Sebastião Pereira de Castro

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

"Reverendo" Frei Sebastião de Abreu Pereira de Brito e Castro (Viana do Castelo[1], 1679 - Lisboa,19 de Maio de 1755) foi um clérigo e juiz português.

Foi freire na ordem de S. Bento de Avis, cavaleiro fidalgo da Casa Real[2] (tendo-lhe sido acrescentado o foro de capelão)[3], Conselheiro[4], Procurador Geral e Promotor Fiscal das Três Ordens Militares[5], Juiz Desembargador do Desembargo do Paço[6], Desembargador da Casa da Suplicação[7] Desembargador dos Agravos da Casa da Suplicação[8], e pré-comissário geral da Bula da Santa Cruzada. Na descrição de «Privilégios dos oficiais da cruzada», de que foi o autor, apresenta-se como também ter sido mestre-escola da Colegiada da Sé de Évora[9].

"Fez às vezes de 1.º Ministro de El-Rei D. João V, e algum tempo de D. José"[10].

Tirou o doutoramento na Universidade de Coimbra[11].

Biografia[editar | editar código-fonte]

O genealogista Felgueiras Gayo refere que foi "Vallido do Rei D. João V Ministro de Poucas Palavras, e menos agrado para as partes; e bastante improdente"[12].

No entanto, muito diferente opinião e muito completa, é a notícia que saiu por altura da sua morte que diz que: "Faleceu na Cidade de Lisboa a 19 de Maio de 1755 com a idade de sessenta e seis anos e quatro meses ... o Desembargador Fr Sebastião Pereira de Castro, Fidalgo da Casa Real, do Conselho d´El-Rei, e do Geral do Santo Oficio, Comissario Geral da Bula da Santa Cruzada nestes Reinos e suas Conquistas, Mestre Escola de Évora, que havendo se aplicado com felicidade às letras foi Colegial do Colégio das Ordens Militares na Universidade de Coimbra e Opositor às Cadeiras de Leis onde, pelo conhecimento da sua grande literatura, foi chamado para Procurador das Ordens e promovido depois a Desembargador da Casa da Suplicação sucessivamente de Agravos e Desembargador do Paço. Varão ornado de grandes virtudes letras e rectidão, circunstâncias que o fizeram muito atendido dos Soberanos como se manifestou na prontidão com que o Senhor Rei D. José logo dois dias depois do seu falecimento remunerou seus relevantes serviços acrescentando uma vida mais no Senhorio e Alcaidaria Mor da Vila de Lindoso e nas Comendas de São Pedro Fins de Ferreira e oitavos na mesma Vila na Ordem de Cristo, de que já havia feito mercê a seu sobrinho Francisco de Abreu Pereira Cirne (senhor do Paço de Lanheses). Era Freire da Ordem de S Bento de Aviz em cujo hábito foi sepultado na Igreja de Nossa Senhora do Desterro dos Monges da Ordem de Cister, com assistência de toda a Nobreza da Côrte"[13].

Há igualmente um seu conterrâneo, Porto Pedroso, que refere que: "Faleceu no ano de 1755 deixando ainda por despachar os últimos serviços que prestou às coroa".

Possivelmente deixando-os para os executar o seu sobrinho e protegido, igualmente desembargador do paço, o Frei Doutor José Ricalde de Pereira e Castro.

Tanto ele, como o seu referido predilecto, viviam no edifício conhecido por Casas da Costa do Castelo e depois por Palácio Vila Flor, em Lisboa[14]. Este pertenceria a sua sobrinha, casada com o filho varão do seu irmão mais velho, que o receberia pela herança da família Cirne após a morte de seu pai João Rebelo de Cirne Peixoto.

Dados Genealógicos[editar | editar código-fonte]

Filho de: Francisco de Abreu Pereira, Fidalgo da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Cristo, senhor do Paço de Lanheses, apresentador da abadia de Lanheses e de Mariana Francisca de Castro.

Referências

  1. Sebastião Pereira de Castro, 1704-11-22 a 1712-06-12, Referência: PT/AUC/ELU/UC-AUC/B/001-001/C/007260, Arquivo da Universidade de Coimbra
  2. Alvará. Foro de Fidalgo Cavaleiro, com 20$600 rs de moradia por mês e um alqueire de cevada por dia, 12 de Janeiro de 1708, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, liv. 2, f.51, Arquivo Nacional da Torre do Tombo
  3. Alvará. Foro de fidalgo cavaleiro capulhão (erro) por acrescentamento, 12 de Junho de 1734, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, liv. 19, f.293, Arquivo Nacional da Torre do Tombo
  4. Carta. Título de Conselheiro, 1 de Fevereiro de 1745, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, liv. 19, f.293v, Cota: PT/TT/RGM/C/73194, Arquivo Nacional da Torre do Tombo
  5. Sebastião Pereira de Castro, Carta. Procurador Geral e Promotor Fiscal das Três Ordens Militares, 22 de Março de 1724, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, liv. 2, f.51, Cota: PT/TT/RGM/C/0002/73071, Arquivo Nacional da Torre do Tombo
  6. Carta. Desembargador do Paço, 1 de Fevereiro de 1745, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, liv. 19, f.293v, Cota: PT/TT/RGM/C/73187, Arquivo Nacional da Torre do Tombo
  7. Carta. Desembargador da Casa da Suplicação, 20 de Maio de 1728, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, liv. 19, f.293, Cota: PT/TT/RGM/C/73145, Arquivo Nacional da Torre do Tombo
  8. Desembargador dos Agravos da Casa da Suplicação, 18 de Março de 1738, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, liv. 19, f.293, cota: PT/TT/RGM/C/73174, Arquivo Nacional da Torre do Tombo
  9. A.A.V.V. Bibliografia de «História dos Municípios e do Poder Local (dos finais da Idade Média à. União Europeia)», direcção de César de Oliveira, Lisboa
  10. Viana de Outros Tempos e Sua Gente Através da Memória de Porto Pedroso, Arquivo do Alto Minho, volume IV da 2.ª Série (XIV) Tomo I, Viana do Castelo, 1965, página 39
  11. Sebastião Pereira de Castro, 1704-11-22 a 1712-06-12, Referência: PT/AUC/ELU/UC-AUC/B/001-001/C/007260, Arquivo da Universidade de Coimbra
  12. Felgueiras Gayo, «Nobiliário das Famílias de Portugal», Carvalhos de Basto, 2ª Edição, Braga, 1989 vol. II, pg. 271 (Barbosas)
  13. Gabinete historico: que a Sua Magestade fidelissima o Senhor rei D. Miguel I em o dia dos seus felicíssimos annos 26 de Outubro de 1828 offerece Fr Cláudio da Conceição, Desde Janeiro de 1755 até Dezembro de 1758, Tomo 13, pág.s 14-16
  14. As Antigas Portas de S. Lourenço, da Alfofa e de S.to André, por Ferreira de Andrade, boletim Olisipo, ani III, n.º 89, Janeiro de 1960, Lisboa, pág. 27 e 28

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Viana de Outros Tempos e Sua Gente Através da Memória de Porto Pedroso, Arquivo do Alto Minho, volume IV da 2.ª Série (XIV) Tomo I, Viana do Castelo, 1965, página 39