Saya

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
A dança saya

A Saya é uma dança e gênero musical que teve sua origem na região dos Yungas da Bolívia entre a população afro-descendente. O nome dessa expressão artística vem do termo quicongo nsaya, que significa trabalho comunitário liderado por uma voz cantante, parecido com uma canção de trabalho. A dança e a instrumentação da saya também reflete a influência da música andina tradicional.

Africanos escravizados foram levados para a América do Sul para trabalhar em uma série de indústrias. Lá, seus costumes e sua música foram fundidos com as culturas nativas. O histórico específico de muitas dessas práticas desapareceu, mas muitos autores têm trabalhado para identificar sobrevivências culturais em grupos afro-descendentes em toda a América do Sul.[1]

Muitas danças são derivadas da saya. Caporales são baseados nessas danças, criados e apresentados ao público em 1969 pelos irmãos Estrada que se inspiraram no personagem afro-boliviano da saya, o Caporal[2] (Caporal era uma espécie de feitor que vigiava os escravos nas fazendas dos Yungas).

Nos dias atuais, os afro-bolivianos usam a saya para reivindicar seus direitos dentro da sociedade boliviana. Nesse movimento, na saya tem funcionado tanto como uma forma de expressar e consolidar a identidade afro-boliviana entre os bolivianos negros, quanto uma maneira de expressar sua identidade no contexto de movimentos sociais nacionais baseados em identidades étnicas.[3][4]

Muitos festivais onde a dança é executada têm um aspecto religioso proeminente. As pessoas dançam para a Virgem Maria e prometem dançar por três anos de vida.

Danças derivadas da saya[editar | editar código-fonte]

Nos caporales, o dançarino se parece idêntico ao seu homólogo da saya. No enquanto, enquanto a vestimenta no caporal é geralmente maior e constritiva, o uniforme na saya é geralmente feito de material mais leve e ajustado ao corpo para um movimento melhor e mais fluido do braço. Às vezes um chicote pode ser usado como nos caporales, mas isso é uma exceção e é mais comum dançar simplesmente com luvas brancas ou pretas (dependendo das cores do uniforme). As mulheres também têm uma roupa mais ajustada e relaxada em comparação com suas contrapartes nos caporales. As diferenças nesse caso, no entanto, são mais sutis (material mais leve, menos saia, mangas raiadas, etc.)

Os Caporales são geralmente considerados muito masculinos: os homens se movem e usam seus braços com muita ênfase em parecerem fortes e "machões". As mulheres, enquanto emulam os movimentos dos homens, simplesmente se concentram em mostrar suas pernas e saias de maneira paqueradora.

Os ritmos de todas essas danças são diferentes da saya e de toda a dança. Os caporales são especialmente apreciados por jovens da classe média e alta que formam grandes grupos de caporales para o Carnaval, o Gran Poder e outras "entradas".

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências