Sede da Organização das Nações Unidas

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Sede da Organização das
Nações Unidas
Vista da Sede da ONU, em Nova Iorque.
Nomes alternativos UN Headquarters
Estilo dominante Internacional
Arquiteto Le Corbusier
Oscar Niemeyer
Harrison & Abramovitz
Início da construção 1948
Fim da construção 9 de outubro de 1952
Proprietário atual Organização das Nações Unidas
Dimensões
Altura 155 m (509 pés)
Número de andares 39
Geografia
País  Estados Unidos
Localidade Flag of New York City.svg Nova Iorque, NY
(Território internacional)
Coordenadas 40° 44' 56.13" N 73° 58' 05.68" O

A Sede da Organização das Nações Unidas está localizada em Nova Iorque, Estados Unidos. Foi construída entre 1949 e 1952, com projeto do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer e está localizada no setor leste de Manhattan.[1]

As Nações Unidas possuem três sedes adicionais, subsidiárias e regionais. Estas foram abertas em Genebra em 1946, em Viena em 1980 e em Nairóbi, em 2011.[2] Todas estas sedes adicionais representam conjuntamente os interesses das Nações Unidas, facilitam atividades diplomáticas e gozam de extraterritorialidade; porém somente o complexo em Nova Iorque sedia os principais organismos da organização, incluindo a Assembleia Geral e o Conselho de Segurança. Todas as quinze agências especializadas das Nações Unidas estão sediadas em locais fora da cidade de Nova Iorque.

A propriedade ocupada pela sede das Nações Unidas e os espaços dos prédios adjacentes estão sob administração e controle da organização e não do governo estadunidense, sendo considerados território internacional através de um acordo entre os dois governos. Contudo, em troca de obter serviços urbanos e de segurança prestados por Nova Iorque, as Nações Unidas optaram por acolher a maioria das leis locais.[3]

A sede das Nações Unidas foi construída por etapas, sendo a principal delas empreendida entre 1948 e 1952. A sede ocupa cerca de 18 acres de terra nas margens do rio East, compradas por Nelson Rockefeller.[4] A propriedade, que pertencia originalmente a William Zeckendorf, foi negociada por Rockefeller após não ser aceita a oferta de utilizar sua mansão particular - Kykuit - como sede da organização, por conta da distância de Manhattan.[5] A compra, no valor de 8.5 milhões de dólares, foi finalizada por John D. Rockefeller, Jr., que doou a propriedade à administração local.[6]

Equipe de Projeto[editar | editar código-fonte]

Em vez de anunciar um concurso para o projeto do complexo das Nações Unidas, a ONU preferiu montar uma equipe de arquitetos de diversos países para a composição do projeto. O arquiteto americano Wallace Harrison foi o diretor de planejamento e os governos dos países indicaram seus representantes.

A equipe de arquitetos consistiu em N.D. Bassov (União Soviética), Gaston Brunfaut (Bélgica), Ernest Cormier (Canadá), Le Corbusier (França/Suíça), Liang Ssu-cheng (China), Sven Markelius (Suécia), Oscar Niemeyer (Brasil), Howard Robertson (Reino Unido), G.A. Soilleux (Austrália) e Julio Villamajo (Uruguai).[7]

O comitê apreciou 50 estudos diferentes antes de chegar a uma decisão. O desenho derivou de uma proposta de Niemeyer/Corbusier.[8]

Caráter internacional[editar | editar código-fonte]

Bandeiras dos Estados-membros dispostas em ordem alfabética na fachada das Nações Unidas.

O local da sede das Nações Unidas possui status de extraterritorialidade.[9] Isto afeta o cumprimento de algumas leis locais, já que muitas leis da cidade e do estado de Nova Iorque não são aplicadas no espaço da sede da organização; o que não retira, contudo, a punibilidade de atos criminosos. A sede das Nações Unidas permanece sob jurisdição da Lei estadunidense, porém, alguns dignatários possuem imunidade diplomática concedida pelo Secretariado, o que lhes impede de serem autuados pelas autoridades locais. Em 2005, o Secretário-geral Kofi Annan suspendeu a imunidade de Benon Sevan, Aleksandr Yakovlev e Vladimir Kuznetsov com relação ao Programa Petróleo por Alimentos,[10] o que desencadeou na condenação dos três acusados pela Corte Federal do Distrito Sul de Nova Iorque.[11] Posteriormente, Benon Sevan fugiu para o Chipre, enquanto Yakolev e Kuznetsov passaram pelo julgamento.[12]

A moeda corrente no território das Nações Unidas é o dólar americano. As estampas das Nações Unidas são emitidas em denominação do dólar americano.[13] Da mesma forma, devem ser seguidas as tarifas postais dos Estados Unidos.

