugar de Aljustrel.

Aljustrel e Valinhos[editar | editar código-fonte]

Ver artigos principais: Aljustrel (Fátima) e Valinhos (Fátima)
Monumento dedicado à aparição do Anjo de Portugal aos três pastorinhos.
Os Valinhos, monumento que marca o local da quarta aparição de Nossa Senhora.
O Calvário Húngaro no final da Via-Sacra, nos Valinhos, em Fátima.

O Santuário de Fátima dispõe de propriedade sobre os locais relacionados com as aparições de Fátima nos lugares de Aljustrel e dos Valinhos, situados a pouca distância da Cova da Iria e nas proximidades da Igreja Paroquial de Fátima.

Casas dos Pastorinhos e Poço do Arneiro[editar | editar código-fonte]

Em Aljustrel os principais locais de visita por parte dos peregrinos do Santuário de Fátima são a Casa de Lúcia (com o respetivo interior aberto ao público), a Casa de Francisco e de Jacinta (também aberta ao público) e a Casa Museu de Aljustrel. Ao fundo do quintal da Casa de Lúcia encontra-se um poço – chamado de Poço do Arneiro – que se notabilizou pela segunda aparição do Anjo de Portugal, no verão de 1916. Foi também aí que a pequena Jacinta teve uma visão do Santo Padre a chorar e a rezar de joelhos no interior de uma grande casa. As imagens aí existentes, tanto do anjo como dos três pastorinhos, são obra da escultora Maria Irene Vilar.

Loca do Cabeço, Via-Sacra e Calvário Húngaro[editar | editar código-fonte]

No lugar dos Valinhos, os principais locais de visita por parte dos peregrinos do Santuário de Fátima são o percurso pedestre da Via-Sacra, iniciado a partir da Rotunda dos Pastorinhos (Rotunda Sul de Fátima), no qual, entre a oitava e nona estações fica o local onde ocorreu a quarta aparição de Nossa Senhora a 19 de agosto de 1917. O monumento que assinala essa aparição mariana, assim como, mais adiante, a Capela dedicada a Santo Estevão e as esculturas do Calvário (chamado de Calvário Húngaro), foram construídos com donativos de católicos húngaros. A estátua de Nossa Senhora existente nos Valinhos foi esculpida por Maria Amélia Carvalheira da Silva e o nicho em que se encontra foi arquitetado por António Lino.

Capelinha das Aparições[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Capelinha das Aparições
Vista panorâmica da Capelinha das Aparições situada na Cova da Iria.
A imagem original de Virgem Maria na Capelinha das Aparições.

A Capelinha das Aparições é uma capela localizada no lugar da Cova da Iria, em pleno recinto do Santuário de Fátima, e a qual foi construída em resposta ao pedido de Nossa Senhora ("Quero que façam aqui uma capela em minha honra") no local exacto das Suas aparições em Fátima. De 28 de Abril a 15 de Junho de 1919, a tarefa da edificação da pequena capela foi executada pelo pedreiro Joaquim Barbeiro da povoação de Santa Catarina da Serra.[1]

Na Capelinha das Aparições encontra-se exposta para veneração pública a imagem original de Nossa Senhora de Fátima, a qual foi oferecida por Gilberto Fernandes dos Santos e encomendada à Casa Fânzeres, de Braga, realizada segundo as indicações da própria vidente Irmã Lúcia, sendo uma obra de escultura de José Ferreira Thedim. É feita em madeira, de cedro do Brasil, e mede 1,10 m. A 13 de maio de 1920, a imagem de Nossa Senhora de Fátima foi benzida na Igreja Paroquial de Fátima pelo Reverendo Padre António de Oliveira Reis, arcipreste de Torres Novas.[1] A estátua foi entronizada na Capelinha das Aparições a 13 de junho do mesmo ano.[2]

