Sebo (medicina)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Sebo (do lat. sebum)[1] é o fluido corporal, de conteúdo rico em triglicérides,[2] produzido e secretado pelas glândulas sebáceas. Constitui o filme lipídico da superfície cutânea[3] e possui a função de proteger a pele e o couro cabeludo (por exemplo contra as infecções diversas). É essa substância que garante a lubrificação da pele, evita o ressecamento de pelos e impede a perda de água de maneira excessiva. Além disso, essa substância garante uma leve ação bactericida. O sebo não apresenta nenhum cheiro, entretanto, o desenvolvimento de bactérias nesse local pode levar à produção de odores. A síntese de sebo tende a diminuir em mulheres após a menopausa; em homens, no entanto, não ocorre nenhuma alteração significativa até os 80 anos de idade.[4]

O sebo é comumente confundido com um tecido animal gorduroso proveniente das vísceras e fáscias que envolvem a carne de animais, fonte de gordura saturada, uma mistura de triglicerides de ácidos graxos, com cadeias carbônicas C14 a C22. A diferença é que sebo não é um tecido por ser acelular, isto é, não ser constituído por células, mas uma secreção.

Composição[editar | editar código-fonte]

O sebo de um indivíduo normal mediano é composto por cerca de 57% triglicérides e ácidos graxos, 26% de ésteres de cera, 12% de escaleno, 3% de ésteres de colesterol e 1% de colesterol.[5]

 Distribuição Graxa  de Sebo Bovino
Cromatografia de Cadeia Graxa Gorduras Saturadas Max -Min dados tipicos
 
Acido Miristico (C14) Max 3%
Acido Palmitico (C16) Max 26%
Acido Stearico (C18) Max 14%
Acido Behenico (C22) N/A 0%
  Subtotal 43%
 
Gorduras Insaturadas  
composição tipica
Miristoleico (14:1) ? 0%
Palmitoleico (16:1) Max 3%
Oleico (18:1) Max 47%
Linoleico (18:2) ? 3%
Linolenico (18:3) Max 1%
Outros ? 3%

Análise Microscópica[editar | editar código-fonte]

Ao microscópio eletrônico se observa que as células periféricas da glândula contêm tonofilamentos, refletindo sua origem epidérmica, e escassos lipídios. À medida que os lipídios se formam, o glucógeno se vai consumindo, os tonofilamentos vão se deslocando e o citoplasma se enchem de vacuolas. Na célula as vacuolas se fundem entre si provocando um aumento do tamanho da célula em até cem vezes o normal, adquirindo um aspecto de célula de corpo estranho. Em um estágio posterior, a membrana se desorganiza e a célula se rompe eliminando seu conteúdo (o sebo) no canal sebáceo.[6]

Análise Macroscópica de Anomalias Relacionadas ao Sebo[editar | editar código-fonte]

As apresentações clínicas são diversas e sua classificação não é universal. A descrição das lesões e sua extensão é a maneira mais útil para definir sua gravidade e orientar seu tratamento. As lesões iniciais são caracterizadas por comedões (tampões de queratina que se formam dentro dos óstios dos folículos e são descritos como abertos - “pontos pretos” - e/ou fechados - “pontos brancos”) que não apresentam inflamação. Com a progressão para a doença inflamatória, surgem pápulas, pústulas e nódulos (lesões inflamatórias dolorosas maiores do que 5 mm). A estimativa da gravidade depende de diversos fatores, como tipo de lesão, presença de cicatrizes, secreção das lesões ou trajetos fistulosos. [7]

Anomalias da pele relacionadas ao sebo[editar | editar código-fonte]

  • Seborréia — erupção cutânea oriunda da raiz dos capilares.
  • Acne — causadas pela hiperprodução de sebo glandular.

Referências

  1. «sebo». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Priberam Informática. Consultado em 8 de junho de 2015 
  2. Mota de Avelar Alchorne & Milanez Morgado de Abreu (2008). «Dermatologia na pele negra». Rio de Janeiro. An. Bras. Dermatol. 83 (1). ISSN 1806-4841. doi:10.1590/S0365-05962008000100002. Consultado em 8 de junho de 2015 
  3. Costa, Motta de Avelar Alchorne, Bezzan Goldschmidt (2008). «Fatores etiopatogênicos da acne vulgar». Rio de Janeiro. An. Bras. Dermatol. 83 (5). ISSN 1806-4841. doi:10.1590/S0365-05962008000500010. Consultado em 8 de junho de 2015 
  4. Santos, Vanessa. «Glândulas sebáceas. Características das glândulas sebáceas». Mundo Educação. Consultado em 14 de junho de 2019 
  5. «Glândulas sebáceas y acne». Santiago de Chile. Dermatología. 2 (1): 22-4. 1986  |coautores= requer |autor= (ajuda)
  6. «GLÂNDULAS SEBÁCEAS - Sentidos Humanos - Laifi». www.laifi.com. Consultado em 14 de junho de 2019 
  7. «TeleCondutas Acne» (PDF). Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Consultado em 14 de junho de 2019 
Ícone de esboço Este artigo sobre medicina é um esboço relacionado ao Projeto Saúde. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.