Secretaria Estadual de Saúde da Bahia
| Secretaria Estadual de Saúde da Bahia | |
|---|---|
| Sede da SESAB no Centro Administrativo da Bahia | |
| Organização | |
| Dependência | Centro Administrativo da Bahia |
| Chefia | Roberta Santana (PT), Secretária Estadual |
| Localização | |
| Sede | 4.ª Avenida, N.º400, Centro Administrativo da Bahia - CAB, Salvador, Bahia, CEP: 41745-900 |
| Histórico | |
| Criação | 21 de julho de 1927 (98 anos) |
| Sítio na internet | |
| https://www.saude.ba.gov.br/ | |
A Secretaria Estadual de Saúde da Bahia (SESAB) é um órgão da administração pública direta do Governo da Bahia responsável pela formulação da Politica Estadual da Saúde Pública e de suas diretrizes na Bahia, norteada pelos princípios do Sistema Único de Saúde.[1][2][3]
Criada originalmente em 21 de julho de 1927[4], somente na década de 1960 ela passou a adotar o arranjo administrativo-institucional contemporâneo, quando ela foi estabelecida pela lei n.º 2 321 de 11 de abril de 1966 como uma secretaria especializada em saúde pública, com a configuração atual.[5][6]
Histórico
[editar | editar código]O estado da Bahia abrigou a implantação da primeira faculdade de medicina no Brasil, porém, os órgãos voltados para questões sanitárias criados na Bahia ao longo do século XIX foram instituições pouco eficazes, e de atuação casuística, no enfrentamento dos problemas de saúde pública identificados, como foram os casos do Conselho de Salubridade criado pelas autoridades imperiais em 1838, da Commissão de Hygiene Publica para a província da Bahia criado pelas mesmas autoridades em 1851[7], e também do Conselho Geral de Saúde Pública, da Inspetoria de Higiene e do Instituto Vacínico, órgãos criados pelo Governo do Estado da Bahia após a proclamação da república por meio da lei estadual nº 30, de 29 de agosto de 1892[8].
Apesar dessas iniciativas precursoras no século XIX, as origens históricas das políticas públicas em saúde na Bahia estão na década de 1920, quando o Estado da Bahia acompanhou os movimentos de reforma sanitária ocorridos naquele período, fortemente influenciada pelo higienismo, e promulgou a Lei estadual nº 1.811/1925, lei responsável por criar a Subsecretaria de Saúde e Assistência Pública, órgão administrativo subordinado diretamente ao governador do estado da Bahia, ainda que estivesse com o status de subsecretaria, que era responsável pela saúde pública no estado da Bahia, na condição de “repartição essencialmente technica, directa e exclusivamente subordinada ao Governador do Estado”. Neste mesmo ano, a reforma sanitária empreendida pelo governador baiano Francisco de Góis Calmon contemplou também a criação do primeiro Código Sanitário estadual, em 20 de novembro de 1925[5][6].
Portanto, o embrião institucional da contemporânea SESAB está na Subsecretaria de Saúde e Assistência Pública criada pela lei estadual nº 1.811/1925, tendo o médico pernambucano Antônio Luís C. A. de Barros Barreto sido nomeado pelo governador Góis Calmon como o primeiro subsecretário de saúde e assistência pública, o qual passou a adotar diversas ações e políticas sanitaristas baseadas no higienismo, de acordo com os padrões da elite médica da época[5][6].
Em 1927, por meio de uma iniciativa que contou com o incentivo do Departamento Nacional de Saúde Pública e da elite médica da época, a Subsecretaria de Saúde e Assistência Pública teve o seu status político elevado para formar a inovadora e pioneira primeira secretaria estadual de saúde do Brasil: a Secretaria de Saúde e Assistência Pública, criada pela lei estadual nº 1.993, de 21 de julho de 1927[4][5][6].