A coroa de ouro foi oferecida por um grupo de mulheres portuguesas a 13 de Outubro de 1942, em ação de graças por Portugal não ter entrado na Segunda Guerra Mundial. Foi executada gratuitamente por 12 artesãos em Lisboa durante três meses. Pesa 1200 gramas e contém 313 pérolas e 2679 pedras preciosas. Tem incrustada a bala oferecida pelo Papa João Paulo II no atentado de que foi vítima na Praça de São Pedro, no Vaticano, a 13 de maio de 1981, como sinal de agradecimento à Virgem Maria por lhe ter salvo a vida (ver artigo: Tentativa de assassinato do Papa João Paulo II).[2]

A partir do dia 13 de outubro de 1921 passou a ser permitida oficialmente a celebração da Santa Missa, pela primeira vez, junto à Capelinha.[3]. Todavia, no dia 6 de março de 1922, a Capelinha das Aparições foi dinamitada por desconhecidos, mas ainda reconstruída nesse mesmo ano.[3]

Em 1982 foi construído um vasto alpendre sobre a Capelinha das Aparições, tendo sido este inaugurado aquando da visita do Papa João Paulo II a 12 de maio desse ano. Em 1988, declarado Ano Mariano pela Santa Sé, o alpendre foi forrado com madeira de pinho, proveniente da Rússia, da região norte da Sibéria. Foi escolhida esta madeira pela sua durabilidade e leveza.[3]

A capelinha original, embora sujeita a ligeiras reparações no decorrer dos anos, mantém os traços de uma pequena ermida popular. Quanto ao pedestal onde se encontra a escultura original de Nossa Senhora de Fátima, este marca o sítio exato onde estava a pequena azinheira sobre a qual a Santíssima Virgem Maria apareceu aos três pastorinhos de Fátima a 13 de Maio, de Junho, de Julho, de Setembro e de Outubro de 1917.[3]

Basílica de Nossa Senhora do Rosário[editar | editar código-fonte]

A Basílica de Nossa Senhora do Rosário (também chamada no modo abreviado de Basílica do Rosário) começou a ser construída em 1928, em estilo neobarroco, segundo um projecto do arquitecto holandês Gerard Van Krieken. Foi erguida no local exato onde os três pastorinhos brincavam a fazer uma pequena parede de pedras quando viram o clarão que os fez pensar ser uma trovoada, no dia 13 de maio de 1917, e que antecedeu a primeira aparição da Virgem Maria.

Basílica do Rosário e os túmulos dos Pastorinhos[editar | editar código-fonte]

A primeira pedra deste templo católico foi benzida pelo Arcebispo de Évora, D. Manuel da Conceição Santos, em 1928, tendo a sagração ocorrido a 7 de outubro de 1953. Em 1954, foi-lhe concedido o título de Basílica Menor pelo Papa Pio XII. O edifício, que mede 70,5 metros de comprimento e 37 de largura, foi construído totalmente com pedra da região (do lugar do Moimento) e os altares são feitos em mármore das regiões de Estremoz, de Pero Pinheiro e de Fátima.

À frente da Basílica de Nossa Senhora do Rosário foi instalada uma grande tribuna, com altar, presidência, ambão e bancos para os concelebrantes, na qual se celebra a Santa Missa nos principais dias festivos e nas ocasiões de peregrinações internacionais.

A torre sineira tem 65 metros de altura, sendo rematada por uma coroa de bronze dourado de 7000 kg, construída na fundição do Bolhão, no Porto, encimada por uma cruz, e a qual fica iluminada durante a noite e pode ser avistada a vários quilómetros de distância.

O carrilhão é composto por 62 sinos, fundidos e temperados em Fátima por José Gonçalves Coutinho, de Braga. O sino maior pesa 3 000 kg e o badalo 90. O relógio é obra de Bento Rodrigues, também de Braga. Os anjos da fachada, de pedra mármore, são da autoria de Albano França.

Painel da coroação de Nossa Senhora, pela Santíssima Trindade, como Rainha do Céu e da Terra.
Uma das imagens peregrinas de Nossa Senhora de Fátima exposta no altar-mor da Basílica do Rosário.

