Sclerospongiae
Este artigo não cita fontes confiáveis. (fevereiro de 2013) |
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| Ocorrência: Cambriano–Recente | |||||||||
| Classificação científica | |||||||||
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As Sclerospongiae, vulgarmente conhecidas como esclerosponjas ou esponjas coralinas, representam uma classe de organismos marinhos pertencentes ao filo Porifera que se distinguem fundamentalmente pela sua capacidade de secretar um esqueleto basal maciço de carbonato de cálcio, geralmente sob a forma de aragonite ou calcite. Embora durante muito tempo tenham sido classificadas como uma classe taxonómica independente, estudos filogenéticos modernos baseados em análises moleculares e ultraestruturais demonstraram que estas esponjas não formam um grupo monofilético, sendo antes integradas nas classes Demospongiae e Calcarea, representando uma convergência evolutiva de formas de crescimento que remontam aos antigos recifes do Paleozoico e Mesozoico. Caracterizam-se por possuírem uma fina camada de tecido vivo que reveste a estrutura calcária rígida, dentro da qual se encontram elementos esqueléticos siliciosos, como as espículas, e fibras de espongina, o que as torna modelos vivos valiosos para a compreensão da biologia das linhagens extintas de esponjas hipercalcificadas, como os estromatoporoides e os tabulados.[1][2][3]
Do ponto de vista ecológico e biológico, as esclerosponjas ocupam nichos específicos em ambientes marinhos profundos ou em áreas sombreadas de recifes de coral, como grutas submarinas e fendas em paredes verticais, onde a competição por espaço com corais hermatípicos de crescimento rápido é reduzida. Devido ao seu crescimento extremamente lento, que pode variar entre escassos milímetros a poucos centímetros por década, estes organismos são considerados arquivos biológicos excecionais para a paleoceanografia, uma vez que a deposição de carbonato de cálcio no seu esqueleto regista variações isotópicas de oxigénio e carbono, bem como a concentração de metais-traço ao longo de séculos. Estas características permitem aos investigadores reconstruir com precisão as temperaturas da superfície do mar e a química da água de períodos passados, oferecendo uma perspetiva temporal única sobre as alterações climáticas e a acidificação dos oceanos que não seria possível obter apenas através de registos instrumentais modernos ou de corais de crescimento rápido.[4][5][6]
A estrutura fisiológica das esclerosponjas é adaptada a um estilo de vida de filtração passiva e eficiente, operando através de um sistema aquífero complexo que bombeia água através de poros inalantes, conhecidos como óstios, para câmaras flageladas onde os coanócitos capturam partículas microscópicas de alimento e oxigénio. Apesar da sua aparência pétrea, a sua organização celular é altamente especializada, permitindo-lhes sobreviver em ambientes com baixos níveis de nutrientes através de uma simbiose frequente com comunidades microbianas diversificadas que auxiliam nos processos metabólicos. Historicamente, a descoberta e a descrição detalhada deste grupo na segunda metade do século XX revolucionaram a paleontologia, pois forneceram a «peça que faltava» para explicar como grandes recifes de calcário foram construídos no passado geológico por organismos que não eram corais, consolidando a importância das esponjas como arquitetas fundamentais dos ecossistemas marinhos ao longo de centenas de milhões de anos.[7][8][9]
Referências
- ↑ Conway Morris, Simon; George, J. D., eds. (1986). The origins and relationships of lower invertebrates: proceedings. Col: Systematics Association special volume Repr ed. Oxford: Clarendon for the Systematics Association. ISBN 978-0-19-857181-0
- ↑ Wörheide, Gert (dezembro de 1998). «The reef cave dwelling ultraconservative coralline demospongeAstrosclera willeyana Lister 1900 from the Indo-Pacific». Facies (em inglês). 38 (1): 1–88. ISSN 0172-9179. doi:10.1007/BF02537358
- ↑ Chombard, C.; Boury-Esnault, N.; Tillier, A.; Vacelet, J. (dezembro de 1997). «Polyphyly of "Sclerosponges" (Porifera, Demospongiae) Supported by 28S Ribosomal Sequences». The Biological Bulletin (em inglês). 193 (3): 359–367. ISSN 0006-3185. doi:10.2307/1542938
- ↑ Böhm, F.; Haase‐Schramm, A.; Eisenhauer, A.; Dullo, W.‐C.; Joachimski, M. M.; Lehnert, H.; Reitner, J. (março de 2002). «Evidence for preindustrial variations in the marine surface water carbonate system from coralline sponges». Geochemistry, Geophysics, Geosystems (em inglês). 3 (3): 1–13. ISSN 1525-2027. doi:10.1029/2001GC000264
- ↑ Swart, Peter K.; Moore, Michael; Charles, Chris; Böhm, Florian (29 de dezembro de 1998). «Sclerosponges may hold new keys to marine paleoclimate». Eos, Transactions American Geophysical Union (em inglês). 79 (52): 633–636. ISSN 0096-3941. doi:10.1029/98EO00449
- ↑ Benavides, Livia M.; Druffel, Ellen R. M. (maio de 1986). «Sclerosponge growth rate as determined by 210Pb and ?14C chronologies». Coral Reefs (em inglês). 4 (4): 221–224. ISSN 0722-4028. doi:10.1007/BF00298080
- ↑ Hartman, W. D., & Goreau, T. F. (1970). Jamaican coralline sponges: Their morphology, ecology and fossil relatives. Symposia of the Zoological Society of London, 25, 205-243.
- ↑ Wood, R. (1990). Reef-building sponges. American Scientist, 78(3), 224-235.
- ↑ Lang, Judith; Hartman, Willard; Land, Lynton (1 de janeiro de 1975). «Sclerosponges: Primary framework constructors on the Jamaican deep fore-reef». Journal of Marine Research. 33 (2)