As Nações Unidas definem árabe, inglês, francês, russo e espanhol como os seis idiomas oficiais da organização.[14] Delegados fluentes em qualquer um destes idiomas são servidos de tradução simultânea para qualquer outro idioma.[15] É permitido ao delegado discursar em um idioma não-oficial da organização, no entanto, deve prover um intérprete para si ou uma cópia traduzida de suas declarações. Por sua vez, o Secretariado das Nações Unidas, define inglês e francês como seus idiomas de trabalho.

O complexo usa como endereço oficial: "New York, NY 10017, USA.". Por questões de segurança, todos os envios ao endereço são esterilizados, de forma que itens degradáveis podem ser enviados por correio.[16] A Administração Postal dos Estados Unidos emite selos para uso exclusivo das Nações Unidas. A imprensa comumente usam "Nações Unidas" em detrimento de "Nova Iorque" ou "Estados Unidos" como localização em reconhecimento da condição de extraterritorialidade.

Estruturas[editar | editar código-fonte]

O Prédio do Secretariado das Nações Unidas.
A Biblioteca Dag Hammarskjöld.

Edifício da Assembleia Geral[editar | editar código-fonte]

O prédio da Assembleia Geral, sede da Assembleia Geral das Nações Unidas, abriga o plenário da Assembleia Geral e possui capacidade para 1.800 pessoas assentadas. Com 50 metros de altura e 35 metros de largura, é a maior sala no complexo. O plenário é adornado com murais do artista francês Fernand Léger. À frente da câmara, há a notória tribuna decorada em mármore verde, onde se assentam o Presidente e a comissão que preside a Assembleia Geral,[17] assim como o púlpito dos oradores.[7] Atrás da tribuna, há um emblema das Nações Unidas forjado em ouro.[18] O telhado do prédio possui 23 metros de altura e é encimado por um discreto domo.[19] Na entrada principal do prédio da Assembleia Geral, há uma citação do Gulistan, do poeta persa Saadi. O complexo que sedia Assembleia Geral foi reformado mais recentemente em 1980, quando sua capacidade foi ampliada para acomodar maior número de comitivas. Cada uma das 192 delegações ocupa seis assentos no plenário principal.[7]

Edifício do Secretariado[editar | editar código-fonte]

O Edifício do Secretariado é a sede do Secretariado das Nações Unidas, um dos seis organismos que compõem o Sistema das Nações Unidas. O prédio de 39 andares e 155 metros de altura, foi projetado pelo arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer e pelo franco-suíço Le Corbusier e inaugurado em 1952.[20] O prédio é interligado internamente às estruturas adjacentes, como os plenários da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança. O local sedia escritórios administrativos da organização, como o gabinete do Secretário-geral das Nações Unidas.

Biblioteca Dag Hammarskjöld[editar | editar código-fonte]

A Biblioteca Dag Hammarskjöld foi fundada juntamente com as Nações Unidas em 1946. Era conhecida originalmente como Biblioteca das Nações Unidas, e posteriormente rebatizada para Biblioteca Internacional das Nações Unidas. Na década de 1950, através de repasses da Fundação Ford e da atuação de Dag Hammarskjöld, a organização iniciou a construção de uma nova sede para sua biblioteca; inaugurada e rebatizada em 16 de novembro de 1961.[21] O acervo da biblioteca compreende 400 mil livros, 9.800 jornais e títulos periódicos, 80.000 mapas, 8.600 volumes de documentos da Liga das Nações e 6.500 livros e publicações relacionadas.[22] A Coleção Econômica e Social da instituição está situada no mesmo prédio.

Coleção de arte[editar | editar código-fonte]

Sino da Paz Japonês, doado pelo povo japonês às Nações Unidas.
A escultura Não-Violência, nos jardins da sede das Nações Unidas.

