Sarah Kubitschek

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Sarah Kubitschek
22.ª Primeira-dama do Brasil
Período 31 de janeiro de 1956
a 31 de janeiro de 1961
Presidente Juscelino Kubitschek
Antecessor Beatriz Ramos
Sucessor Eloá Quadros
23.ª Primeira-dama de Minas Gerais
Período 31 de janeiro de 1951
até 31 de março de 1955
Governador Juscelino Kubitschek
Antecessor Déa Campos
Sucessor Lia Salgado
Primeira-dama de Belo Horizonte
Período 23 de outubro de 1940
até 30 de outubro de 1945
Prefeito Juscelino Kubitschek
Antecessor Clélia de Araújo
Sucessor Maria José Tavares
Dados pessoais
Nome completo Sarah Luiza Lemos Kubitschek de Oliveira
Nascimento 5 de outubro de 1908
Belo Horizonte, Minas Gerais
Morte 4 de fevereiro de 1996 (87 anos)
Brasília, Distrito Federal
Nacionalidade brasileira
Cônjuge Juscelino Kubitschek (c. 1931; v. 1976)
Filhos Maria Estela (n. 1942; adotada)
Márcia (n. 1943)

Sarah Luiza Lemos Kubitschek de Oliveira GCCGCIH (Belo Horizonte, 5 de outubro de 1908Brasília, 4 de fevereiro de 1996)[1] foi a primeira-dama do Brasil de 1956 a 1961, como esposa de Juscelino Kubitschek, 21.º Presidente do Brasil. Por Minas Gerais, foi primeira-dama da capital, Belo Horizonte, entre 1940 e 1945, e do estado de 1951 a 1955.

Sarah era membro de uma das famílias mais tradicionais de Minas Gerais. Filha, neta, sobrinha e prima de políticos, seu pai foi deputado federal, seu avô comendador, alguns de seus primos foram ministros de governos como os dos presidentes Getúlio Vargas e Eurico Gaspar Dutra, além de ser sobrinha-bisneta de João Antônio de Lemos, o Barão do Rio Verde.[2]

Ao lado de outras duas esposas de presidentes, Darcy Vargas e Ruth Cardoso, é considerada uma das primeiras-damas mais ativas da história, tendo desempenhado um papel significantemente relevante a frente da Fundação das Pioneiras Sociais.[3]

Mulher de forte temperamento, Sarah era enérgica, determinada e bem-educada. Seu marido chegou a dizer que "às vezes tinha a impressão de que se casara com um tigre".[4] Contudo, era conservadora e não gostava de política.[2]

Família e antecedentes[editar | editar código-fonte]

Nasceu em uma família tradicional de Belo Horizonte, Minas Gerais. Era filha do deputado federal Jaime Gomes de Sousa Lemos e de sua esposa, Maria Luiza Negrão, possuindo ainda quatro irmãos: Amélia, Maria Luiza, Geraldo e Idalina.[5] Amélia era casada com o político Gabriel de Rezende Passos, que foi deputado federal, ministro de Minas e Energia no governo João Goulart, e procurador-geral da República de 1936 a 1945. Através de sua mãe, ela tinha dois primos-irmãos famosos: Francisco Negrão de Lima e Otacílio Negrão de Lima. Seu avô materno foi o comendador José Duarte da Costa Negrão, um dos fundadores da Companhia União Lavrense, que posteriormente passou a denominar-se Companhia Fabril Mineira.[6] Sarah era sobrinha-bisneta do barão do Rio Verde.[2]

Namoro com JK[editar | editar código-fonte]

JK em fotografia da família presidencial.

Na sua juventude, conheceu Juscelino Kubitschek de Oliveira em meio a uma festa beneficente, no ano de 1926,[7] tendo se apaixonado perdidamente pelo jovem rapaz que foi o primeiro presidente brasileiro a nascer no século XX. Porém, quando ele decidiu fazer especialização em urologia na Europa, na qual retornou um ano depois, em 1930, na efervescência do contexto da Revolução, comandada por Getúlio Vargas que acarretaria na deposição do presidente Washington Luís, JK rompeu o noivado e passou a não responder suas cartas. Apesar disso, aconselhada por sua mãe, Sarah resolveu esperá-lo.[8]

Casamento[editar | editar código-fonte]

No dia 30 de dezembro de 1931, Sarah e Juscelino casaram-se na cidade do Rio de Janeiro. No dia seguinte, comemoraram o casamento em meio ao réveillon no famoso Hotel Copacabana Palace.[9]

Logo após o casamento passa a assinar Sarah Luiza Lemos de Oliveira. Anos depois, quando Juscelino Kubitschek assume a presidência, seu nome passa a ser Sarah Luiza Lemos Kubitschek de Oliveira, para não assinar diferente do marido.