No dia 13 de maio de 1958, foi inaugurada uma grande estátua do Imaculado Coração de Maria, oferta dos católicos americanos e esculpida pelo Padre Thomas McGlynn, sob indicações da Irmã Lúcia. Tem a altura de 4,73 m e pesa 13 toneladas. A 13 de Junho de 1959 foi colocada no nicho da fachada da basílica.[4]

À entrada da Basílica, por cima da porta principal, encontra-se um mosaico que representa a Santíssima Trindade a coroar Nossa Senhora. Foi executado nas oficinas do Vaticano e ali benzido pelo então Secretário de Estado, Cardeal Eugénio Paccelli, futuro Papa Pio XII.

O 15.º mistério, um baixo-relevo de pedra, na ábside da capela-mor, representa a Santíssima Trindade a coroar Nossa Senhora. É da autoria de Maximiano Alves.

À entrada da Basílica, do lado direito, encontra-se a imagem de São João Eudes, fundador da Congregação de Jesus e Maria (Eudistas) e da Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Refúgio (também da autoria de Martinho de Brito). Do lado esquerdo, a estátua de Santo Estevão, primeiro rei da Hungria, coroado no ano 1000, que consagrou a sua nação a Nossa Senhora, da autoria de António do Amaral de Paiva.

Os túmulos dos irmãos videntes Francisco Marto e Jacinta Marto, encontram-se respectivamente no extremo direito e esquerdo do transepto.

O templo tem duas sacristias, tendo uma sido convertida em lugar de culto, com o nome de Capela de São José.

Cada um dos 14 altares laterais representa um mistério do Santo Rosário, os baixos-relevos dourados, aí colocados são da autoria do então jovem escultor Martinho de Brito. A coroação de Nossa Senhora de Fátima, a 13 de maio de 1946, e o encerramento do Ano Santo, a 13 de outubro de 1951, são evocados em duas lápides, à entrada da capela-mor.

O arco cruzeiro ostenta, em toda a volta, um mosaico, onde se lê Regina Sacratissimi Rosarii Fatimae ora pro nobis.

Do lado direito da capela-mor, encontra-se a estátua de São Domingos de Gusmão, o grande apóstolo do rosário no século XIII (autoria de Maria Amélia Carvalheira da Silva). Do lado esquerdo, Santo António Maria Claret, fundador da Congregação dos Missionários do Coração de Maria (da autoria de Martinho de Brito).

Por detrás da balaustrada, encontra-se uma imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima. Ao centro, um grande altar de pedra com frontal de prata, representando a Última Ceia de Cristo. Da mesma pedra do altar são feitos o ambão, a peanha da imagem de Nossa Senhora e as cadeiras da presidência. O quadro do retábulo representa a Mensagem de Nossa Senhora que desce, em forma de luz e de paz, ao encontro dos videntes, preparados pelo Anjo. Da autoria do arquiteto João de Sousa Araújo. No canto superior direito, figuram os papas Pio XII, João XXIII e Paulo VI. Do lado oposto, três anjos.

Os vitrais da capela-mor representam os quatro evangelistas, a aparição do Anjo, uma cena da vida dos pastorinhos, e aspectos da Cova da Iria em dia de peregrinação. São da autoria do Arq. João de Sousa Araújo.[5]

A fachada da Basílica de Nossa Senhora do Rosário exibiu duas grandes placas com a fotografia dos pastorinhos de Fátima, no ano 2000, por ocasião da sua cerimónia de beatificação. Em 2005, toda a fachada da basílica e as colunatas receberam uma profunda limpeza da sua pedra branca em calcário.

Durante o ano de 2016, todo o complexo do Santuário de Fátima, sobretudo a Basílica de Nossa Senhora do Rosário, sofreu obras de restauro como preparação das cerimónias do ano seguinte, as quais marcam o Centenário das Aparições de Fátima. Foi confirmada a presença do Papa Francisco para os dias 12 e 13 de maio de 2017.

Vista panorâmica do Santuário de Fátima (com a Capelinha das Aparições e a Basílica de Nossa Senhora do Rosário)

Colunatas[editar | editar código-fonte]

Percurso interior das colunatas do Santuário de Fátima.