Com a Revolução de 1930, houve diversas mudanças no aparato estatal no Estado da Bahia e a secretaria estadual de saúde e assistência pública foi atingida ao ser extinta em 1930, tendo as suas atribuições e órgãos incorporadas com outras pastas para formar a secretaria de educação, formando a Secretaria do Interior, Justiça, Instrução, Polícia, Segurança, Saúde e Assistência Pública[5][6][4].
Essa situação de estar aglutinada em uma única secretaria estadual com outros assuntos administrativos alheios às questões sanitárias (tendo modificado a sua nomenclatura algumas vezes) perdurou até 11 de abril de 1966, quando, em plena ditadura militar de 1964, já no final da gestão do governador Lomanto Júnior, as unidades de saúde da secretaria foram desmembradas para formar a estrutura da contemporânea Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, conforme a lei estadual n.º 2.321/1966[1] após uma extensa reforma administrativa no setor saúde.[9]
Em 1974, a Secretaria Estadual de Saúde da Bahia lançou um dos primeiros periódicos científicos do Nordeste especializados em saúde pública: a Revista Baiana de Saúde Pública, que surgiu como publicação institucional vinculada à biblioteca da SESAB, mas que a partir dos anos 2000 passou por uma reformulação editorial, assumindo uma formatação acadêmica e com periodicidade contínua[10].
Desde 2008, a SESAB tem autonomia para propor e implementar políticas públicas relacionadas à farmácia, ciência e tecnologia em saúde, após a lei estadual n.º 11 055 de 2008.[11]
Titulares
[editar | editar código]Organização administrativa
[editar | editar código]Estrutura da SESAB
[editar | editar código]As principais unidades que integram a estrutura administrativa da SESAB são[12]:
- Gabinete do Secretário (GASEC) e staff administrativo (Assessoria de Planejamento e Gestão, Coordenação de Projetos Especiais e Assessoria de Comunicação Social);
- Diretoria Geral (DGE);
- Diretoria Executiva do Fundo Estadual de Saúde (Fesba);
- Superintendências (de Vigilância e Proteção da Saúde - Suvisa, de Recursos Humanos da Saúde - Superh, de Gestão dos Sistemas de Regulação da Atenção à Saúde - Suregs, de Assistência Farmacêutica, Ciência e Tecnologia em Saúde - Saftec, de Atenção Integral à Saúde – Sais);
- Auditoria do SUS-BA;
- Corregedoria da Saúde.
Os colegiados que estão vinculados à SESAB são[12]:
- Conselho Estadual de Saúde;
- Comissão Intergestores Bipartite;
- Comitê Gestor Estratégico;
- Conselho Superior de Recursos.
Regiões administrativas
[editar | editar código]
A regionalização do território baiano com a finalidade de tornar mais fácil a administração geral foi iniciada em 1925 com quatro subdiretorias sanitárias, sendo uma no norte, uma no sul e duas no centro. No ano de 1964, a Bahia contava com nove regiões da saúde sendo: Salvador, Feira de Santana, Alagoinhas, Santo Antônio de Jesus, Jequié, Itabuna, Vitória da Conquista, Juazeiro e Bom Jesus da Lapa. Após a implementação da SESAB em 1966, o estado foi dividido em macrorregiões correspondendo cada uma delas um centro executivo destinando a sede do órgão de administração regionalizado sendo assim, todo o território estadual ficaria coberto. Foram instalados Centros Executivos Regionais em Salvador, Feira de Santana, Santo Antônio de Jesus, Jacobina, Juazeiro, Ilhéus, Vitória da Conquista e Barreiras, como sede das oito iniciais macrorregiões de saúde.[9] As macrorregiões e microrregiões foram descontinuadas após o decreto n.º 7.508, de 28 de junho de 2011.[14] Com a interrupção da organização por macrorregião e microrregião, foram estabelecidos os Núcleos Regionais de Saúde, inicialmente em nove com a mesma localização das antigas macrorregiões.[15]
Atribuições, ações e serviços públicos
[editar | editar código]Na condição de órgão responsável pela formulação da política estadual de saúde, a gestão do Sistema Estadual de Saúde e a execução de ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde no estado da Bahia, dentre as diversas atividades desempenhadas, a SESAB desenvolve as seguintes ações e serviços públicos[12][16]:
- Centro de Operações de Emergência em Saúde (Coes);
- Escola de Saúde Pública da Bahia Professor Jorge Novis (ESPBA);
- Programa de fortalecimento do SUS na Região Metropolitana de Salvador (RMS);
- Câmara de Conciliação de Saúde (CCS);
- Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS);
- Revista Baiana de Saúde Pública.