Filhas e adoção nos anos 50[editar | editar código-fonte]

Sarah Kubitschek desejava ter muitos filhos, mas foram onze anos de tentativas até nascer Márcia Kubitschek. Anos depois, o casal adotou Maria Estela Kubitschek, um ano mais velha do que Márcia, que se tornou um dos casos mais importantes de adoção no Brasil nos anos 50. A menina de cinco anos, à época, foi morar com os padrinhos por decisão dos próprios pais, Oswaldo e Judith.[2][10]

Primeira-dama de Minas Gerais[editar | editar código-fonte]

Em 1951, Sarah se tornou a primeira-dama do Estado de Minas Gerais, após a posse do marido em solenidade no Palácio da Liberdade. Com isso, foi convidada pela primeira-dama do país, Darcy Vargas, juntamente com todas as primeiras-damas dos Estados para assumirem suas funções a frente da presidência das Comissões Estaduais da Legião Brasileira de Assistência. A LBA foi fundada em 28 de agosto de 1942 para ajudar as famílias dos soldados que participaram da Segunda Guerra Mundial, mas logo se tornou abrangente, com destaque em mães e famílias que viviam na pobreza.[11]

Mesmo com o comando estadual da LBA, não a impediu de avançar em novos rumos na promoção de ações sociais. Começou a mobilizar as senhoras da alta sociedade mineira com o proposito de arrecadar doações para distribuir para famílias que passavam por necessidades. O grupo de mulheres se encontravam no Palácio da liberdade dedicava boa parte do tempo ajudando crianças, mães e mulheres grávidas, tendo criado em outubro de 1951 as chamadas Voluntárias Sociais.[12]

Primeira-dama do Brasil[editar | editar código-fonte]

Sarah ao lado do presidente JK e do vice-presidente Jango na missa inaugural de Brasília, em 1957.

Juscelino foi candidato a presidência da República nas eleições presidenciais no Brasil em 1955, tendo obtido êxito com mais de três milhões de votos. A posse ocorrida em janeiro do ano seguinte, tornou Sarah Kubitschek a nova primeira-dama do país, substituindo Beatriz Ramos.

Juscelino e Sarah Kubitschek em 1956.

Como esposa do chefe da nação brasileira, não se escondeu na sombra do marido, desempenhando uma função célebre como uma primeira-dama de voz e personalidade, angariando projetos na área da assistência social, como a exemplo na expansão da Fundação das Pioneiras Sociais. Em março de 1956, lançou uma campanha de abrangência nacional da entidade, tendo realizado um grande espetáculo teatral no Teatro Dulcina, com o intuito de arrecadar fundos para empregar no assistencialismo da fundação, conseguindo uma larga audiência disposta a prestigiar e contribuir para a ação assistencial da primeira-dama.[7]

Em um curto espaço de tempo as Pioneiras Sociais transformaram-se em um verdadeiro complexo assistencial. Da assistência às mães, crianças e mulheres grávidas, sua área de atuação ampliou-se para as atividades médico assistenciais, atividades educacionais e atividades assistenciais na área da medicina preventiva, inclusive com o incentivo à criação de centros de pesquisas para estudo das doenças crônico degenerativas como o câncer – em especial o feminino - e as doenças cardiovasculares. Em novembro de 1957 foi inaugurado, no Rio de Janeiro, o Centro de Pesquisas Luiza Gomes de Lemos que tinha entre seus objetivos oferecer atendimento ambulatorial para prevenção e detecção precoce do câncer de colo do útero e de mama.
— Rosana Temperini.

Pioneiras Sociais[editar | editar código-fonte]

Sarah e JK na inauguração do Hospital de Recuperação da Fundação das Pioneiras Sociais, em 1961.

Inovou com a Fundação das Pioneiras Sociais. A organização foi criada quando ainda era primeira-dama de Minas Gerais, oferecendo apoio à crianças, mães e mulheres grávidas, estendendo-se as famílias mais pobres.[13] A Fundação ganhou independência quando seu marido assumiu a Presidência da República, passando a adquirir recursos maiores, sendo originário do Governo Federal e de alguns setores como: comércio, indústria e particulares.[14]

Em 29 de agosto de 1956, um decreto presidencial declarou as Pioneiras Sociais como uma instituição de utilidade pública, passando, assim, a ser caracterizada como personalidade jurídica e sem fins lucrativos.[15]

Centro de Pesquisa Luiza Gomes de Lemos[editar | editar código-fonte]

Dentro das ações desempenhadas pelas Pioneiras Sociais, está a criação do Centro de Pesquisa Luiza Gomes de Lemos, posteriormente após a morte da mãe de Sarah, vítima de um câncer ginecológico.