As colunatas do Santuário de Fátima são conjunto arquitectónico que liga a Basílica de Nossa Senhora do Rosário aos edifícios construídos de cada lado do recinto (a Casa de Retiros de Nossa Senhora das Dores e a Casa de Retiros de Nossa Senhora do Carmo, assim como respetivas capelas e outras divisões do santuário). Foram mais uma obra do arquitecto António Lino (1914-1961) e são constituídas por 200 colunas e 14 altares. Nos retábulos dos altares vêem-se as 14 estações da Via-Sacra, executadas em cerâmica policromada, da autoria do ceramista Lino António (1898-1974).

As colunatas e as estátuas dos pastorinhos Jacinta e Francisco.

Dezassete estátuas feitas de mármore encimam as colunatas. Representam alguns santos portugueses, alguns santos fundadores de ordens e congregações religiosas e ainda outros apóstolos da devoção a Nossa Senhora, sendo todas da autoria de escultores portugueses. As estátuas maiores medem 3,20 metros e representam quatro santos portugueses: São João de Deus (autor: Álvaro Brée), São João de Brito (António Duarte), Santo António de Lisboa (Leopoldo de Almeida) e São Nuno de Santa Maria (Barata Feio).

As mais pequenas medem 2,30 metros e representam Santa Teresa de Ávila (Maria Amélia Carvalheira da Silva), São Francisco de Sales (M. A. Carvalheira da Silva), São Marcelino Champagnat (Vasco Pereira da Conceição), São João Baptista de La Salle (Vítor Marques), Santo Afonso Maria de Ligório (M. A. Carvalheira da Silva), São João Bosco (J. M. Mouta Barradas) e São Domingos Sávio (J. M. Mouta Barradas), São Luís Maria Grignion de Montfort (Domingos Soares Branco), São Vicente de Paulo (José Fernandes de Sousa Caldas), São Simão Stock (M. A. Carvalheira da Silva), Santo Inácio de Loyola (M. A. Carvalheira da Silva), São Paulo da Cruz (Jaime Ferreira dos Santos), São João da Cruz (M. A. Carvalheira da Silva) e Santa Beatriz da Silva (Maria Irene Vilar).[6]

Monumento ao Sagrado Coração de Jesus[editar | editar código-fonte]

O monumento ao Sagrado Coração de Jesus, o fontanário na base e a Azinheira Grande ao fundo.

A estátua do Sagrado Coração de Jesus é um monumento devoto erguido no centro do recinto de oração do Santuário de Fátima. Feita de bronze dourado, a estátua foi oferecida por um peregrino anónimo e benzida pelo Núncio Apostólico, Monsenhor Beda Cardinale, no dia 13 de maio de 1932. A sua localização simboliza a centralidade de Jesus na Mensagem de Fátima. Na base do monumento encontra-se um fontanário muito acorrido pelos peregrinos.[5]

Azinheira Grande[editar | editar código-fonte]

A chamada "Azinheira Grande" era a maior azinheira existente na Cova da Iria em 1917 e, por isso, também faz parte da história das aparições. À sombra dela, esperavam os pastorinhos antes de Nossa Senhora lhes aparecer e agora persiste como um símbolo da pequena azinheira original das aparições.[7]

Basílica da Santíssima Trindade[editar | editar código-fonte]

Fachada da Basílica da Santíssima Trindade do Santuário de Fátima.
Ver artigo principal: Basílica da Santíssima Trindade

A Basílica da Santíssima Trindade é a mais recente construção do complexo do Santuário de Fátima e está também localizada na Cova da Iria, freguesia de Fátima, sendo dedicada ao culto da Santíssima Trindade, com 8.633[8] lugares sentados e 40.000 m². Foi uma obra da autoria do arquiteto grego Alexandros Tombazis, inaugurada em 12 de Outubro de 2007,[9] pelo Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, por ocasião do 90.º aniversário das aparições.

