Sedevacantismo

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O brasão da Sede vacante, usado oficialmente pela Santa Sé nos períodos entre a morte ou renúncia de um Papa e a eleição de seu sucessor.

Sedevacantismo é a posição de católicos que acreditam que a Santa Sé está vaga e que o homem geralmente reconhecido como Papa é, na realidade, um impostor. O termo "sedevacantismo" é derivado da frase em latim sede vacante, que significa literalmente "cadeira vaga", sendo a cadeira em questão a cátedra de um bispo. A utilização da frase em um contexto contemporâneo geralmente diz respeito à vacância da Santa Sé nos períodos entre a morte ou a renúncia de um Papa e a eleição de seu legítimo sucessor. Para os sedevacantistas, a Igreja Católica não tem atualmente um papa para a governar e guiar, vivendo, portanto, em um estado permanente de sede vacante.

Geralmente, os sedevacantistas são católicos tradicionalistas que rejeitam as transformações vividas pela Igreja Católica desde o Concílio Vaticano II, considerando que o Papa Pio XII, morto em 1958, foi o último pontífice romano conhecido. Alguns grupos aceitam a legitimidade de seu sucessor, o Papa João XXIII, mas rejeitam Paulo VI e seus sucessores como apóstatas. Outros, ainda, embora permaneçam críticos severos dos pontífices recentes, reconhecem a legitimidade e a autoridade de todos até Bento XVI, rejeitando, contudo, o seu sucessor Francisco, o qual teria perdido ipso facto a autoridade pontícia ao ser o primeiro Papa a cair publicamente em heresia formal.

Entretanto, nem todos os tradicionalistas, críticos do Concílio Vaticano II e dos papas recentes, são sedevacantistas, mesmo em relação a Francisco. Exemplo notório é a Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

A maioria dos sedevacantistas creem que os papas recentes não foram/são católicos verdadeiros nem, portanto, papas legítimos, em virtude de, alegadamente, terem abraçado a heresia do modernismo e negado ou contrariado dogmas católicos já definidos infalivelmente pelo Magistério da Igreja Católica ou pela própria Revelação bíblica, sendo por definição irreformáveis.

Segundo o místico Frithjof Schuon:

"A Igreja existe todavia, e necessariamente, mas ela não está mais em Roma; o Vaticano está tomado por uma força de ocupação estrangeira. Esta força de ocupação é o que se chama de “modernismo”: desde o século XIX, e mesmo antes, o racionalismo e o cientismo influenciaram os católicos, já imbuídos de “civilizacionismo” progressista, como quase todos os ocidentais. Esses erros da mentalidade dominante do século XIX deram origem, no interior do Catolicismo, a este movimento que chamamos de “modernismo”. Esta ideologia fora magistralmente analisada e definida por Pio IX, depois por Pio X; este último erigiu um muro protetor contra o modernismo ao introduzir o ‘’juramento anti-modernista’’, e ele não temeu proceder a numerosas suspensões e excomunhões. Os papas seguintes, até Pio XII inclusive, lembraram mais de uma vez as definições e condenações proclamadas por Pio IX e Pio X; mas eles infelizmente se contentaram com isso e em geral evitaram tomar medidas punitivas. Com a morte de Pio XII, os modernistas partiram para o assalto; o fato de que Pio XII, para evitar escândalos, tivesse evitado excomungar Roncalli, Montini e outros, iria ter consequências. Roncalli afinal foi eleito, ele mesmo já um notório modernista, permitindo finalmente que os modernistas tomassem de assalto a Igreja. Exatamente como um exército estrangeiro ocupa um país sem defesa." [1]

De acordo com o livro Men of a Single Book, de Mateus Soares de Azevedo:

"O concílio Vaticano Segundo permitiu que a nova ideologia humanista do ‘progresso’, ciência e tecnologia invadisse os sacros limites antes reservados para o conhecimento e o amor de Deus. Mas, desde que a religião nunca pode ser um suporte para a mentalidade materialista como estruturada pela Renascença e o Iluminismo, e de fato está em completa oposição a ela, os chefes do concílio buscaram uma pacto e uma acomodação com a mentalidade moderna. Tal meta constitui, contudo, uma clara traição do espírito cristão. Muito antes do Vaticano II, ainda na década de 1920, René Guénon escreveu: qualquer compromisso entre o espírito religioso e a mentalidade moderna enfraqueceria o primeiro e só beneficiaria a segunda, cuja hostilidade não seria por isso diminuída, dado que o modernismo almeja a aniquilação total de tudo que, na humanidade, reflete uma realidade superior a ela mesma (in: A Crise do Mundo moderno). Palavras proféticas. O principal arquiteto desta revolução dentro da igreja foi o jesuíta francês Teilhard de Chardin; ele foi o ‘elo perdido’ entre o Renascimento, o Iluminismo e o Vaticano II. Com seu evolucionismo panteísta com verniz cristão, Teilhard dizia que Cristo representou um grande 'salto evolutivo' e que Deus também está sujeito à 'evolução'! Seu ‘testamento intelectual’ pode ser resumido num extrato de seu livro Cristianismo e Evolução (p.99): 'Se, como resultado de alguma revolução interior, eu perdesse sucessivamente minha fé em Cristo, minha fé no Deus pessoal e a fé no espírito, creio que continuaria a crer de forma invencível no mundo. O mundo, seu valor, sua bondade, sua infalibilidade, é isso, ao final das contas, a primeira, a última e a única coisa em que creio.' Não é sem razão que um comentário espirituoso diz que se Lutero foi um cristão que deixou a Igreja, Teilhard foi um pagão que permaneceu nela!"[2]

Ademais, segundo o autor britânico William Stoddart, o concílio Vaticano Segundo foi uma "revolução palaciana" imposta à força sobre os fieis, que não foram consultados sobre as mudanças revolucionárias e anti-tradicionais em curso:

"Esta revolução palaciana foi imposta por seis falsos monarcas: iniciada por Roncalli [João XXIII], foi concluída por Montini [Paulo VI], e a seguir continuada por Luciani [João Paulo I], Woytila [João Paulo II], Ratzinger [Bento XVI] e Bergoglio [Francisco]. Os fieis foram roubados de seu bem mais precioso, sua religião, que é a chave para a condução de suas vidas e para sua salvação."[3]

Oriundos do sedevacantismo, existem os que tiveram a sua alternativa própria: elegeram e reconheceram um dos seus como o verdadeiro e legítimo Papa. Devido ao facto de eles afirmarem que a Santa Sé é dirigida pelo seu candidato, eles não são sedevacantistas em sentido estrito, por isso são chamados de "conclavistas". No entanto, o termo "sedevacantista" é também frequentemente aplicado a eles, porque eles rejeitam a actual sucessão papal aceita pela Igreja Católica, pelas mesmas razões do que os sedevacantistas.

Referências

  1. Frithjof Schuon: Cartas de un Maestro Espiritual. Olañeta editores, Palma de Mallorca, Espanha, 2015.
  2. Mateus Soares de Azevedo: Men of a Single Book. World Wisdom, EUA, 2010. P. 95.
  3. William Stoddart: Lembrar-se num mundo de esquecimento. Editora Kalon, São José dos Campos, 2013.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]