O presidente JK solicitou o planejamento ao médico Arthur Campos da Paz, que aconselhou a criação de um centro de pesquisas dedicado à prevenção do câncer feminino. Em 1957 é inaugurado o Centro de Pesquisa Luiza Gomes de Lemos, nova unidade da Fundação das Pioneiras Sociais.[16]

Focado na detecção precoce do câncer ginecológico e da mama, o atendimento na unidade era ambulatorial. Um esforço era feito para que mulheres que nunca haviam feito o exame preventivo fossem ao centro de pesquisa realizá-los.[13]

Em 1968 foi fundada a Escola de Citopatologia que à época tinha formação voltada exclusivamente para a leitura de lâminas citológicas, principalmente para o colo do útero. Esse foi o primeiro curso de formação de citotécnicos no Brasil.[17][18]

Centro de Reabilitação Sarah Kubitschek[editar | editar código-fonte]

Sarah Kubitschek discursando na inauguração do Centro de Reabilitação, em Brasília, no dia 21 de abril de 1960.

A Fundação das Pioneiras Sociais implantou, em 21 de abril de 1960, o Centro de Reabilitação Sarah Kubitschek, sua grande obra, até então, já na nova capital federal, Brasília.[19] Trata-se de centro especialmente dedicado a prestar serviços à comunidade no campo da recuperação motora.[20] A inspiração de Sarah para tal obra decorre, fundamentalmente, de sua experiência enquanto mãe e os problemas de coluna de sua filha Márcia e os cuidados específicos que ensejavam.

Dama da elegância[editar | editar código-fonte]

É considerada até os dias atuais a dama da elegância, por ter ditado moda numa época em que o país caminhava para a ascensão do mercado da moda. De estilo clássico, elegante e discreto, vestia peças de vários estilistas, entre eles Zuzu Angel, Dener Pamplona, Guilherme Guimarães e Mena Fiala, responsável por quase todo o guarda-roupa de Sarah e pelo vestido em que usou na cerimônia de posse do marido.[21]

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Sarah foi a fundadora da Organização das Pioneiras Sociais, que realizou uma notável obra de assistencialismo em Minas Gerais; incluía fundação de escolas no interior, creches e distribuição de roupas, alimentos, cadeiras de rodas e aparelhos mecânicos para deficientes físicos[22]. Além disso, fundou hospitais-volantes na maioria dos Estados e hospitais flutuantes, vindos da Alemanha para o Amazonas.[23]

Morte[editar | editar código-fonte]

Estátuas de JK e Sarah no Memorial JK, em Brasília.

Depois de ficar viúva, ela passou a viver da pensão de JK. Residia em um apartamento alugado na Capital, quando morreu aos 87 anos de idade, de parada cardiorrespiratória.[24][25]

Legado[editar | editar código-fonte]

Em sua homenagem, leva seu nome o Hospital Sarah Kubitschek, referência no tratamento de politraumatizados, com unidades em sete capitais brasileiras: Fortaleza, Macapá, Belo Horizonte, Brasília, São Luís, Rio de Janeiro, Belém e Salvador.[26]

Em Areia Branca, no Rio Grande do Norte, existe também o Hospital Maternidade Sara Kubitschek em homenagem a primeira-dama.[27]

Graças ao apoio de Sarah, existe hoje o Memorial JK, projetado por Oscar Niemeyer.[28] E também do Instituto Educacional Sarah Kubitschek, escola de formação de professores no Rio de Janeiro.[29]

Honras[editar | editar código-fonte]

Insígma País Honra Data
PRT Order of Christ - Grand Cross BAR.png Portugal Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, concedida pelo presidente Francisco Higino Craveiro Lopes. 30 de julho de 1957.[30]
PRT Order of Prince Henry - Grand Cross BAR.png Portugal Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique, concedida pelo presidente Américo de Deus Rodrigues Thomaz. 28 de fevereiro de 1961.[30]