Trata-se do quarto maior templo católico do mundo em capacidade, tendo sido integralmente pago com os donativos dos peregrinos deixados ao Santuário de Fátima ao longo dos anos. A decoração é inspirada na arte bizantina e ortodoxa. A planta é circular por fora e quadrangular por dentro, existindo 12 portas laterais (cada uma dedicada a um dos Apóstolos de Jesus) e uma grande porta central, chamada a Porta de Cristo.[10]

Cruz Alta[editar | editar código-fonte]

A Cruz Alta do Santuário de Fátima.
Ver artigo principal: Cruz Alta (Fátima)

A antiga Cruz Alta, que tinha 27 metros de altura, foi erguida para assinalar o encerramento do Ano Santo de 1950/1951 e estava situada ao fundo do recinto de oração, onde hoje se situa a Basílica da Santíssima Trindade. Foi oferecida ao Santuário Nacional de Cristo Rei, em Almada.[11]

A Cruz Alta actual, erguida em 29 de agosto de 2007, é da autoria do artista Robert Schad, tendo 34 metros de altura.[12]

Módulo do Muro de Berlim[editar | editar código-fonte]

A parte do Muro de Berlim exposta no Santuário de Fátima.

Um módulo de betão do muro de Berlim recorda a intervenção de Deus, prometida em Fátima, na queda do comunismo.[1]

Presépio[editar | editar código-fonte]

O presépio do Santuário de Fátima.

O presépio do Santuário de Fátima é de autoria do escultor José Aurélio e situa-se junto do edifício da Reitoria.[1]

Locais e monumentos à volta do Santuário[editar | editar código-fonte]

  • Valinhos: o local da quarta aparição de Nossa Senhora, a 19 de agosto de 1917, está assinalado por um monumento com a estátua da Virgem Maria.
  • Loca do Cabeço: trata-se do local onde os três pastorinhos receberam a primeira e terceira aparições do "Anjo da Paz" (na Primavera e no Outono de 1916).
  • Via-Sacra e Calvário Húngaro: o Calvário encontra-se sobre uma capela dedicada a Santo Estêvão.
  • Casa de Francisco e Jacinta Marto, em Aljustrel.
  • Casa de Lúcia dos Santos, em Aljustrel.
  • Casa-Museu de Aljustrel: fica junto à Casa de Lúcia. Pertenceu a Maria Rosa, sua madrinha de baptismo. É um local de interesse particularmente para as gerações mais novas, pois pretende mostrar como era a vida familiar na época das aparições de Fátima.
  • Poço do Arneiro: ao fundo do quintal da casa de Lúcia, encontra-se o poço onde o "Anjo da Paz", ou "Anjo de Portugal", apareceu pela segunda vez (no Verão de 1916).
  • Igreja Paroquial de Fátima e Cemitério: neste local Nossa Senhora apareceu a Jacinta, ensinando-lhe a meditar o terço. No cemitério, em frente da igreja paroquial, estiveram sepultados os corpos de Francisco e Jacinta antes da sua trasladação definitiva para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário.

Peregrinações[editar | editar código-fonte]

Anualmente, mais de cinco milhões de visitantes vindos de todos os países deslocam-se em peregrinação ao Santuário de Fátima. As maiores peregrinações ocorrem anualmente nos dias 12 e 13 de maio a outubro, sendo tradicionalmente feitas a pé. A 13 de agosto costuma também haver uma grande peregrinação, dedicada aos emigrantes.

Os peregrinos a pagarem as suas promessas em Fátima.

O Centro Nacional de Cultura (CNC) em colaboração com as entidades responsáveis do Santuário de Fátima lançaram em 2003 um projecto que visava, à semelhança do que acontece com as peregrinações ao Santuário de Santiago de Compostela, demarcar caminhos de Fátima que pudessem guiar os inúmeros peregrinos que todos os anos se dirigem a pé ao Santuário, criando os "Caminhos de Fátima". Deste projecto nasceram dois caminhos, o Caminho do Tejo, ligando Lisboa a Fátima, e o Caminho do Norte, ligando o Porto a Fátima. Apenas o Caminho do Tejo se encontra já concluído com os marcos com setas azuis que indicam o caminho, sendo que o Caminho do Norte encontra-se ainda em fase de conclusão.

Pelo mundo inteiro foi difundido o culto a Nossa Senhora de Fátima, graças às viagens das chamadas Virgens Peregrinas (imagens de Nossa Senhora que percorrem vários países) e à divulgação feita pelos emigrantes portugueses. Por esse motivo é possível encontrar várias igrejas, paróquias, dioceses, escolas, hospitais, monumentos, etc., mundo fora dedicadas a Nossa Senhora de Fátima.