Combate à pandemia de COVID-19
[editar | editar código]A Bahia teve seu primeiro caso confirmado de Sars-Cov-2 em 6 de março de 2020 na cidade de Feira de Santana,[17] tendo sua primeira morte em 29 de março de 2020 em Salvador.[18] A SESAB inicialmente conseguia diagnosticar 300 casos por dia, o Laboratório Central de Saúde Pública Prof. Gonçalo Moniz (LACEN-BA) começou a funcionar 24 horas por dia, e a secretaria também conseguiu o genoma do vírus e começou a testar os primeiros casos de COVID-19 na Bahia.[19] Em 26 de fevereiro de 2021, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) doou mais de 500 mil equipamentos de proteção individual (EPI) para a SESAB.[20]
Em 1 de abril de 2021, a Bahia era o estado que mais vacinou a sua população contra a COVID-19 no Brasil, com mais de 1,6 milhões de vacinados, cerca de 11,15% dos habitantes,[21][22][23] o secretário da saúde Fábio Vilas-Boas comemorou no Twitter com uma postagem, tendo como texto: "a Bahia brocou".[24]
Ver também
[editar | editar código]- Lista de hospitais da Bahia
- Academia de Medicina da Bahia
- Academia de Medicina de Feira de Santana
- Faculdade de Medicina da Bahia da Universidade Federal da Bahia
Referências
- ↑ a b «Sobre a Sesab». Sesab - Secretaria da Saúde do Estado da Bahia. Consultado em 21 de abril de 2021
- ↑ Jesus, Washington Luiz Abreu de; Teixeira, Carmen Fontes (agosto de 2010). «Planejamento estadual no SUS: o caso da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia». Ciência & Saúde Coletiva (5): 2383–2393. ISSN 1413-8123. doi:10.1590/S1413-81232010000500013. Consultado em 22 de abril de 2021
- ↑ Pinto, Isabela Cardoso de Matos; Teixeira, Carmen Fontes (setembro de 2011). «Formulação da política de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde: o caso da Secretaria Estadual de Saúde da Bahia, Brasil, 2007-2008». Cadernos de Saúde Pública (9): 1777–1788. ISSN 0102-311X. doi:10.1590/S0102-311X2011000900011. Consultado em 22 de abril de 2021
- ↑ a b c Bulcão, Livínia de Argolo; Oliveira, Margarida Pinto; Nery, Gabriel Cedraz (1987). «Relação cronológica dos secretários da Saúde do Estado da Bahia». Revista Baiana de Saúde Pública (1): 168–169. ISSN 0100-0233. doi:10.22278/2318-2660.1986.v37.n4.a1114. Consultado em 21 de janeiro de 2023
- ↑ a b c d e Batista, Ricardo dos Santos (2015). Como se saneia a Bahia: a sífilis e um projeto político-sanitário nacional em tempos de federalismo (PDF) (Tese de Doutorado em História Social). Salvador: Universidade Federal da Bahia. Consultado em 21 de janeiro de 2023
- ↑ a b c d e Mascarenhas, Nildo Batista; Silva, Lívia Angeli (2019). «A Política de Saúde na Bahia (1925-1930)» (PDF). Revista Baiana de Saúde Pública (43): 257-276. ISSN 2318-2660. doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n0.a3229. Consultado em 21 de abril de 2021
- ↑ «A Saúde Pública no Estado da Bahia: Resumo do Relatorio ds Secretaria de Saúde e Assistencia Pública no ano de 1927» (PDF). Oficina Sanitaria Panamericana. OPAS. Consultado em 21 de janeiro de 2023