Representações na cultura[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Revista ISTOÉ - Retrospectiva de 1996
  2. a b c d Amador, João (18 de março de 2019). «Figuras de Brasília: Sarah Kubitschek». JBr. Consultado em 3 de janeiro de 2020 
  3. Maduell, Aline Veloso e Gabriela Pacheco / Ilustrações: Diogo. «Mais do que esposas, elas são primeiras-damas». Jornal da PUC. Consultado em 3 de janeiro de 2020 
  4. «Projeto Memória - Juscelino Kubitschek». www.projetomemoria.art.br. Consultado em 3 de janeiro de 2020 
  5. Globo - Personagens de JK (minissérie)
  6. «Notícia: Fatos marcantes que ocorreram no dia 31 de outubro - Jornal de Lavras». www.jornaldelavras.com.br. Consultado em 19 de março de 2017 
  7. a b https://www.historiaeparcerias.rj.anpuh.org/resources/anais/11/hep2019/1569290275_ARQUIVO_44cdd405f0c9820684dfdaeed79166b5.pdf
  8. https://www.clubeinternacional.org.br/wp-content/uploads/2014/08/2013201403MAR%C3%87OCORREIOCIBN%C2%BA26.pdf
  9. «Em 30/12/1931 foi o casamento de Juscelino e Sara Kubitschek». copacabana.com. Consultado em 3 de janeiro de 2020 
  10. «Maria Estela Kubitschek, a filha adotiva de JK e Sarah». www.senado.gov.br. Consultado em 3 de janeiro de 2020 
  11. http://periodicos.unesc.net/seminariocsa/article/viewFile/4686/4284
  12. http://www1.inca.gov.br/rbc/n_58/v03/pdf/03_artigo_fundacao_pioneiras_sociais_contribuicao_inovadora_controle_cancer_colo_utero_brasil_1956_1970.pdf
  13. a b «Pioneiras Sociais». historiadocancer.coc.fiocruz.br. Consultado em 18 de agosto de 2020 
  14. http://www1.inca.gov.br/rbc/n_58/v03/pdf/03_artigo_fundacao_pioneiras_sociais_contribuicao_inovadora_controle_cancer_colo_utero_brasil_1956_1970.pdf
  15. «Portal da Câmara dos Deputados». www2.camara.leg.br. Consultado em 4 de janeiro de 2020 
  16. «Untitled Document». www.memorialjk.com.br. Consultado em 29 de agosto de 2020 
  17. Brasil, Educa Mais. «Educa Mais Brasil - Bolsas de Estudo de até 70% para Faculdades – Graduação e Pós-graduação». Educa Mais Brasil. Consultado em 18 de agosto de 2020 
  18. «Técnico em Citopatologia». www.epsjv.fiocruz.br. Consultado em 18 de agosto de 2020 
  19. «Sarinha 60 anos». www.sarah.br. Consultado em 30 de agosto de 2020 
  20. Amador, João (18 de março de 2019). «Figuras de Brasília: Sarah Kubitschek». JBr. Consultado em 3 de janeiro de 2020 
  21. Braziliense, Correio; Braziliense, Correio (3 de junho de 2011). «Dama da elegância». Correio Braziliense. Consultado em 7 de agosto de 2019 
  22. Mostra Mulher Moda e Mobiliário
  23. Memorial JK
  24. «Folha de S.Paulo - Morre Sarah Kubitschek aos 87 anos - 5/2/1996». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 4 de janeiro de 2020 
  25. «Folha de S.Paulo - Sarah Kubitschek, 87, morre de enfisema pulmonar em Brasília - 5/2/1996». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 4 de janeiro de 2020 
  26. «Nossas Unidades». www.sarah.br. Consultado em 29 de agosto de 2020 
  27. «HOSPITAL SARA KUBITSCHEK». guiafacil.com (em inglês). Consultado em 29 de agosto de 2020 
  28. Caroline, Deborah (20 de junho de 2014). «Memorial JK». Conhecendo Museus. Consultado em 29 de agosto de 2020 
  29. «Escolas Ie Sarah Kubitschek e Instituto Superior de Educacao». www.escolas.inf.br. Consultado em 29 de agosto de 2020 
  30. a b «Cidadãos Estrangeiros Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Sarah de Lemos Kubitschek de Oliveira". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 24 de março de 2016 
  31. «Marília Pêra reafirma condição de diva da teledramaturgia brasileira». Terra. Consultado em 21 de junho de 2019 
  32. «katiadangelo | Katia D'Angelo 06». Flogao. Consultado em 21 de junho de 2019 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Sarah Kubitschek

Precedido por
Beatriz Ramos
22.ª Primeira-dama do Brasil
19561961
Sucedido por
Eloá Quadros
Precedido por
Déa Campos
23.ª Primeira-dama de Minas Gerais
19511955
Sucedido por
Lia Salgado
Precedido por
Clélia de Araújo
Primeira-dama de Belo Horizonte
19401945
Sucedido por
Maria José Tavares