Em 2006 e 2007 celebraram-se os 90 anos das aparições do Anjo (1916) e de Nossa Senhora de Fátima (1917). O programa foi bastante diversificado, desde congressos, exposições, uma oratória, teatro etc., uma multiplicidade de eventos culturais e espirituais. No âmbito destas comemorações, está ainda patente uma exposição com entradas livres; "Fátima no Mundo" conta com fotografias de santuários, igrejas e capelas dedicados a Nossa Senhora de Fátima nos cinco continentes. Actualmente encontra-se exposta no piso -1 da Igreja da Santíssima Trindade, no chamado "Convívio de Santo Agostinho". Conta também com um roteiro dos santuários e igrejas vistas do espaço (imagens de satélite), a partir do Google Earth, onde é possível identificar alguns dos templos expostos em fotografia.

Eventos históricos[editar | editar código-fonte]

Monumento às almas do Purgatório.
Monumento dos Valinhos.
A Capela de Santo Estevão e o Calvário Húngaro nos Valinhos.
A Casa-Museu de Aljustrel.

Apresenta-se a seguir uma cronologia de alguns eventos históricos relacionados com o Santuário de Fátima:

Referências

  1. a b c d Cónego C. Barthas. Fátima: Segundo as testemunhas e os documentos. Braga: Diário do Minho, Lda., 1967. 173-174 p.
  2. a b c d e «Imagem da Capelinha das Aparições». Site oficial do Santuário de Fátima. Consultado em 8 de janeiro de 2017 
  3. a b c d e f g h «Capelinha das Aparições, Muro de Berlim, Presépio e Capela do Lausperene». Santuário de Fátima. Consultado em 8 de janeiro de 2017 
  4. a b «José Thedim Esculpindo a Imagem do Imaculado Coração» (em inglês). Wordpress.com. Consultado em 21 de outubro de 2011 
  5. a b «Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima». Santuário de Fátima - Site oficial 
  6. Guia do Peregrino de Fátima. 3ª ed. Fátima: Santuário de Fátima, 1997, pp. 44-45.
  7. «Azinheira Grande é de interesse público». Fatima.pt 
  8. «Nova Igreja» (PDF). Noticiasdefatima.pt 
  9. «Inauguração da Igreja». TSF.pt 
  10. «Desdobrável sobre a igreja da Santíssima Trindade» (PDF). Fatima.pt 
  11. «Cruz Alta do Santuário de Fátima oferecida ao Santuário de Cristo Rei». Agencia.ecclesia.pt 
  12. «Nova Cruz Alta levantada em Fátima». Agencia.ecclesia.pt 
  13. «Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima». Santuário de Fátima. Consultado em 9 de setembro de 2011 
  14. «19 de Agosto - Aniversário da 4.ª Aparição de Nossa Senhora». página oficial do Santuário de Fátima. fatima.pt. 9 de agosto de 2009. Consultado em 20 de maio de 2016 
  15. «BENTO XVI e Fátima: vários momentos». Site oficial do Santuário de Fátima. Consultado em 24 de setembro de 2009 
  16. «Inauguração de nova Igreja marca comemorações das aparições». TSF.pt. 12 de outubro de 2007. Consultado em 23 de abril de 2011 
  17. «Viagem Apostólica a Portugal no 10.º aniversário da beatificação de Jacinta e Francisco, pastorinhos de Fátima (11». Site oficial do Vaticano. 14 de maio de 2010 
  18. «Papa lembrou João Paulo II na Capelinha das Aparições». RTP.pt. 12 de maio de 2010 
  19. «Peregrinos assistem a 'milagre do Sol' em Fátima». Correio da Manhã. 13 de maio de 2011. Consultado em 14 de maio de 2011 
  20. Giuseppe Lami/EPA (29 de setembro de 2016). «Papa confirma visita a Fátima em 2017». Expresso. Expresso.sapo.pt. Consultado em 30 de setembro de 2016 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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