Sebastião Rodrigues

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Sebastião Rodrigues
Nascimento 1929
Dafundo
Morte 1997 (68 anos)
Nacionalidade Portugal portuguesa
Área Design de Comunicação

Sebastião Campos Afonso Rodrigues dos Santos (Dafundo, 19291997) foi um designer português.[1]

É uma figura de referência no campo do design gráfico em Portugal na segunda metade do século XX.

Biografia / Obra[editar | editar código-fonte]

Catálogo da II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, 1961

Curso de serralheiro mecânico pela Escola Industrial Marquês de Pombal (onde foi aluno de Frederico George).[2][3]

Essencialmente autodidata, começa desde muito jovem a executar pequenos trabalhos gráficos para o jornal A Voz. Em 1945 vai trabalhar para o Atelier de Publicidade Artística (APA), onde conhece Manuel Rodrigues, futuro companheiro de trabalho. Exerce atividade como profissional de artes gráficas a partir de 1947.[4][5]

Sebastião Rodrigues emerge no período de consolidação, a nível nacional, das principais conquistas do movimento moderno no domínio da expressão gráfica. Na década de 1950, as novas direções – divulgadas por exemplo pela revista Graphis –, irão influenciar o seu pensamento e o de outros da sua geração (como Sena da Silva ou Daciano Costa).[6]

A sua obra seria igualmente marcada pelo grafismo e aparência formal do trabalho de Victor Palla, pelo desempenho gráfico do norte-americano Alvin Lustig, e pela vasta recolha de elementos de raiz popular que ele próprio realizou enquanto bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian (1959-60). "A modernidade do seu grafismo, em estado puro, depurado e simbólico", ficou ligada, por exemplo, "à promoção do turismo português, à atividade editorial da Europa-América, da Sá da Costa, da Ulisseia, às edições e imagem institucional da Fundação Calouste Gulbenkian, às edições do Museu Nacional de Arte Antiga".[7]

Entre os inúmeros trabalhos em que se empenhou, dos cartazes e capas a uma multiplicidade de produções para impressão, onde revelou sempre grande originalidade de soluções, será necessário destacar a revista Almanaque, que dirigiu de 1959 a 1961 e através da qual "renovou as artes gráficas portuguesas".[8]

Capas da revista Almanaque, Julho e Novembro de 1960

A multiplicidade de soluções ensaiada no grafismo desta revista, o equilíbrio entre a dignidade e a inovação, haveriam de prolongar-se no seu trabalho posterior. "A riqueza e diversidade da paginação, o uso de velaturas, o aproveitamento do lado positivo e negativo da imagem, a duplicação ou a fragmentação de elementos visuais, constituíram processos de enriquecimento de cada Almanaque, tornando-o sempre individualizado, mas fiel a um estilo".[9]

Autor de uma obra multifacetada, Sebastião Rodrigues expôs individualmente e integrou diversas mostras coletivas, em Portugal e no estrangeiro. Entre as exposições coletivas podem destacar-se: Exposições de Arte Moderna do S.P.N./S.N.I. (1951, 1952, 1953); 1º Salão dos Artistas de Hoje (1956); 30 Anos da Cultura Portuguesa (S.N.I., 1956); exposição Bianco e Nero, Lugano (1958); I e II Exposições de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian (1957, 1961); etc.[10]

Foi distinguido com vários prémios, nomeadamente: diploma de Honra no Cartaz para as Olimpíadas de Helsínquia (1952); Prémio «Silver Prize» da International Travel Competition, Tóquio (1955); Prémio na Feira Internacional de Lisboa (1962); Award of Excellence pelo International Council of Graphic Associations (1991); etc. Foi sócio fundador da Associação Portuguesa de Designers (1976). Grande Oficial da Ordem do Mérito (1995).[11][12]

A partir de 1989 deixa de produzir, vitimado por doença, vindo a falecer oito anos mais tarde.

Referências

  1. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora (2003–2013). «Sebastião Rodrigues». Consultado em 17 de agosto de 2013 
  2. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora (2003–2013). «Sebastião Rodrigues». Consultado em 17 de agosto de 2013 
  3. A.A.V.V. – I Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1957.
  4. A.A.V.V. – II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1961.
  5. Tipográfico. «Sebastião Rodrigues (1929 - 1997)». Consultado em 17 de agosto de 2013 
  6. Fragoso, Margarida – Design Gráfico em Portugal: formas e expressões da cultura visual do século XX. Lisboa: Livros Horizonte, 2012, p. 120, 121. ISBN 978-972-24-1716-7
  7. Fragoso, Margarida – Design Gráfico em Portugal: formas e expressões da cultura visual do século XX. Lisboa: Livros Horizonte, 2012, p. 120, 121. ISBN 978-972-24-1716-7
  8. França, José AugustoA arte em Portugal no século XX. Lisboa: Livraria Bertrand, 1991, p. 409, 410
  9. Fior, Robin. In: Fragoso, Margarida – Design Gráfico em Portugal: formas e expressões da cultura visual do século XX. Lisboa: Livros Horizonte, 2012, p. 121, 122. ISBN 978-972-24-1716-7
  10. A.A.V.V. – II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1961.
  11. A.A.V.V. – II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1961.
  12. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora (2003–2013). «Sebastião Rodrigues». Consultado em 17 de agosto de 2013