- ↑ Nery, Gabriel Cedraz (1982). «A organização sanitária do Estado da Bahia: algumas notas para o estudo de sua história». Revista Baiana de Saúde Pública (1): 45–51. ISSN 0100-0233. doi:10.22278/2318-2660.1982.v9.n1.a891. Consultado em 22 de janeiro de 2023
- ↑ a b Araújo, José Duarte de; Ferreira, Emerson S. M.; Nery, Gabriel Cedraz (1973). «Regionalização dos serviços de Saúde Pública: a experiência do estado da Bahia, Brasil». Revista de Saúde Pública (1): 1–19. ISSN 0034-8910. doi:10.1590/S0034-89101973000100001. Consultado em 21 de abril de 2021
- ↑ Lucitânia Rocha de Aleluia, Frederico Oliveira (2018). «Revista Baiana de Saíde Píblica». ABEC Meeting 2018. ABEC. Consultado em 21 de janeiro de 2023
- ↑ «Secretaria da Saúde do Estado da Bahia - SESAB». Rede Brasileira de Avaliação Tecnologia e Saúde. 29 de abril de 2015. Consultado em 21 de abril de 2021
- ↑ a b c Jesus, Washington Luiz Abreu de (2012). Planejamento em saúde no SUS: o caso da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia 2007-2009 (PDF) (Tese de Doutorado em Saúde Pública). Salvador: Universidade Federal da Bahia. Consultado em 20 de janeiro de 2023
- ↑ Souza, Eliana Amorim de; Boigny, Reagan Nzundu; Oliveira, Héllen Xavier; Oliveira, Maria Leide Wand-Del-Rey de; Heukelbach, Jorg; Alencar, Carlos Henrique; Martins-Melo, Francisco Rogerlândio; Ramos Júnior, Alberto Novaes; Souza, Eliana Amorim de (abril–junho de 2018). «Tendências e padrões espaço-temporais da mortalidade relacionada à hanseníase no Estado da Bahia, Nordeste do Brasil, 1999-2014». Cadernos Saúde Coletiva (2): 191–202. ISSN 1414-462X. doi:10.1590/1414-462x201800020255. Consultado em 21 de abril de 2021
- ↑ «Resolução CIB Nº 275/2012» (PDF). Serviço Público Estadual. Consultado em 21 de abril de 2021
- ↑ «Municípios e Regionalização». Sesab - Secretaria da Saúde do Estado da Bahia. Consultado em 21 de abril de 2021
- ↑ «Sobre a Sesab». SESAB. Consultado em 20 de janeiro de 2023
- ↑ «Bahia confirma primeiro caso de coronavírus no estado; país agora tem 9». noticias.uol.com.br. 6 de março de 2020. Consultado em 22 de abril de 2021
- ↑ «Bahia registra primeira morte de paciente com coronavírus». G1. Consultado em 22 de abril de 2021
- ↑ «Veja medidas já anunciadas pelo governo da Bahia em combate ao coronavírus no estado». G1. Consultado em 22 de abril de 2021
- ↑ «UNFPA doa mais de 500 mil Equipamentos de Proteção Individual para Secretaria da Saúde da Bahia». brasil.un.org. Nações Unidas no Brasil. Consultado em 22 de abril de 2021
- ↑ «Vacinados contra a covid-19 no Brasil chegam a 18,5 milhões, 8,78% da população». ISTOÉ DINHEIRO. 1 de abril de 2021. Consultado em 22 de abril de 2021
- ↑ «Bahia é o estado com maior percentual de vacinados contra Covid-19 no Brasil». coronavirus.atarde.com.br. A Tarde. Consultado em 22 de abril de 2021
- ↑ Ker., João (1 de abril de 2021). «Brasil tem 18,5 mi de vacinados; Bahia é o estado que mais vacinou proporcionalmente». Jornal Correio. Consultado em 22 de abril de 2021
- ↑ «Bahia é o estado com mais vacinados contra Covid-19, diz secretário de Saúde, Fábio Vilas-Boas». G1. Consultado em 22 de abril de 2021