O complexo é notório também por seus jardins e esculturas externas. Entre as esculturas icônicas, figuram a Não-Violência, representando um Colt Python cujo cano foi amarrado por um nó, presente do governo de Luxemburgo;[23] e Espadas em Arados, uma presente da União Soviética.[24] Próximo ao local há uma inscrição do texto de Isaías 2:4 que cita a expressão "espadas em arados".[25] Um fragmento do Muro de Berlim também está exposto nos jardins da sede das Nações Unidas.[26] [27]

Outras obras de arte de propriedade das Nações Unidas são: um vitral de Marc Chagall em homenagem a Dag Hammarskjöld, o Sino da Paz Japonês (badalado anualmente na abertura da Assembleia Geral), uma escultura de marfim chinesa doada em 1974, e um mosaico veneziano representando A Regra de Ouro de Norman Rockwell.[28] No plenário principal do Conselho de Segurança, há uma tapeçaria baseada na obra Guernica, de Picasso.[29] Em 1952, dois murais de Léger foram instalados no hall da Assembleia Geral.[30]

Outra obra de destaque são os painéis do artista brasileiro Cândido Portinari intitulados Guerra e Paz. Os painéis estão expostos no salão dos delegados. Encomendado pela United Nations Association of the United States of America como um presente às Nações Unidas, Portinari planejou executar a obra em solo estadunidense; no entanto, por problemas com o visto, o artista teve de realizá-los inteiramente no Rio de Janeiro.[31] Após a conclusão, em 1957, os painéis foram levados para a sede das Nações Unidas, onde permanecem até os dias de hoje.[32]


Referências

  1. [1]
  2. «Welcome to the United Nations Office at Vienna!». Nações Unidas. 
  3. Kelsen, Hans (1950). «The law of the United Nations: a critical analysis of its fundamental problems». The Lawbook Exchange, Ltd. ISBN 1-58477-077-5. 
  4. «Introductory information» (PDF). Nações Unidas. 
  5. Aluwaisheg, Abdel Aziz (12 de outubro de 2015). «UN and neighborhood gentrification». Arab News. 
  6. Boland, Ed Jr. (8 de junho de 2003). «F.Y.I». The New York Times. 
  7. a b c «Fact Sheet: United Nations Headquarters». Nações Unidas. 
  8. Bacon, Mardges (2003). Le Corbusier in America: Travels in the Land of the Timid (em inglês) (Cambridge, MA: MIT Press). p. 393. ISBN 0-262-52342-6. Consultado em 11 de maio de 2012. 
  9. «The Story of United Nations Headquarters». Nações Unidas. Julho de 2006. 
  10. «UN/Volcker Report». Nações Unidas. 8 de agosto de 2005. 
  11. «Antigo responsável da ONU acusado de receber "luvas"». Público. 9 de agosto de 2005. 
  12. «Q&A: Oil-for-food scandal». BBC News. 7 de setembro de 2005. 
  13. «United Nations Stamp History». Nações Unidas. 
  14. S.A.P (2 de abril de 2013). «Languages of diplomacy: Towards a fairer distribution». The Economist. 
  15. Reynolds-Brown, Helen (15 de maio de 2014). «How I became a UN interpreter». The Guardian. 
  16. «Security Notice - United Nations Headquarters». Nações Unidas. 
  17. «Carrière de serpentinite à Chatillon, Val d'Aoste, Italie». Planet Terre. 13 de janeiro de 2014. 
  18. «The General Assembly». 
  19. Kroll, Andrew (17 de março de 2011). «AD Classics: United Nations / Wallace K. Harrison». ArchDaily. 
  20. Hamilton, Thomas J. (10 de outubro de 1953). «Work Completed on U.N. Buildings». The New York Times. 
  21. «Hammarskjold Library Dedicated». The New York Times. 17 de novembro de 1961. 
  22. «Collections». Nações Unidas. 
  23. «Luxembourg Mission to UN». Nações Unidas. 
  24. «Swords into Plowshares». Nações Unidas. 
  25. Jewett, Robert; Lawrence, John Shelton (Janeiro de 2003). «Captain America and the Crusade Against Evil: The Dilemma Of Zealous Nationalism». William B. Erdmans Publishing Co. ISBN 978-0-8028-6083-5. 
  26. «Piece of Berlin Wall, a gift of Germany, unveiled at UN garden». United Nations. 
  27. Sheets, Connor Adams (14 de julho de 2011). «Berlin Wall Tourism: Where To See Wall Pieces In The US [PHOTOS]». International Business Times. 
  28. «Rockwell ’ s “Regra de ouro”». Museu Norman Rockwell. 
  29. Cohen, David (6 de fevereiro de 2003). «Hidden Treasures: What's so controversial about Picasso's Guernica?». Slate. 
  30. Marks, Ed (1998). «Art...at home in the United Nations». UN Chronicle. 
  31. «An 'element of inspiration and calm' at UN Headquarters – art in the life of the United Nations». UN Chronicle. Dezembro de 1990. 
  32. Gould, Luiza (8 de setembro de 2015). «‘Guerra e paz’, de Portinari, ganha reinauguração na ONU». O Globo. 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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